17° Desafio Sherlolly- O Jardim Secreto
1 Chegada em Misselthwaite
Quando Sherlock Holmes chegou em Misselthwaite para morar com seu tio, todos concordavam que era o garoto de doze anos mais feio que qualquer um já havia visto. Era um garoto magro, desajeitadamente alto e pálido, apenas os olhos de azul cristalino o salvavam. Seu humor também não melhorava em nada a sua aparência, Sherlock era capaz de irritar qualquer um que tentasse conversar com ele, e o fazia com visível divertimento. Detestava todos e não se importava que todos o detestassem. Há de se admitir que não era culpa do menino possuir esse tipo de humor, fora criado longe da vista dos pais e estava acostumado com criados que lhe faziam tudo que mandava, sem contestar. Por isso Sherlock cresceu mimado e indiferente aos sentimentos alheios. Tudo o que importava para ele era ele, apenas.
Quando os pais do garoto faleceram, ele não emitiu uma única lágrima ou lamento. Vira os pais somente poucas vezes em sua vida, e não sentia qualquer familiaridade com eles. Tampouco conhecia seu tio, sabia que sua mãe tinha uma irmã que havia se casado na Inglaterra, mas jamais o conheceu ou soube de qualquer detalhe a respeito. Sabia apenas que sua tia também havia morrido, e que o governo havia decidido dar sua guarda ao tio viúvo, já que era o único parente vivo que possuía.
O garoto não se importava com qualquer que fosse seu novo lar, sabia que detestaria todos e que todos o detestariam, só esperava que houvesse algo divertido para ele fazer. Pelo menos a Inglaterra era fria, e isso já animou o rapaz, pois detestava o calor da Índia, que era onde vivia até então. Quando a carruagem veio busca-lo no porto, Sherlock olhou para dentro levemente desapontado, espera que seu tio viesse busca-lo, assim, quem sabe poderia, conhecê-lo. Porém, a carruagem estava vazia, e apenas o condutor se encontrava na cocheira. O garoto jogou suas malas dentro da carruagem e embarcou emburrado. Não importava onde ele estivesse – pensou – sempre estaria sozinho.
Havia se passado uma hora desde que embarcara, e tudo o que viu foi neblina e um céu cinza, muito diferente das cores fortes que havia na Índia. Passaram por uma espécie de floresta, enquanto subiam uma colina que dava para um casa enorme. “Quase como nas histórias de terror!” – concluiu lembrando-se dos livros que lera e das histórias que sua babá contava. A floresta era tão acinzentada quanto o céu, e tudo nela estava seco e feio. Sherlock se perguntou quem haveria de querer morar próximo de um lugar como aquele, e enquanto mil coisas passavam pela sua cabeça, a carruagem parara na frente da entrada da casa.
Uma criada com uma expressão bem antipática no rosto abriu a porta e mandou que Sherlock pegasse suas malas e a seguisse.
- O Sr. Lestrade não gosta de crianças, por isso, evite trombar com ele pela casa! – foi a primeira coisa que ela disse. Sherlock já percebeu a partir daquele momento que ele não gostaria nada dela.
- Eu sou a governanta da casa, pode me chamar de Srta. Donovan, e se tiver qualquer problema, minha sala é logo ali! – apontou para uma grande porta ao lado da escadaria que começavam a subir.
A Srta. Donovan virou para o corredor à esquerda logo após terminarem de subir a escada e abriu a porta do último quarto. Era um quarto grande e repleto de tapeçarias. Nesse quarto também havia uma grande cama coberta por um dossel, uma lareira e uma pequena mesa redonda.
- Você irá dormir aqui! – informou enquanto adentrava o quarto. Foi em direção à uma porta, que Sherlock não havia reparado em um primeiro momento, do lado da lareira e a abriu – E aqui é seu quarto de brincar!
Sherlock depositou as malas do lado da cama e deu uma olhada no outro quarto. Era tão grande quanto o que ele estava, porém ao invés da cama, haviam caixas e caixas de brinquedos.
- Como o Sr. Lestrade não gosta de crianças, ele não sabia bem o que comprar! Surgiro que tente se divertir com qualquer coisa que esteja ai, caso precise de mais alguma coisa, apenas venha falar comigo!
- Não preciso de nada! – falou o menino mal criado e voltando-se para a sua mala. Apesar de no geral não sentir simpatia por ninguém, Sherlock estava detestando cada vez mais aquela empregada.
Quando o garoto abriu o guarda-roupa para arrumar sua mala, ele já estava cheio de roupa dentro.
- Mas... – começou o menino sem entender.
- Compramos roupas novas! – explicou a governanta – Por deus, ninguém nessa casa deseja ver alguém andando de preto por ai, parecendo uma assombração!
