Notas iniciais
Olá pessoinhas! Como vão? Estamos um pouquinho atrasadas, mas acreditamos que isso não vá se repetir, por que a querida Ziza está de férias (assim como eu, Khaleesi). Então as postagens podem ocorrer em intervalos mais curtos. Desejamos a todas/todos nós do fandom um feliz Mês SasuSaku!

Sexto Dia

Passei a noite em claro. O fato é que toda aquela tensão do dia anterior me tirara do sério. Estava incomodada, algo parecia me sufocar. Não havia criado uma grande expectativa acerca do encontro, porém as coisas saíram de seu roteiro original. Hideki era um verdadeiro babaca e Sasuke me surpreendera ao estar certo.

O pior de tudo é que me encontraria com o Uchiha nessa manhã. Ele provavelmente olharia com uma cara de superioridade, como se dissesse: “Eu te avisei, sua estúpida!”. Tal ideia me deixava irritadíssima e só fazia com que eu quisesse esconder a falha da última noite. Parecia um ímã de problemas, quanto mais tentava me afastar, mais as coisas pioravam. Não que eu fora sortuda alguma vez na vida, mas nada se encaixava.

Meu cabelo estava desgranhado e meus olhos apresentavam olheiras relativamente fundas. Os Deuses não gostavam muito de mim, afinal. Céus, algo pior poderia acontecer?

Sim, poderia. O beijo de Sasuke.

Além das discussões e decepções que cercavam o enfermeiro, Sasuke não saía da minha mente de maneira alguma. Tentava qualquer coisa, desde lavar pratos até ler um livro, mas nenhum desses passatempos me ajudaram. Era como se alguém tivesse pregado a sua imagem em minhas entranhas, fazendo com que ele fosse uma parte de mim.

Caminhava por entre os corredores do hospital, evitando ao máximo olhar ao meu redor. Algum conhecido provavelmente me reconheceria e sem dúvidas pararia para uma suposta conversa. Dialogar era o que eu menos queria.

Ino trocava informações com uma esguia enfermeira e torci para que ela não me perguntasse sobre o encontro, mas não existia essa alternativa. A porca certamente faria um interrogatório, então comecei a preparar-me para tal. Seria um porre! Repeti a história tantas vezes em minha cabeça que isso já se tornara insuportável.

— Testuda, nem pense em fugir! – Ela gritou autoritária enquanto me via seguir pelo caminho oposto. Merda, ela previra o meu plano de fuga.

Somente bufei em contestação.

— O que você quer? – Perguntei descrente.

— Oras, não seja idiota. É claro que eu quero saber do seu encontro. Como foi?

— Podemos ir pra sua sala? Não quero falar no meio de todos. – Ino pôde pressentir que boa coisa não estava por vir, por isso levou-me até sua pequena sala. Assim poderíamos conversar mais abertamente e sem a interferência de terceiros.

— Anda, me conte. Ele beija mal? É por causa disso que está com essa cara de defunto?

— Antes fosse. – Escondi-me na palma das mãos. – Ele é um machista ordinário. Tratou a garçonete do restaurante como se ela fosse um lixo e ainda por cima disse que a mulher dele deveria ficar em casa, cuidando dos filhos. Eu nunca me relacionaria com alguém assim, cruzes!

— Que bastardo! Se eu soubesse disso nunca teria o apresentado a você. Mas está bem?

— Não, não estou. – Levantei da cadeira raivosa e chorosa. – Minha vida está um caos. Não arranjo um pretendente descente, meu cabelo está horrível, minhas olheiras piores ainda e para completar o Sasuke me beijou! – Disse tudo de uma forma atropelada, como se as palavras estivessem me engasgando.

— O que? Ele te beijou? – Sua expressão era atônica.

— Sim, exatamente isso que você ouviu. – Abracei-a por alguns minutos. Tínhamos várias inconstâncias e desentendimentos, porém Ino sempre seria minha melhor amiga. Ela continuaria lá me protegendo, daria sermões quando necessário e diria que meus defeitos eram a chave final para engatar em um bom relacionamento, pois ninguém vive de aparências.

— Que cena mais fofa! Vou até vomitar um pouco aqui. – A voz de Karin interrompeu o nosso momento.

Ino e eu olhamos para a ruiva que fingia uma cara de enjoada, a careta que tinha fez com que rissemos dela. Karin bem que tentou se manter neutra, mas também rendeu-se as gargalhadas. Era confortável estar na presença dessas duas loucas.

