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5 Capítulo 5 ~ Corações roubados
Notas iniciais
Sábado, 6 de abril de 2019, 10:15h, Quarto do Edward.
Despertei lentamente, estranhando ao não sentir o calor que havia presenciado durante a noite toda. Ao abrir os olhos, quase entrei em pânico ao não ver o corpo de Bella ali comigo, mas percebi, a tempo de não surtar, um bilhete em cima do travesseiro que, por uma noite, tinha sido dela.
“Bom dia, Edward!
Não sabia até que ponto gostaria de falar à Vanessa sobre nós e presumo que, de qualquer forma, a maneira mais adequada não seria ela me encontrando de supetão logo na manhã seguinte a tudo o que aconteceu, então achei mais prudente voltar para minha casa cedo... Nessie é inteligente demais e deduziria em menos tempo do que nós conseguiríamos lhe dar uma explicação razoável”.
Bella estava muito certa. Minha filha era muito inteligente. Bastaria vê-la em nossa casa para deduzir que algo teria acontecido entre nós dois.
“Não me arrependo do que tivemos, mas talvez devêssemos ter conversado com ela primeiro, não quero que ela fique desconfortável/chateada comigo, ou ache que quero roubar o pai dela”.
Quanto àquela parte, Bella não poderia estar mais errada, embora não a culpasse por pensar assim. Não tinha como ela adivinhar que Nessie era a responsável por estarmos juntos, muito menos que minha filha a queria como sua madrasta. Sorri ao perceber que o desejo dela se tornaria real muito em breve.
“Espero que possamos repetir a dose logo... Não tão logo, porq Precisei tomar um analgésico, você foi cuidadoso, mas estou dolorida, então esse foi por sua conta”.
Quase gargalhei com suas palavras. Imaginei suas bochechas corando enquanto escrevia aquela parte, mas me preocupei um pouco por causa da dor. Sob o local onde ela havia deitado, estava uma mancha de sangue que atestava não só a perda da sua virgindade, como também a possibilidade de eu tê-la machucado. Ansioso para falar diretamente com Bella, tratei logo de ler suas palavras finais:
“Até breve, eu espero.
Beijos, Bella”.
Ela esperava? Ela não tinha certezas! E eu não a faria esperar por muito mais tempo!
Procurei meu celular na minha mesinha de cabeceira, mas me dei conta de que o havia deixado no andar debaixo antes de Bella e eu subirmos até meu quarto. Levantei-me rapidamente, fui ao banheiro e, após fazer minhas necessidades matinais e tomar um banho, fui até a cozinha.
Surpreendi-me ao ver a mesa arrumada com um café da manhã. Só podia ter sido pelas mãos de Bella, já que Nessie parecia não ter acordado ainda. Sorri ao ver torradas, pães e o bule com café fresquinho. Meu celular estava ali, então o peguei para mandar uma mensagem à Bella.
Edward: Bom dia, Bella!
Precisamos esclarecer algumas coisas sobre Vanessa (ela, sem dúvidas, não teria ficado chateada contigo). Não precisava ter ido para casa tão cedo. Obrigado pelo café da manhã, o almoço é por minha conta! Te pego na sua casa ao meio dia.
PS: Espero que a dor tenha passado. Sinto muito que tenha precisado de analgésicos :/
Bella não demorou a me responder e um sorriso quase me rasgou o rosto.
Bella: Bom dia, Edward!
Estarei pronta ao meio dia, então.
A dor é uma lembrança boa do que aconteceu, não se preocupe J
Mande um beijo pra Vanessa e fique com outro pra você!
─ PAIÊ, BOM DIA, AS MENINAS QUEREM VIR AQUI PRA ME AJUDAREM COM A PLAYLIST DA FESTA, TUDO BEM? ─ A voz de Vanessa ecoou pelo andar de cima.
Aquelas adolescentes certamente me enlouqueceriam e eu queria um momento à sós com Bella e Vanessa. A tal playlist poderia esperar por mais alguns dias.
─ Pai, cadê você? Já acordou? Meu Deus! ─ Vanessa gritou a última parte e corri pelas escadas, preocupado que algo lhe tivesse acontecido, até vê-la na soleira da porta do meu quarto com a respiração pesada e a mão sobre o peito.
─ Ei, filha, o que houve? ─ perguntei (e fiquei ainda mais preocupado quando ela se virou na minha direção com os olhos cheios de lágrimas).
Nessie me abraçou apertado e apontou para a minha cama, ainda desfeita, e só então percebi que indicava o sangue sobre os lençóis. Ah, merda, por que eu não os tinha trocado logo?
─ Você está ferido? ─ perguntou-me, sua voz alarmada e então começou a procurar por possíveis machucados em meus braços.
─ Não ─ respondi, mas ela não parecia muito convencida. Por minha pressa, teria de lhe revelar o segredo meu e de Bella mais cedo do que o esperado ─ O sangue não é meu.
Nessie me encarou como se eu fosse louco – porque provavelmente pensava que eu era o único a ter estado em meu quarto – quando lhe revelei que Bella havia dormido comigo na noite anterior.