Qualquer criança normal e bem-educada teria agradecido apropriadamente pelos cuidados que estava recebendo, mas Sherlock não via motivo algum para agradecer, muito pelo contrário, estava achando que estava até sendo bem mal recebido. Estava acostumado a ser paparicado na Índia, e aqui, estava sendo tratado como igual por uma empregada. A partir dali, Sherlock pensou que ele teria uma vida bem diferente na Inglaterra.
Quando a Sra. Hudson foi lhe acordar no seu segundo dia na Inglaterra, o garoto já estava de pé, olhando a paisagem daquela floresta cinza e feia.
- Você levanta cedo! – exclamou a senhora enquanto depositava o café da manhã do garoto na pequena mesa redonda.
- Esses barulhos me irritam! – respondeu – Não me deixam dormir!
- Fala dos pássaros? Ora, Deus! Como pode não gostar dos pássaros?
- Acertava todos eles com minha arma de chumbinho! – falou bem malcriado. – E depois pendurava as cabeças deles em espetos, apenas para que os outros pássaros não se aproximassem e me deixassem dormir!
Sra. Hudson se escandalizou com o depoimento dado por aquele garoto, ainda tão jovem.
- Mas se a minha irmãzinha ouvisse isso, acho que ela ficaria louca com você!
- A senhora tem uma irmã pequena? — desconfiou o garoto, notando a idade avançada da mulher.
- Parece estranho, eu sei! – concordou como se pudesse ler os pensamentos dele. – Mas tenho sim! Uma menina, um ano mais nova que você talvez!
- Ela gosta dos pássaros? Não vejo como alguém pode gostar deles!
- Por deus, minha pequena Molly gosta e conhece todos os bichos da região! Não tem um que não seja amigo dela!
- Pássaros não se afeiçoam a gente! – informou o menino descrente da informação da governanta.
- Ai é que você se engana! Um dia a Molly salvou um pardalzinho, que tinha caído do ninho e se perdido na floresta! Ela levou o bichinho pra casa, cuidou dele, e quando o bicho aprendeu a voar, pronto pra ir embora, ficou do lado dela e nunca mais saiu! Eles andam por ai, como se fossem os melhores amigos!
Uma ponta de curiosidade bateu em Sherlock. Ele tinha certeza, pássaros não se afeiçoam as pessoas, lera isso em algum livro, então como uma menina poderia fazer um pássaro segui-la por todos os cantos?
- E não é só! – continuou a empregada visivelmente animada por falar da irmã – Um dia ela ajudou um filhotinho de raposa, que estava quase morrendo afogado durante um temporal! Ela o soltou de novo na mata quando a chuva passou, mas ele também se recusou a sair do lado dela! Minha Molly é assim, ajuda todo mundo que está ferido, e então, ninguém mais consegue sair do lado dela! Não existe alma viva que não goste dessa garota por aqui!
A visão de Molly que Sherlock criou em sua cabeça era a de uma encantadora de animais e gente, como aqueles encantadores que ele vira na Índia. Talvez ela usasse algum tipo de truque – pensou – Pra poder encantar essas pessoas. Seja lá o que era, ele precisaria descobrir o que era.
- Sabe, quando a Srta. Donovan falou de você na cozinha, ela disse que era um garoto mirradinho e sem graça, e eu duvidei, por que todos aqui sabem que sua mãe e seu pai eram pessoas muito bonitas! Mas agora vendo você, dá até um desapontamento!
Sherlock fez uma careta ao ouvir isso. Se ele estivesse na Índia, daria uma bofetada na cara dela por dizer algo tão desrespeitoso, mas pelo que percebeu da vivacidade da empregada à sua frente, sabia que ela revidaria.
- Quero me vestir! – foi a única coisa que falou, ignorando o comentário anterior da empregada.
- Fica á vontade! – disse a outra enquanto terminava de ajeitar a mesa – Quer que eu me vire?
- Quero que você me vista! – ordenou, já cansado de ser tão maltratado.
A Sra. Hudson caiu na gargalhada ao ouvir o que o garoto dissera.
- Meu deus, você não sabe se vestir sozinho ainda?! Lá em casa toda a meninada já se veste sozinha, desde a mais novinha, que só tem quatro anos! Quem diria que a pequeninha é mais esperta que você!
Aqui a Sra. Hudson atingira, sem saber, o ponto fraco de Sherlock. Ele sempre soube que não era bonito, por isso nunca havia se incomodado tanto quando as pessoas diziam que ele não se parecia com seus pais. Mas Sherlock sempre se considerou o mais esperto e o mais inteligente garoto que existia, e costumava zombar até de muitos adultos que julgava inferior a ele.
- Ela não é mais esperta do que eu! – retrucou com visível mau humor.
- Então prove e se vista sozinho! – respondeu a empregada – Bom, seu café ta ai, quando terminar, pode descer e brincar lá fora , se quiser!
