Dentro da mala havia um cheiro horrível de carne apodrecida. Os legistas foram chamados pelo delegado. Assim que abriram o zíper, o odor fétido quase fazia o rapaz da perícia forense desmaiar.

O tronco de uma pessoa fora guardada naquela mala. Os braços e pernas foram arrancados, o pênis estava intacto, mas faltava a cabeça. Valêncio deduziu que o tronco era da pessoa que havia perdido a cabeça. Tudo fazia sentido: uma pessoa morreu naquele prédio.

Imaginar que uma pessoa fora esquartejada num dos apartamentos do prédio onde morava deixava Valêncio bastante incomodado. Parecia uma anátema que a vida lhe pregou.

A pele estava amarelada, parecia murcha, a carne estava marrom por causa da putrefação.

— Preciso descobrir quem é essa pessoa e quem fez isso.

...

Na sede de um prestigiado jornal da cidade, um pacote foi entregue para a recepcionista. Ela achou estranho o cheiro oriundo daquele conteúdo, mas apenas aguardou até o repórter que trabalhava chegar.

— Seu Roberto, uma encomenda chegou para você.

...

Valêncio soube em poucas horas que uma outra mão havia sido encontrada. Alguém a enviou para o repórter Roberto Augisto da emissora 5. Foi um susto daqueles. Todos no jornal, inclusive o editor chefe, ficaram temerosos pelo conteúdo.