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12 Confiança
Notas iniciais

Após o "desaparecimento" de Rebeca, ficamos por um tempo em silêncio olhando para a água, que estava quieta e aparentemente inofensiva, como antes. Rapidamente Matheus teve uma alteração de humor e veio em direção a mim, com toda a raiva que alguém poderia ter.
"Por que você não estava no lago com a gente? Por que você é pega sozinha e longe dos outros? E que voz é essa que só você ouviu primeiro e nós só agora? Por que mesmo vulnerável você sempre está intacta?", Matheus me interrogava num tom grosseiro enquanto olhava nos meus olhos. Enquanto gritava comigo, Matheus se aproximava cada vez mais de mim até me empurrar com uma força que chegou a me botar no chão. Eu, calada, apenas o observava, desacreditada.
"Ei cara, não precisa bater nela. Ela pode não ter nada a ver com isso" dizia Guilherme segurando Matheus pelo braço. Eu me senti aliviada até que Bruno disse concordar com Matheus, e que eu era "sortuda demais" por estar entre os sobreviventes. Parece que os garotos estavam certos de que eu era estranha e diferente demais deles, nem Arthur conseguia olhar pra mim direito. "Até você?", perguntava eu, num tom baixinho e amedrontado. Arthur apenas me ignorou e eu me levantei.
Estava tarde da noite e tínhamos acabado de nos secar e também de nos vestir, acredito que já era madrugada. Sem dizer mais nada, dei as costas e fui embora. Entrei na floresta escura sem o menor rumo, apenas queria sair de perto dos garotos já que estavam desconfiando de mim. Guilherme era o único que me olhava partindo. Ele parecia estar preocupado naquele momento, mas não pude evitar.
Eu estava com um pouco de frio e decidi subir numa árvore e me aquecer perto de folhas e galhos até ouvir a mesma voz de antes. A escuridão era enorme e não conseguia enxergar absolutamente nada, mas conseguia ter a noção de que lado vinha a voz e tentei observar bem. A voz só repetia meu nome e dizia "estou aqui" até eu, em um dos galhos da árvore, olhar para baixo e ver uma garota com um vestido me observando lá embaixo. Assustada, desci rapidamente e perguntei quem ela era. A garota era um pouco mais alta que eu e tinha cabelos ruivos, dizia me conhecer e logo saquei que era Joanna.
"Você é Joanna?!", eu perguntava, bastante curiosa.
"Sim, sou eu. Você é bem esperta, por isso que te procurei!", Joanna parecia estar um pouco mais aliviada em finalmente conversar comigo cara-a-cara.
"Por que se escondeu por todo esse tempo? Sobre o que quer falar comigo?", eu parecia estar conversando com alguém bastante importante pra fazer tantas perguntas. Na verdade era sim alguém importante, eu apenas não me tocava.
"Eu não escondi. Não precisei me esconder. Gostaria de te alertar e, quem sabe, te ajudar a sair desse pesadelo", Joanna ficava mais séria cada vez que falava, parecia estar realmente preocupada comigo.
"Por favor, se quer me informar algo, não diga palavras difíceis. Seja rápida, eu estou aqui agora!", eu já segurava os braços de Joanna, praticamente desesperada, mas logo que me toquei que estava exaltada demais. Soltei a garota.
"Acalme-se, se ficar muito nervosa e desconfiada eles provavelmente saberão o que você sabe. Eles estão tratando vocês e este lugar como um circo", informava Joanna e eu completava: "Eles no caso seriam quem nos observam ou nos trouxeram até aqui? O que eles pretendem?".
"Não posso te dizer o que pretendem, isso realmente te enlouqueceria, mas posso te ajudar a sair daqui", dizia Joanna enquanto apontava ao farol da 'prisão' e completava: "Existem muitas coisas lá dentro que podem te ajudar, mas naquele farol em específico pode te ajudar a ter uma boa ideia".
Enquanto eu e Joanna conversávamos, a chuva começava e bastante forte, com relâmpagos e trovões intensos. "Por que não vem comigo?", perguntava eu, não me importando mais com a chuva, completamente encharcada. Também notei que Joanna não se molhava. Fiquei calada por alguns segundos e, calmamente, perguntei à ela se ela realmente morreu... Uma forte dor de cabeça me fazia ficar de joelhos no chão, entrelaçando fortemente meus dedos em meu cabelo... Fechei meus olhos de tanta dor...

"Alguém que jamais existiu jamais morreria"
Ajoelhada e com as mãos na cabeça, abri meu olho direito e notei que Joanna não mexeu seus lábios ao me dizer isso. Era como se ela tivesse conversado comigo em minha mente. Um forte flash no meio da chuva tomou conta de minha visão por um milésimo de segundo e Joanna já não estava mais lá, já não estava mais na minha frente, ou então nunca esteve.
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