— Posso saber o motivo de invadir a minha sala? – Ino pediu após nos recuperarmos.

— O menino da Sakura pediu produtos de higiene. Ele quer tirar aquela barba. – Karin virou-se para mim com um sorriso malicioso. – E convenhamos, ele fica bem melhor sem ela.

— Ele não é meu menino. – Murmurei, indignada com a observação. Karin e Ino apenas reviraram os olhos.

— Já que a médica particular dele está aqui no hospital, vou deixar por sua conta levar os produtos. – A ruiva deu uns tapinhas no meu ombro. – Ele parece gostar mais da sua presença, Sakura, pois fez uns comentários como se quisesse saber onde você estava.

Sasuke querendo saber onde eu estava? Isso é algo incomum. Como um flash a lembrança do beijo dançou na minha frente. Eu não posso me deixar envolver novamente.

— Por que você não leva, Karin? – Pedi, querendo fugir da presença de Sasuke. Eu certamente não estava num estado apresentável, principalmente para ele.

— Tenho mais coisas a fazer; relatórios para entregar, comidas para beliscar, gatos para paquerar… Não é fácil ser linda e atarefada como eu. – Ela retrucou zombeteira.

Ino apenas sorria, tomando partido da ruiva. Nenhuma ajuda viria dessas duas, o jeito era enfrentar aquele ser que beija incrivelmente bem. Oh céus, tenho que parar com esse tipo de pensamento! Saí da sala a procura do que foi pedido com uma mente confusa por culpa do Uchiha. Maldito.



(…)



Com muito custo consegui abrir a porta, a caixa em meus braços dificultava até a mais simples das tarefas. Empurrando a porta com o quadril, entrei no quarto. Sasuke estava novamente sentado no sofá e tinha em mãos outro livro. Deve ser um Hobby. Ele me observou enquanto deixava as coisas em cima da pequena cômoda branca.

— Karin me avisou que queria se barbear. Aqui está o que precisa. – Falei sem lhe olhar, dirigindo-me para a porta.

— Eu poderia usar alguma coisa dali e fugir, você sabe.

Parei a caminhada, fulminando a porta a minha frente. Ele quer a minha companhia? Ótimo. Sem comentar nada, dei meia volta e escorei-me na parede próxima da porta. Sasuke ergueu uma sobrancelha diante meus movimentos, porém nada disse. Levantou-se vagarosamente e foi em direção a caixa, após pegar alguns objetos o moreno foi para o banheiro. Quando ele passou pela porta eu corri para o sofá e desabei.

Distraidamente, peguei o livro que antes estava em posse do Uchiha. Pela sinopse parecia ser uma investigação policial, repleto de enigmas e ação. Dei um sorriso pequeno, pois o objeto transmitia algo em comum que temos, o gosto por literatura. De repente senti uma curiosidade de saber quais livros ele possuía, se eles eram rabiscados ou não, se haviam poucos ou muitos.

Não sei quanto tempo fiquei divagando sobre essa curiosidade, mas quando olhei para a porta do banheiro, deparei-me com Sasuke me analisando. Seu olhar era difícil de se decifrar, poderia ser aprovação, divertimento ou questionamento. Larguei o livro no sofá de volta onde estava.

Esperei por algum comentário dele, no entanto, nada veio. Ele ficou me olhando silenciosamente por mais um tempo e então virou-se para a caixa, cortando o laço visual. Contemplei-lhe enquanto se movia procurando por algo, senti-me hipnotizada por aquelas costas largas e me peguei pensando em como seria passar as mãos por aqueles músculos escondidos pela camiseta branca.

— Sakura. – O chamado de Sasuke despertou-me.

— Sim?

Ele parou a minha frente estendendo uma tesoura e um pente. Peguei-os por reflexo, mas estava confusa. O que ele queria? Sasuke viu minha confusão e soltou um pequeno bufo.

— Corta para mim? – Pediu-me, levando uma mão ao cabelo negro.

Gostaria de recusar seu convite, mas não me pareceu a coisa certa a se fazer. Simplesmente olhei os materiais por mais alguns segundos, prevendo que esses me trariam memoráveis lembranças. Só não tinha certeza se seriam tão boas assim.

