15
4 Capítulo 4 ~ Era óbvio?
Notas iniciais
18:42h, Meio-fio, Casa Charlie e Bella Swan
Acho que ela cansou de esperar por você. A voz de Vanessa ecoava em minha cabeça enquanto eu estacionava ao meio-fio em frente à casa de Bella, onde ela sempre morou – com exceção do período em que estivera fora da cidade – com o pai desde que sua mãe havia falecido, pouco depois que Nessie nasceu.
Repassava, em minha mente, todos os momentos que pudessem confirmar minhas suspeitas e, ainda que muitos deles não fizessem sentido, o ponto chave, a relação de Bella e Emmett parecia completamente fora de questão. O meu lado esperançoso e crente (neles) se remexeu dentro de mim, ansioso; embora não estivesse claro, para mim, se o que eu sentia por Bella ia além de desejo, esse mesmo lado estava animado em poder vê-la e, quem sabe, esclarecer tudo.
Saí do carro e caminhei a passos apressados até a porta de entrada dos Swan. Toquei a campainha e quase caí para trás quando uma Bella superproduzida me recebeu. Ela usava um vestido preto justinho que quase chegava aos seus joelhos e contornava perfeitamente as suas curvas; seus cabelos estavam presos num coque baixo e suas orelhas estavam enfeitadas com longos brincos de prata. Tudo isso ornado com uma maquiagem suave – exceto pelo batom vermelho, que apenas me fez querer borrá-lo com os meus próprios lábios.
─ Edward?! ─ Ela estava muito surpresa e suas bochechas coradas provavelmente atestavam que, de fato, estava prestes a se encontrar com o tal fornecedor.
─ Ah, oi, Bella! ─ O que eu lhe diria? Sinto muito por não ter percebido antes que você sempre gostou de mim? Que tipo de miserável seria tão prepotente daquele jeito?
Seu semblante se tornou momentaneamente preocupado quando me perguntou se Vanessa estava bem, mas sorriu aliviada assim que afirmei com a cabeça.
─ E... O que o trás aqui, numa sexta-feira à noite? ─ Bella parecia meio impaciente e o motivo só poderia ser o seu encontro.
Então, comecei a me questionar sobre que direitos tinha ao aparecer daquele jeito em sua porta, como se pudesse exigir qualquer coisa dela, quando nunca tinha lhe oferecido nada. Eu nem mesmo sabia o que queria! Tinha me movido por impulso, pelas palavras de minha filha, talvez, até mesmo por ciúmes, mas isso não queria dizer que eu estava apaixonado por ela, ou queria? Eu sentiria ciúmes dela se não estivesse apaixonado?
─ Ah... Eu não quero te atrapalhar. Vejo que vai sair... ─ Talvez eu devesse começar assim, tentando lhe arrancar alguma informação sobre o tal encontro. Saber se ainda tinha (ou se, alguma vez, já tinha tido) uma chance com ela poderia ser um bom jeito de iniciar seja lá o que fosse que estivéssemos prestes a ter.
─ Sim, daqui a pouquinho ─ confirmou ela, com um pequeno sorriso ─ Mas você quer entrar? Quer beber alguma coisa?
Um copo d’água poderia me fazer bem. Pedi o líquido e Bella abriu passagem, deixando que seu inconfundível perfume de morangos adentrasse por minhas narinas. Ela fechou a porta e me conduziu até a cozinha, dizendo-me para ficar à vontade. Havia um bom jeito de eu ficar à vontade com Bella, e esse incluía a nós dois... Interrompi o rumo inapropriado de meus pensamentos e acomodei-me numa das cadeiras à pequena mesa.
─ Obrigado ─ murmurei, assim que ela me entregou um copo cheinho do líquido transparente e sem sabor.
─ Não há de que ─ disse, sentando-se ao meu lado. Ela colocou os dois braços sobre a mesa e me encarou com curiosidade ─ Não quero bancar a policial desconfiada, nem dizer que precisa de um motivo específico para vir aqui, mas... Ainda não entendi muito bem porque veio, é algo sobre a festa?
─ Ah, não... Você... Eu não estou lhe atrasando, estou? ─ Precisava saber se ainda haveria uma possibilidade de nós. Não poderia simplesmente dizer que estava interessado nela se aquilo pudesse estragar a sua noite.
─ Não ─ respondeu-me ─ Mike vai passar aqui daqui a pouco ─ completou, sorrindo novamente.
─ Mas você ainda está se arrumando. ─ Meneei com a cabeça na direção de suas pantufinhas azuis e ela deu uma risada contagiante.
─ Vou deixar pra pôr os saltos quando for sair, senão não aguento a noite toda.
A noite toda. Eu deveria ir embora, antes que a machucasse mais – se minhas hipóteses malucas estivessem corretas, já havia sido o suficiente; Bella – possivelmente – já tinha se sentido rejeitada por mim e, a última coisa que eu queria era lhe cobrar algo quando ela claramente estava se deixando envolver por outra pessoa, finalmente seguindo em frente.