─ Ela... Ficou menstruada? Você podia ter me chamado que eu dava uns absorventes pra ela, né? Por isso ela foi embora cedo? Devia estar morrendo de vergonha, tadinha!
─ Hum... Não filha, a Bella dormiu comigo ontem ─ repeti. Nessie arregalou os olhos e percebi que ela finalmente tinha entendido o duplo sentido de minhas palavras, mas ainda parecia confusa, provavelmente, sobre o sangue ─ A Bella... ─ Será que eu tinha direitos de lhe revelar ainda mais detalhes sobre aquela noite quando nem tinha conversado com Bella sobre o que diríamos a ela?
“A Bella vai te contar, se ela quiser” falei, ignorando os resmungos daquela criaturinha curiosa “E ela foi embora, pois achou que você poderia ficar desconfortável, porque provavelmente deduziria o que aconteceu aqui. Não era pra você ter descoberto dessa maneira. A gente combinou de almoçar junto e é por isso que seu pedido será recusado. Encontre suas amigas outro dia”.
─ Hum... Tudo bem, se vocês fizeram amor, então é porque estão juntos e é isso o que importa, mas a Bella não precisava ter ido embora. Eu a adoro.
─ Eu sei, você sabe, mas ela ainda não. Ela queria que conversássemos nós três juntos ─ falei, fazendo um carinho em seu rosto.
Nessie sorriu ao perceber que não tinha negado que eu e Bella estávamos, de fato, juntos. Talvez não ainda oficialmente, mas era só porque precisávamos conversar com minha filha antes.
─ A Bella é incrível mesmo ─ Vanessa constatou com um sorriso e concordei com a cabeça.
─ E ela ainda deixou um café da manhã pra nós ─ comentei, puxando-a levemente para que descêssemos juntos as escadas.
Nessie pareceu maravilhada ao ver nossa mesa posta e exigiu que eu agradecesse Bella por aquele gesto de carinho. E eu não seria mais lerdo a ponto de desobedecê-la, afinal, Vanessa tinha o dom de saber exatamente o que eu mais precisava.
13:00h
─ Não acredito que enganou o seu pai desse jeito! ─ Bella olhou de Vanessa para mim enquanto desatava a rir. As duas se divertiam da minha burrice, após minha namorada descobrir que Nessie tinha mentido sobre ela e seu fornecedor.
─ Papai é tão lerdo quando se trata de você, Bella! ─ Nessie piscou para ela e revirei os olhos ─ Mas eu não. Sabia que vocês dois ficariam juntos desde que entramos no seu escritório ─ minha filha falou em tom carinhoso e Bella abriu um sorriso brilhante para ela.
Não que eu precisasse de qualquer demonstração por parte de Bella, de que ela gostava verdadeiramente de Vanessa, mas era incrível poder presenciar as interações das duas, ainda mais depois de quase 15 anos em que o mais próximo de uma mãe que minha filha havia tido fosse a minha mãe. E avós, como todos sabem, servem para estragar os seus filhos.
Também não era como se eu fosse pedir para Bella se tornar mãe de Vanessa tão repentinamente, mas era bom (ótimo, na verdade) saber que Nessie teria nela um modelo feminino – e exemplar – de ser.
─ Mas... Me conta por que tinha sangue na cama do meu pai? Ele disse que era seu.
Espalmei a mão no rosto com a pergunta inadequada de minha filha, que apenas deu de ombros enquanto Bella corava num tom brilhante de vermelho.
─ Tipo... ─ Vanessa continuou antes que eu pudesse calá-la ─ Eu ouvi dizer que sexo só faz a gente sangrar quando acaba machucando, ou quando é a primeira vez de uma garota, mas você não era mais virgem, né, Bella? Quero dizer, olha só para você, toda bonit... ─ Ela mesma se calou quando Bella desviou o olhar para as próprias mãos em cima da mesa.
“Puta que me pariu!” Tânia era mesmo, mas repreendi Vanessa por soltar um palavrão à mesa. Ela apenas deu de ombros e continuou tagarelar “Uau, você é tão romântica, Bella. Estava se guardando pra esse lerdinho durante todos esses anos!”.
Os olhinhos de Vanessa brilhavam e eu esperava que ela também seguisse o exemplo de Bella em relação àquele assunto – já que ela poderia mudar de ideia quanto a se casar virgem, que pelo menos se entregasse para um cara bom e respeitador.
─ Chega de me chamar de lerdinho. ─ Bufei, ganhando uma gargalhada de Vanessa e uma pequena risada de Bella ─ A louça é sua, Nessie. Depois vai lá pra sala ficar com a gente ─ murmurei, agarrando Bella pela cintura para guiá-la até o cômodo ao lado, e foi a minha vez de rir dos protestos de minha filha quanto às minhas ordens.
─ Eu posso ajudar a Nessie ─ Bella murmurou assim que nos acomodamos no sofá. Puxei seu corpinho de encontro ao meu e a abracei contra o meu peito. Sorri ao ouvi-la suspirar e me abraçar de volta.
