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20th Century Boys
(Baseado em Velvet Goldmine)

"Tinha a sensação de haver conhecido todas essas estranhas e terríveis figuras que passaram pelo palco do mundo tornando o pecado algo tão maravilhoso e o mal; pleno de sutileza. Parecia que, de um modo misterioso, as vidas deles haviam sido a sua."
(Oscar Wilde)

Capitulo 2: Eu

Nunca fui fantástico. Sempre tive ídolos, e sonhava em um dia me tornar um deles. Um em especial, é verdade, mas sonhos são apenas sonhos e estes sempre estavam bem longe de mim. Nasci no berço de uma família simples e, ate onde suportei, fui um perfeito simplório. Meu pai não era mal, mas a minha mãe insistia em me ver com um reflexo dele, um reflexo de nada é menos do que nada, certo?

Era 26 de Março de 1963, mas isso não importa, pois a minha verdadeira história só começou quinze anos depois. Eu, a caminho da escola, passava em frente da única loja de discos que havia em Windsor, quando me deparei com o principio de uma nova era. Bendito seja aquele dia!

— The Dogs — o vendedor me disse. — É a nova promessa de Londres.

Eles eram ridículos: Quando não estavam nus, vestiam-se em couro e, quando não gemiam aos vocais, me perfuravam os tímpanos com aqueles contundentes solos de guitarra. Não cortavam os cabelos, largaram à faculdade, bebiam e, com certeza, usavam drogas. Estavam ficando ricos, eu pensei. Aquilo era algo para ser.

O que me atraiu? Tudo.

A casa dos Lupin ruiu.

O garoto comportado, gentil e promissor se fechou em seu próprio mundo. Aliás: Se fechou no mundo deles, em meio aos pôsteres de banda, discos, revistas e jornais. Tentei ter uma namorada, mas temo em dizer que não nasci para isso. E, se é que vocês me entendem, só descobri minhas preferências através daqueles que eu admirava.

The Dogs partiu para a América. O baixista era talentoso e o guitarrista excêntrico. Juntos, Potter e Black, faziam loucuras no palco, e o que eu mais queria era está ali; entre os dois.

— Eles são artistas, Remus — alguém certa vez me alertou quando se deparou com a minha figura ensandecida curtindo um show televisionado dos caras. — São personagens.

Que blasfêmia! Eles iriam mudar o mundo. Não todo o mundo, mas pelo menos o meu eu posso dizer que eles mudaram.

Era um domingo à tarde. Na sala de estar, meus pais ouviam os heróis dos seus tempos. No meu quarto eu me entregava aos meus. Das caixas de som do meu toca-discos, Sirius Black se materializava através dos solos de guitarra.

— Que vergonha! — no terceirorepeat minha mãe rompeu ao quarto.

Ele tocava e eu me tocava.

Ali não era o meu lugar. Sentia-me o próprio Sirius em meio à família doentia a que ele pertencia. Terminei o colegial e fui para Londres.

Ao contrário dos rebeldes que endeusava, eu não tinha talento algum. Logo, fui para a faculdade. No exato ano em que comecei a cursar jornalismo, os cachorrões faliram.

— A culpa foi do Black — os fãs lhe acusavam. — Depois daquela encenação ridícula...

No meio de uma apresentação, ele havia fingido o próprio assassinato. Potter e sua esposa, a empresária, se demitiram. Pettigrew, o homem das baquetas, os seguiu. Sirius estava sozinho. E não fora por menos. Com um gênio doentio daqueles, muito me admira que, por sete anos, os Dogs se mantiveram de pé. Todos se voltaram contra ele, já eu quis consolá-lo.

Acho que não havia fã mais estúpido.

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Mudei-me para Nova York. O Jornal para que trabalho me locou aqui e, não sinto em dizer que, a Inglaterra jamais me verá. Tenho trinta anos e faço o possível para que certas sombras, de dez anos atrás, não voltem a me aterrorizar. Bem, pelo menos fazia o possível.

Hoje pela manhã, meu chefe me ligou:

— Há exatos dez anos ninguém mais ouve falar do Black — ele me disse — Há exatos dez anos ele se meteu naquela palhaçada e, querendo ou não, o miserável bem que foi uma estrela para os nossos jovens.

O que ele queria? Que eu fosse atrás do meu ídolo adolescente? —Sim

— Por que eu? — insisti — Só porque sou o britânico de plantão?

— Não, eu quero você por que você se lembra.

Infelizmente eu "lembrava" sim, mas por onde eu começaria? — Pela pessoa mais acessível, oras! — ele me falara, como se tal fosse mais do que óbvio.

Lílian Potter.

Continua:.

Notas finais
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