─ Desculpe atrapalhar, depois a gente conversa ─ falei, forçando um sorriso e me levantando.
─ Você nunca atrapalha, Edward ─ ela disse baixinho, segurando suavemente o meu braço e impedindo-me de sair da cozinha.
─ Você tem um encontro. Não quero que o tal Mike pense que há algo acontecendo entre nós quando chegar aqui.
─ Tal Mike? ─ Bella riu e então arqueou a sobrancelha direita ─ Mike Newton, não se lembra dele? ─ Ela também se levantou, talvez, para evitar um torcicolo pela nossa diferença de altura ─ Ele era a terceira parte do nosso quarteto, eu, Emmett, Mike e Demetri. Não era só comigo com quem Emmett passava as tardes em seu quarto durante a adolescência, você realmente se esqueceu?
─ Mike e Demetri... Sim, eu me recordo vagamente deles ─ confirmei, lembrando-me de dois rapazes que costumavam frequentar a casa de meus pais, junto de Bella. As memórias só não eram tão vívidas, pois, na época, eu já não morava mais em Forks ─ E Mike é seu fornecedor? ─ Ela concordou com a cabeça.
─ E eu não estou indo a um encontro, exatamente.
─ Ah, não? ─ perguntei surpreso.
─ Não! ─ respondeu ─ O Mike e o Demetri, hum... É o jantar de noivado deles, o Emmett não te contou? Ele e a Rose também vão.
Puta que me pariu! (Minha mãe que me perdoasse!) Não consegui conter um sorriso enorme de aparecer em meu rosto e Bella pareceu meio assustada pela minha reação.
─ Então quer dizer que você e o Mike não estão juntos?
As informações de Vanessa estavam erradas! Por onde quer que ela tivesse ficado sabendo daquilo, algumas partes eram claramente falsas.
─ Não ─ Bella respondeu ─ Achei que soubesse que ele era gay.
Balancei minha cabeça negativamente. Aquilo tudo me colocava na posição que eu mais esperava, mas ainda assim, não sabia como prosseguir. O que eu deveria fazer? Perguntar à Bella se eu era o cara de quem ela gostava, ou ignorar aquela parte e simplesmente chamá-la para sair, como minha filha tinha sugerido?
─ Mas você está desviando o assunto de novo ─ disse ela, encarando-me com um semblante preocupado ─ Algo aconteceu, não é?
─ Sim, aconteceu, eu estou me sentindo loucamente atraído por você, isso é pouco? ─ Assisti à menina-mulher à minha frente arregalando os olhos e só então percebi que havia deixado as palavras escaparem por minha boca. Não tinha planejado lhe falar aquilo, menos ainda daquela maneira brusca.
Bella deu alguns passos para trás, até que, devido à sua estatura, a base de suas costas encontrou uma das laterais da mesa. Seu peito subia e descia apressadamente e suas bochechas continham aquele rubor costumeiro que não mais permitiu que eu me controlasse. Aproximei-me o suficiente para rodear sua cinturinha com meu braço esquerdo e, com a mão direita em sua nuca, conduzi seu rosto em direção ao meu.
Ela estava arfando e eu, não muito diferente. Sabia que, daquele ponto em diante, não haveria mais volta. Um único beijo poderia pôr tudo a perder... Ou poderíamos ganhar um ao outro. Bella fechou os olhos e entreabriu os lábios; era o que ela queria. Era o que eu queria. Que Emmett me perdoasse, caso os dois estivessem mentindo, mas eu não conseguia mais me segurar.
Inclinei meu rosto só um pouco mais, sentindo seu hálito fresco de pasta de hortelã, antes de fechar meus próprios olhos e roçar meus lábios nos dela. Eram os lábios mais macios que já havia beijado – embora eu não tivesse tanta experiência e havia muito tempo que não beijava outra pessoa – e meu interior se agitou conforme as pequenas mãos de Bella se infiltravam por meus cabelos despenteados. Ela soltou um pequeno gemido quando minha mão, em sua cintura, acariciou a base de suas costas.
Foi ela mesma quem aprofundou o beijo e colocou sua língua deliciosa – e habilidosa – dentro de minha boca. E eu gemi quando pude sentir seu gosto; era doce e refrescante ao mesmo tempo, e não demorou para aquela intensidade toda despertar coisas em mim que eu nem lembrava que existiam. Tentei me controlar um pouco ao afastar meus quadris de seu corpo, e tive a não tão brilhante ideia de descer meus lábios por seu pescoço, para me acalmar, mas minha atitude só aguçou ainda mais as minhas vontades. Sua pele era macia e cheirosa, e pude sentir as veias de seu pescoço pulsando contra minha língua.
─ Edward... ─ Quando Bella gemeu o meu nome, bem baixinho, achei que fosse morrer, mas antes que conseguisse fazer qualquer coisa, uma buzina nos fez voltarmos para a “realidade”.
