11ª Geração - Saga Jigoku
7 Quando as sakuras desabrocham
Pelas janelas do corredor da Escola Namimori, as flores róseas podiam ser vistas. Era primavera e as sakuras deixavam a paisagem japonesa linda.
Ran desfazia a formação da fila para ver as árvores que habitavam seus sonhos.
— Gokudera Ran – Hibari, que estava à frente da fila, chamava a atenção da mais nova.
— Ha-hai! – ela voltou rapidamente ao final da fila.
Pelos corredores da escola andavam em fila indiana Hibari, Ken, Stevan, Oda, Maya, Amarilis, Amarantha, Miu e Ran. O mais velho, que agora era o diretor do colégio, estava levando os sucessores para suas respectivas salas de aula.
Ele parou em frente a uma sala cuja placa tinha escrito “1-5”. Kyoya olhou para as duas últimas da fila e, abrindo à porta da sala, fez sinal para as duas entrarem.
Ran olhou para Miu, receosa, mas esta nem se importou, apenas entrou sem maiores problemas na sala de aula. A professora que estava dando aula parou, olhou para as garotas que entravam e apresentou-as à turma.
— Turma, a partir de hoje teremos duas alunas novas em nossa sala – a professora deu sinal para elas se apresentarem.
— Fuuka Miu – fora a única coisa que a japonesa falou.
— Ahh... – a outra travou – Go-gokudera... Ran... – à medida que ela ia falando, ia ficando vermelha de vergonha — é... é um prazer conhecê-los.
Voltando ao corredor, agora eram as outras três mulheres que entravam na sala “2-4”.
— Nós somos as gêmeas Von Hambolc... – elas disseram juntas.
-... Eu sou a Amarilis... – disse a mais velha.
— E eu sou a Amarantha. – disse a outra.
— Kaminari Maya. Prazer – ela disse com um sorriso, olhando uma a uma das garotas da sala.
Na sala “3-3”, os três rapazes entraram e se apresentaram.
— Sou Watanabe Oda, prazer – disse com um sorriso simpático no rosto.
— O’Neill Stevan – sua voz tinha um tom extremamente irritado, contrariado.
— Kurotsuki Tessei Ken. – as palavras do futuro chefe soaram tão gélidas que ninguém comentou uma palavra sequer, nem mesmo o professor que ali estava ou os alunos.
Eles apenas se sentaram nas últimas carteiras da fila da janela e ali ficaram. Oda pegou no sono minutos após sentar na carteira, enquanto Stevan lia um livro qualquer que nada tinha a ver com a matéria que o professor passava no quadro e Ken olhava para fora, vendo o vento carregar as pétalas das flores.
Na outra sala o ponteiro do relógio não andava para as gêmeas, afinal, elas já sabiam de tudo aquilo que estavam vendo na lousa negra: eram autodidatas. Maya não se interessava nem um pouquinho no professor velho que dava aula, apenas observava as pessoas uma a uma na sala, analisando-as.
Ran, pela primeira vez em muito tempo estava sentada na carteira de uma sala de aula. Depois de ficar meses sem ir para a escola, achou que não conseguiria acompanhar a matéria, mas estava mais do que bem. Miu olhava para a professora, mas, na verdade, não estava escutando nada, só reparando na gola mal arrumada da blusa que a professora vestia.
Finalmente o sinal tocou e o horário do intervalo chegou. Stevan teve que acordar Oda, que babava sobre a carteira. Ken, já fora da sala, subia as escadas, ruma ao terraço, onde, por coincidência, Maya também estava indo.
Na sala 1-5, Ran procurava algo na sua mala, porém não achava de jeito nenhum.
— Eu esqueci minha comida – disse ela com voz triste e chorosa ao notar que tinha esquecido seu lanche – e não trouxe dinheiro também.
Miu só olhou para a outra com olhos sem expressão. Sem responder, mexeu na sua mala, pegou um pacote de batatas chips e jogou-os sobre a mesa de Ran.
