17° Desafio Sherlolly- O Jardim Secreto
4 Está vivinho da silva!
Com todo o sentimento de empolgação que estava sentindo, Sherlock tomou uma atitude que lhe seria impensada há alguns dias atrás, pegou na mão de Molly e a guiou pelo caminho que levava até o Jardim. Corria, puxando Molly com ele e sendo seguidos pelos animais da encantadora. Sentia-se como estivesse levando Molly para partilhar de um mundo secreto, um mundo onde só ele e ela poderiam entrar. Quando chegaram à trilha dos muros cobertos por relva, Sherlock soltou a mão de Molly, que estava rindo da empolgação do garoto, e buscou a chave em seus bolsos. Olhou cautelosamente para os lados e assegurando-se de que ninguém estava por perto, adentrou a relva, abriu a porta e puxou Molly para dentro.
O sorriso que Molly tinha estampado em seu rosto rapidamente se desfez, dando lugar a uma expressão que misturava incredulidade e admiração.
– Acha que o jardim está vivo? – perguntou o garoto ansioso.
– Ele está vivo sim, Sherlock! Ela está vivinho da silva! Olhe só! – a garota se dirigiu até um galho de uma das roseiras e cortou um pedaço – Está vendo esse verde? É seiva! É como sangue pra plantas! Se está verde, é porque está vivo!
Molly sorriu e se dirigiu as outras plantas, reconhecendo cada uma apenas olhando-as de longe.
– Ali são os lírios! – apontou para alguns pequenos brotos – Ali teremos lindas campânulas! E o jardim inteiro está envolto a rosas! Isso aqui vai ficar muito lindo na primavera! – informou.
A cada frase que Molly dizia, Sherlock ficava cada vez mais empolgado e encantado. Como uma pessoa da mesma idade que ele podia saber tanto sobre plantas?
– Olhe, Sherlock! Tem ninhos por toda a parte! Parece que seu amigo fez um ninho aqui também!
Sherlock então olhou o pequeno pássaro de peito ruivo sobrevoar a árvore onde o balanço estava pendurado, e pousar em um ninho feito cuidadosamente em um dos galhos.
– Nunca pensei que um dia veria esse lugar...- falou a encantadora em um sussurro.
– Sabe aonde estamos?
– Estamos no antigo jardim da Sra. Lestrade! O que foi fechado quando ela faleceu! – confirmou. – Me impressiona você o ter encontrado! Mas o destino sempre sabe o que faz!
– Que quer dizer?
– Martha me contou que depois que fechou o jardim, o Sr. Lestrade se isolou do mundo e mal fala com as pessoas! Está sempre triste e com uma expressão vazia no rosto!Muita gente tentou achar a chave durante esses dez anos, mas você, que chegou faz pouco tempo, encontrou o jardim, e isso pode significar alguma coisa!
– Martha? – perguntou Sherlock confuso.
– É o nome da minha irmã! Não sabia? Martha Hudson!
Sherlock riu.
– Não sabia, só chamava ela de Sra. Hudson!
Molly também riu, até que os olhos da garota recaíram sobre um montinho de grama que Sherlock havia arrancado.
– Quem fez isso? – perguntou se dirigindo até o local e examinando.
– Fui eu! – falou o garoto já receoso que tivesse feito algo de errado.
– Mas isto está incrível! Parece trabalho de profissional!
– Sério?
Molly assentiu.
– Está perfeito! Você arrancou todas as ervas daninhas que estavam impedindo esse pequenos bebezinhos de crescer – disse referindo-se aos brotos .
– Eles pareciam sufocados, então achei que deveria tirá-los!
– Foi um ótimo trabalho! – elogiou a garota.
– Molly, você pode me ajudar a dar vida a esse jardim? Pode me ajudar a plantar coisas novas e a cuidar dele?
Sherlock tinha o rosto extremamente vermelho de vergonha. Teve dificuldades em fazer o pedido, e apenas despejou tudo, como se as palavras saíssem de sua boca e caíssem diretamente nos pés da menina. Estava nervoso, e nem sabia o motivo, apenas sentia que não queria que ela recusasse o pedido. Molly apenas sorriu, e com toda a sinceridade que seus olhos castanhos emitiam, concordou em ajuda-lo.
Quando a sineta do almoço tocou em seguida, Sherlock olhou com desolação para a menina.
– Pode ir! – ela falou – Eu vou ficar aqui e limpar alguns brotinhos!
– Não quer vir junto comigo? – ofereceu.
– Não! Não devo, senão posso trazer algum problema pra Martha! Vá, eu fico aqui até começar a anoitecer!
– Eu volto então! – disse empolgado e saiu correndo do jardim.
Correu por todo o caminho, porém agora, tentava dar mais velocidade aos seus passos. Tinha pressa, queria voltar logo ao jardim. Quando chegou no quarto, abriu a porta com violência, assustando uma Sra. Hudson que estava terminando de ajeitar a mesa do almoço.
– Eu vi Molly, eu vi Molly! – gritou o menino sentando-se imediatamente.
– Viu? Eu sabia que ela viria! – disse a outra empolgada – O que achou dela?
– Acho que ela é maravilhosa! E linda! – respondeu.
– Linda? Bom, ela é bem bonitinha, mas ninguém em casa acha que ela é linda!
– Pois eu acho!
– O nariz é arrebitado demais!
– Eu adoro nariz arrebitado!
– E o cabelo tá sempre bagunçado!
– Pois eu adoro o cabelo dela! Adoro o nariz e o cheiro dela!
– O cheiro? – estranhou a empregada.
– É! Ela tem cheiro de flores e grama, e eu adoro esse cheiro!
A Sra. Hudson riu.
– Parece que ela te encantou também, né menino! Come logo seu almoço,vai!
Sherlock riu também, mas antes que pudesse enconstar em seus talheres, a Srta. Donovan adentrou o quarto. Tinha uma expressão assustada e assim que viu Sherlock soltou uma pequena exclamação.
– Por que esse garoto está nesse estado? – disse referindo-se as manchas de terra na roupa dele. – Vamos, levante e se troque imediatamente! O Sr. Lestrade quer vê-lo!
– O..meu tio? – perguntou o garoto sem acreditar.
Fale com o autor