Bella empurrou-me suavemente, mas manteve as duas mãos sobre meus ombros. Mordi o lábio inferior ao ver seu batom todo borrado, as bordinhas, anteriormente definindo o contorno de sua boca, haviam se mesclado à sua pele. Meu rosto não devia estar muito diferente, quando notei que o lado de seu pescoço que eu havia beijado também estava avermelhado – e não era de vergonha.
─ Acho que acabei te atrasando, mesmo sem intenção ─ murmurei, deixando que minha mão direita caísse de sua nuca para se encontrar com a esquerda, ainda na base de suas costas. Meu gesto fez alguns fios de seu coque se soltarem ─ Está toda borrada, eu sinto muito.
Então, Bella sorriu e me deu um selinho antes de dizer:
─ Eu não. A gente pode se ver depois? Não preciso ficar até o fim da festa.
─ Te espero lá em casa ─ concordei, sentindo-me feliz e ansioso sobre o que quer que pudesse acontecer entre nós.
...
─ E então como foi lá na Bella? ─ Vanessa me perguntou assim que cruzei a porta de casa.
─ Hum... ─ Pensei se deveria ou não dizer a ela sobre o beijo. Talvez fosse melhor esperar pela conversa com Bella, antes de criar expectativas em minha filha, não queria que ela se decepcionasse ─ Eu cheguei lá e depois de rondá-la com algumas perguntas, acabei descobrindo que você estava errada. Filha, você poderia causar uma confusão, a Bella não ia sair com o fornecedor dela... Mas disso você já sabia, não é? ─ Estreitei meus olhos assim que Vanessa começou a gargalhar no meio de minha fala.
─ Você precisava se ver antes de sair daqui de casa. Achei que fosse passar mal, mas só provou que você gosta mesmo da Bella. Você sente ciúmes dela com o tio e com qualquer cara que possa se aproximar dela ─ disse minha filha, enquanto se jogava no sofá de três lugares de nossa sala de estar ─ Ela devia estar tão linda, não é? Você babou um pouco com a vista?
Revirei os olhos e sentei-me no sofá de dois lugares.
─ Você sabia de tudo?
─ O tio Emm vem falando da festa de noivado dos amigos dele há semanas, papai ─ Nessie constatou, para a minha surpresa. Como eu não tinha ficado sabendo? ─ Tem estado tão distraído assim, pensando na Bella?
─ Não! É mais um blefe seu, que eu te conheço. ─ Eu estava atordoado. Como não estivera prestando atenção ao meu redor?
Vanessa gargalhou mais uma vez e negou com a cabeça:
─ Por que insiste em negar que sente algo pela Bella, papai? Está com medo? ─ ela me perguntou de maneira mais delicada, sem mais deboches em seu tom de voz.
─ Nem sei direito ─ murmurei com sinceridade ─ Antes, quando tinha certeza do envolvimento dela com o seu tio, esse era o motivo, não queria manchar a memória deles, nem me intrometer no que quer que eles tivessem tido...
─ Mas você não acredita mais nisso, né? Que eles tenham ficado.
Suspirei, rendido, e neguei com a cabeça. Eu acreditava na palavra deles, afinal. Ainda mais depois de Bella ter correspondido ao meu beijo.
─ Naquele dia você me disse que não sentia falta de ficar com alguém, mas só um idiota pra não perceber como você adora ficar com a Bella, e como isso vai além da questão física e do tesão encubado que um sente pelo outro ─ Vanessa falou em tom tão sério, que nem consegui rir, ou repreendê-la por aquela última parte. Ela sentou-se ao meu lado e continuou a discursar ─ Então, papai, não dê uma chance a Bella, dê uma chance a si mesmo. Já passou da hora!
─ Está me dizendo que devo... Fazer coisas com a Bella?
Vanessa estreitou os olhos para mim e resmungou:
─ Nem um mês atrás, você tava me atazanando com a expressão “fazer sexo”, e agora não consegue nem dizer a palavra? ─ Minhas bochechas coraram e ela, para variar, riu da minha cara ─ Você vai transar com ela só por transar? Porque, se for isso, acho que pode não ser uma boa ideia. Ela ainda gosta de você e eu gosto dela, não quero que a machuque.
─ Eu... Não tenho certeza se gosto dela desse jeito. Adoro a companhia dela, o jeito como ela te trata, mas não sei se vai além disso, tirando a parte da atração física, é claro ─ expliquei-lhe.
Nessie suspirou e apoiou a cabeça no encosto do sofá, totalmente frustrada com a minha sinceridade.
─ Você foi até lá porque tava com ciúmes dela! ─ exclamou exasperada ─ Acha mesmo que teria feito isso se pelo menos não tivesse uma fagulha de sentimentos por ela?
─ Eu a beijei...
