11ª Geração - Saga Jigoku

3 Tempo fechado: tempestade e trovão.


Notas iniciais
agradecimentos especiais à Gika - seu trovão lindo e maravilhoso que mesmo em outro país continua brilhando - e ao Inu - tempestade que sempre será a mais forte de todas.

— Com licença, Décimo – disse Gokudera levantando-se – Vocês podem continuar a conversa com ele, agora vou buscar esse pirralho com cara de encrenqueiro.

— Tudo bem Hayato, vá lá. Estou contando contigo.

— Pode deixar Décimo! – e todo alegre Gokudera saiu para buscar seu sucessor.

Após horas de voo, Gokudera desembarcou em Londres, onde havia combinado de se encontrar com seus informantes que já deveriam ter notícias do paradeiro de seu sucessor. Como sempre, o combinado era de se encontrarem em um bar calmo na periferia da cidade.

O bar deveria ser um lugar sossegado, pouco frequentado, principalmente em dias de semana, porém não era o que se percebia do lado de fora do estabelecimento: o som de garrafas e mesas sendo quebradas era claramente audível a quadras de distância.

Gokudera, preocupado, entrou correndo no bar.

— Gokudera-san! – um homem com um grave ferimento no braço gritou quando viu o guardião Vongola entrar – Encontramos o rapaz!

— Não, imbecil! – outro homem que estava lutando contra um rapaz respondeu – Foi ele quem nos encontrou! – então foi jogado no chão.

Gokudera ficou meio confuso: como assim “foi ele quem nos encontrou?”. Mas logo percebeu que era o seu sucessor quem lutava contra seus informantes e, surpreendentemente, todos eles estavam no chão, derrotados.

— Stevan! – Hayato gritou imperativamente.

O rapaz que estava de costas para aquele e não respondeu, apenas virou o rosto para trás encarando-o com olhar assassino.

Que que esse moleque tem?

— Cu-cuidado... Gokudera-san... – murmurou um dos informantes derrotados – ...esse cara... é forte.

— É... to vendo que conversa não vai adiantar com ele. – Gokudera falou para si mesmo – Vou ter que levá-lo à força. – mas alto o suficiente para os outros escutarem.

— Levar? – Stevan perguntou, virando-se para Gokudera com um ar confuso.

— Para a Vongola – respondeu o mais velho.

Stevan teve seu semblante tomado pelo mais puro nojo e ódio ao ouvir o nome “Vongola”

— Por que eu deveria ir para um lugar cheio de mafiosos sujos? – disse o rapaz – a única situação em que quero encontrar mafiosos é em uma luta para cortá-los até não sobrar um mísero pedaço de carne!

— Independente de gostar ou não, você virá comigo! – Gokudera começou a elevar o tom de voz, cada vez mais imperativo.

— Se quer me levar então me derrote! Aqui e agora; – a voz de Stevan mudou de tom, agora ele falava com empolgação na voz, empolgação resultante da expectativa de uma boa luta – Vamos ver se você consegue! – e com isso fez uma rápida investida contra Hayato

Com suas duas espadas pequenas e ensanguentadas, presas a seus braços por diminutas correntes, Stevan avançava e atacava incessantemente seu oponente, porém, seus ataques não surtiam efeito, uma vez que Gokudera desviava dos ataques com a uma agilidade muito superior a do rapaz.

Em uma das esquivas, o mais velho saltou para trás ao mesmo tempo em que lançou uma bomba em sua direção. O som da explosão confundiu Stevan, deixando assim sua guarda aberta por um segundo, tempo mais do que suficiente para o outro o atacar.

- ROCKET BOMB!!!

O mais novo viu uma chuva de bombas voarem em sua direção. Cortou rapidamente as pioneiras, porém eram tantas que as últimas acabaram acertando-o e fazendo com que esse voasse e acertasse uma das poucas mesas ainda inteiras restantes do bar.

- Agora podemos ir? – perguntou Gokudera, contando com a vitória precocemente, enquanto se aproximava.

Tão rápido este falou, o ferido recuperou-se e revidou, dando um chute na barriga de Gokudera, mais especificamente, na boca do estômago. Dando um grunhido de dor e um passo para trás, ele deixou a guarda aberta.

- Merda!