─ Nada disso. Tenho organizado todas as louças sozinho nesses últimos dias. Não vai matá-la cumprir essa tarefinha ─ falei e beijei a lateral de sua cabeça.
─ Então, nós estamos mesmo namorando? ─ Bella me perguntou, movendo a cabeça para encarar meus olhos.
─ O que? Achou mesmo que eu fosse te deflorar... ─ sussurrei aquela parte para que Vanessa não ouvisse e ri baixinho quando as bochechas de Bella coraram ─ E não te propor algo menos do que um namoro?
─ Você sabe que estamos no século vinte e um, não sabe? As coisas não funcionam mais dessa maneira. Não existe mais “perda de honra" ─ ela murmurou, franzindo o cenho.
─ Eu ainda sou do século passado, Bella. Gosto de fazer as coisas direito ─ brinquei, dando-lhe um beijinho de esquimó e arrancando risadas adoráveis dela.
─ E quando vamos... Repetir?
Ela parecia realmente ansiosa para uma segunda dose de amor, o que me surpreendeu positivamente – era impossível não querer estar com Bella daquela maneira.
─ Quando a senhorita parar de sentir dor ─ sussurrei, selando nossos lábios brevemente ─ Por falar nisso, como está?
Bella me sorriu timidamente, então entendi que ainda não estava totalmente recuperada, reforçando meus pensamentos de que deveríamos esperar um pouco mais para nos amarmos de novo.
20 de junho de 2019, 08:30h, Mansão Cullen.
─ Bella, amor da minha vida, solte essa mesa! ─ exclamei, exasperado (e preocupado) ao ver Isabella puxando, sozinha, a mesa de madeira pesada, a qual receberia alguns dos comes e bebes da festa.
Corri até onde ela estava, mostrando-lhe a minha melhor cara de indignação e ela simplesmente soltou uma risadinha antes de me dar um selinho.
─ Sabe que não pode carregar peso nessa fase, mulher! Por Deus! ─ resmunguei.
Ia continuar meu pequeno sermão, mas ela meneou com a cabeça, os olhos ligeiramente arregalados, na direção de Rose, Emmett e Nessie, que estavam por perto, coordenando os ajudantes de Bella. Suspirei. Nós tínhamos concordado em esperar mais algum tempo antes de contarmos as novidades, mas aquilo não me impedia de ficar em alerta.
Gritei por Emmett, para que ele me ajudasse a colocar a mesa – absurdamente pesada – no local escolhido por minha namorada e quase joguei tudo pro alto (para repreendê-la) ao notar que o móvel era ainda mais pesado do que eu imaginava.
─ Não se preocupe. Sei dos meus limites ─ murmurou, roçando seus lábios nos meus.
Agarrei seus quadris, ligeiramente maiores do que nos últimos meses e aprofundei nosso beijo – só um pouquinho, porque ainda tínhamos muito trabalho para pôr em prática.
─ Não se esforce muito e, se ficar cansada, pare um pouco. Pode ficar no meu antigo quarto se quiser ─ sussurrei contra os seus lábios e ela finalmente concordou em me ouvir um pouco, assentindo positivamente com a cabeça.
─ Depois do almoço tiro uma soneca ─ disse ela, dando uma mordidinha em meu lábio inferior.
Bella estava, a cada dia, deixando um pouco da sua timidez de lado e eu amava vê-la saindo de seu casulo.
─ Aí pode ser que eu me junte a você ─ falei, beijando-a mais uma vez.
17:50h
─ Meninas, pelo amor de Deus, o pessoal já vai começar a chegar! ─ Gritei e bati na porta de meu antigo quarto (que estava sendo usado como camarim) pela milésima vez.
─ ESPERA UM POUCO, CACETA! ─ Alice gritou de volta e grunhi, passando as mãos por meus cabelos e revirando os olhos.
No fim, Nessie havia desistido de se arrumar no salão – e meu bolso já prejudicado agradeceu por sua decisão –, mas tinha encarregado Alice de arrumá-la, o que certamente me renderia alguns fios de cabelos brancos. Bella estava junto, também terminando de se produzir.
Eu já não aguentava mais esperar, seria, então, hipocrisia da minha parte dizer que a espera tinha valido a pena? Porque ambas, Bella e Vanessa pareciam duas rainhas, assim que Alice abriu a porta, o vinco no meio da sua testa me mostrando sua irritação comigo, a qual ignorei.
Voltei meu olhar para as duas – talvez três — mulheres da minha vida e me maravilhei com a beleza delas. Nessie trajava um belo vestido azul turquesa com detalhes em tons mais escuros da mesma cor. A maquiagem de seus olhos combinava de maneira elegante e valorizava seus lindos olhos verdes, e seu rosto perfeito era emoldurado por seus cabelos ruivos, presos num penteado bem moderno. Por mais demorada que fosse, Alice tinha muito talento.
E se quase tive um treco quando Nessie deu uma voltinha, para que eu visse o look completo ao perceber a transparência em suas costas? Com certeza, mas, apesar de ter sido pego desprevenido com aquela surpresa, o brilho nos olhos de minha filha me impediu de dizer qualquer coisa que pudesse chateá-la. Vanessa estava feliz e era só o que importava.