Talvez, Nessie me entendesse melhor do que eu mesmo. Ela estava certa, afinal. Não teria ido até a casa da Bella se não fosse pelo meu rompante de ciúmes, só a possibilidade de ela estar nos braços de outro homem me dava calafrios na espinha. Minha pirralha arregalou os olhos e me encarou em desdém:
─ E ainda diz que não sabe se gosta dela, faça-me o favor! ─ Ela revirou os olhos ─ Edward Chatinho-&-Lerdinho Cullen que não beija outra pessoa há mais de 15 anos, com certeza, ia beijar a possível ex-namorada do irmão, pela qual sente ciúmes, por mera atração sexual, pode acreditar ─ zombou-me.
─ Chatinho e lerdinho? ─ resmunguei.
─ Pode ser caxias e tontinho também! O combo! ─ Ela me mostrou a língua e levantou-se de um pulo antes que eu pudesse lhe dar um peteleco no braço ─ O papai gosta da Bella! ─ Nessie seguiu dançando e saltitando pela sala.
Ela podia ser só uma adolescente, mas tinha juízo suficiente, e eu confiava nela o bastante para saber que estava coberta de razão: não teria beijado Bella se minha atração por ela não fosse muito mais do que física. Não queria, nem poderia magoá-la de novo, ainda que, no passado, eu nem soubesse de seus sentimentos por mim.
22:40h
Estava quase cochilando no sofá, quando uma vibração em meu celular me chamou a atenção: era uma mensagem de Bella!
Bella: Estou saindo do restaurante agora. Emmett vai me dar uma carona... O convite ainda está de pé?
Edward: Vou deixar a porta da frente aberta. Estou te esperando.
Levantei-me do sofá e cutuquei Vanessa, já adormecida ao meu lado. Não queria que ela estivesse presente durante minha conversa com Bella, ainda que fosse ela a responsável por me abrir os olhos. Nessie resmungou um pouco, mas se espreguiçou e subiu as escadas em direção ao seu quarto. Assim que me certifiquei de que ela não desceria, destranquei a porta de entrada e fui até a cozinha.
Bella estivera numa festa de noivado, então, muito provavelmente estava bem alimentada, mas a minha ansiedade em vê-la havia me impedido de jantar. Terminava de preparar um sanduíche quando uma batida suave na porta fez meu coração acelerar e, em seguida, o motivo de tanto nervosismo surgiu em minha cozinha.
─ Oi... ─ murmurou Bella, aproximando-se lentamente.
As linhas de seus lábios ainda estavam ligeiramente borradas, dado que (segundo o que ela me explicara), batons vermelhos eram bem difíceis de tirar, e a falta de tempo (provocada por nosso beijo inesperado) a impediram de um retoque mais preciso. Mas saber que eu tinha sido o motivo para tal amaciava o meu ego, e ela ainda continuava linda.
─ Oi, Bella ─ cumprimentei-a, ignorando as batidas descompassadas de meu coração e o bolo de ansiedade que queria se formar em minha garganta para atrapalhar nossa conversa ─ Hum... Quer comer alguma coisa? ─ perguntei, gesticulando para o sanduíche recém-preparado.
─ Ah, eu aceito sim, estou faminta para falar a verdade ─ disse ela, surpreendendo-me.
─ Não tinha comida nessa festa de noivado? ─ brinquei, intrigado ao vê-la corar.
─ Não consegui comer quase nada... Acho que minha mente estava em outro lugar ─ falou em tom baixo ─ Pra falar a verdade, nem sei se vou conseguir comer enquanto a gente não... Conversar.
Oh! Ela era como eu! Estômago trancado enquanto assuntos importantes não eram resolvidos!
─ Certo... Temos alguns lugares para conversar ─ falei e comecei a apontar enquanto falava ─ Aqui... A sala... O meu quarto...
Eu esperava que ela não achasse que eu tinha segunda intenções com ela. Porque eu tinha, mas eu colocaria nossa conversa como prioridade, acima de qualquer desejo.
─ O seu... Quarto? ─ Bella mordeu o lábio inferior e como eu queria beijá-la de novo! ─ É o lugar menos provável em que a Nessie apareceria, eu imagino.
─ Sim ─ concordei ─ Acho que teremos mais privacidade lá.
Não era por segundas intenções! Eu precisava manter isso em mente, ou, pelo menos, deixá-las em segundo plano até que conversássemos de verdade.
Bella concordou e nós seguimos para aquele que era o meu cômodo preferido de toda a casa. Abri a porta para ela e, só então, me dei conta de que ou nos sentaríamos juntos em minha cama, ou ela poderia se sentar na cadeira da mesinha do computador. E qual não foi a minha surpresa quando ela se sentou na primeira opção.
Seu vestidinho subiu alguns centímetros e pude notar suas coxas grossas e pálidas. Sentei-me ao lado dela, controlando minha respiração e vi que estava tão nervosa quanto eu, pois, corada, fitava suas mãos sobre seu colo.
─ Por que você me beijou? ─ perguntou-me, erguendo os olhos para os meus e tudo o que vi, refletido no castanho dos seus, foram dúvidas e medo. Eu queria ter o poder de saná-los num piscar de olhos, mas, infelizmente, aquilo não era possível.
