17º Desafio Sherlolly
1 Amor além da vida - Capítulo 1
Notas iniciais
Como é possível ver no título, meu desafio foi feito em cima do filme "Amor além da vida".
Trailer: https://www.youtube.com/watch?v=RmZ-FuBThuQ
Ainda não está terminado e espero que não esteja tão ruim, porque escrever em cima de algo já feito é um caos... hauahauahauaha
♥
Eu era jovem quando a conheci.
Estava no Hyde Park executando um pequeno exercício de lógica sobre marca de pegadas quando ela praticamente me atropelou com sua bicicleta vermelha, ridiculamente enfeitada com flores.
- Meu deus! Desculpe!
Levantei-me um pouco rabugento e murmurando um "não foi nada", mas bastou que eu visse seu sorriso tímido e rosto ruborizado pela falha que cometera para que eu me esquecesse de tudo. Acho que naquele momento já tive a primeira impressão de que passaria o resto de minha vida ao lado dela. Eu, que nunca fui dado a romantismo, me vi preso imediatamente àquela doce e engraçada garota de cabelos castanhos e olhos atentos.
Senti um pedaço de mim indo embora quando ela me deu um último sorriso e continuou a pedalar para longe. Tive a certeza de que nunca mais a veria e senti-me nostálgico por algo que vivenciei por apenas alguns segundos.
- Posso me sentar aqui? — A mesma voz fez meu coração dar um salto. Eu passei o dia pelo parque e ao fim, me sentei em um banco de madeira. O sol já se punha no horizonte e, para minha surpresa, ela havia voltado. Devo admitir que fiquei ali na esperança de reencontrá-la.
- Não. — Respondo sorrindo. "Sim, sente-se!", é o que quero dizer de verdade.
- E se eu pedir por favor? — A expressão tentadoramente travessa no rosto dela faz com que eu não consiga reprimir outros sorrisos, por mais que tenta manter minha postura austera. Sei, a partir daquele momento, que seria ela a responsável por derrubar minhas defesas.
Encaro seus grandes olhos castanhos que sorriem para mim, aguardando uma resposta.
- Essa seria a única maneira.
O sorriso dela se alarga ainda mais quando se joga no banco ao meu lado.
- Sou Molly... Molly Hooper.
- Sherlock Holmes.
E até nessa apresentação banal ela consegue fazer com que eu sorria como um idiota.
--- --- ---
Nosso casamento aconteceu não muito tempo depois. Foi uma cerimônia simples, onde Molly estava encantadora — apesar de que dizer isso é uma redundância.
Mesmo com o tempo que já tínhamos passado juntos, eu ainda podia me perder só olhando para ela. A alegria que ela transmitia tomava a todos que estavam a sua volta, inclusive a mim. Adorava vê-la brincar e dançar como se não houvesse amanhã, como se toda a vida tivesse que ser aproveitada naquele exato instante. Era incrível como pequenos detalhes ficariam para sempre gravados em minha memória, como por exemplo seus longos cabelos que se mexiam conforme ela dançava na nossa festa de casamento.
Molly havia sido feita para mim e tudo nela funcionava como um imã que me atraía em sua direção.
Quando eu achava que não poderia ser mais feliz, nós tivemos Ian. Pensava que minha vida já tinha alcançado o máximo que poderia e não contava que um pequeno ser fosse mudá-la em tantos níveis novamente.
Enganei-me mais uma vez ao achar que tudo estava perfeito e completo, porque quando Molly começou a ter os mesmos sintomas novamente, eu me vi em meio às mesmas emoções eufóricas de quando Ian tinha curiosamente aparecido dentro da barriga dela. Foi então que Marie nasceu, trazendo com ela toda a doçura teimosa de Molly e completando nossa família.
Aliás, nossa família só ficou mesmo completa quando a presenteei com Katie em seu aniversário de 5 anos. Katie era uma bela cachorra dálmata que adotei quando seus donos não a quiseram mais e que foi adorada por Marie.
Nossa família era tão sólida quanto podia ser. Éramos unidos até mesmo para lavar o carro, o que sempre acaba com uma guerra de água e sabão nos dias de verão. Por vezes eu e Molly deixávamos as crianças brincando na água e corríamos para o jardim, nos escondendo atrás de grandes árvores e perdemos alguns minutos em meio aos beijos.
Ela sabe que me enlouquece com a roupa molhada e eu fico na expectativa de resolver isso mais tarde. E devo dizer que não sou decepcionado. Molly nunca me decepciona.
Pela manhã eu observo minha família na habitual agitação do café da manhã, onde quase sempre todos estão atrasados. Fico me perguntando como algo que eu nunca imaginei acabou por me deixar tão inteiro, sendo que eu nem sabia que faltavam pedaços em mim antes de conhecer Molly.
As crianças, que já não são tão crianças assim, estão em uma idade complicada, mas ainda é possível notar toda a lealdade de Ian e a delicadeza de Marie.
Eles saem da mesa dando tchau para nós sem quase tocar em seus alimentos, correndo de encontro a Angie — nossa vizinha — que os levará para escola hoje. Molly se vira e me encara quando percebe que eles quase nem comeram, mas após alguns segundos nós dois começamos a rir, provavelmente sem motivos.
Molly iria para o hospital mais tarde e eu tinha que passar na central de polícia para verificar algumas informações, então beijo-a carinhosamente e saio pela porta a tempo de me despedir mais uma vez dos meus filhos.
Vejo Marie com parte do corpo para fora do carro, brincando distraída com as flores de uma cor profunda de roxo que estão na árvore de nossa calçada. Ela parece tão concentrada perdida em seus próprios pensamentos, acariciando com delicadeza as pétalas da flor que eu me emociono sem saber exatamente o porquê.
Fico esperando que o carro parta e sinto uma tristeza por vê-los indo embora para a escola, levando-os para longe de mim.
Foi a última vez que eu e Molly os vimos vivos.
--- --- ---
Não tenho lembranças concretas sobre o velório. Tudo que consigo me lembrar são de borrões das pessoas que vinham nos prestar condolências e de Molly ao meu lado, com lágrimas escorrendo por seu rosto. Todo meu corpo era dor, e além dela, havia a certeza de que agora era apenas eu e Molly.E eu soube, quando a olhei após o acontecido, que a Molly travessa e alegre havia partido para sempre, para junto de nossos filhos.
Fale com o autor