300 Segundos
1 Capítulo 1: Só mais uma vez...
Notas iniciais
300 segundos:
Sai do carro silenciosamente e me pus a correr. O sapato de tecido impermeável tornava minha apressada caminhada impossível de se emitir ruídos, e a água acumulada no chão da ultima chuva não o molhava. Sentia os paralelepípedos que formavam as ruas desalinhadas pressionarem a sola do meu pé, tornando a corrida um tanto dolorosa.
240 segundos:
A chuva continuava a cair intensamente, molhando minha roupa e meu capuz. Cheguei ao prédio desejado. Uma construção de 5 andares, de cor vermelha todavia desbotada pelo tempo, e telhado preto como o céu naquela noite. Joguei minha arma as costas: uma M1903-A4. Um rifle de madeira não tão leve, mas muito preciso. Apoiei minha mão direita no primeiro cano da escada, e continuei a subir sem hesitar.
180 segundos:
Consegui finalmente alcançar o quinto e ultimo andar. Deitei-me apoiando minha arma sobre a pequena mureta e fechei um olho. O outro posicionei na luneta e observei a procura de meu alvo. Precisava fazer um ultimo trabalho, um ultimo serviço, uma ultima execução. Já não era possível tardar, já estava como um serviço impreterivelmente.
-Me larga Ethan! –li os lábios da garota na calçada, com o garoto de cabelos castanhos a segurando pelo braço.
-Você precisa voltar pra casa!- ele retrucou fixando seus olhos nos dela.
-Meus pais não ligam se eu não voltar e...! – e a silenciou beijando-a.
120 segundos:
Meu alvo. Minha presa. Minha vitima. Apertei o gatilho e a bala zuniu contra o vento, cortando-o, e com um tiro certeiro a matei, e de quebra, o outro também. Levantei-me e refiz o caminho de ida. Iria ganhar muita grana com aquele serviço, apesar de que o dinheiro não era o que realmente me importava. Desci as escadas e estava quase no carro em que viera.
60 segundos:
Cheguei perto da porta do automóvel negro e o vidro do passageiro abriu-se.
-Você executou a menina? –indagou a voz misteriosa. Mafiosos. Sempre ocultos pela própria sombra.
-Claro.
-Muito bom, agora, posso pedir mais um serviço?
-Como quiser – respondi sem me importar. Afinal eu já estava ali mesmo, porque recusar.
-Me diga... suas ultimas palavras.
0 segundos:
Um sniper morto por um sniper.
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