14º DP

3 Capítulo 03


Notas iniciais
Capítulo fresquinho hehe

Dimitri pensou em qual tipo de estratégia deveria adotar para abordar o assunto e talvez fazer Aghata falar, mas no fundo ele sabia que muitas voltas não alterariam o resultado final: se ela quisesse falar, falaria; do contrário, já era uma luta perdida antes mesmo do combate se iniciar. (E mais no fundo ainda ele também sabia que aquele não era um dia de vitórias significativas).

“Então, como ficou o relatório sobre o caso Banker?” – disse ele, procurando olhar nos olhos dela, mas Aghata não levantou os olhos do celular.

Na verdade, no primeiro instante ela pareceu oscilar entre ignorá-lo e fingir não ter ouvido e responder vagamente. O que surgiu foi um misto dos dois, os olhos ainda fixos no celular.

“Hum? Ah, sim. Tudo certo. O Capitão ficou satisfeito com a prisão da Suen.”

Dimitri torceu a boca, já sentindo a derrota vindo. Ela não queria falar.

“E você mencionou algo a respeito de Louis?” – Uma abordagem bem direta.

“Não.” – respondeu ela, com falso desinteresse e olhos fixos no celular.

“Aghata.” – chamou ele, mas ela não levantou o olhar.

“Diga.”

Ele hesitou um segundo. Já havia algum tempo que vinha analisando o comportamento de sua parceira de trabalho. Na realidade, desde o dia em que a conhecera, Aghata Rutier sempre fora um desafio para mente de Hewns. Ele não sabia como ela conseguia ser tão... “mista”. É assim que ele a classificou. Na maioria do tempo, principalmente antes de conseguirem conviver pacificamente, ela sempre pareceu uma pessoa muito fria, distante, com problemas de socialização para com pessoas que estejam mais perto do que ela aparentemente, consciente ou não, considera uma “zona segura”. Mas ainda assim, uma pessoa muito educada, polida, gentil, às vezes até mesmo “fofa”, como disse Erik certo dia.

Após três anos e meio de convivência, por vezes maior do que com qualquer outra pessoa na rotina de ambos, realmente a deusa da justiça de Erik se mostrou menos divina e mais humana. Dimiti não conseguiu deixar de encará-la como uma espécie de felino, sempre a uma distancia segura em seus relacionamentos, mas bem acolhedora quando dentro de um, à sua própria maneira.

Dimitri expirou pesadamente, claramente cansado de ser afastado tantas vezes em menos de um minuto.

“Eu sei que não deveria, mas vou tentar mesmo assim...” – Começou ele e então Aghata finalmente levantou a cabeça e olhou fixamente dentro de seus olhos, o que deixou Dimitri um pouco surpreso e levemente desconfortável.

“Se você sabe que não deve, então siga sua experiência.” – Disparou ela, não exatamente áspera. Parecia cansada.

Dimitri conseguiu visualizá-la como um gato entediado, com um olhar intimidador, frio. Em seu interior foi como se estivesse o desafiando a prosseguir.

“Aghata, você não parece bem. Tem certeza que está? Por que Jonnathan Louis te afeta tanto, afinal?” – Dimitri retribuiu o olhar dela na mesma intensidade. A última frase não foi exatamente planejada. Ele queria ter parado na primeira sendo bem sincero, mas a aparente atmosfera de desafio que ela “criou” o olhando daquela forma fez com que seu “bom-senso” entrasse em blackout.

Aghata sentiu as palavras de Dimitri passarem por dentro de seu corpo como uma corrente elétrica, mas manteve sua expressão inabalável.

“Não vamos falar sobre isso.” – Respondeu ela.

Dimitri não deixou de perceber que ela não disse “Não quero falar sobre isso.”, mas sim não vamos. Era uma afirmação concreta e sem brechas. Cheque-mate.