— Só não acabe com toda a batata – e saiu na frente.
A loira parou e olhou impressionada. Mesmo conhecendo Miu a pouco tempo, sabia que ela era fechada e fria, por isso nunca imaginaria que ela a ajudaria. E, por um momento, ela jurou ver uma expressão mais gentil no rosto da japonesa.
— Haii! – a faminta pegou o saco de batatas e saiu correndo atrás da companheira.
Enquanto isso, no terraço, os guardiões, coincidentemente, se encontraram. Todos aparentemente tiveram a mesma idéia ao mesmo tempo: ir para o lugar com menos gente possível.
— Por que a gente tá aqui mesmo? – perguntou Oda olhando para o céu.
— Pergunte para aqueles estranhos da Vongola – Maya respondeu olhando as pessoas no pátio.
— Maledettos, poderia estar caçando a Oggetto Finito, mas cá estou... preso — Ken falava quase que gruindo.
— Não reclame, senhor-acabarei-com-a-Oggeto-Finito – Reborn apareceu do nada, dando um soco na barriga do que reclamara por último.
— Bebê! – Miu se aproximou do Arcobaleno.
— Ciaossu – disse para todos – Aguentem mais um pouco, que ao sair daqui vocês vão direto para o treinamento.
— Como assim? – perguntou confuso Oda.
— Vocês, como integrantes da máfia, devem saber lutar e se defender – o bebê explicou.
— Tsc – Stevan reclamou – Você acha que esses mafiosos terão algo para me ensinar? – afinal, ele lutava fazia muito tempo.
— Se eles não tivessem nada a te ensinar, por que você perdeu para o Hayato mesmo? – Reborn sabia o que falar e quando falar para convencer alguém.
O rapaz encarou aquele que acabara de esfregar em sua cara a verdade. A raiva parecia ser um sentimento contínuo nos olhos de Stevan.
— Bom... encontro vocês no quartel general – e assim Reborn pulou do terraço e sumiu.
Fez-se um silêncio mortal, no qual todos se entreolhavam. Querendo ou não, nenhum deles aparentemente queria estar ali, na escola, muito menos presos a um lugar onde nem conheciam as pessoas. O que era exatamente o caso pelo qual todos ali estavam passando. Ran era quem menos notava isso, apenas olhava para o pátio, admirando as cerejeiras e comendo as batatas que Miu havia lhe entregado.
O sinal tocou e o silêncio continuou. Um a um dos guardiões dirigiram-se às suas respectivas salas. Ao chegar à porta da sala do 1º ano, Ran parou e olhou para a companheira de sala.
— Miu... – ela disse – muito obrigada pelas batatas – e um sorriso gracioso e de extrema gratidão se fez no rosto dessa – você salvou minha vida!
A portadora da chama do Sol repentinamente abraçou a da Nuvem. Essa se espantou, afinal, mal conhecia a outra! Mas, no fundo, aquilo não era tão ruim.
— Calma, foram só batatas – ela disse num tom um pouco menos frio que o habitual.
— Mesmo assim, se eu ficar muito tempo sem comer, fico tão chata que nem eu me aguento – a loira disse com um sorriso meio bobo no rosto, mas sem perder a graciosidade – muito obrigada mesmo!
— Ah... de nada – Miu respondeu séria, mas não muito fria.
Na sala do 2º ano, as gêmeas, sem aguentar mais aquela enrolação, começaram a passar bilhetinhos. Como estavam uma sentada ao lado da outra e Maya atrás de Amarilis, a inglesa interceptou o pequeno pedaço de folha e começou a participar do “msn de papel”.
- Como essa mulher é enrolada! ò.ó – Amarilis.
- Nem me diga! Se eu pudesse, fazia ela ficar quieta. – Amarantha.
- Até dá né .-.
- Mas dai pega mal pro nosso lado.
- Como assim? o.o? — Maya invadindo a conversa.