─ Ah... Bella, eu... ─ Fazia tanto tempo que eu não me declarava para alguém! Qual seria a melhor forma de lhe dizer o que sentia?
Antes que eu dissesse qualquer coisa, porém, Bella retomou a palavra:
─ Você nunca demonstrou qualquer interesse por mim, antes, por que agora? ─ Ela parecia confusa e... Chateada.
─ Eu...
─ Devo ser uma espécie de brincadeira para você, não é? A melhor amiga boba do irmão que volta depois de um tempo fora e então você acha que pode ganhá-la de qualquer jeito, ou pior, por se aproveitar do fato de que você é a única coisa que ela sempre quis ter...
─ Bella, cale a boca, por favor. ─ Não queria ser rude, mas ela estava me deixando atordoado sua tagarelice. Sem contar com o fato de que havia deduzido tudo errado. Ela me encarou com os olhos arregalados e eu não contive uma pequena risada.
“Como te falei, na sua própria casa, te beijei porque você me atrai. Você me atrai como nenhuma outra mulher jamais me atraiu antes; faz eu me sentir estranhamente aquecido por dentro todas as vezes que vejo os seus olhos...” E então algo me ocorreu. Algo que me deixou só um pouquinho surpreso (porque, de certa forma, eu já esperava) e animado “Eu sou tudo o que você sempre quis?” perguntei, segurando seu rosto com a ponta dos dedos e sorrindo quando ela corou adoravelmente.
─ Achei que era óbvio ─ Bella sussurrou, desviando o olhar para baixo.
─ Não era óbvio para mim, Bella, nunca foi. ─ Acarinhei sua pele e esperei que ela olhasse para mim antes de continuarmos nossa conversa. Ela suspirou profundamente antes de erguer os olhos para os meus.
─ Porque você sempre achou que eu passava as tardes enfurnada no quarto do Emmett transando com ele, não é?
Engasguei com a minha própria saliva, surpreso por Bella ter sido tão direta, e ela suspirou de novo só que de maneira indignada.
─ Emmett e eu nunca tivemos nada. Nós só queríamos que as pessoas pensassem que estávamos juntos, porque queríamos causar ciúmes. Ele em Rose e eu em você. Estávamos nos ajudando, porque as pessoas pelas quais estávamos interessadas nunca tinham olhado para a gente.
“Só que assim que ele e a Rose começaram a namorar, a gente teve que parar, então o plano só deu certo para ele. Sempre tentei chamar a sua atenção, mas você nunca me deu bola. Achei que depois que voltasse para Forks meus sentimentos por você teriam morrido, mas eles pareceram ainda mais fortes do que antes” confessou-me, fechando os olhos, visivelmente emocionada e envergonhada por ter sido a primeira de nós dois a falar tudo o que sentia.
E eu não estava mais tão surpreso com sua história em relação à Emmett, porque embora a parte dos ciúmes não tivesse sido exatamente convencional, também não era a coisa mais original do mundo. Mas eu realmente não conseguia me colocar, no passado, numa posição em que estivesse apaixonado por Bella, ou, de fato, a tivesse notado de uma forma diferente do status “melhor amiga do meu irmão”. Na época, ela ainda era uma menina, enquanto eu já era um homem adulto – e, de certa forma, carregava mais responsabilidades do que muitos deles, uma vez que Vanessa já havia nascido.
─ Você percebe como teria sido errado e problemático, de tantas formas, se você tivesse conseguido chamar a minha atenção aos 14 anos de idade? ─ perguntei-lhe, ainda acariciando seu rosto. Bella fez uma careta, mas sabia que, no fundo, eu estava certo ─ Penso que se acontecesse com Vanessa, eu mataria o cara.
Ela deu uma risadinha e concordou com a cabeça:
─ Acho que eu também...
─ Não estou brincando com você ─ falei, tomando a liberdade de percorrer minhas mãos para baixo, de seu pescoço, para os ombros, e descendo mais até suas mãos pequeninas. Sorri quando ela estremeceu com os meus carinhos, e aproximei-me mais dela, de modo que nossos joelhos se tocaram ─ Estou gostando de verdade de você, Bella. Durante esses tantos meses que estamos convivendo, em prol da minha filha, percebi que é esquisito voltar de uma “reunião sobre o aniversário”, ou de uma ida à Seattle e ter que te deixar na casa de seu pai, porque... ─ suspirei e tomei mais fôlego para continuar a falar ─ Porque já não imagino mais a minha vida, ou melhor, as vidas, minha e de Vanessa, sem você.
Era isso? Sentia-me leve, feliz, mas principalmente ansioso pela sua reação. Já fazia tanto tempo que eu não me sentia daquele jeito... Apaixonado... Bella me sorriu timidamente e novamente desviou o olhar, impedindo-me de buscar seus sentimentos através de seus olhos.
─ Então... ─ murmurou ela, finalmente me encarando com aquela imensidão chocolate, pela qual eu demorei tanto tempo para perceber que estava apaixonado.
