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2 1440 - parte 2


Notas iniciais
Olá de novo meus amores!!! Não consegui me segurar e já estou postando o segundo capítulo hoje mesmo, e há outros no forno para os próximos dias, viu? Não fujam de mim! kkkkkk Se alguém se interessar, vou ir criando uma playlist da fic, quem quiser ouvir, sintam-se à vontade :) https://www.youtube.com/watch?v=Nf5--AFAfU8 (beautiful war - kings of leon) https://www.youtube.com/watch?v=smiFk6KHr_8 (while your lips are still red - nightwish) Esse capítulo é dedicado ao Márcio Gabriel que deixou o primeiro comentário e favorito da fic! Obrigada viu? Te considero pacas e não só por isso! kkkkkk Boa leitura!

– Abgail! Está bom assim? — Perguntei ansiosa ajeitando meu vestido vermelho vinho. Estávamos em meu quarto. Abgail adorava maquiagem e coisas do gênero, beleza era algo fundamental para ela.

– Está linda, querida! — A loira, minha melhor amiga me ajudava nos toques finais — Não acredito que finalmente aceitou sair com alguém! Deu uma trégua?

– Não, ele é diferente dos outros, não ficou fazendo rodeios, mandando cantadas bobas, e algo nele me chamou muito a minha atenção.

– Como ele é?

– Não dava para ver direito.

– Como assim? — Ela parou o que estava fazendo e me encarou incrédula — Não dava para ver?

– Ele estava todo sujo, provavelmente tinha acabado de voltar de uma batalha, estava lá para ver o amigo dele.

– Está dando um tiro no escuro? E se ele for feio? — Abgail sempre se preocupou mais com as aparências do que com o interior.

– Não, ele parecia ser bem bonito, mas mesmo se não for, ele tem algo que me chamou a atenção, diferente de todos os outros soldados — Falei colocando meus brincos — Que horas são?

– 7:50

– Ele deve estar chegando! — Passei meu perfume e me olhei do espelho, estava satisfeita com minha aparência. Usava um batom vermelho escuro, um vestido vermelho vinho, sapatos nude, meus cabelos estavam soltos e ondulados, tudo do jeito que eu gostava — Me deseje sorte, amiga!

– Sempre! — Ela me abraçou — Quer que eu vá com você até a porta?

– Não precisa, eu vou sozinha.

– Juízo! Você sabe que muitos soldados querem apenas diversão, experiência própria — Sorri, peguei meu casaco, minha bolsa e saí em direção à porta do prédio das enfermeiras, que era o único luxo que tínhamos como recompensa dos nossos serviços. Desci as escadas cada vez mais ansiosa, o único barulho que eu ouvia era a minha respiração e a batida dos meus pequenos saltos. Cheguei ao corredor que dava para a porta e ao me aproximar, vi que John me esperava na porta.

Ele era realmente bonito como eu pensava, não só era mais interessante como os outros soldados, como também era o mais bonito. Seus cabelos eram loiros, seus olhos azuis, era alto, vestia um terno com colete cinzas e uma gravata preta.

– Desculpe-me pela demora — Ele ficou por um bom tempo me observando e pude sentir meu rosto queimando, eu provavelmente deveria estar vermelha.

– Está linda — John finalmente disse ainda me observando — Vamos? — Perguntou estendendo-me o braço para que eu segurasse o mesmo, e assim o fiz.

Andávamos sem silêncio nas calçadas de Lyon, as ruas naquela região era iluminadas apenas por alguns postes, mas quanto mais nos aproximávamos da parte, digamos, "ativa" da cidade, via-se algumas lojas ainda abertas, danceterias e logo o aroma dos restaurantes dominavam a rua iluminada. Eu estava nervosa, não sabia o que fazer, tinha vinte e um anos e nunca tinha saído com ninguém, não queria estragar essa vez.

– Então, John — Resolvi quebrar o silêncio — Quando é sua próxima batalha?

– Tenho uma semana de folga do inferno, depois vou para a Alemanha — Ele olhou para mim e sorriu — Hoje foi minha última batalha em território francês.

– Sr. Peterson estava na batalha com você?

– Sim, vi quando ele foi atingido.

– E o que fez?

– Matei o maldito que atirou nele.

– Vocês são melhores amigos?

– Desde criança — Ele respondeu e ficamos em silêncio novamente — Conte-me sobre você, Elisabeth.

– O que?

– É da onde?

– Wisconsin.

– Sempre ouvi dizer que haviam garotas bonitas em Wisconsin, parece que os boatos estavam certos — Ri tímida e continuamos conversando, eu perguntava sobre a vida dele e ele sobre a minha, naquele momento eu estava me sentindo um pouco segura, mas ainda temendo falar ou fazer alguma besteira. Alguns minutos depois, chegamos à um restaurante, o mais animado da rua.

O restaurante estava cheio, tocava uma música ao fundo, algumas pessoas dançavam na pista, outras conversavam e riam deixando todo o clima de guerra e morte de lado, divertindo-se como antes, tornando aquele lugar um mundo particular totalmente diferente. Nos aproximamos de uma das poucas mesas vazias e John puxou a cadeira para que eu sentasse e o agradeci pelo seu cavalherismo. Alguns segundos depois apareceu um garçom, fizemos nossos pedidos e ficamos ali sentados. John me olhava constantemente e disfarçava o sorriso quando percebia que eu ficava corada com seu olhar.

– Me desculpe por isso, mas eu não consigo parar de olhar para você... — Sorri tímida e abaixei o olhar, eu não sabia o que fazer, eu não via nenhuma má intenção em seu olhar, era tão puro — Você é linda.