Bella, ao seu lado, também estava impecável. Ela usava o vestido que Vanessa tinha – aos meus pedidos – desistido de escolher em nossa viagem à Seattle. Embora o meu lado ciumento quisesse cobrir aquele decote, que evidenciava ainda mais o crescimento de seus seios, o meu lado apaixonado só conseguia admirá-la ainda mais. E eu tinha certeza de que se já não tivesse me rendido completamente aos encantos daquela mulher, não teria passado daquela noite.
─ Vocês estão um absurdo de lindas! ─ falei, pegando a mão esquerda de Nessie e a direita de Bella. Beijei-as, recebendo sorrisos carinhosos de ambas em troca.
─ Você também não está nada mal, papai ─ Nessie disse com uma leve pitada de brincadeira em seu tom de voz.
Eu vestia um terno azul marinho com uma margarida bordada na lapela. Aquela flor era a representação da minha garotinha que, naquela noite, exibiria toda a sua beleza e maturidade para seus amigos e nossos familiares.
─ Você reclamou tanto que estávamos demorando e agora fica aí?! ─ Alice resmungou e revirei os olhos ─ Desçam logo que já tem gente chegando!
Dei o braço para as minhas garotas e ajudei que elas descessem as escadas, para que não tropeçassem em seus vestidos longos. Nessie não queria uma entrada mirabolante, nem nada muito exagerado, então, a recepção aconteceria do lado de fora mesmo, de modo que a entrada e saída das pessoas na mansão não fosse tão constante.
Assim que chegamos ao gramado, o ciúmes bateu em meu peito quando vi Jacob Black e seu pai se aproximando. Os olhinhos de minha filha brilhavam ainda mais toda vez que aquele moleque estava por perto. Sabia o que aquilo poderia significar e embora confiasse nela, era difícil perceber que ela, de fato, deixava de ser a minha garotinha.
Nessie soltou o braço do meu assim que seu olhar se cruzou com o do garoto. Ela andou meio apressada – e desajeitada – na direção dele e logo envolveu os braços ao redor de seu pescoço. Ele, uns bons centímetros mais alto, retribuiu o gesto e se não fosse Bella entrando em meu campo de visão, juro que o teria impedido de colocar suas mãos atrevidas na cintura de minha filha. Vanessa praticamente sumia no aperto de seu abraço.
─ Vamos cumprimentar os convidados, Edward ─ disse Bella, arqueando uma de suas sobrancelhas perfeitas.
─ Por que ele tinha que chegar primeiro? ─ Não contive um resmungo e Bella riu da minha cara.
─ Quer que eu te responda mesmo? ─ Ela continuava a me encarar com aquela feição sabichona e revirei os olhos, me recusando a pensar no envolvimento de Vanessa com aquele garoto.
Não que ele fosse mal, mas qualquer moleque que se aproximasse dela com interesses românticos se tornaria um alvo meu. Pelo menos, o meu sogro estaria ali para me apoiar. Eu mesmo tinha sido o seu próprio alvo nas primeiras semanas de meu relacionamento com Bella.
─ Faz parte da vida, meu amor. E antes Nessie estar com um rapazinho da idade dela e que a respeite, do que nas garras de um aproveitador.
─ Você pode até ter razão, mas a Nessie ainda é uma criança ─ resmunguei.
Bella revirou os olhos:
─ Vai ser assim com todos os seus filhos, ou só com os do sexo feminino?
─ Obviamente só com os que forem menores de idade ─ brinquei, mostrando-lhe a língua e ela revirou os olhos mais uma vez.
─ Vamos logo, antes que pensem que o pai da debutante é mal educado ─ Bella me provocou e me puxou pela mão ao encontro dos dois integrantes da família Black.
20:00h
─ Queridos convidados, aproximem-se da pista de dança, que nossa querida Vanessa terá a valsa com o pai agora! ─ disse Bella, após pegar o microfone emprestado da mesa do DJ.
Emmett me lançou um olhar zombeteiro ao me levar o sapato de salto alto, e suspirei fundo, porque não podia deixar o nervosismo me dominar. Nessie estava muito animada para aquela pequena demonstração de carinho entre nós e eu não poderia decepcioná-la.
Levei o par de saltos brancos rendados até minha garotinha, que já estava no centro da pista de dança. Trocar suas sapatilhas por aqueles saltos simbolizava sua passagem de menina para jovem adulta. Porque mulher mesmo ela só se tornaria ao completar 21 anos e ninguém poderia me fazer mudar de ideia a respeito.
Ela me encarou surpresa – eu e Bella havíamos planejado aquela parte sem avisá-la – e seus olhinhos se emocionaram quando me ajoelhei diante dela. Assim que fiz a troca de calçados, entreguei as sapatilhas para meu irmão e voltei-me para Vanessa. Posicionamo-nos da forma como mandava a etiqueta e torci para não fazer feio assim que “Bridge Over Troubled Water", na versão do Elvis, começou a tocar.
