190 - The Ripper
10 Capítulo 10

Tamborilando os dedos sobre a mesa, Valêncio aguardou com muita paciência o início do depoimento. Cleiton, por sua vez, havia pedido um pouco de água.
O delegado se levantou, foi até o garrafão e trouxe um copo com água. O acusado bebeu vagarosamente, sorrindo para o homem à sua frente. Qualquer outro ali no lugar sucumbiria às provocações do modelo.
— Todo mundo já sabe que você é culpado. Ficar com brincadeirinhas para cima de mim não vai te ajudar em nada.
— Jiboia.
— Oi?
— A jiboia que eu criava e fiz um daqueles vídeos snuffs. Sabe... quando eu vi ela engolir aquele gatíneo... hahahaha. Que sensação.
— Foi assim que você começou matando? Sabia que os psicopatas sempre fazem dos animais suas primeiras vítimas.
Ele encarou bem Valêncio. Pediu mais água. O delegado se negou, Cleiton negou que deporia.
— Então não há nada para se fazer aqui. Com licença.
— Você prometeu. Prometeu à família do Marcelo que arrancaria uma confissão minha. Estou certo? Se estou certo, e este depoimento se encerrar assim, você não é um homem de palavra.
— Escute, nem tente manipular!
— Vamos lá, Val. Eu sei que consegue. Pegue a minha água. Á-G-U-A.
O delegado foi ao refeitório da delegacia, pegou uma garrafa pet e encheu com água do garrafão. Colocou em cima da mesa.
— Está aqui. Agora me conta de uma vez.
Cleiton pegou o copo descartável e pôs água. Bebeu vagarosamente.
— Tudo começou quando conheci Marcelo no curso preparatório. Ele era gostoso, por isso foi uma paixão avassaladora.
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