– Obrigada — Olhei para ele novamente, ele sorria — Me desculpe pelo meu jeito, não sei como reagir à elogios — Seu sorriso se tornou ainda maior.

– Com licença, senhor — Um homem com uma grande cesta de rosas se aproximou da mesa — Gostaria de presentear a moça com uma rosa?

– Claro — John pegou uma das rosas da cestas e me entregou.

– Obrigada — Passei a ponta dos dedos em suas pétalas — Nunca tinha ganhado uma.

– Não? — Fiz um sinal negativo com a cabeça.

– Na verdade... — Desviei meu olhar tímidamente — Nunca saí com ninguém — Ele pareceu surpreso e sorriu mais ainda, ele não parava de sorrir, era radiante.

– Nunca te chamaram antes?

– Sim, mas... Eu nunca aceitei — Ele se inclinou para frente e pousou sua mão sobre a minha.

– Por que aceitou meu convite? Um completo estranho, todo sujo, como você mesmo disse, não sabia nem meu nome...

– Desculpe interrompê-los — O garçom chegou com os pratos, nos serviu vinho e o agradeci mentalmente por aquilo, não sabia o que responder, não sabia o por quê de eu ter aceitado o convite, apenas que algo muito forte me dizia para aceitar.

A comida estava maravilhosa, à quanto tempo não comia algo realmente bem feito? Eu imagino John, que já deve ter passado dias seguidos em batalha, apenas com água e bolachas, pelo menos era o que eu via no kit dos soldados. O vinho era tinto e suave, do jeito que gostava, estava muito bom e combinava perfeitamente com os sabores que tínhamos acabado de comer.

– Elisabeth...

– Me chame de Elisa — O interrompi, Elisabeth era muito formal, me dava vontade de rir.

– Elisa — Ele deu ênfase na palavra — Quer dançar?

– Eu não sei dançar.

– Eu te ensino — Sorri e ele me levou até a pista.

Passei meus braços ao redor de seu pescoço e senti um arrepio percorrer meu corpo quando senti suas mãos em minha cintura. Uma música lenta tocava, apenas casais estavam na pista, alguns em encontros como os nossos, outros já podiamos notar que eram namorados ou casados pelos anéis de comprometimento.

Agora vou confessar um negócio, eu sei que sou brega, cafona, nunca fiz nada e nem aproveitei nenhuma das coisas boas da vida, Abgail sempre me diz e isso, e vive no meu pé porque nunca beijei ninguém, tinha apenas dado um selinho no meu primo quando era criança, mas não contava. "Vinte e um anos e nunca namorou e nem beijou ninguém, Elisabeth?", me lembrei da voz de Abgail em minha cabeça. Você deve estar se perguntando o por quê de eu ter trazido esse assunto à tona, certo? O rosto de John está tão próximo ao meu, sentia sua respiração, não consigo não pensar nisso. Em qualquer outra situação eu estaria pensando: "como posso deixar isso acontecer? Não faz nem vinte e quatro horas que o conhece! Que absurdo!" — Mas isso estava bem longe da minha cabeça, eu estar ali com ele não me parecia errado, me parecia mais do que certo, John tinha algo incrível e próprio que o tornava perfeito. Mais alguns segundos se passaram e finalmente senti seus lábios nos meus, foi tudo muito rápido, porém intenso, apenas um selinho que tinha significado o mundo para mim, e eu esperava que fosse o mesmo para ele.

Abri os olhos e vi que ele sorria e eu também, como nunca antes. Tirou uma de suas mãos de minha cintura e acariciou meu rosto com seu polegar, logo em seguida me puxando levemente para mais um beijo. Esse não foi apenas um selinho, apesar de eu não ter experiência alguma naquilo, tínhamos um ritmo perfeito, nosso, eu me sentia nas nuvens, estava extasiada com aquele momento, por mim eu não pararia nunca.

Assim que a música terminou, pagamos a conta e saímos do restaurante. Andávamos abraçados por aquelas ruas, algumas senhoras que passaram por nós soltaram o clichê: "Mas que belo casal" e John me deu um beijo na testa ao ouvir aquilo.

Alguns minutos depois já estávamos na parte mais silênciosa do caminho, não havia ninguém nas ruas e os postes iluminavam fracamente as calçadas. Parei de andar, me encostei numa parede e John me olhou com um olhar preocupado.

– O que foi? — Perguntou se aproximando de mim. Sorri e o puxei pela gravata colando meu corpo no seu. Ele sorriu e lá ficamos, um casal aos beijos numa rua escura, deserta e perigosa, mas isso não importava, eu realmente não sabia o que estava perdendo, Abgail vai me dizer um belo de um "Eu disse".

– Já está tarde — Falei parando para pegar um pouco de ar — É melhor irmos — Dei-lhe um último e demorado beijo, e voltamos para a base.

– Boa noite, querida — Ele me deu um selinho assim que chegamos na porta dos fundos do dormitório, não podiam descobrir um casal, encontros eram permitidos, mas namoros não, eles distraíam os soldados.

– Boa noite, John — Olhei para ele uma última vez naquela noite e entrei no prédio.

Subi as escadas apressada, andei depressa o corredor até meu quarto. Entrei no mesmo, fechei a porta e deitei na cama pensando em John, tudo tinha sido tão maravilhoso.

– Nem pense em dormir sem me contar — Abgail apareceu na porta vestindo seus pijamas — Acordei só para isso!

Notas finais
O que acharam? Por favor leitores fantasminhas, digam o que acharam ;)