- E o que tem pra fazer lá fora? Um lugar tão feio! – perguntou enquanto seus olhos recaíam novamente em direção à janela.
- Feio?! – exclamou a Sra. Hudson com notável indignação na voz – É porque você não viu a charneca na primavera! Não tem lugar mais bonito no mundo inteiro! Minha Molly costuma dizer que se existe de verdade um paraíso no céu, ele se parece com a charneca!
- Ela não está nos seus melhores dias então! – falou o garoto com sarcasmo.
- É porque estamos no inverno! Mas assim que entrar a primavera você vai ver o quão linda é a charneca!
- De qualquer forma, não há nada para se fazer lá fora! – disse o menino enquanto sentava-se em sua cama entediado.
- Também não há nada a se fazer aqui dentro, pelo menos lá fora você pode explorar e conhecer a região! Tem cada jardim lindo que só, e você pode conhece-los! – falou a Sra. Hudson já se retirando do quarto. – Tome seu café, se troque e vá brincar! Aproveite que ainda não começou a estação das chuvas!
- Brincar sozinho? – Sherlock falou em um tom de quem achava tal atitude realmente idiota.
- Por que não? Molly brinca sozinha na charneca o tempo todo! Corre de um lado pra outro, explorando cada cantinho!
- E como entro nesses jardins? – perguntou o menino, antes que a Sra. Hudson desaparecesse pela porta.
- Estão todos abertos, exceto um! Um que foi trancado quando a Sra. Lestrade faleceu!
- Por que foi trancado? – quis saber o menino curioso.
Sra. Hudson olhou com uma expressão de quem queria falar, na verdade uma expressão de alguém que queria comentar isso há muito tempo. Olhou para os lados com cuidado e fechou a porta novamente.
- Parece que ela faleceu lá! Foi um acidente, coisa horrível! Dizem que o Sr. Lestrade nunca se recuperou e por isso mandou trancar o jardim! Ninguém entra nele desde então!
Os olhos do garoto de repente brilharam de curiosidade. Sherlock adorava essas histórias de tesouro perdido, lugares escondidos e mistérios esperando para serem desvendados. Em sua cabeça milhões de perguntas surgiram, mas antes que ele pudesse fazer qualquer uma delas, um sino em algum lugar tocou.
- Ai, é o sino da Srta. Donovan! – exclamou a Sra. Hudson assustada.
E dizendo isso, retirou-se fechando a porta. Ao ouvir a menção de Molly e de um Jardim Secreto, Sherlock decidiu sair e explorar a região. Queria encontrar o Jardim, e quem sabe, poderia encontrar a encantadora de animais também. Primeiramente, ele tinha que se trocar, mas como fazer isso? No geral ele apenas ficava parado enquanto as pessoas colocavam as roupas nele. Por um instante pensou em chamar a Sra. Hudson de volta, mas desistiu da ideia. Precisava provar pra ela que era mais esperto que sua irmãzinha de quatro anos. Decidiu começar removendo o pijama, depois abriu o guarda-roupa e escolheu a que mais lhe agradava. Começou pela blusa, não era tão difícil assim, embora tivesse encontrado certa dificuldade em abotoar as mangas usando apenas uma mão. Depois passou para a calça, as meias e, por último, a botinha. Pronto, estava vestido! Realmente, uma pessoa de quatro anos conseguiria fazer isso sem esforço, concluiu. Foi até a mesa do café da manhã que a Sra. Hudson colocara e viu um mingau quente com torradas, geleia e chá. Beliscou uma torrada, tomou uma xícara de chá, pegou seu casaco, um chapéu e um cachecol e saiu do quarto.
Desceu as escadarias que davam para o grande hall, no qual havia passado pela noite anterior, e chegou ao jardim. “Por onde começo?” – pensou o menino olhando de um lado para outro. Decidiu seguir a direção do vento e foi para o oeste
Caminhou por uma pequena trilha protegida por um muro cheio de relva, até chegar a um pomar. Viu macieiras, amoreiras, arbustos de morango e algumas outras árvores frutíferas, porem nenhuma tinha frutos ou flores ainda, seus galhos estavam pelados e as poucas folhas que haviam estavam cinzas e murchas. Sherlock decidiu continuar caminhando por aquele trecho, talvez o jardim secreto estivesse por lá. Chegou a outro jardim, esse apenas com hortaliças e ervas de todos os tipos, algumas que Sherlock conhecia e outras que nunca vira na vida. Ele se aproximou e cheirou cada uma, tentando reconhecer pelo menos as que já havia visto. Ficou pouco menos de trinta minutos nessa brincadeira, e depois seguiu em frente pela trilha. Porém a trilha acabou-se, dando para um incrível pátio cheio de árvores e uma fonte. Era bonito, pensou, e talvez até pudesse achar que lá era o tal jardim secreto, não fosse por estar completamente aberto e cheio de gente trabalhando nele. Sherlock observou um rapaz, que julgou não ser muito mais velho que ele, jogar terra com uma pá em um pequeno trecho de um dos jardins. Ele depositava a terra e afofava logo em seguida, criando um montinho que ia crescendo aos poucos. Sherlock se aproximou para ver melhor e entender o objetivo disso, mas o rapaz com a pá notou sua aproximação. Levantou o rosto com um sorriso bem sarcástico – que Sherlock jamais pensou que mais alguém pudesse fazê-lo, fora ele – e disse:
- Pois não?