Era a música perfeita para representar tudo o que eu sentia por aquela menina que, de forma inesperada, tinha chegado e transformado o meu mundo completamente. Ela deveria saber, como no início, não importava o que acontecesse, eu sempre estaria ao lado dela, protegendo-a e amando-a com a minha vida.
─ Obrigado por existir ─ sussurrei, encarando seus olhos, que eu jamais me cansaria de dizer, espelhos dos meus e pedindo, numa breve prece a Deus, que ela fosse feliz para sempre.
Os olhos de Vanessa se encheram d’água e ela fungou conforme cantarolei baixinho a letra da música.
─ Você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida, nunca se esqueça disso. Trocaria todos os meus aniversários para que você pudesse ter o seu e isso não é uma brincadeira. ─ Acariciei suas costas quando algumas lágrimas escorreram por seu rosto delicado, mas continuamos valsando do nosso jeito, meio desengonçado.
Tentava controlar minhas próprias emoções, mas era impossível não me lembrar de tudo o que havíamos passado até chegarmos ali. Toda a dor e rejeição por causa de Tânia, todos os medos e inseguranças por ter que criar uma menininha sozinho, mas também e, acima de tudo, todo o amor um pelo outro, todas as trocas e aprendizados tidos juntos. Quinze anos antes eu estava perdido num mar de incertezas sobre o que o futuro me reservava, mas, aos 30, não poderia estar mais satisfeito sobre o que ainda estava guardado para nós, enquanto uma família.
O Edward de 15 anos jamais poderia imaginar que o nascimento de Vanessa teria não só matado o menino dentro dele, mas forçado a surgir o homem que, aos poucos, fui me tornando. Podia até ser meio radical, mas foi o necessário para que ambos passássemos por todas aquelas incertezas e, então, nos tornássemos quem realmente éramos.
Nessie me sorriu, solidária, quando as lágrimas molharam meu próprio rosto e usou a mão anteriormente em meu ombro direito para afagar minha pele.
─ Obrigada por tudo, papai. Te amo mil milhões.
Ri de sua piadinha e beijei sua testa.
─ Também te amo mil milhões, Moranguinho. E não vou morrer tão cedo quanto Tony Stark. Vou ter muito tempo ainda para correr atrás dos marmanjos que se aproximarem da minha garotinha.
Ela revirou os olhos pelo apelidinho – e por minha piada também, provavelmente.
Dançamos até o final da música e finalizei nossa performance abraçando-a apertado e dando mais um beijinho em sua testa. Nessie retribuiu o carinho – e o salto alto permitiu que ela realmente beijasse minha testa – e disse novamente que me amava. Os convidados, alguns mais emocionados que outros, nos aplaudiram e fiquei feliz da emoção ter nublado os seus sensos críticos.
Depois, meu pai se aproximou de nós e pediu para ter uma dança com sua neta e cedi meu lugar. Caminhei até Bella, bastante emocionada e a abracei. Ela se aconchegou em meus braços e suspirou assim que minhas mãos encontraram – e discretamente acariciaram – sua barriguinha ainda sem qualquer protuberância. Dez semanas ainda era muito cedo para mudanças muito drásticas, mas olhares mais atentos poderiam perceber as mais sutis – e eu achava que meu sogro já estava começando a desconfiar, afinal de contas, era o pai de Bella.
─ Precisamos começar a contar pras pessoas. Seu pai está desconfiando de nós ─ sussurrei para Bella, observando como Charlie, também presente na festa, lançava olhares na nossa direção frequentemente.
Bella me deu uma risadinha e um selinho, mas voltou a atenção para a dança de meu pai e Nessie.
─ Já conversamos sobre isso ─ falou baixinho sem tirar os olhos da pista de dança ─ Nessie tem que ser a primeira a saber.
Bella parecia preocupada demais – e embora eu também estivesse, apenas em proporções menores – sabia que Vanessa adoraria as novidades.
─ Edward, não estou me sentindo muito bem ─ Bella murmurou. Ela se desvencilhou dos meus braços e caminhou a passos apressados para dentro da mansão dos meus pais.
Segui-a a tempo de vê-la entrando no lavabo próximo à cozinha; Bella ajoelhou-se no chão, debruçou-se no vaso sanitário e colocou parte do jantar para fora de seu corpo.
─ Isso é nojento. Saia daqui! ─ resmungou, gesticulando com as mãos direção da porta.
─ Fala sério, Bella! ─ Revirei os olhos e me ajoelhei ao lado dela, aproveitando para segurar seus cabelos soltos e impedi-los de se sujarem.
─ Me desculpe por isso. Não precisa ficar aqui, volte para a festa ─ disse ela num tom mais ameno. Ela recuperava o fôlego, mas ainda estava muito pálida.
Quando percebi que tinha terminado, fechei a tampa do vaso e dei descarga. Nós ficamos ali por mais alguns minutos até que Bella acenou com a cabeça, como se dizendo estar pronta para se levantar. Ajudei-a a se firmar em seus pés e segurei seus cabelos mais uma vez quando ela enxaguou a boca, um pouco trêmula.
─ Precisa de alguns minutos? Fique lá no meu quarto e descanse um pouco ─ falei, encarando seu reflexo através do espelho. Beijei sua têmpora direita suavemente e ela suspirou.
