190 - The Ripper
6 Capítulo 6

Valêncio foi deixar o lixo na lata perto da guarita de segurança quando viu alguns moradores a conversar com o zelador. O burburinho era audível de longe.
— O que foi que houve, seu Pimenta?
— Seu Cláudio, hoje pela manhã bem cedo encontrei um cachorro morto na lata. Eu já comuniquei à síndica, por isso os moradores estão aqui.
— Será que o bicho morreu de doença?
— Não, seu Cláudio. O bicho tinha sangue. Tenho pra mim que ele foi espancado até a morte.
Após a breve conversa com Pimenta, o delegado entrou no carro e partiu para a delegacia. Independentemente da tragédia com o pobre animal, sua atenção principal estava voltada ao assassino do esquartejamento.
— Alguma novidade?
— Aquele jornalista que recebeu a mão está na sua sala.
O Roberto esperava ansioso pela chegada de Valêncio. Assim que o delegado chegou foi logo entrando na sala.
— Então se lembrou de alguma coisa que pode me ajudar?
— Sim.
Um escrivão chegou para anotar o depoimento de Roberto.
— Acho que isso é obra de Ferdinand Hugo.
— Ferdinand Hugo?
— Há dois anos um vídeo na internet chamou a atenção. Nele aparecia um rapaz mascarado com dois gatos. No vídeo ele pega os gatos, que eram filhotes, coloca dentro de um saco plástico e depois sufoca-os até a morte.
— Meu Deus.
— O vídeo foi compartilhado pelo zap diversas vezes e muitas pessoas se revoltaram. Protetores de animais e até o Ibama queriam saber quem era o cara do vídeo, mas nada foi encontrado. Pouco tempo depois outro vídeo foi compartilhado. Agora o rapaz afogava um cachorro pequeno. Dessa vez ofereceram dinheiro pelo captura do meliante, mas nada foi achado de novo.
— E encontraram o cara?
— Um terceiro vídeo foi compartilhado. Dessa vez ele tava com uma cobra dessas grandes tipo jibóia. A víbora come um filhote de gato. Dessa vez houve uma campanha maciça para encontrar o culpado. Foi quando a verdade veio à tona. Uma pessoa disse que em Sorocaba havia um rapaz que trabalhava como modelo que tinha uma cobra parecida com a do vídeo. Eu morava na capital paulista e uma semana depois um cara foi ao meu encontro reclamando que ele não tinha nada a ver com aquilo. Ferdinand Hugo. Durante dias eu tentava arrancar uma confissão dele e até recebi uma ameaça. Uma carta foi enviada para o jornal com um teor ameaçador e aí eu parei. Foi quando eu vim pro Ceará transferido.
— E você acha que o Ferdinand Hugo matou o Marcelo e entregou um pedaço do corpo para você como vingança?
— Sim.
Valêncio levou um susto ao perceber que as coisas estavam se encaixando. O tronco da vítima encontrado no prédio onde morava e também o cachorro morto.
— Acho que ele mora no meu prédio.
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