“Desculpem a demora.” – Disse Marcus, colocando os pratos na mesa e servindo o refrigerante. Mesmo com o dia perfeito de primavera lá fora, era como se a mesa dos detetives estivesse envolvida por uma atmosfera invernal.

Marcus conhecia Aghata o suficiente para perceber quando ela estava incomodada com alguma coisa, e seu instinto lhe dizia que não era nada relacionado ao trabalho. O que a preocupava ou perturbava era pessoal. Já Dimitri não sabia como separar o profissional de Aghata com o pessoal da mesma, porque para ele era difícil até mesmo conceber como ela própria fazia isso. Em três anos e meio tudo o que Dimitri conhecia de Aghata era seu profissional, que parecia ocupar quase cem por cento de sua vida. Ele só não conseguia precisar quando isso começou a perturbá-lo também.

Dimitri estava convencido que depois daquelas palavras o almoço com a Rutier seria silencioso e frio. Perfeitamente desconfortável. Para seu quase alívio ela logo começou a expor suas conclusões a respeito do que vira na casa dos Jennovann e instigando-o a fazer o mesmo.

A tarde passou mais rápido do que qualquer um dos dois gostaria de admitir. Na realidade, enquanto ambos se concentravam em tentar fazer possíveis ligações com o modus operandi do caso das Hortências e o atual, Dimitri sentia uma crescente ansiedade dançar por dentro de sua barriga e Aghata, por melhor que fosse em esconder suas emoções, teve que ir ao banheiro da delegacia algumas vezes molhar os pulsos e fazer exercícios de respiração, enquanto lutava contra as palavras de Dimitri ressoando em sua mente e seus próprios pensamentos autodepreciativos. Tudo o que ela podia afirmar era que aquele era um dia ruim.

Quando a noite chegou, Aghata ficou grata de poder chegar em casa e parar de se conter. Diante do espelho do banheiro ficou alguns minutos olhando dentro de seus olhos, mas sem realmente vê-los. Todos os sentimentos que estava represando horas a fio agora passavam por eles em instantes de transparência que ela deteve o dia todo. Raiva, frustração, impotência, leve desespero, ansiedade, mais raiva, vergonha, desdém, uma pitada de amargura e muita, muita irritação...

Meu Deus, Aghata, você está horrível. Pensou ela, finamente saindo de seu transe frente ao espelho e se olhando realmente. As palavras de Dimitri ecoaram em sua mente pela milionésima vez naquele dia: “...você não parece bem... Por que Jonnathan Louis te afeta tanto, afinal?...”.

“Por quê?” – Murmurou ela, apertando a mandíbula já sentindo mais irritação lhe subindo a cabeça.

Com um suspiro exasperado ela se despiu e foi para sua ducha da redenção.

Do outro lado da cidade praticamente, Dimitri e Erik estavam sentados a mesa de um pequeno pub jogando conversa fora. Dimitri não gostava de beber, por isso sempre era o motorista da vez, enquanto Erik não se importava de degustar algumas cervejas na presença do amigo que certamente lhe avisaria se estava indo longe demais e o levaria para casa caso os avisos não surtissem efeito. Mas dessa vez Erik decidiu segurar a barra. Havia algo de errado com o amigo e ele tinha quase certeza que a divina Dice tinha tudo a ver com isso.

“E então? O que nossa adorada deusa da justiça fez dessa vez?” – Soltou ele, no meio da conversa que estava tendo com o amigo sobre as mudanças na mecânica do novo carro da marca predileta de ambos. Ele fazia isso como uma estratégia para pegar suas vítimas despreparadas e fazê-las falar o que não falariam se tivessem tido o tempo necessário para refletir sobre.

Dimitri estava distraído com a tagarelice anterior e não teve muito tempo de pensar, exatamente como Erik havia planejado.

“Ela guarda tudo para si.” – Respondeu ele, claramente aborrecido.

“Hum... Você está preocupado com ela!” – Exclamou Erik, com as sobrancelhas erguidas e um olhar malicioso.

