10 Dias Com Ela
8 Sétimo Dia
Notas iniciais

Sétimo Dia
Mesmo de olhos fechados, a sensação de mãos pequenas e suaves passeando por minhas costas era embriagante, principalmente por eu saber quem era a dona desses dedos finos e ágeis. Abandonei a tentativa de dormir e virei-me sedento para a mulher ao meu lado. Sakura estava com o cabelo espalhado pelo travesseiro e escondia-se por entre os fios róseos.
Sem sutilezas a beijei e fui correspondido com a mesma intensidade. Naquele momento não havia espaço para palavras, as ações diziam mais. Procurei por seu corpo, bem como ela me procurava. Sim, essa teimosa havia percebido que não me encontraria em outra pessoa.
O fogo brando foi subindo gradativamente, e conforme o desejo aumentava as roupas diminuíam. O local podia ser uma bagunça, mas nós estávamos em ordem, nos completando. Olhei naqueles olhos esmeraldinos e senti uma onda de eletricidade percorrer-me. Céus, essa mulher me enlouquece.
E então do nada o corpo quente de Sakura sumiu debaixo de mim, o local esfriou e eu abri os olhos.
Outro sonho com ela.
Devia ser o terceiro pelas minhas contas, pensei enquanto me posicionava sentado. O quarto do hospital dava boas-vindas a realidade, bem diferente de onde estive segundos atrás. Comecei a rir quando notei o quanto meu corpo queria que o sonho fosse real, um certo volume denunciava isso.
Tratei de pensar em qualquer coisa, exceto aquele demônio rosado, e com poucas opções de distração, acabei pegando outro livro. Fiz uma careta ao ver um cair no chão quando mexi na pilha deles ao meu lado, sem qualquer vontade de juntá-lo, larguei-o ali mesmo.
Estava alternando entre ler e tentar ativar o sharingan, quando ouvi a porta se abrir. Tsunade entrou no quarto com uma prancheta em mãos. Ela estava usando o manto de Hokage hoje e parecia ter um ar mais preocupado.
— Bom dia, Sasuke. – Cumprimentou-me.
— Bom dia. – Devolvi, acenando com a cabeça.
— Shizune e Sakura me informaram do seu estado e que você parece progredir bem, – fiquei com um misto de esperança e receio com essa fala. – então tivemos uma ideia que pode te ajudar, se isso der certo o seu período de repouso diminuirá.
Assenti com a cabeça, mostrando que gostaria de ouvir o restante.
— É uma sessão, porém diferente. Você se reunirá com Naruto e Kakashi para praticar alguns jutsus simples, Shizune vai os acompanhar e ver o rendimento para depois avaliar se você vai ficar internado por mais tempo, ou não.
Então a minha saída do hospital dependia de como eu faria os jutsus. Algo simples, mas eficiente. Darei o melhor que a minha condição permite e finalmente poderei voltar para casa. Odeio hospitais. Estava a ponto de sorrir com a notícia, mas parei quando a porta se abriu novamente e por ela passou Sakura.
Olhando ela se juntar a Tsunade e receber informações de sua shishou, notei que me distanciaria dela ao cruzar as portas de saída. Eu não deveria ficar triste por isso, mas de algum modo inexplicável, entristeci com tal fato. Sakura havia se tornado uma presença irritantemente viciosa para mim.
— Quando saberei o resultado? – Indaguei, curioso. Tentei focar nas coisas boas que viriam com o fim de minha estadia aqui.
— Shizune ou eu iremos lhe informar, Sasuke-kun, – Sakura respondeu-me. – Tsunade-shishou estará ocupada, então faremos suas funções por enquanto.
— Hn. – Respondi.
A Hokage tinha apenas vindo para dar a notícia, pois logo se despediu de mim com uma palmada no ombro, e saiu do quarto praguejando os afazeres que seu cargo lhe impunha. Ri só de imaginar Naruto na mesma posição que ela, ele não conseguiria ficar parado numa sala lendo relatórios, com certeza daria um jeito de escapar.
