— Eu não me lembro de ter discutido com ninguém por esses dias. Não tenho inimigos. Spu um jornalista, cidadão que nunca se envolveu com negócios escusos. Eu não entendo o porquê de me entregarem aquilo.

— O senhor não sabe de nada?

— Não.

Valêncio saiu frustrado de mais um caso em que estava num beco sem saída. O ripador, o assassino que esquartejou um corpo e distribuiu pela cidade ainda não foi capturado. E desde o achado do corpo na mala, passaram-se dias infrutíferos.

Saiu do carro quando se deparou com o jovem Jean Jacques conversando com um outro rapaz. O papo ali era bem íntimo e de viés homoafetivo. Portanto, o delegado se absteve de cumprimentar o rapaz e deixá-lo em paz.

...

A perícia forense ainda tentava identificar a pessoa esquartejada. Algumas partes do corpo sobravam, mas era auficiente para começar a investigar. Em poucos dias descobriram que uma família procurava por um jovem estudante de oceanografia que sumira na semana passada enquanto saía com os amigos. O relato dos pais do garoto acendeu o sinal vermelho para Valêncio. As peças se encaixaram.

Maria Cristina Nogueira da Silva e Fernado Valella da Silva eram os pais do jovem morto. Conseguiram identificar pelas fotos do cadáver.

— Sinto muito. Ele estava sem nenhum documento, por isso foi tratado como indigente.

— Quem poderia ter feito isso com o meu pobre Marcelo, senhor delegado? — indagou uma mãe tristonha.

Mesmo sabendo que nada poderia curar a dor daquela mãe, Valêncio jurou que iria capturar o assassino de Marcelo.

...

Duas semanas se passaram desde que Marcelo teve seu primeiro pedaço distribuído. Naquela segunda-feira mais um pedaço fora encontrado. Dessa vez às margens do rio Cocó um fêmur esquerdo foi achado. Desde o pé até na articulação da coxa. Dois dias depois um fêmur direito foi pescado por homens na praia. Mais uma semana os braços finalmente puderam ser achados.

Marcelo foi finalmente velado e sepultado. A família não poderia abrir o caixão, haja vista por conta do estado deplorável que o cadáver se encontrava. O delegado engoliu em seco ao assistir as lamúrias da família.

Quem poderia ter feito esse crime tão bárbaro?