─ Não preciso não ─ respondeu-me, meneando com a cabeça na direção da porta ─ Vamos celebrar a vida da Nessie e a sua também. Nós quatro juntos.
Bella levou minha mão à sua barriguinha e sorri ao entrelaçar nossos dedos e sairmos do banheiro. Na cozinha, Vanessa entrava esbaforida, percorrendo os olhos pelo cômodo, e preocupei-me que algo tivesse acontecido em minha ausência. Talvez seus amigos tivessem colocado fogo em alguma coisa?
Mas assim que seus olhos encontraram os meus, vi alívio perpassando pelo seu rosto. Ela caminhou até mim e Bella e despejou suas perguntas:
─ O que houve? A dança com o vô acabou e quando olhei vocês não tavam lá. Aí me disseram que a Bella saiu correndo aqui pra dentro. Tá tudo bem?
─ Calma aí, Moranguinho! ─ brinquei e ri quando minha filha bufou e revirou os olhos. Olhei na direção de Bella que, apesar de preocupada, parecia ansiosa para deixar Vanessa saber da verdade ─ Tá bom, temos algo a te contar, é melhor se sentar.
Nessie arqueou uma sobrancelha, desconfiada, mas puxou um dos bancos da bancada da cozinha e se sentou.
─ Eu... Eu estava passando mal, Nessie ─ Bella começou; os olhos de Vanessa se arregalaram em preocupação, mas não a interrompeu ─ Isso vêm acontecendo, de vez em quando há algumas semanas e... Hum...
Bella olhou para mim, procurando apoio. Apertei sua mão, ainda entrelaçada à minha, com carinho e dei-lhe meu melhor sorriso encorajador.
─ Isso provavelmente vai continuar acontecendo por mais algum tempo, porque... Eu estou grávida... ─ disse baixinho ─ Do seu pai ─ completou, como se fosse necessário.
Nessie nos encarou surpresa e, de um pulo do banco, puxou Bella para um abraço apertado:
─ Eu sempre quis um irmão! ─ murmurou ela com a voz embargada ─ Meu pai nunca quis me dar um, aí você apareceu e tá realizando todos os meus desejos, Bella, você é incrível!
Eu concordava com a última parte, mas Vanessa não podia me culpar por não ter dado a ela um irmão antes. Como o faria sem uma companheira?
─ Você que é incrível, meu amor ─ disse Bella, retribuindo o abraço.
As duas emocionadas logo estavam chorando nos braços uma da outra e eu só fiquei ali de testemunha; vendo seus laços se estreitando e nossa família crescendo.
─ Amo vocês ─ murmurei, não contendo minha própria emoção e me juntando ao abraço.
Os olhos de Bella se arregalaram, porque aquela era a primeira vez que lhe dizia tais palavras. Ela fungou e selou nossos lábios num beijo carinhoso:
─ Também amo vocês ─ sussurrou.
─ Obrigada aos dois por esse presente. Finalmente tenho minha família do jeitinho que sempre quis ─ Vanessa disse, sorrindo para nós.
E então a enchemos de beijos, amor e carinhos até nos lembrarmos de que havia uma festa para continuar.
─ Vamos logo que o pessoal já deve estar sentindo a sua falta ─ disse Bella. Ela beijou a bochecha de Nessie e saiu da mansão.
Antes que pudesse segui-la, no entanto, Vanessa me deu mais um abraço apertado.
─ Sei que a notícia foi inesperada, mas saiba que vou te amar da mesma forma para todo o sempre.
─ Sei disso, papai, não se preocupe. Só não vai me fazer de babá, hein ─ disse Nessie em tom de brincadeira ─ Você precisava achar a sua metade da laranja e quero que seja feliz.
─ Já sou feliz, eu já era feliz antes, só para constatar. Esse bebê veio pra somar nas nossas vidas, eu prometo ─ disse-lhe de maneira firme. Não queria Vanessa se sentindo deixada de lado, ou menos amada agora que tinha assumido Bella e estava construindo uma família com ela.
─ Tá bom. Mas ó, chama a Bella pra morar lá em casa, né? Ou você acha que o pai dela vai gostar de saber que você não só desvirtuou a filha dela, mas também a engravidou e até agora nem se moveu pra dar um lar pro neto dele? ─ Vanessa provocou-me com uma sobrancelha arqueada.
Revirei os olhos como resposta e ela começou a me cutucar.
─ Depois resolvo isso com a Bella. Ela vai morar conosco se quiser ─ frisei bem.
Claro, nós havíamos pulado várias etapas de um relacionamento: transamos antes de começarmos a namorar e engravidamos naquela mesma noite, então parecia natural que fôssemos morar juntos o mais rápido possível, dadas as circunstâncias. No entanto, exatamente por tal motivo eu não queria forçar Bella a tomar aquele passo por pressão ou somente por estar grávida de mim.
Se ela quisesse, a receberia de braços abertos em minha casa e era bom saber que Nessie também o faria.
─ Vamos lá, Moranguinho. ─ Peguei em sua mão delicadamente e a conduzi para o jardim de meus pais.
