20th Century Boys
3 Lillian Potter
20th Century Boys
(Baseado em Velvet Goldmine)
"Tinha a sensação de haver conhecido todas essas estranhas e terríveis figuras que passaram pelo palco do mundo — tornando o pecado algo tão maravilhoso e o mal; pleno de sutileza. Parecia que, de um modo misterioso, as vidas deles havia sido a sua."
(Oscar Wilde)
Capitulo 3: Lílian Potter
A encontrei por aí. — Ok, não foi por aí. — Foi por aqui mesmo. Administrando uma gravadora de fundo de quintal, bela como a mídia sempre a mostrou, com os cabelos ruivos na altura dos ombros, e o olhar verde, límpido como cristal.
— Sou jornalista. — me apresentei — Remus Lupin, do Guardian. Eu liguei avisando.
Ela me indicou a cadeira: — Seja direto, Ok?
Se era isso que a Sra. Potter queria..:
— Na próxima semana, fará dez anos desde aquele incidente — disparei a falar. — Estou engajado na tal matéria de que lhe falei ontem. Faz alguma idéia por onde o Black anda?
— Ah, achei que queria saber sobre o Jim! — bufou — Há sete anos não falo com ele.
— Por causa da armação?
— Não. O Jim não sabia daquela palhaçada. — ela riu — Tive outros motivos para me afastar do meu marido.
Meu peito acelerou. Aquela mulher era o excesso em pessoa. O paraíso de qualquer jornalista. O orgasmo de qualquer fã.
— Me fale um pouco. Se puder, claro.
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— Primeiro eu conheci o Black — ela me disse com um ar nostálgico — E, pouco depois ele me apresentou ao James. Eu era louca. Casamos em seis meses e ao contrário do que alguns boatos afirmam: eu nunca tive nada com o Sirius. Estudávamos juntos e a banda já existia nessa época. O Jim tinha um baixo e, além disso, talento. Sirius tinha o rosto e as idéias perfeitas, enquanto que eu contava o dinheiro, afinal, ninguém queria ver tudo indo embora com bebidas, mulheres e pó.
— O James tinha outras mulheres? — ousei perguntar
Lílian tornou a sorrir. — Ele tinha mais do que mulheres.
— Você não se incomodava com isso?
— Fazia parte do show deles. — disse — Se isso fizesse os olhares se voltarem para nós, então eu aceitava.
Por um momento tive um choque com a franqueza nas palavras dela. Os jornais a ditavam como a empresária da banda, mas, empresários nunca são muito verdadeiros, certo?
— Pettigrew se juntou a nós e, dois anos mais tarde, Severus Snape assumiu as finanças dos rapazes.
— Por quê?
— Ele era bom, oras. — ela disse — E eu acabei me tornando um deles, entregando-me aos vícios. Logo; não era muito confiável deixar o ouro nas mãos do novo ladrão, certo?
Certo, deixei-me pensar.
— Junto com Severus... — ela seguiu. — Veio o dinheiro e toda àquela imagem que nós tanto queríamos passar para o mundo. Todos os integrantes o viam como uma esperança. Porem, desde que aquele homem entrou nem nossas vidas, tudo começou a mudar.
Era impressão minha ou Lílian principiava um desabafo? Impressão.
— Pode ser um pouco mais clara, sra. Potter?
— É Evans, ‘tá legal? — a ruiva me corrigiu com a voz esganiçada
— Me desculpe.
— Tanto faz — ela ponderou inflando o peito — Snape sempre dizia que, como a nossa banda, havia meia dúzia de moleques por aí! "Os cachorros têm que inovar" — ela lhe imitou, era rancor que pairava por sua voz. — Até aí tudo bem, o real problema surgiu quando o miserável quis transformá-los num casal.
— Transformar a quem? — perguntei.
— Sirius e James.
— Mas, você disse que não ligava para relações extraconjugais, certo?
Sim, Lílian Potter havia me dito que não ligava para as garotas à sua porta e nem para as encontradas debaixo dos lençóis de James. Ela era mais ela, e nenhuma outra se comparava a ela. Mas, a partir do momento em que o seu marido fora à mídia; travestido de passivo, agarrando-se e se deixando fotografar ao lado do inconseqüente Sirius Black: O caldo havia entornado.
— Tudo começou num show em Cleveland. — ela seguiu — A música mais famosa deles era tocada....
— Hungry for You — deixei-me dizer
— Sim, Hungry for You, você se lembra. — seus olhos brilharam antes de retomar ao que relatava — Bem, a letra da música fala por si só. No começo eu confesso que achei até engraçado. — ela escancarou. — Meu marido fingindo-se de moderno, ao lado de Sirius, perdendo as roupas pelo palco... Porem, não deixei de me surpreender quando, ao fim da canção, o Jim ajoelhou-se à frente de Black, abocanhando um dos pickups da guitarra. — suspirou — Você sabe o que isso significa, não sabe, rapaz?
Sim, eu sabia, mas preferi ficar quieto.
— Quando, exatamente, as coisas saíram da linha?
— Não sei, mas, tinha algo em Black que me deixava de cabelos em pé. — ela se alterava — O doente fazia as coisas com paixão: cheirava até a última carreira e enfiava aquela língua na boca do meu marido com vontade. Depois se esfregava nele como se fosse um cachorro no cio, sabe? — Lilian cuspia — Eles nunca souberam, mas eu cheguei a implorar para o Snape desistir daquela loucura. — disse — Eu estava perdendo o meu marido em meio àquelas encenações. James mostrava-se impotente em meio à tudo aquilo, mas Black...
Sirius não era um bom ator, pensei. Ele só sabia ser ele mesmo.
— Esse foi o motivo do falso tiroteio?
— Não! — ela disse — Não sei qual foi o motivo daquele maldito tiroteio, mas sei por que me separei do James.
Uma noite, em meio às freqüentes "festas" no apartamento do casal, Lílian deixou-se ver seu marido sumir quarto a dentro com o tal libertino. — Você sabe o que isso significa? — ela perguntou mais uma vez, sempre mantendo o diálogo através daquelas indagações, demasiado insegura. Não respondi, porem. — Severus Snape havia viciado o meu James naquela droga chamada Sirius Black.
Friamente desviei o olhar da figura ensandecida daquela mulher. — E então?
— Na manhã seguinte, — ela concluía — Eu hesitei em procurar por eles. Quinze dias depois, foi aquele maldito concerto do incidente.
E, se me permitem dizer, depois desse dia cada integrante foi para um lado acabando com muitos sonhos adolescentes. Inclusive com o meu.
— Snape continuou com vocês?
— O tesouro dele era o Black — ela bradou — Há sete anos não os vejo e, servindo nessa gravadora decadente, creio que as chances se tornaram mínimas.
— Por onde anda o James?
— Em alguma clínica de reabilitação, eu presumo.
Estranho.
— Viciou-se em alguma droga pesada?
— Eu já não lhe disse o bastante? — ela rebateu — Procure-o em New Jersey. É tudo o que posso dizer.
Lílian Evans era grande, assim como New Jersey e as valiosas informações que me esperavam. É claro que essas mexeram e mexeriam com o meu passado...
Mas, sinto em lhes dizer que me tornei um egoísta: Não liguei para o orgulho ferido da ex- Sra. Potter e fiquei muito satisfeito ao me deparar com a verdade nua e crua dos meus ídolos.
Eles não eram atores, presumi. Havia um fio de esperança dentro de mim. Nem tudo tinha sido em vão.
Continua:.
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