Algo se agitou dentro de Dimitri. Ele desejou intensamente que o amigo estivesse alto o suficiente para contornar aquele assunto de forma rápida, mas sabia que Erik não tinha bebido como de costume, muito provavelmente porque já estava planejando isso com antecedência ao happy hour de agora. Dimitri não deixou de se sentir como se houvesse caído numa armadilha.

“Eu não estou preocupado.” – Rebateu Dimitri, imitando o tom de ênfase que o amigo usara.

Erik não conseguiu segurar e gargalhou alto, o que só serviu para deixar Dimitri um pouco mais incomodado, já beirando a irritação.

“Desculpe, cara. Eu não quero te chatear, mas... Você está preocupado. Por acaso seria uma nova senhora Hewns à caminho?” – Erik estava gastando toda a sua zombaria com o amigo, o que lembrou Dimitri da forma como Aghata o chamava de Momo. Estava começando a concordar com a companheira de trabalho.

“Pelo amor de Deus, Gourt!” – Exclamou ele.

“Ah Dimi, não precisa ficar assim. Afinal, nós dois sabemos, e provavelmente o distrito inteiro também, que Aghata Rutier não é de se jogar fora.” – Erik começou a tagarelar sobre Aghata e a cada frase algo se agitava dentro de Dimitri com maior intensidade. Aquela conversa o estava incomodando, praticamente o tirando do sério, mas Erik não era exatamente um expert em leitura corporal.

“...Quer dizer, ela é muito bonita, uma profissional excelente, e já reparou como fica linda com os óculos de leitura? Tenho certeza que seria uma ótima esposa, se não fosse tão fria e inalcançável.”

“Erik. Chega.” – Quando deu por si, Dimitri já havia dado um soco na mesa, chamando a atenção de metade do pub onde estavam.
Erik o olhou um pouco alarmado, com as sobrancelhas erguidas e a boca entre aberta. Dimitri olhou ao redor, sentindo a vergonha queimar em seu rosto.

“Desculpa. Não sei o que deu em mim.” – Disse ele, quase sussurrando, como se de repente a mesa fosse de extrema importância e totalmente desconsertado consigo mesmo.

Erik arrastou a cadeira para seu lado e passou o braço por seus ombros. Já havia visto o amigo desse jeito. Alguns anos atrás, um pouco antes de ouvir da boca do mesmo que seu casamento estava falido, na época em que Dimitri ainda tentava entender onde estava errando e porque Marina havia mudado tanto a ponto de dizer que não o amava mais.

“Relaxa, cara... Está na cara que Aghata está te afetando de alguma forma. Mas deixa isso pra lá. Vamos pra casa.” – Disse ele, dando dois tapinhas no ombro do amigo e se levantando para pagar a conta. “Hoje fica por minha conta.”

Como foi doloroso. Erik, mesmo que não admitisse em voz alta, considerava Marina uma megera e gostaria de vê-la sofre no mínimo o mesmo que fez seu amigo sofrer na época do divórcio como paga. Não que ele fosse vingativo, mas já sendo um pouco. Ele e Dimitri haviam se conhecido na faculdade. Ela era amiga de infância do rapaz, do tipo confidente ao extremo, mas Erik não precisou olhar duas vezes para saber que para Dimitri aquilo não era apenas amizade nem de longe. Quando ele finalmente se declarou e ela fingiu surpresa e confusão, algo dentro de Erik dizia que aquilo era encenação.

Outra coisa que Gourt nunca confessou para o amigo: ele tinha a nítida impressão que Marina havia se casado com Dimitri porque era o mais seguro a se fazer. Eles eram amigos de infância; ele sempre a amara; ela sempre o tivera ao lado para o que desse e viesse; ele a valorizava, quase venerava; ela sempre se envolvia com os caras errados; ele sempre fora o melhor aluno da sala, trabalhador, dedicado, o verdadeiro “bom partido”, excruciantemente diferente de tudo o que ela já tinha tido em todas as suas experiências amorosas...