- Estou apenas observando! – respondeu o menino.
- Com que objetivo? – rebateu o outro.
- Apenas querendo saber o que está fazendo com essa terra! – disse já começando a ficar de mau humor de novo.
- Estou fertilizando! – respondeu o jardineiro voltando ao seu trabalho – Sabe, quando a terra é muito usada, ela precisa repor as energias, e por isso, estou dando a ela os ingredientes necessários!
- Entendi! – falou o garoto inclinando-se mais para observar os movimentos que o jardineiro fazia.
- Então você é o menino da India! – disse repentinamente o jardineiro, sem interromper o seu trabalho.
Sherlock confirmou.
- Você não se parece em nada com seus pais! Mas admito que tem os olhos da sua mãe!
Novamente isso, pensou o garoto. Por que essa necessidade de compará-lo com os pais o tempo todo?
- Quem sabe se você não fosse tão magricela e pálido, ficasse mais bonito! – concluiu o outro.
Sherlock pensou em qual seria a melhor resposta a ser dada. Talvez um “não é da sua conta” fosse o mais acertado, porém seus pensamentos foram interrompidos pela chegada de um pequeno passarinho vermelho, que pousou no cabo da pá do jardineiro.
- Ah, olá! Acordamos tarde essa manhã, não seu atrevido?
Sherlock se surpreendeu ao ver a súbita mudança de expressão no rosto do jardineiro. Por um instante, ele deixou de ser rabugento e carrancudo, dando lugar a um abobalhado. O passarinho piava e piava, como se realmente estivesse respondendo ao jardineiro.
- Nunca vi um pássaro fazer isso antes! – exclamou Sherlock admirado e curioso. – Será que o pardal da Molly é igual?
- Você conhece a Molly?! – perguntou o jardineiro surpreso.
- Só de ouvir falar, a irmã dela me contou!
- Ah, a Sra. Hudson! Boa senhora de boa família! Molly é certamente a menina mais querida por aqui!
- O senhor a conhece? – quis saber o menino curioso.
- Todos conhecem a Molly! Menina forte, inteligente, carinhosa e gentil! Não tem ninguém que não a conheça e que não goste dela!
- A sra. Hudson falou isso!
- Porque é verdade! – completou – Todos os bichos e toda a gente gosta dela, não existe no mundo menina mais valiosa!
A curiosidade em relação a Molly aumentava cada vez que alguém citava seu nome. Parecia mesmo que ela era uma encantadora de gente e de animais, e Sherlock estava se coçando cada vez mais para conhecê-la. O passarinho de peito vermelho piou mais alto e pulou em cima da mão do jardineiro, arrancando uma gargalhada bem alta do mesmo.
- Tá com ciúmes por que não estou falando de você, é?! Seu exibido!
De repente, o passarinho saiu da mão do jardineiro e passou a rodar Sherlock. Piou, piou e depois pousou em um arbusto bem ao lado do menino. O jardineiro olhou boquiaberto a cena.
- Meu deus! Quem diria! – exclamou surpreso – Parece que esse danado gostou de você!
- Gostou? – repetiu surpreso.
- É! No geral ele tem medo e não se aproxima das pessoas estranhas, mas acho que gostou de você! Ou não teria pousado tão perto! – explicou o jardineiro, colocando a pá dentro do carrinho de mão.
- É a primeira vez que alguém gosta de mim! – falou o menino olhando intrigado para o passarinho.
- Quem diria! – disse o jardineiro agora sorrindo sinceramente para o menino – Você até pareceu um garoto normal agora!
Sherlock não disse nada, não sabia como se sentia em relação a essa afirmação. O jardineiro terminou de recolher as suas coisas e estava pronto para partir, quando Sherlock de repente se lembrou.
- Eu não sei seu nome!
- É Mycroft! – respondeu o outro – E se for me chamar, me chame pelo meu nome completo, nada de me chamar de Mike ou outro apelido estúpido!
Sherlock riu sem querer. Também detestava quando alguém o chamava por algum apelido. Por algum motivo que não soube dizer, havia gostado do jardineiro, e por mais que isso normalmente não significasse nada em se tratando de uma criança, significava muito vindo de Sherlock, que nunca na vida havia gostado de alguém senão ele mesmo.
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