190 - The Ripper
2 Capítulo 2

— Parece mais o inferno. Pobre das crianças que viram aquilo — lamentou um policial.
— Nosso assassino já deixou o segundo pedaço. Depois que aquela mão foi encontrada na praça das flores, eu achava que a cabeça viria por último.
O delegado Cláudio Valêncio tomou o caso para si. Achou de uma grande imoralidade um assassino sanguinário deixar uma cabeça humana numa sala com vintes crianças pequenas.
A professora Socorro bebeu águ com açúcar e teve que responder algumas perguntas do homem.
— Eu não conheço ninguém que poderia fazer algo assim. Senhor policial, isto está além das minhas expectativas. Acho que nem se eu fosse uma perdida na vida receberia uma cabeça de presente.
— Tá, mas pode ter sido um ex-aluno seu. Pense.
— Desculpa. Estou traumatizada.
Valêncio entregou um cartão com o seu número para caso algo surgir em sua mente.
...
No fim do expediente, o delegado voltou para o seu apartamento. Estacionou o carro na garagem, saiu, pegou o elevador. Um rapaz de óculos e completamente nerd apareceu carregando umas apostilas e pedindo para que o mais velho segurasse a porta.
— Obrigado, doutor.
— Jean, parece apressado.
— É que eu esqueci um livro.
O tal Jean morava no mesmo andar que ele: o sexto. Valêncio se despediu do estudante e entrou em casa.
Divorciado depois de dez anos casado, vivia sozinho. Podia fazer o que bem entendia sem repreensões. Desabotoou os botões da camisa, pegou uma cerveja e ficou sentado no sofá.
...
Enquanto isso, o zelador do prédio sentiu um cheiro pútrido vindo da lavanderia do mesmo prédio que o delegado morava. O fedor parecia ser de um rato morto ou coisa assim. Ele se aproximou de um balde grande e viu ao lado dele uma mala enorme cheia de moscas varejeiras.
Fale com o autor