- Já disse que se quiser me levar, terá que me vencer. – e em outra investida, Stevan avançou com as espadas, entretanto, no meio da investida, tropeçou em algo e caiu.

- Nyaah!

- Uri! – espantou-se o dono do gato, Gokudera.

- Que porra é essa? – perguntou meio confuso, o que estava caído no chão.

- Uri! Volte pra box agora! – Gokudera tentava, em vão, mandar em seu animal.

- Isso é sempre assim?

- Infelizmente...

Ignorando a breve distração, Stevan avançou sob as pernas do seu oponente, chutando o joelho deste, fazendo-o cair também.

Logo que as costas do guardião tocaram no chão, ele viu o pé do mais novo cair sobre sua barriga. Por sorte conseguiu defender o ataque cruzando os braços entre sua barriga e a perna do oponente. Com o braço direito, segurou a perna que o atingira para o lado e se colocou sobre Stevan.

Sem compreender, o mais novo tentou socar o homem que estava sobre ele. Quando conseguiu, reparou que o guardião não tinha se colocado ali sem motivo, era apenas uma estratégia. Porém já era tarde demais para o sucessor: pequenas bombas cercavam seu corpo, prestes a explodirem.

O som e a força das consecutivas explosões deixaram Stevan inconsciente.

— Esse deu trabalho! – Gokudera disse – Agora vamos, Uri!

O vitorioso pegou o desacordado, colocou-o sobre o ombro e deslocou-se para a saída, por entre louças e mesas quebradas.

— Nyah! – respondeu o gato seguindo o dono, feliz pela vitória.

No mesmo país, porém agora em Liverpool, Lambo foi à busca da casa de sua sucessora. Andando pelo centro da cidade ele chegou a uma rua calma com vários prédios baixos, mas simpáticos.

— Bom, acho que é aqui... – disse Lambo após subir as escadas e chegar ao apartamento 107. Tocou a campainha e esperou um tempo. A porta foi aberta por um rapaz alto que vestia roupas largadas.

- Pois não? – perguntou o rapaz.

- Ah, então... aqui é a casa da Kaminari Maya? – perguntou meio sem jeito, Lambo, afinal o rapaz era muito mais novo do que ele e pela primeira vez na vida Lambo se sentia um tiozão.

Querendo ou não, o Guardião do Trovão sempre fora meio medroso, tímido ou qualquer coisa do gênero.

- Sim. – e o rapaz ficou ali parado, esperando que o visitando falasse mais.

- Ahh, ela... se encontra? – Lambo ficava mais sem jeito ainda com pessoas “monossilábicas”.

- Sim. – mesma resposta.

- Poderia falar com ela?

- Claro... – respondeu o rapaz com expressão meio confusa – Vou chamá-la.

Lambo ficou ali na porta esperando a garota chegar. E quando ela chegou a mesma trazia uma expressão de dúvida no rosto.

- Tem certeza de que é pra mim? – Lambo ouviu uma voz se aproximando de dentro do apartamento. – Um homem vir até aqui pra falar comigo? – uma garota alta, com cabelos ondulados compridos presos num rabo de cavalo, com piercings na orelha, apareceu falando em tom zombeteiro.

Lambo ficou sem reação. Motivo? Não sabia o que fazer ou dizer depois de tal afirmação.

- Posso ajudar? – Lambo nada respondeu – Sem dúvidas essa é a primeira vez que deixo um homem sem fala. – a garota disse quase rindo.

A garota parecia calma, mas algo nela não deixava Lambo se convencer disso, ainda estava apreensivo.

- Você é a Kaminari Maya, certo? – perguntou sem jeito, Lambo.

- Sim, sou eu.

- Assim... eu preciso que você venha comigo... – disse Lambo sem jeito.

-...

Um momento de silêncio.

- Como assim precisa que eu vá com você? Eu nunca te vi na vida e aparecendo assim na minha casa, sem nenhuma explicação prévia não é o melhor método de convencer... – Essas palavras foram tão desencorajadoras que fizeram com que Lambo se sentisse com cinco anos, naquela época em que ele era uma vaca estúpida com cabeça em formato de brócolis.

- A... – disse ele baixinho, com voz chorosa.

