O depoimento de Cleiton foi o suficiente para incriminá-lo de uma vez por todas. Os jornais anunciaram em primeira mão. Valêncio foi dado como herói.

O departamento de homicídios parabenizou o delegado e até mesmo os deputados da Assembleia Legislativa homenagearam a bravura do homem.

...

Morando sozinho, Valêncio se viu perturbado pelas memórias de sua vida. Seu pai o chamava sempre de fracasso humano, não era tão bom na escola e também foi traído pela ex-esposa diversas vezes. Para fugir dos problemas familiares recorria sempre ao trabalho. Independente do quão duro fosse, preferia mergulhar e passar horas na delegacia a enfrentar a mulher depreciadora.

O negócio era simples: beber para esquecer as dores de cabeça de uma vida familiar arruinada. Pensou até mesmo em se matar. O famoso delegado, querido por uma boa parte da população, não era feliz na vida pessoal.

Talvez fosse por isso que Cleiton ou Ferdinand falou aquelas coisas. Pesquisando mais a fundo, o modelo fora violentado diversas vezes pelo padrasto na infância. Tornou-se alguém terrível por ter sido moldado com o ódio.

...

— Alô, Suzanna? Tem um tempo pra mim? Quero conversar sobre o litígio. Podemos nos encontrar naquele restaurante de sempre.

Valêncio escutou Cleiton. Testemunhou a frieza em seu olhar. O deboche às normas da sociedade tão corruptas quanto o próprio homicídio. Chegou a hora de vivenciar o Cleiton.

Analisou a sua pistola para ver se havia carregado... fechou a porta e saiu sem olhar pra trás.

Notas finais
Que final, hein? Na verdade o Valêncio foi humilhado diversas vezes, mas por ser policial nunca seguiu em frente. Já o Cleiton chutou o balde e matou o Marcelo daquela forma horrenda. Agora o delegado não aguentou mesmo e foi fazer o que ocorreu no começo do 1° capítulo. Muito obrigado a quem leu até aqui. Foi flopado, mas prefiro terminar meu projeto a ter que simplesmente excluir. Eu simplesmente não admito desistir das fics hahahaha.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!