─ Então... ─ murmurei de volta, apertando suas mãos carinhosamente ─ Será que ainda tem espaço na sua vida para nós? ─ perguntei.
O sorriso de Bella se tornou maior assim que ela entendeu que eu estava me referindo a mim e à Nessie.
─ Claro que tem. Sempre teve, e sempre terá ─ afirmou ela, inclinando o rosto na direção do meu.
Bella roçou nossos lábios e sorri por entre nosso beijo, sentindo-me um pouco ansioso assim que ela se jogou em meus braços. Ela me mostrou que tinha tantas segundas intenções quanto eu, quando começou a se deitar em minha cama e me puxou sobre si mesma, abrindo ligeiramente as pernas para que eu me posicionasse entre ambas.
Não consegui controlar minhas mãos, que tocaram a pele macia de suas coxas e subiram até sua cintura, puxando o tecido do seu vestido no processo, enquanto aprofundávamos o beijo; novamente, senti seu hálito em minha boca – daquela vez misturado ao que parecia ser chocolate –, ao passo que sua língua brincava com a minha. Bella ofegou contra meus lábios assim que minhas mãos passearam por seu corpo e percebi a tempo que ela estava ficando sem ar.
Eu também estava do mesmo jeito, mas não conseguia, nem queria me afastar dela, então desci meus lábios para a pele de seu pescoço; chegava às nuvens só de sentir os arrepios, provocados por ela, em minha coluna e em pouco tempo, eu sabia, Bella pôde sentir toda a minha tensão contra o tecido fininho de sua calcinha. Minhas mãos, inevitavelmente, ergueram mais o seu vestido até a base do sutiã, expondo uma parte de renda preta.
─ Edward! ─ Ela suspirou e moveu as mãos, anteriormente emaranhadas em meus cabelos, para os meus ombros, empurrando-os levemente.
─ Sim, Bella? ─ Consegui sussurrar contra o seu pescoço com a voz completamente rouca. Ela estremeceu abaixo de mim e sorri ao notar todos os efeitos que causava nela.
─ Preciso te dizer algo ─ disse baixinho e, então, ergui meu rosto para poder olhá-la e focar minha atenção naquilo que realmente importava: as vontades dela, quaisquer que fossem.
Bella estava toda vermelhinha e, ao perceber que não era apenas pela falta de fôlego, perguntei-me se ela estava desconfortável por estar naquela situação comigo.
─ Edward, eu nem sei como te dizer isso ─ comentou, desviando o olhar para meu peito. Apoiei meu braço esquerdo no colchão de modo que meu peso não recaísse sobre ela e usei minha mão direita para acarinhar seu rosto.
Depois de altas declarações ela ainda conseguia se sentir envergonhada sobre o que quer que fosse?
─ Não precisa me contar se não quiser, mas se quiser, não tenha vergonha de mim ─ falei-lhe, beijando suavemente o canto de seus lábios.
Bella suspirou com os olhos fechados e quando os abriu, finalmente encarou os meus:
─ Eu nunca fiz... Isso ─ murmurou. Talvez a minha expressão surpresa a tivesse assustado, pois tornou a fechar os olhos com força e seu rosto ficou ainda mais vermelho, se é que possível.
─ Olhe para mim, por favor ─ pedi-lhe. Bella não tinha motivo algum para se envergonhar de sua... Condição. Eu mesmo tinha 15 anos de celibato e minha pouca experiência no assunto me colocavam num patamar bem próximo ao dela.
Novamente Bella abriu os olhos, dessa vez mais lentamente, e levou mais alguns segundos antes de me encarar de maneira tímida. Precisava que ela fosse sincera comigo e era por isso que tinha que estar vendo seus olhos. Depois de tudo, fazê-la ter qualquer tipo de intimidade comigo, apenas para satisfazer meus desejos, estava fora de cogitação. Não queria que ela se sentisse acuada e era através de seus olhos que saberia se estava ou não sendo sincera comigo.
─ Você não quer continuar, é isso? ─ perguntei, um pouco ansioso pela sua resposta. Uma negativa poderia me dar mais tempo para pensar em como fazer daquele um momento especial para ela, enquanto, uma positiva provavelmente me deixaria ainda mais ansioso.
─ Não ─ Negou apressadamente e antes que eu pudesse sair de cima dela para respeitar suas vontades, Bella cruzou as pernas ao redor de minha cintura, pressionando nossas intimidades e me fazendo gemer em surpresa e excitação ─ Não foi o que eu quis dizer ─ murmurou, enquanto suas bochechas assumiam novamente o rubor costumeiro ─ Quero sim continuar.
E foi com aquela permissão, e vendo toda a verdade em seu olhar, que nós nos beijamos apaixonadamente. Nossas roupas foram sendo tiradas, perdendo-se entre os lençóis, enquanto nossas mãos exploravam o corpo um do outro. Bella era magnífica e poder ter aquela experiência com ela, depois de saber de seus sentimentos por mim me deram a certeza de que eu, também, nunca lhe negaria os meus próprios sentimentos.