E, infelizmente para Erik (ou não), sua teoria se mostrou verdadeira quando após três anos de casados e com uma filha linda, cem por cento “mini-Dimitrizinha”, Marina saiu de casa para morar com outro cara totalmente o oposto de Hewns.

Bom, o término não fora nada bonito de se ver. Erik decidiu não se envolver, na verdade sabia que nem podia, mas ainda tinha o nome Marina Sobber atravessado como uma pequena espinha de peixe na garganta. Ele a desprezava mais do que o amigo que fora enganado e chutado. Na verdade, aí estava uma das características que ele mais admirava no amigo (e interiormente sabia que não a possuía com tanta força quanto): Dimitri Hewns era capaz de perdoar, no sentido mais puro e nobre da palavra.

Aghata estava deitada por sobre os cobertores observando o teto e remoendo por dentro tudo o que tinha feito o dia de hoje péssimo quando ouviu a campainha tocar. Sequer piscou até que o som se tornou incomodo o suficiente para fazê-la olhar para o lado e pegar o celular.

Sem mensagens. Sem ligações. Não era Dimitri.

“Não posso atender!” – Exclamou ela já sabendo quem era e, provavelmente, o que queria e jogando o celular para o outro lado da cama.

“Não vou parar de tocar a campainha até que você saia dessa cama e venha abrir a porta para mim.” – Exclamou a voz por detrás da porta, apertando insistentemente a campainha como prova de sua determinação.

Aghata respirou fundo e pensou em tampar os ouvidos com travesseiros até que a determinação dele fosse vencida pela sua teimosia, mas se sentiu infantil com o pensamento e decidiu se render.

“O que você quer dessa vez, Marcus?” – Disse ela assim que abriu a porta, dando um tapa na mão dele para tirar o dedo da campainha que soava ininterrupta.

“Não vai me convidar para entrar?” – Disse o filho mais velho dos Stello, com um olhar divertido e um meio sorriso.

“Não, porque você já está indo embora.” – Respondeu Aghata, fechando a porta logo em seguida.

Marcus colocou o pé entre o batente e segurou a porta com a mão.

“Vamos lá, Nici.” – Disse ele, fazendo uma leve pressão para Aghata cedesse e abrisse a porta.

Ela suspirou resignada e deu passagem para que o rapaz entrasse.

“Você tem aquele leite com chá preto e baunilha que eu adoro?” – Disse ele entrando, ainda com ar divertido.

“Então? O que você veio fazer aqui?” – Perguntou ela, mexendo no armário da cozinha para pegar duas xícaras e as colocando no balcão onde Marcus estava apoiado a observando atentamente.

“Vim em missão de resgate.” – Respondeu ele, pegando a xícara fumegante que ela colocara a sua frente e levando a boca para tomar um gole.

“Está quente, Cabeção.” – Advertiu ela, um segundo tarde de mais: propositalmente.

“Percebi.” – Respondeu ele, colocando a xícara no balcão e tocando a ponta da língua queimada com o indicador.

Aghata riu.

“E quem seria o resgatado?” – Seguiu ela com o questionário, fingindo não saber do que ele estava falando, mas já prevendo o rumo que a conversa tomaria.

“Você.” – Respondeu ele, encarando-a de forma tão profunda que a fez se sentir compelida a desviar o olhar.

“Não sei por que eu estaria precisando de resgate.” – Disse ela, tomando um gole de seu chá com leite.

“Mas está. De si mesma.” – Rebateu ele, sem desviar o olhar do rosto dela.

Aghata o encarou por alguns segundos e colocou a xícara sobre o balcão. O silêncio dentro de seu pequeno apartamento era praticamente palpável até que Marcus decidiu quebrá-lo.

“Ouvi Dimitri falando sobre Jonnathan hoje.”

“Ele não sabe de nada.” – Cortou ela, fingindo desinteresse.

“Mas eu sei.” – Rebateu Marcus.