— Acho que sei o que está pensando. Naruto teria problemas com essa parte de ser Hokage. – Sakura comentou, olhando-me com diversão. Surpreendi-me com essa conexão de pensamentos e sorri-lhe como resposta. Acabei recendo um rubor por parte dela.
Após tomar um banho – sozinho, afinal agora eu já era capaz de me lavar sem precisar da ajuda de terceiros – fui pegar as muletas para irmos na nova sessão, mas antes que pudesse pôr as mãos nas muletas, Sakura as pegou. Olhei-lhe sério, o que essa doida pretendia agora?
— Por que você não tenta andar sem elas? – Sugeriu-me com um sorriso.
Olhei para as muletas em suas mãos por alguns segundo e então dei de ombros.
— Ok, se afaste.
Ela saiu de perto indo ficar próxima ao sofá. Respirei fundo uma vez e foquei-me no móvel atrás dela, usando ele como objetivo de chegada. Os dois primeiros passos sem o auxílio foram desengonçados, mas fui com calma, não querendo repetir a queda que tive ao tentar usar a muleta pela primeira vez.
Estava quase alcançando a minha ex-companheira de time, quando dei uma passada em falso me fazendo perder o equilíbrio e consequentemente tropeçar. Caí por cima de Sakura, causando uma confusão de pernas e muletas que escaparam das mãos dela.
Uma de minhas mãos pousara em seu pequeno seio. Sakura me olhou constrangida e somente segundos depois eu dei-me conta do que realmente estava acontecendo. Retirei-a rapidamente dali, porém continuei na mesma posição. Meus olhos focalizaram sua boca semiaberta e pensei em como seria tocar-lhes novamente.
Irresistível.
O aroma adocicado embriagava meus sentidos, fazendo-me chegar ao extremo dos contatos. Sakura dizia coisas que não conseguia discernir, porém pouco interessava suas falas, apenas me concentrei nas madeixas bagunçadas. Inconscientemente lembrei do sonho que fora imaginado minutos antes, será que ele se tornaria real nesse momento?
A resposta seria não, pois essa se contorceu para sair do lugar, levantando-se logo após o contato.
Ótimo, Sakura me brochara novamente. Certamente Shikamaru diria que a situação é no mínimo problemática, e não posso deixar de concordar com aquele preguiçoso filho da puta. Odiava como ele tinha razão sobre as coisas, principalmente quando algumas se estendiam a minha pessoa.
— Sasuke-kun, isso já está saindo do nosso controle. Não quero que fique chateado comigo, mas precisamos voltar ao trabalho. – Ela ameaçou continuar, entretanto, levantei meu polegar até sua boca, lhe interrompendo subitamente.
— Não diga mais nada. – Estava irritado. Muito irritado. – Vamos logo, preciso terminar esse bendito treino de uma vez por todas. Não aguento mais ficar nessa porra de hospital! – O que ela queria que eu dissesse? Era a culpada por todo o inconveniente. Se tivesse continuado calada, seguindo seus próprios instintos, estaríamos vivendo segundos de glória. Mas não, seu precioso trabalho é mais importante.
— Se é assim que deseja. – Pude sentir sua decepção, porém Sakura se manteve inabalável. Havia aprendido com o tempo que ela tornara-se um tanto quanto orgulhosa. Digamos que sempre fora desse modo, mas nunca o mostrara tão abertamente. Ver que utiliza desse sentimento até mesmo na minha presença, é sem dúvidas interessante e irritante.
Tais pensamentos funcionaram como a neblina do fim de tarde, atrapalhavam meu fluxo de ideias e melhor raciocínio. Mas talvez eu estivesse sendo egoísta, pois se estava confuso em relação aos meus sentimentos, como estaria Sakura? Era exagerada até o último fio de cabelo. Conhecendo-a bem, chutaria que essa está a beira de um ataque nervoso.
Problemática.
Problemático.
Problemáticos.