A visão de seus olhos chocolate brilhantes vidrados nos meus enquanto fazíamos amor me deixava arrepiado de formas que eu nunca imaginei; aquecia o meu peito e o enchia com a certeza de que, pela primeira vez na minha vida, eu tinha o verdadeiro amor de uma mulher só para mim. E eu estava absurdamente feliz e satisfeito que a mulher em questão fosse Bella.
...
Dei um selinho em Bella que riu contra os meus lábios e levou as mãos à minha nuca, fazendo carícias suaves em minha pele. Com os lençóis cobrindo metade de nossos corpos, pude aproveitar para percorrer, com a ponta de meus dedos, a pequena tatuagem em formato de girassol na lateral de seu seio esquerdo.
─ Era a preferida da minha mãe ─ Bella murmurou, afastando um pouco a cabeça para encarar meus olhos.
Sentia-me privilegiado por ela ter confiado em mim e me concedido momentos tão especiais. Ver refletido a imensidão e genuinidade de seus sentimentos no chocolate de seus olhos só me dava motivos para querer sempre vê-la bem, para que fosse eu a fazê-la feliz. Eles me davam a certeza de que o que estávamos vivendo não poderia ser mais real, me passavam a segurança de um futuro, para nós dois, cheio de amor e carinho.
─ Fiz assim que voltei para cá. Só você e o tatuador sabem sobre a existência dela ─ disse ela, de olhos fechados e com um sorriso preguiçoso no rosto.
─ Tatuador? ─ Não consegui controlar a pontada de ciúmes em minha voz, ao imaginar outro homem vendo-a e tocando-a tão intimamente (ainda que de maneira profissional). Bella deu uma risadinha e finalmente me fitou.
─ Você sabe que Demetri é um tatuador renomado aqui em Forks, não sabe? ─ Ela arqueou uma sobrancelha e riu quando minhas bochechas ficaram ridiculamente vermelhas.
─ Não tenho tatuagens, Bella ─ falei ─ Não sabia disso não.
Bella riu novamente e inclinou-se na minha direção para me dar um selinho. Ela apoiou a mão direita em meu peito e eu sorri ao vê-la toda despenteada e ruborizada; as gotículas de suor que escorriam de sua nuca, contornando a lateral de seu pescoço e descendo para o vale de seus seios eram a prova de nossas atividades e, além, dos nossos sentimentos.
E foi encarando seus olhos chocolate que uma pergunta me veio à mente. Era algo em que havia pensado há muitos anos, quando recebera a notícia de que Bella estava se mudando, logo após o fim do colegial:
─ Bella, por que foi embora de Forks? Já estava em seus planos deixar a cidade depois de terminar o Ensino Médio?
Ela pareceu pensar por alguns instantes, como se voltasse seus pensamentos para aquela época, e desviou o olhar para a sua mão, ainda sobre o meu peito, antes de me responder:
─ Eu fui porque... Achei que não me restava mais nada aqui. Meu pai e as amizades que fiz, claro, eram e continuam sendo muito importantes, mas... ─ Interrompeu-se e mordeu o lábio inferior por alguns instantes.
─ Mas... ─ Incentivei-a, tocando delicadamente em seu rosto e ela me olhou antes de continuar.
─ Absolutamente todo mundo nessa cidade sabia que eu era louca por você. Perdidamente apaixonada, desde sempre... ─ Todo mundo? Estava surpreso com sua constatação e com a certeza que Bella carregava na voz. Como eu pude deixar passar? ─ Na noite da minha formatura, eu planejava te contar sobre meus sentimentos, quando Tânia me procurou. Ela me disse que vocês tinham voltado, que iriam criar a Nessie juntos, como uma família. ─ Bella fechou os olhos e franziu o cenho, como se a lembrança lhe trouxesse dor. E a ideia me deixou furioso. Tânia não tinha o direito de tê-la enganado daquela forma!
“Eu jamais poderia me intrometer nas suas vidas desse jeito, embora amasse muito vocês dois...” ela continuou “Então eu fui embora, porque não me perdoaria se fizesse da sua vida uma bagunça, mas também sabia que não aguentaria vê-lo com outra pessoa. Se você estava tão feliz quanto Tânia dizia estar, então eu deveria estar feliz por você, pela Nessie” Bella me encarou com um sorriso triste “Se você tivesse me pedido, eu teria ficado. Não teria ido embora se soubesse que Tânia estava mentindo”.
─ Achou mesmo que, depois de tantos anos, eu aceitaria Tânia de volta? ─ perguntei. Uma coisa que eu achei que sempre estivera claro para todos ao meu redor, era o fato de eu ter a certeza de que jamais voltaria a me relacionar com a genitora de Vanessa.
─ Você faria de tudo e qualquer coisa pela Nessie. Naquela época ela estava tão sensível, precisava da mãe por perto, você acha que eu tiraria essa chance dela? Se Nessie te pedisse, você não voltaria com a Tânia? Porque foi exatamente isso o que eu achei que tinha acontecido, o que ela deu a entender que tinha acontecido.
