190 - The Ripper
14 Capítulo 14

Para Valêncio, escutar o carniceiro do Montese revelar detalhe por detalhe do assassinato, e até mesmo o que ocorreu antes, deveras tornou-se difícil. Angustiante mesmo era ver o sorriso quase descarado no rosto dele.
— Continue...
Aquele depoimento se arrastou por mais de duas horas. Em outras circunstâncias, contudo, seria fácil ouvir da boca do bandido sua confissão. No entanto, Cleiton era alguém fora dos padrões que o delegado já trabalhou.
— Peguei o cadarço do seu sapato e usei para enforcá-lo. Não foi tão difícil, porque antes eu o amarrei num joguinho de sadomasoquismo. Quer saber mais? A sensação se perfurar a carne dele foi ótima. Senti até mesmo alguns ossos se quebrando por dentro.
...
Ferdinand retirou a cadarço e viu que Marcelo havia sido estrangulado e morrido daquela forma. Parou por um momento para tomar fôlego, pegou mais um pouco de champanhe e bebeu. Precisava fazer algo com o corpo antes dele apodrecer.
— Seu otário. Você nem mesmo faz meu tipo. Achou mesmo que eu me interessaria por um bostinha como você?
Pegou o picador de gelo e perfurou as suas costas. O primeiro furo sangrou a pele da vítima. A sensação de rasgar profundamente a carne humana deu-lhe a ideia de fazer mais. O objeto pontudo foi estocado inúmeras vezes. Passou a furar as pernas e braços. Os ferimentos eram tão profundos que a carne branca era vista com o plasma sanguíneo saindo de fora do buracos. Por fim passou a língua e sentiu o gosto do sangue do defunto.
O próximo passo era o gourmet. Pegou uma faca de cozinha e degolou Marcelo. A cabeça permaneceu no lugar, mas já estava desligada do pescoço. Cortou um pedaço da nádega do rapaz e comeu. Nacos de carne da vítima eram provados com um acompanhamento do espumante. De fato o gosto de Marcelo era tão bom para Ferdinand.
O tempo passou e era chegada a hora de sumir com o cadáver. Sacos pretos de lixo foram cortados e espalhados pelo chão, o corpo sobre os sacos. As pernas e braços foram cortados. A unica parte que ficou inteira fora o tronco do estudante.
...
— Isso foi o que aconteceu na hora da morte? Eu me lembro que também matou o cachorro. Por que faz tanto mal?
Cleiton riu.
— Delegado, nunca ocorreu no seu mais profundo ser de pensar em vinganca? Por mais que siga as leis, por mais que esteja lutando em prol delas, nunca deu vontade de chutar o balde?
— Terminamos aqui.
— Senhor, sabe do que falo. Quando eu tive a oportunidade de provar a derme do Marcelo com aquele champanhe, tive a sensação de ser o único ser humano da face terrestre. O senhor sabe do que falo, mas nunca vai experimentar por mais que sejamos iguais. E sabe por quê? Porque o senhor não o quer. Isso é questão de querer. Viver à margem da lei.
Valêncio pediu para levarem Cleiton. Fechou o punho, pois o que ele disse tinha um pouco de verdade.
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