(…)
Depois da pequena discussão, Sakura levou-me até o antigo time sete. Kakashi e Naruto esperavam impacientemente em uma área afastada do hospital. Fiquei surpreso ao observar tal lugar, nunca imaginei que algo assim estaria escondido nas imediações do terreno.
— A princesa chegou, finalmente. – Era a primeira frase que Naruto dissera, porém já gostaria de matá-lo. – Parece melhor. – Observei-o se aproximar. – Está menos pálido do que antes, só espero que a sua bunda continue da mesma cor. Não anda a mostrando por ai, não é? Como da última vez que nos encontramos.
— Agora eu sei o porquê de Sasuke fazer sucesso com as meninas. – Kakashi ria por detrás da máscara. Até ele me zombaria daquela maneira? Deveria permanecer lendo aquele livro pervertido que carregava para todos os lugares.
— Aquilo foi um acidente, que fique bem claro. Se Sakura tivesse me segurado, nada teria acontecido.
— Sakura-chan não tem culpa de nada, Teme. É assim que você a trata depois de tudo que ela está fazendo por você? 'Dattebayo.
— Naruto tem razão, Sasuke. Deveria tratá-la melhor, ainda mais se essa é a mulher que você está tentando conquistar.
— O que? Quem te falou essas baboseiras? – Naruto tentava disfarçar o riso. – Foi você, não é? Seu bastardo! – Aquele fofoqueiro, sem dúvidas o esganaria. Como ousara sair espalhando coisas a meu respeito?
— Larga de ser fresco, Teme. A gente já sabe que você a beijou, Ino nos contou. – Yamanaka filha da mãe. Então era ela que estava por trás de tudo. – Nós o ajudaremos. – Quando eu pedi algo a eles? – Sabemos que você é um paspalho pra essas coisas de relacionamento.
— Até parece que vocês sabem alguma coisa.
— Claro que sabemos. Eu, por exemplo, já.... Li muitos livros. E Naruto pratica com a Hinata. – Naruto com a Hinata? Essa era novidade. Se bem que a Hyuuga sempre gostou dele, mas idiota do jeito que ele é, nunca percebeu. Pelo menos estão se ajustando.
— Precisa ser mais romântico e gentil. Você parece um cavalo, deixa a Sakura-chan se aproximar, mas depois dá um coice. – Segurei seu colarinho, Naruto não me compararia com um animal. – E escovar os dentes de vez em quando, Sasuke. Que bafo dos infernos!
— Ei, ei! Sem brigas. – Kakashi nos afastou para a sorte de Naruto. – Vieram para treinar, se lembram? Tsunade vai nos matar se isso não acontecer.
— Como assim, “vieram para treinar”? Você também não veio pra isso?
— Não. Vim pra observar, vocês que se virem. Se me derem licença, continuarei lendo essa preciosidade. – Kakashi retirou-se e foi até a árvore mais próxima. Ótimo, menos um idiota me atazanando.
— Fica relax, Teme. Só aja com mais paciência e não obrigue-a a fazer nada. Ajeitaremos o terreno. Agora vamos desenferrujar esse seu traseiro!
O treino em si ocorrera sem maiores problemas, fiquei um pouco receoso no começo, porém logo peguei o jeito novamente. Não utilizei tantos jutsus, pois não sentia-me tão confortável assim para utilizar tamanha artimanha. Apenas fiz todas as variações do chidori, sendo elas o eisou, nagashi e senbon. E claro, tendo Naruto como meu maior alvo. Porém, minha preocupação estava em Sakura. Como ela me trataria após o quase beijo?
(…)
Sentei-me no banco que tinha na área do treino e me permiti descansar um pouco, Sakura deveria chegar a qualquer momento para me acompanhar até o bendito quarto. Não tenho vontade alguma em voltar para aquele cubículo neutro e tedioso, mas era algo inevitável. Que saco.
Fechei os olhos e aproveitei o curto tempo que ainda dispunha ao ar livre, o vento roçando no rosto tinha um efeito calmante. Ali, em paz, permiti-me pensar sobre certas coisas que estão me atormentando. Na realidade é uma coisa só. Sakura. Por que as mulheres têm de ser tão complicadas?