─ A Nessie sabe, sempre soube que podia me pedir qualquer coisa menos isso. Ela até poderia retomar uma relação com Tânia, jamais me opus, embora detestasse a ideia. Mas Nessie sempre teve a consciência de que eu e a mãe dela nunca voltaríamos, nem voltaremos. Desde aquela época ela já sabia, aliás, todos sabiam. Parece que... A única pessoa que não sabia disso era você ─ falei, acariciando seu rosto corado.
─ Como eu podia adivinhar que um cara como você poderia... Sequer olhar para mim? ─ Bella murmurou e esboçou um sorriso tímido.
─ Eu não olhava, claro que não olhava, Bella. Você era, literalmente, uma menina, que tipo de merda eu seria? ─ Por mais que eu quisesse ter sabido sobre os sentimentos dela há mais tempo, nunca poderia tê-los correspondido, não naquela época.
─ Já era maior de idade quando me formei no Ensino Médio, só para constatação ─ contrapôs, erguendo uma sobrancelha.
─ E como eu podia adivinhar que você poderia olhar para mim? Um cara de 25 anos com uma filha de 10 para criar? ─ Ela era incrível; ela tinha me olhado, ela tinha me visto, mesmo quando eu achava que seria impossível despertar o interesse de outra mulher, dadas as circunstâncias em que minha vida se encontrava.
─ Sempre amei você, todas as suas partes e isso incluía, e ainda inclui, a Nessie. Mesmo ela tendo 50% de partes da Tânia ─ brincou ela.
─ Graças a Deus, não! Ela poderia ser somente minha filha se humanos tivessem a capacidade de fazer partenogênese ─ brinquei de volta ─ Mas enfim, era responsabilidade demais até para mim, que dirá para uma adolescente recém saída do colegial? Não seria justo jogar tudo em cima de você.
─ Por isso encontramos o equilíbrio, não é? Hoje sabemos que podemos dividir tudo.
─ Sim ─ concordei, roçando meu nariz no dela e recebendo uma risadinha adorável como resposta assim que lhe roubei um selinho ─ Mas eu não aceito dividir você não, nem com o Emmett.
─ Porra, Edward, essa história de novo?
Ri de sua boca suja e Bella me deu a língua.
─ Você acabou de me deflorar e ainda acha que eu ficava com o seu irmão? ─ Ela fez uma careta de nojo e eu estava cada vez mais aliviado de saber que os dois nunca tinham estado juntos. Seria um estranho demais para mim.
─ Não. Eu só me acho muito burro por nunca ter percebido.
Bella me deu um pequeno sorriso e um selinho demorado logo em seguida.
─ Acho que não fomos atores muito bons, na época. Apesar de que a Rose percebeu bem rápido... Era engraçado vê-la sentindo ciúmes de algo que nem era real.
─ Vocês eram meio sádicos na época.
Ela me mostrou a língua novamente como resposta.
─ E vocês eram muito novos ─ continuei ─ Na boa, Isabella, você queria mesmo que eu, aos 20, 21 anos de idade te olhasse do mesmo jeito que te olho hoje? Eu mesmo me jogaria na cadeia, nem precisaria esperar pelo seu pai ─ Da mesma forma como eu faria com qualquer marmanjo que se aproximasse de minha filha. A própria Bella tinha concordado comigo!
─ E você continua me achando muito nova? ─ perguntou-me, inclinando um pouco a cabeça para a direita.
─ Sim, mas naquela época, você achava que sabia o que queria. Tudo bem que eu detesto o tanto que Tânia interferiu nas nossas vidas, odeio que ela tenha mentido para você, mas veja tudo o que conquistou por ter passado alguns aninhos longe! ─ falei, sorrindo orgulhoso dela. Bella retribuiu o sorriso e me deu mais um selinho ─ Hoje você sabe exatamente o que você quer, e isso só foi possível por toda a experiência que ganhou ao longo desse tempo.
─ Então, naquela época, não quando eu tinha 14, 15 anos, mas na minha formatura, você ainda assim não teria ficado comigo, não é?
─ Não sei, meu amor. Não sei o que poderia ter sido ─ respondi-lhe com sinceridade. Ela tinha sido razoável com sua pergunta (ao não se referir ao tempo em que era menor de idade), mas, ainda assim, era difícil ter certeza quanto ao que poderia ter sido ─ Talvez você tivesse despertado alguma fagulha em mim, porque eu realmente ainda te via como uma adolescente. Mas acho que as coisas aconteceram exatamente como deveriam ter acontecido. Agora nós estamos prontos um para o outro de verdade.
─ Acho que tem razão ─ Bella concordou, se aconchegando em meu peito e eu adorei poder sentir seu cheiro de morangos misturado ao seu natural, e ao de nosso amor. Abracei-a apertado e cobri-nos com o lençol enquanto deixava a inconsciência tomar conta de mim por completo.
Fale com o autor