O semblante frio e desprezível de Ferdinand encarou a entrada do delegado no recinto. Estava algemado nas mãos e nos pés, mas sequer demonstrou algum tipo de resistência.

— Agora que estamos cara a cara, você pode retirar essa sua máscara de bom moço e me dizer o motivo por ter matado Marcelo.

— Quero meu advogado.

— Você terá um apenas se se confessar. Agora eu vou fazer uma série de perguntas.

Valêncio começou uma verdadeira sabatina contra o acusado, mas as respostas não foram nada satisfatórias. A maioria era "não sei" ou "sem comentários". A paciência de Jó do delegado foi provada nesse interrogatório. Foram cansativos quarenta minutos de insistência sem resultados produtivos.

O juiz pediu uma prisão preventiva e negou todos os habeas corpus que o advogado havia solicitado. Com o passar do tempo, e com as coisas se complicando para o lado de Ferdinand, um acordo foi feito. Ele contaria toda a verdade se a pena fosse de apenas quinze anos. A família de Marcelo protestou, mas assentiu.

Meses depois o delgado Valêncio voltava para a sala de interrogatório.

— Se quer saber da verdade, eu a contarei. Com tantos pormenores que deixa o enredo de Titanic no chinelo.

— Comece.

Valêncio colocou um gravador em cima da mesa. A verdade estava perto.