Do lado de fora, estranhei ao ver Bella conversar com o tal Jacob. Os dois se aproximaram e o garoto parecia que teria um ataque cardíaco a qualquer segundo. Bella deu um aperto carinhoso no ombro dele, que engoliu em seco ao ficar frente a frente comigo.
─ Senhor... Cullen. ─ Ele engoliu em seco e ergui uma sobrancelha, desconfiado com tamanha demonstração de nervosismo, enquanto Vanessa corava ridiculamente ao olhar para a cara dele ─ Queria saber se hum... Se eu poderia dançar com Vanessa.
Minha respiração ficou presa na garganta e não consegui conter uma carranca de aparecer em meu rosto. O garoto se assustou ainda mais, mas foi salvo por Bella que, de trás dele, me lançou um olhar reprovador.
─ Uma dança.
Eu precisava acreditar que seria apenas aquilo e que não significaria nada demais, ou então enlouqueceria. Vanessa deu uma risadinha tímida ao meu lado e soltou sua mão da minha antes de oferecê-la ao marmanjo.
Jacob segurou-a com uma delicadeza razoavelmente surpreendente e a guiou até a pista de dança. Bella acenou com a cabeça na direção do DJ e, em alguns segundos uma música de um filme adolescente começou a tocar, chamando a atenção dos convidados. Os dois dançavam tão perfeitamente, tão sincronizados, que era como se tivessem passado os últimos dias, talvez últimas semanas, ensaiando. Uma onda de choque perpassou meu rosto, porque aquela era a lógica!
Eles estavam ensaiando debaixo do meu nariz e eu nem havia percebido!
A mulher ao meu lado com certeza tinha participado daquela tramoia, uma vez que estava falando com Jacob no momento em que eu e Nessie saíamos da mansão. Bella sabia de tudo!
─ Por que não me contou? ─ perguntei, tentando esconder minha indignação.
Bella riu e me abraçou de lado.
─ Teria deixado os dois ensaiarem se soubesse que ele era o Príncipe que Nessie queria? ─ devolveu-me em forma de pergunta.
─ Teria matado ele ─ resmunguei baixinho.
─ Ainda bem que sabemos que não fala sério. Detestaria ter que visitar o pai do meu filho na prisão ─ Ela ergueu uma sobrancelha em provocação.
Uma pequena gritaria fez meus olhos se voltarem para a pista de dança e vi vermelho ao notar os lábios daquele moleque esmagados contra os de Vanessa. Bella segurou meu braço, tentando me impedir de avançar pela pista, mas ela precisou entrar em meu campo de visão e me distrair daquela imagem horrorosa para, de fato, me fazer retornar aos meus sentidos.
─ Amor, vai acabar se arrependendo depois ─ Bella falou baixinho e tocou o meu rosto de maneira carinhosa.
Mas como poderia me conter quando minha garotinha se jogava nos braços daquele moleque?
─ Depois você conversa com ela, vamos lá, seja razoável, é aniversário dela! ─ murmurou Bella, me puxando para o lado oposto da pista.
E também era o meu aniversário, que presente mais horrível de se ganhar!
Já mais distante do projetinho de casal, vi quando Vanessa desgrudou os lábios dos daquele menino e varreu os olhos pelo jardim. Ela me lançou um sorriso constrangido assim que nossos olhares se cruzaram e decidi, pela sanidade mental de nós dois, ser uma boa ideia ignorar aqueles minutos em que ela estivera beijando Jacob. Pelo menos até a festa terminar.
─ Deixe para lá ─ resmunguei, caminhando até a mesa que meus pais, meu irmão, minha cunhada e meu sogro estavam, e me sentando junto deles.
─ Que carranca, hein, Edward! ─ Emmett me zombou e revirei os olhos ─ Sorria que também é seu aniversário!
Decidi ignorá-lo e relaxei um pouco mais quando Bella se aproximou e se sentou ao meu lado. Ela pegou minha mão direita e a acariciou antes de deitar a cabeça em meu ombro.
─ Nunca estamos prontos para ver nossas filhinhas crescerem, Edward ─ disse Charlie, parecendo ao mesmo tempo solidário e vingativo. Como se dissesse: “esse é o seu troco por ter roubado o coração de minha filha".
─ Estou aprendendo isso ─ murmurei meio à contragosto e torci para que a criança no ventre de Bella fosse um menininho; assim, eu provavelmente sofreria menos quando chegasse àquela fase.
─ Para de pensar besteira, Edward ─ Bella resmungou baixinho de modo que apenas eu a ouvia, como se soubesse exatamente quais eram os meus pensamentos.
─ Eu nem disse nada! ─ resmunguei no mesmo tom.
─ Mas pensou! E se acha que vai tratar um filho de forma diferente com a qual está tratando Vanessa, pode ir tirando o cavalinho da chuva!
─ O que estão discutindo aí? Parecem duas velhas! ─ Emmett ergueu uma sobrancelha em provocação e mostrei-lhe discretamente um dedo do meio. O bobão desatou a rir, mas não disse mais nada.