- “A”? – repetiu Maya

- Aguenteeeee!!!!! – e ele saiu chorando e correndo igual a quando tinha apenas cinco anos.

- Eu hein... – disse ela após algum tempo olhando para o caminho vazio a sua frente, afinal, estava vendo um quarentão desconhecido correr por ai chorando porque ela recusara ir com ele para onde quer que fosse. – Que reação estranha... que cara estranho.

Maya ia fechar a porta quando notou algo no chão. Era uma caixa pequena de cor verde com um orifício em uma das faces.

Ué, que é isso?

E claro, como sempre, a curiosidade falou mais alto. Maya pegou aquela caixinha rapidamente, esperando que não fosse de ninguém por perto, e trouxe pra dentro de casa.

— Quem era, May? – perguntou o rapaz, que agora estava no sofá com um livro.

— Não tenho a menor idéia, irmão. Um tiozão estranho e só.

— Bem que eu achei bizarro, nunca vi homem dessa idade vir te procurar em casa... ou melhor... nunca vi homem de idade nenhuma, tirando seus amigos, claro, vir te procurar.

— Você sabe o porquê. – disse Maya com um sorriso irônico.

— Você não tem jeito... – disse o rapaz com ar de brincadeira, largando o livro e se levantando.

— Ty, você sabe que o único homem na minha vida é você. – disse ela abraçando o irmão por cima dos ombros e dando um selinho nele.

— Eu sei. – disse ele retribuindo o abraço e o selinho.

— Bom, agora deixa eu ir que daqui a pouco tenho que trabalhar.

— Maya! Já disse que você tem que estudar. – disse o mais velho com tom de repreensão na voz.

— Você sabe que só estudar não coloca dinheiro em casa. – disse ela virando-se de costas, andando para seu quarto.

— Você sabe que o pai sempre manda dinheiro. Sabe que não precisa trabalhar.

— E você sabe que eu não gosto de aceitar o dinheiro dele. – e com essas palavras, entrou em seu quarto e fechou a porta.

Dane-se aquele velho! Desde que ele... bom! Deixe quieto.

Tirou a caixinha do bolso, tirou um anel prateado do dedo médio, deixou-o ao lado da caixa sobre a escrivaninha, tirou a roupa e entrou no banho.

No chuveiro, ela deixava a água bater nos ombros, molhando por completo sua tatuagem de dragão que ocupava toda suas costas. O silêncio era aconchegante, afinal, só ela e o irmão mais velho, Tyler, vivendo em um prédio silencioso era muito reconfortante.

Seu delicioso silêncio, entretanto, foi interrompido por um estridente som de trovão que vinha de seu quarto. Desligou o chuveiro rapidamente, enrolou-se na toalha e saiu correndo para ver o que tinha acontecido. No cômodo estava seu irmão, que também se assustara com o som, e, nada mais nada menos, que um urso de mais ou menos dois metros de altura. Os irmãos ficaram a olhar para o urso que, inexplicavelmente, apareceu no quarto de Maya.

-Ma... May... – gaguejou confuso seu irmão.

-........ – ela não respondeu

— May... de onde saiu esse urso? – perguntou ele, sem tirar os olhos do animal.

— Eu... não faço a menor ideia. – ela respondeu, também sem mover os olhos de cima do urso.

Mais um momento de silêncio se fez. Eles parados, o urso parado. Nada se movia naquele cômodo. Após algum tempo, Maya passou os olhos pelo quarto e notou a caixa sobre a escrivaninha. Ela estava aberta.

Pera... será que ele saiu dali?

E nisso Maya arriscou um movimento. Moveu-se lentamente para não assustar o urso. Foi até a escrivaninha e pegou o cubo.

— May – repreendeu com voz baixa o irmão – que que você tá fazendo?

— Eu também não sei. – respondeu ela no mesmo tom baixo de voz.

Isso vai ser ridículo, mas... vamo lá.

— Ei... urso. – ela falava com o urso.

Ele virou-se para ela e a olhou com seus olhos verdes e uma expressão de dúvida.

— Você... saiu daqui? – Maya apontou a caixa para ele.

Ele fez que sim com a cabeça.

Ok, magia existe... Isso é uma pokecaixa!

— Que caixa é essa, Maya?

— Achei no chão. – respondeu ela, agora mais aliviada.