- Uhhh...então...
- É que nós sabemos usar ilusões... .-.
- Sério?! Que legal! =O
- E você? O que sabe fazer?
- Eu consegui tirar um urso gigante de uma pokecaixa. =D
- Pokecaixa?? o.o?
- Era uma caixa que saiu o Kuma lá de dentro
- Kuma? O.o?
- O urso, pena que o Lambo pegou a pokecaixa de mim ;---; se não eu mostrava pra vocês :3
- Bom, se quiser te mostramos as ilusões lá fora, que tal? =3
- Claro! =DD
E assim continuaram nas aulas seguintes.
Com o final das aulas, Ran voltou direto para a casa de seu tio, para trocar de roupa e começar o treinamento. Miu sumiu, as gêmeas e Maya foram para um canto isolado do colégio para aquelas mostrarem seus poderes para a colega de sala. Os únicos que foram direto para o quartel general foram os rapazes.
— Cara, não tinham me avisado que teríamos que lutar – Oda disse meio decepcionado – achei que ia poder ficar com meu violão o tempo todo...
— Foi somente para aumentar minha força que aceitei esse acordo – Stevan disse, – se não, não valeria nada para eu estar aqui.
— Mas por que você quer tanto assim ser forte? – Oda perguntou.
— Porque eu tenho que ser forte – Stevan olhou fixamente nos olhos daquele que perguntava.
— Entendo perfeitamente como se sente, Stevan — Ken colocou-se a par da conversa.
— Bom, eu não – Oda disse despreocupado. – Só quero achar a felicidade.
— Por incrível que pareça eu também, meu caro – Ken disse meio melancólico.
— Mas o que você precisa fazer pra achar a felicidade que precise de força? – como aquilo não era da natureza do músico, não entendia muito bem como a força bruta levaria a um estado de espírito feliz.
— Acontece, caro Oda, que minha satisfação reside em destruir Oggetto Finito – O ódio poderia ser facilmente notado nas palavras do futuro chefe e quando pronunciou o nome daquela família seus olhos tomaram uma tonalidade esverdeada.
— E a minha quando eu destruir o homem que destruiu a minha vida! – Stevan completou com raiva.
— E que seria? – Oda perguntou confuso – essa tal de Oggetto-qualquer-coisa?
— Não – Stevan fez uma breve pausa, olhando para o céu que começava a nublar, – o meu próprio pai.
- Seu pai? – os outros dois perguntaram confusos.
- Longa história – fora a única coisa que ele disse.
Um clima tenso se formou entre os três rapazes. Afinal, aquele assunto era algo que nenhum dos dois, que procuravam vingança, gostava de comentar. Ainda bem que foram interrompidos.
Pelo estômago de Tessei que começou a roncar.
Logo em seguida os estômagos dos outros dois começaram a roncar também e, após um momento deles se entreolhando, os três começaram a rir ao mesmo tempo da situação tosca.
— Acho que é uma ideia pararmos para comermos antes de treinar, que tal? – Oda ofereceu ainda rindo.
— É uma boa – Ken disse mais relaxado.
— Será que tem algum lugar barato pra comer aqui por perto? – Stevan se preocupava com o dinheiro, afinal, era pão duro.
— Vamos procurar! – e Oda saiu mais a frente, para procurar algo para comer.
Os três sentiam-se mais leves, não tão preocupados. Era a primeira vez, em muito tempo, que Oda conversava com pessoas da mesma idade que a dele. Stevan por um breve momento se esqueceu de sua vingança e se divertiu. Ken estava mais tranquilo. Tinha uma leve intuição de que, mesmo estando dentro da máfia, aquele poderia ser o lugar para ele recomeçar do zero, formando assim sua própria família. Quando chegaram a uma loja de conveniências, Ken ficou para fora, sob a chuva que começava a cair. Olhou para o céu e, em sua mente, se perguntou:
Seria isso que chamam de esperança?
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