Bella se aconchegou mais contra mim e a abracei sob os olhares atentos de Charlie. Sempre que ele estava presente, era como se me analisasse, como se quisesse ter certeza de que eu era o melhor para sua filha. E, dadas as nossas circunstâncias, precisava mostrar para ele, o mais rápido possível, o quanto eu a amava.
21:30h
Os adolescentes se esbaldavam na pista de dança, mas já era hora de cantar os “parabéns”. Foi Bella quem começou a chamar os convidados e logo estávamos todos reunidos ao redor da mesa do bolo e Vanessa, o centro das atenções, atrás dela, bastante animada, embora não conseguisse esconder a vergonha toda vez que nossos olhares se encontravam. Ela tinha passado a última hora dançando com e beijando Jacob Black, então deveria saber que nossa conversa, quando chegássemos em casa seria bastante séria.
─ Pera aí, gente! ─ Vanessa gritou sorridente quando começamos a cantar “parabéns". Ela gesticulou para mim e, um pouco confuso quanto às suas intenções, me aproximei dela ─ Pra quem não conhece, o que acho bem difícil, esse aqui é o meu pai ─ continuou ela, arrancando risadas dos convidados, porque numa cidade como Forks, era óbvio que todos se conheciam!
“O que talvez vocês realmente não saibam é que hoje também é aniversário dele e todo ano ele sempre dá preferência a comemorar essa data como se fosse somente minha. Eu queria que hoje, já que estamos reunidos com pessoas tão especiais, que a gente comemorasse a vida dele também, porque ele merece demais. Ele é o melhor pai desse mundo e eu sou a pessoa mais sortuda por tê-lo em minha vida”.
Pigarreei, tentando esconder a emoção, e abracei-a de lado quando todos começaram a cantar. Ao final, disseram ambos os nossos nomes e o que Vanessa não sabia era que eu era o cara mais sortudo do mundo por tê-la em minha vida.
Assim que cortamos o primeiro pedaço do bolo e as expectativas sobre quem o receberia iniciaram, fiquei aliviado em perceber que Bella era a única escolha para nós dois. E a tagarela da minha filha foi quem se pronunciou:
─ Okay, esse primeiro pedaço não poderia ser dado a outra pessoa ─ começou ela, caminhando em direção à Bella ─ Ela roubou o coração do meu pai e o meu também. Obrigada por fazer parte da nossa família, Bella! ─ Vanessa lhe entregou o pratinho com bolo e minha namorada quase chorou de emoção.
Ela tinha estado bastante sensível nas últimas semanas devido à gravidez. Bella agradeceu-a e estava perto o suficiente para ouvir Nessie sussurrar-lhe que o bolo também era para o seu irmãozinho. Eu estava feliz demais com toda a receptividade de Vanessa. Ela era muito madura, mas ainda era apenas uma adolescente e que, por 15 anos, tinha sido filha única. Esperava que continuasse assim depois de seu irmão ter nascido.
23;40h, Casa Edward & Vanessa
─ Tá bem, agora pode ir me explicando por que o seu amigo Jacob achou que seria uma boa ideia esmagar a boca dele na sua? ─ Foi a primeira coisa que perguntei assim que eu, Bella e Nessie colocamos nossos pés pra dentro de casa.
A resposta que tive: assistir Vanessa corar vermelho brilhante, quase do tom de seu cabelo, e se esconder atrás de minha namorada.
─ Pare de enrolação, Vanessa. Me diga logo o que está havendo!
Ouvi um suspiro longo e pesado vindo dela que, enfim, teve coragem para me encarar. Ela me fitou de maneira tímida e então soltou o que eu já suspeitava há algumas horas:
─ Gosto do Jake, pai.
Passei as mãos pelo rosto, porque era óbvio que o menino também gostava dela. O que eu não entendia era porquê Vanessa tinha levado tanto tempo para me contar aquilo, pois com certeza o sentimento não tinha surgido no momento em que dançava com ele.
Mas bastou encarar seus olhos para entender toda a sua vergonha. Eu também já tinha estado em sua pele e, pior, ainda mais jovem do que ela, tivera que contar aos meus pais que, em nove meses, seriam avós.
Não adiantaria brigar com ela, afinal, não era culpada por se sentir atraída por aquele garoto. A questão nunca era sentir, mas o que fazer sobre um sentimento. Talvez o fato de eles terem se beijado significasse exatamente aquilo: apenas um beijo.
Só que Vanessa era Vanessa e, para ela, o beijo era tudo o que poderia entregar para aquele garoto. Suspirei pesado e a puxei para um abraço. Não adiantaria brigar, ou tentar impedi-la de viver aquilo. Cabia a mim confiar na criação que havia dado a ela, por mais que me doesse. Se Vanessa estava pronta para beijar Jacob Black, então ela teria o meu apoio.
Bella sorria para mim, como se aprovasse minha reação e soube que estava indo pelo caminho certo. Meneei com a cabeça para que ela e nosso bebezinho ainda em seu ventre se aproximassem e também os envolvi em nosso abraço. Estava pronto, mais do que nunca, para ter a família que sempre quis.
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