11ª Geração - Saga Jigoku
4 Chuva e sol, Sol e chuva.
Em outro bar, porém agora na Espanha, Yamamoto aproveitava os petiscos e a música ao vivo. Apenas um rapaz estava no pequeno palco improvisado, tocando uma música que lembrava a espanhola, mas tinha traços de alguns outros estilos. Seu violão preto com detalhes em dourado de doze cordas tocava uma melodia que acalmava a todos que ali estavam. Uma música reconfortante para os apreciadores de boa musica.
Os dedos do rapaz fluíam com perfeição sobre as cordas, dando vida aos acordes que iam sendo tocados. No rosto dele se via a extrema felicidade de estar ali, fazendo o que gostava. Watanabe Oda tinha, quando tocava sua música, calma e traquilidade de um típico guardião da Chuva.
Até tarde da noite ele ficou a cantar e tocar músicas da mais alta qualidade. O relógio bateu cinco da madrugada e no bar, com suas portas prestes a fechar, encerrou-se o "show" de Oda. Yamamoto ficou ate o final para poder conversar com ele.
- Muito boa a sua música, garoto. — Yamamoto chegou como quem não quer nada, com seu típico sorriso despreocupado, e começou a conversar com o rapaz enquanto esse guardava seus equipamentos.
- Muito obrigado. — respondeu o mais novo, feliz por achar um admirador — É a primeira vez que vem aqui no bar?
- Sim, como você sabe?
— É que os clientes daqui são sempre os mesmo, dai fica fácil notar quando há uma pessoa diferente.
- Ahh, entendi. Então, faz tempo que você toca aqui?
- Um pouco, deve fazer um meio ano já — com essa pequena conversa que se passou, o músico já havia terminado de guardar seu equipamento.
- E você tá voltando pra casa agora?
Qualquer pessoa normal acharia estranha aquela conversa, já iria pensar que o mais velho queria sequestrar o mais novo, mas ele não. Parecia que Oda sabia que podia confiar em Yamamoto, como se fosse uma intuição.
- Sim, — respondeu tranquilamente o mais novo — mas vamos conversar mais, faz tempo que não converso com ninguém por tanto tempo assim.
- Claro. – respondeu o mais velho com o típico sorriso no rosto.
Ficaram conversando até o sol nascer em um banco de praça. Oda contou um pouco de sua vida para Yamamoto, disse que morava sozinho, que seu sonho era virar um grande músico.
Yamamoto também comentou da época em que jogava beisebol e que era a coisa que ele mais amava na vida naqueles tempos. Mas que reivindicou o esporte por um bem maior. Comentou também que era japonês natural do Japão e não apenas descendente e que ele e uns amigos estavam "recrutando" pessoas para uma coisa muito grande. E que Oda era uma dessas pessoas.
- Se pá... já que não tenho muita coisa que fazer da minha vida, acho que posso ir com você sim. Afinal, eu só quero encontrar a felicidade – fez uma breve pausa olhando para o chão, distraído — Vai ver lá no Japão eu acho ela.
Ao dizer essa frase, Oda deixou a melancolia tomar conta de suas palavras. Ele podia ser calmo e tranquilo por fora, mas notava-se que por dentro uma ferida muito grande existia que o impedia de achar a felicidade.
- Pois vamos! – Yamamoto disse animado, levantando do banco — Vamos até a sua casa e arrumaremos suas coisas.
- Não precisa. – Oda interrompeu a animação alheia — Tudo que eu preciso já está comigo — disse apontando para o violão nas suas costas.
- Melhor ainda – Takeshi completou com um sorriso maior ainda no rosto — O Tsuna já deve estar nos esperando.
Seguindo pelo mapa da Europa, descendo até Roma, Ryohei foi até a casa de uma parte da família Gokudera buscar sua sucessora. Não chegava a ser uma mansão, mas era uma bonita e grande casa. Chegando ao portão, avistou uma garota de cabelos louros a cuidar de um jardim.
- Ei! Garota! – ele gritou do lado de fora do portão.
Ela se virou assustada.
- É! Você mesmo! – ele continuava gritando – Você é a Gokudera Ran, né?
Ela se levantou meio assustada e avançou um passo até o portão.
- Sim... – ela respondeu timidamente.
- Então, quer se juntar a máfia e fazer coisas super legais e EXTREMAS?! – ele gritou mais alto ainda, se agarrando nas grades de ferro.
Silêncio.
Obviamente que não houve resposta da parte dela, estava assustada demais para isso. A única coisa que conseguiu fazer foi correr para dentro de casa gritando:
- Tem um louco do lado de fora do portããão!!
Instantaneamente após a garota correr, uma quantidade absurda de guarda-costas apareceu do telhado, moitas, janelas e qualquer outro canto que se possa imaginar. Um deles apontando a arma na direção da cabeça de Ryohei.
- Calma ae gente! Só vim fazer meu trabalho!