O urso ignorava completamente a conversa dela com o irmão, apenas abriu os braços em sua direção, como se quisesse um abraço.

— Você quer... abraço? – ela perguntou receosa.

O animal de dois metros fez que sim com a cabeça.

Ela foi até ele e, lentamente, o abraçou.

— May?

— Ele... é macio... – disse ela meio extasiada por conta do abraço com o urso.

— Que porra é essa?

— Eu to abraçando um urso, ué. Que quentinho. – disse ela de olhos fechados e um sorriso bobo no rosto.

O urso retribuía o abraço com carinho, mas o rapaz ainda estava receoso, afinal, era um urso que apareceu do nada, ou melhor, de uma pequena caixa, em sua casa.

Alguns segundos após o abraço, Maya soltou-se do urso.

— Irmão, podemos ficar com ele?

— QUÊ? Tá ficando maluca? Onde vou meter um urso desse tamanho?

— Ah, sei lá... aqui dentro parece que ele cabe. – ela disse mostrando a caixa.

— Não.

— Por favoooor... – insistiu ela fazendo bico.

— May, isso não tem a ver com aquele tio que veio aqui agora pouco?

— Talvez tenha. “Agora tudo faz sentido... ou quase.”

— Que tal você primeiro falar com ele, depois vemos essa história de urso, certo?

— Tá bom – de repente com um clarão o urso voltou para a caixa, deixando os dois irmãos novamente assustados. – Você também viu isso, não viu? Eu não estou tendo alucinações.

- Eu vou tomar um café. – disse o irmão suspirando ao sair do quarto.

E ela foi se vestir, afinal, ainda estava só de toalha, e precisava ir trabalhar logo. Depois do trabalho sairia para encontrar Lambo, onde quer que ele estivesse.

Logo que escureceu, depois do trabalho, em uma praça no caminho de casa a jovem convenientemente avistou quem procurava.

— Tá legal, já era. Além de não conseguir falar com a garota, perdi a box do urso! – resmungava solitário, Lambo – o Tsuna vai me matar...

— Ei! Tio! – uma voz ao longe gritou.

Maya vinha correndo com a box na mão, em direção ao deprimido.

— Qual é o seu nome?

- La... Lambo – disse ele não acreditando.

- Ok, Lambo. O senhor deixou essa pokecaixa cair. – disse a jovem chegando mais perto, apontando para a caixa.

— Pokecaixa? – perguntou Lambo rindo – Isso é uma box.

— Box?

— Sim...

— E o que significa isso?

— Bom... – Lambo começou a enrolar novamente.

— Já escureceu e eu preciso ir pra casa. Pode falar depressa, por favor?

— É melhor você vir comigo, porque a história é muito longa... – Lambo dizia receoso – e também... eu e o que tem dentro dessa box precisamos de você.

— O Kuma precisa de mim? Pra que?

— Kuma?

— Sim, é o nome dele. – sim, ela já havia batizado o urso.

— Você a abriu? A box?

— Ela abriu sozinha...

— Que estranho... mas, então, você vem? – perguntou Lambo todo esperançoso

— Posso ir, mas... para onde nós vamos exatamente?

— Japão. – Lambo dizia como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

— ...Quê?

Depois de uma longa conversa com Lambo, com ele a colocando a parte da existência da família Vongola, explicando a importância de sua aceitação em ir com ele e que, mesmo que ela quisesse ficar, ele não poderia lhe conceder tal desejo, a jovem concordou em seguir com ele para o Japão, com algumas condições.

— Tudo bem, eu vou. Mas com duas condições. A primeira é: Eu vou me despedir do meu irmão essa noite e só vamos partir ao amanhecer depois de eu convencê-lo, e a segunda: Uma vez por mês, sem excessão eu devo ter o direito de vir visitar meu irmão e passar pelo menos dois dias com ele. Se não for assim, de uma forma ou de outra, não vou ajudá-los.

— Acho que Tsuna pode conceder esses favores em troca de sua ajuda.

— Ah! E mais uma coisa. Não sei qual é o nível do que eu to me metendo, mas meu irmão fica fora disso. Ele não precisa saber de nada e nem deve sofrer por alguma coisa relacionada a isso.

— Certo.

— Então nos vemos aqui logo que amanhecer.