Estar ao lado dela era confortável e natural, não precisava me forçar a conversar, ela sabia ficar por perto sem falar nada, e quando havia alguma conversa eu conseguia responder sem ter aquele sentimento de obrigação. Talvez o fato de termos sido do mesmo time, no passado, ajudasse nisso.
O som de passos firmes se fez presente, mas não abri os olhos, sabia de quem eram esses passos, o inconfundível perfume de flores de cerejeira pairava no ar afirmando a presença de Sakura. Um movimento próximo indicou que ela havia se sentado ao meu lado no banco.
Ela permaneceu em silêncio por um tempo e eu não estava a fim de quebrá-lo. Continuamos assim por mais alguns minutos até que ouvi um suspiro. Abri os olhos e me deparei com uma Sakura amuada. Percebendo que lhe observava, ela tratou de mudar a expressão.
Reparei que a postura dela era de inquietação, parecia que queria perguntar algo, mas estava criando coragem. Quando ela se virou para mim sustentei seu olhar e levantei uma sobrancelha, incentivando-a a falar.
— O que você realmente quer de mim, Sasuke-kun?
O que eu quero dela? A pergunta me pegou desprevenido. E como num passe de mágica, a frase de Kakashi estalou em minha mente; “Deveria tratá-la melhor, ainda mais se essa é a mulher que você está tentando conquistar.” Eu estou tentando conquistá-la? Sim, estou. Ou não a teria beijado como fiz, principalmente daquele jeito, nem teria a vontade de quebrar a cara de Hideki em pedaços. Eu queria o bem dela, mas queria o seu bem ao meu lado. Não quero nada dela.
Eu quero ela.
Fiquei pensando na pergunta e não lhe respondi. Sakura tomou o meu silêncio como sinal negativo a sua questão. Ela desviou o olhar e abaixou a cabeça, fazendo seu cabelo criar um muro entre nós, isolando-se de mim. Incomodado com essa observação, peguei as mechas róseas e as coloquei atrás de sua orelha.
— Não aja assim, – falou, irritada. – isso só me machuca mais. Você pode não gostar de mim do mesmo modo que eu gosto de você, mas continuar com isso só vai me dar esperanças, e quando resolver acabar com isso, sou eu quem vai sair machucada.
Sakura apertava a barra de seu jaleco com força, olhava fixamente a frente tentando engolir o choro, mas foi em vão, as lágrimas caíam por suas bochechas. Bufei, não gosto de ver mulheres chorando, fico de mãos atadas quando elas agem assim, e não saber o que fazer me irrita.
— Você é tão cega, Sakura. – Comentei e recebi um olhar bravo por parte dela, indignada com a minha fala. – As mulheres sempre querem demonstrações através de palavras, mas esquecem que por vezes os gestos dizem mais.
Com uma delicadeza não pertencente ao meu comum, virei Sakura. De maneira lenta levei minha testa de encontro a sua, seus olhos ainda marejados expressavam surpresa por conta da atitude impulsiva. Sequei as lágrimas com a ponta dos dedos, desejando silenciosamente que ela ficasse bem.
Céus, essa irritante continuava linda até mesmo chorando.
Encostei minha boca em seus finos e lindos lábios, que sempre me puxavam para dentro de si e logo depois empurraram-me com suas desgostosas palavras. Explorava cada curva de seu atributo, transpassava suas arestas e chupava qualquer canto da saborosa carne. Ela dava tudo de si, forçando-me a dar tudo de mim também.
Agarrava seus cabelos, apalpava seus complementos. Um ritmo frenético, com a nossa melodia e uma tremenda sintonia. O gosto era viciante, seu aroma era viciante. Sakura era viciante.
E Kami, ela era meu começo e fim.
Aquelas estúpidas cartas estavam na mesa, nós apenas estávamos mostrando nossos corações. Nossos quebrados e fodidos corações.
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