Aghata o encarou dessa vez o enfrentando, advertindo com o olhar para não fazer isso, não entrar naquele assunto.

“Desculpe, Nici, mas eu não vou deixar como está. Se até seu colega de trabalho que, como você mesma disse, não sabe de nada já percebeu, imagino que as coisas não estão nada bem lá no DP. Imagino que elas não estejam nada bem dentro de você há muito tempo.” – Continuou Marcus, cada vez mais inquisidor.

Aghata não falou nada e ele prosseguiu. Sabia que o que estava fazendo a levaria a um limite onde ignorá-lo não poderia mais ser feito e então, quando ele ultrapassasse esse limite, ela falaria e talvez (e ele desejava muito que sim) sua missão pudesse ser dada como terminada com êxito.

“Aghata, eu sei que o que Jonnathan fez não foi e nunca será justo. Eu sei que ele te magoou, magoou a todos nós, te machucou, fugiu, sumiu, voltou e fingiu que nada tinha acontecido e agora estou sabendo que foi embora novamente, mas você não pode continuar com essa mágoa dentro de si. Isso está de destruindo, e vai destruir ainda mais se não jogar todo esse veneno fora o quanto antes.”

Ela se mexeu desconfortável na cadeira, lutando para manter a boca fechada e não falar mais do que o necessário. Ficou claro para ela após aquele discurso que tudo o que Marcus sabia sobre Jonnathan Louis era o passado. Ele achava que ela estava daquela maneira por causa do passado. Não sabia o que Jonnathan havia se tornado. Ou revelado ser, já que ela tem certeza que o quê ele mostrou ser agora é quem realmente foi a vida toda.

“Marcus, não é que odeie o Jonnathan. Mas aconteceram muitas coisas as quais você não faz nem ideia. Ele definitivamente não é a pessoa que nós pensávamos. Por isso, se ele te procurar você tem que me avisar e ficar o mais longe possível dele. Entendeu?”

Aghata viu um lampejo de confusão atravessar os olhos de Marcus.

“Nice.” – Ele colocou uma mão sobre a mão dela que repousava tensamente sobre o balcão. – “Você precisa ser sincera comigo. O que raios aconteceu entre você e Jonnathan? Certamente estou com a impressão que uma peça do tabuleiro está faltando.”

O olhar dele era perturbador para Aghata. Quase como se ele estivesse prestes a ler sua alma. E se havia algo o qual Aghata trancara a sete chaves dentro de si era sua alma.

Ela suspirou, exausta. Quantos anos já se arrastavam com aquilo? Ela sabia exatamente quantos. Nove destrutivos anos. Mas no fundo, bem no fundo, algo muito próximo de onde sua alma se escondia, Aghata sabia que aquela mágoa a qual Marcus fizera referencia não era contra Jonnathan. Ele a havia machucado, sem dúvidas, mas a mágoa de Aghata era contra ela mesma. A culpada era ela. Ela havia lido sobre o assunto, e como uma revoada de aves em uma única direção antes de um tsunami, ela soubera identificar os sinais. Por isso não conseguia se perdoar. Ela vira o mar recuar, as aves fugirem, as florestas ficarem silenciosas, mas tudo o que fizera fora ficar de pé frente a praia, pronta para ser arrebatada pela onda gigante. E foi exatamente o que aconteceu.

Marcus apertou sua mão como que para lembrá-la de voltar a superfície e responder sua pergunta. Ela hesitou por um breve momento, realmente considerando colocar tudo para fora, vomitar todo lixo tóxico que guardava junto de si. Mas não. Ela não poderia fazer aquilo. Simplesmente não conseguia.

“Você sabe muito bem o que aconteceu. Ele me iludiu, me traiu, abusou de mim, me fez sentir culpada por tudo, foi embora. E voltou para me atormentar.” – Soltou ela, verdades rasas, mas ainda sim verdades. No fim, Marcus não merecia que ela mentisse para ele.