Claro que os guardas interpretaram errado e achavam que ele estava ali para sequestrá-la. O guarda que estava com a arma na cabeça dele engatilhou a arma.
Neste momento, na rua, um carro preto passou pelo local, parou e deu ré. A janela se abriu e um homem de cabelos cinzas escuros estava sentado no banco de trás.
- Ryohei? – perguntou o senhor.
- Ohh! Primo do Tako-head! – O guardião do Sol agia como se nada estivesse ao seu redor, ignorando completamente as armas que o tinham na mira.
- O que você está fazendo aqui? – ele perguntou saindo do carro.
- Quê? O Hayato não te avisou que eu vinha buscar a Ran? – ele perguntou normalmente.
- Nossa! Verdade! – o homem disse, com voz de surpresa, após um breve momento de silêncio.
Como poderia ter esquecido algo extremamente importante? Afinal, sua filha iria entrar para uma das maiores famílias da máfia, a Vongola.
Os guarda-costas olhavam confusos, hora para Ryohei, hora para o chefe deles. “Eles se conhecem?” eles se perguntavam.
- Podem abaixar as armas, tá tudo bem – finalmente disse o homem – Então, vamos entrar, Ryohei?
- Claro! – disse o outro com o entusiasmo de sempre.
Em uma sala de visitas, foram servidos chá e biscoitos para o convidado repentino.
— Esses biscoitos são muito bons! – elogiou Ryohei depois de ter esvaziado pelo menos duas vezes o pote do doce.
— Que bom que gostou – a mãe de Ran, que agora se fazia presente, agradeceu o elogio.
— Então, você parte hoje mesmo com a Ran? – perguntou preocupado o primo de Hayato, ou seja, o pai da sucessora.
— Sim, quanto antes reunirmos os guardiões, antes isso acaba. – disse com um tom mais sério o guardião Vongola – o Tsuna deixou isso bem claro.
— Certo... – respondeu o pai com preocupação na voz
– Bom, ela vai estar com o Hayato, não? – perguntou a mãe da garota – Não se preocupe tanto assim, querido.
- Eu sei... – mesmo assim o tom de preocupação não saia da voz de nenhum dos dois.
- Ela estará bem, eu garanto – respondeu o Vongola com um sorriso no rosto – ela é mais do que capaz de assumir meu posto.
- Verdade, ela está sendo “monitorada” desde pequena, certo? – a mãe comentou.
- Sim – confirmou o visitante – ela é a mais apta a esse papel, não precisam se preocupar.
- Bom, acho que já está na hora de chamá-la. – falou o pai – Ran! Venha até aqui minha filha!
Na porta da sala apareceu uma garota de estatura média, loura de olhos cinza e expressões desconfiadas.
- Filha, venha aqui, por favor. – o pai fez um gesto para que ela se sentasse ao seu lado.
Ela foi, sem uma palavra, sentou-se e ficou a fitar o homem estranho que a assustara há pouco.
- Lembra que o pai falava que um dia você teria de fazer uma tarefa muito difícil e importante? – a mãe se colocou ao lado dela enquanto falava.
- Uhum – respondeu ela sem tirar os olhos de Ryohei.
- Então, esse dia chegou, filha. – o pai falou enquanto acariciava os cabelos da filha.
- Mas já? – ela perguntou meio espantada – Mas eu queria ficar mais tempo com vocês!
- Eu sei... – disse o pai com voz triste – eu sei... mas é preciso.
- Eu vou ter que lutar pelo bem da máfia, né? – ela perguntou para o visitante.
Este mexeu a cabeça em sinal positivo.
- Certo! – ela disse alto dando um pulo do sofá – Se é pro bem da mamãe e do papai, eu vou!
A animação repentina assustou Ryohei, mas ao mesmo tempo o deixou feliz.
- Vou arrumar minhas coisas! – e saiu toda feliz da sala.
Do lado de fora da sala de visitas, Ran encontrou seu irmão mais velho, com uma lança em mãos, esperando por ela.
- Oi mano! – ela disse animada.
- Oi – ele também tinha uma expressão preocupada no rosto.
- Por que você tá com sua lança favorita, hein? – ela disse ao ver a arma nas mãos dele.
- Porque você vai precisar dela daqui pra frente. – e entregou o equipamento nas mãos da garota.
- Mas! – ela se espantou com a atitude inesperada do irmão. Afinal, aquela era a arma favorita dele, não deixava ninguém nem chegar perto da lança — Eu tenho a minha lança e...
Ele virou as costas, ignorando essa última frase da mais nova, e seguiu rumo ao final de um grande corredor, acenando com a mão:
- E não se esqueça de comer direito, viu?
Sua expressão passou de surpresa para gratidão, sabia que aquele jeito era como o seu “mano” demonstrava carinho por ela. Com a arma nas mãos, agradeceu-o em uma reverencia. Virou-se para o outro sentido do corredor e correu até seu quarto. Afinal, tinha que arrumar suas malas: estava de viagem para o Japão!
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