13° Andar.
1 Prefácio
Notas iniciais

Prefácio:
Em Nova Iorque, a noite estava calma. O índice de criminalidade naquela época era baixo, portanto, a cidade estava em paz. Num canto mais afastado do centro, em um condomínio de luxo, havia um casal. O senhor era um ex-soldado do exército e a mulher dele, uma confeiteira de mão cheia. Eles eram um casal feliz. Pelo menos, aparentavam ser.
— Richard, querido, você está bem? — Abbie perguntou, sentando-se ao seu lado, com um potinho de cookies em mãos.
— Estou. — disse ele, sem emoção.
— Tem certeza? — perguntou, olhando-o incisivamente — Me parece tão distante.
— Estou bem, Abigail. — rosnou, sem desviar os olhos da televisão.
Ela suspirou, olhando para o nada. Abbie estava preocupada com o seu adorado marido. Ele não era mais o mesmo que anos atrás. Não comia como um cavalo, como de costume. Não fumava os seus charutos, e não tagarelava feito uma matraca velha. Richard estava muito diferente.
— Aceita um biscoitinho, querido? — perguntou, esticando o potinho em suas mãos até ele — Estão deliciosos!
— Não, obrigado, Abigail. — tossiu — Preciso de uma cerveja.
Abbie de praxe se levantou, e foi buscar a bebida do marido. Ela abriu o freezer, esticando as mãozinhas enrugadas até a garrafa com álcool, e levantou-se, levando a mão até o peito, ao se assustar.
— Por Deus, homem! — exclamou ela, respirando descompassadamente — Não faça mais isso! — implorou.
Richard sorria, olhando diretamente nos olhos da mulher, deixando transparecer algo que Abbie provavelmente nunca havia notado; seus olhos eram negros como a noite.
— Desculpe, querida. — soprou, com a voz rouca.
Abbie não sabia dizer o porquê, mas a maneira que ele a olhava, tão penetrante e indiscreto, causava um arrepio crescente em sua espinha, culminando em um coração batendo forte, e acelerado, de puro medo.
— Aqui está a sua cerveja. — disse ela, entregando-lhe a garrafa — Agora, deixe-me terminar o jantar.
— Claro. — sorriu, e saiu de lá, deixando Abbie confusa e assustada.
[ . . . ]
Duas horas depois, e já passara da meia noite. Abbie e Rick estavam sentados assistindo ao filme O Exorcista. Abbie havia apoiado sua cabeça nos ombros do marido, enquanto suas pernas franzinas estavam esticadas no sofá.
— Deve ser horrível ser possuído por um demônio, concorda? — ela perguntou, quando os créditos começaram a subir.
— Você nem imagina. — respondeu, perdido na imensidão escura da sala.
Abbie estranhou aquela resposta, mas preferiu não se importar. Afinal, já era duas e cinquenta e cinco da manhã, e ela estava exausta.
— Já que acabou, agora podemos dormir, não é? — ela perguntou, levantando-se e esticando suas mãos a ele — Vamos?
Um sorriso demoníaco brotou nos lábios de Richard, e os seus olhos novamente ficaram escuros. Ele esticou suas mãos até a de Abbie, a apertando com força, ao se levantar.
— Vamos.
E assim, eles seguiram para o quarto em silêncio, apenas ouvindo o som dos corações batendo. Abbie não sabia, mas ao entrar naquele quarto, estaria assinando um decreto de que aquela, era a última noite de sua vida.
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