— Tudo bem. – Era uma tarefa simples, só me custaria um curto período de tempo. Pelo menos era o que eu pensava. – Vamos para o banheiro, preciso que molhe seu cabelo.

Sasuke nada respondeu, apenas seguiu para o local indicado e sentou-se no banquinho que o auxiliara nos primeiros dias de internação.

— Você pode tirar a camiseta? – Estremeci ao fazer tal pedido. Definitivamente os astros não conspiravam a meu favor. Só queria ficar longe de Sasuke por algum tempo, acalmar o coração e ter a certeza de que eu não era mais a menininha boba de treze anos. Estar tão próxima dele me fazia alcançar a loucura.

O Uchiha acatou meu pedido, livrando-se do tecido desnecessário que se tornara meu pior inimigo. Os músculos estavam tensos, pude perceber ao depositar uma pequena toalha em seu forte dorso. As linhas do corpo formavam um bonito desenho e lutei bravamente para não lhe tocar a pele. Tão convidativo. Mesmo sendo uma figura tão temida, Sasuke parecia muito frágil. Ainda via aquele adolescente rabugento que buscava por sua vingança, mas que interiormente só precisava de um pouco de paz.

Esperei Sasuke inclinar a cabeça para trás para ligar o chuveirinho e começar a passá-lo por seu desalinhado cabelo. Minhas mãos passeavam por entre as curvas do couro cabeludo, acariciando os fios e hora ou outra deslizando em sua nuca. A sensação era de conforto, e por um momento imaginei o que Sasuke estava pensando. Talvez ele não pensasse nada, apenas achava que eu era uma simples ex-companheira de time.

— Só preciso tirar as pontas? – Quebrei aquele silêncio quase impermeável.

— Não, – virou o rosto ligeiramente. – precisa acertar o corte também. – Sasuke me provocava. Aquele maldito não acreditava no meu potencial feminino. Fingi o ignorar e continuei meu trabalho.

Após secar um pouco o cabelo com a toalha, peguei a tesoura que deixei na pia e comecei a desfiar os escuros fios. Aquilo parecia tão natural, no entanto, nunca havia feito algo parecido em toda a minha vida. Olhei para Sasuke mais uma vez e imaginei uma criança em seu lugar. Eu poderia ser uma boa mãe, afinal. Cuidaria de meus filhos assim como minha me ensinara, com paciência, determinação e o mais importante, amor. Entretanto, essa ideia era tão distante. Não deveria pensar em nada relacionado a isso, pois somente deixava-me mais deprimida. Nunca me casaria, eu não completava ninguém.

Uma parte de seu cabelo se espalhava pelo chão e inevitavelmente eu me lembrei da Floresta da Morte. O lugar onde floresci. Instantes tristes, mas que mudaram-me de forma profunda. Uma adolescente fútil, que não sabia nada da vida, porém achava-se dona do mundo.

— Sasuke-kun, – chamei-o esperando que ele se virasse. – terminei. – Sorri. Como alguém podia ser tão bonito?

Levantou-se logo depois e se postou de frente ao espelho. Ele sorria também, tímido, mas verdadeiro. Os olhos apresentavam um brilho diferente, semelhante a pureza de uma criança.

— Hn, – começou dizendo. – você é a segunda pessoa que consegue acertar o corte de meu cabelo.

— Quem foi a primeira? – Indaguei curiosa.

— Minha mãe.

Era mais uma das muitas vezes que Sasuke me fazia chorar.



(…)



Fechei o último relatório com um suspiro cansado. Minhas costas reclamavam da noite mal dormida e das horas que passei sentada na mesma posição, examinando os casos dos pacientes. Estava enfiada em minha sala à aproximadamente duas horas, aproveitando o tempo de duração das sessões de Sasuke, para diminuir a pilha que se acumulava sob a mesa.

Outra razão de ter me isolado, foi para não ter de encontrar com Hideki pelos corredores. Não me arrependia das palavras que falei, coloquei o que pensava para fora, mas agora pensando com mais calma, dei-me conta de que não deveria ter sido tão explosiva.

Ajeitei meu jaleco enquanto levantava-me, afinal a sessão já deve ter acabado e minha função como vigia de Sasuke exigia que lhe acompanhasse onde quer que fosse. Andei pelos corredores distraidamente, pensando se daria ou não um passeio pelo jardim interno com ele, pois ficar isolado num quarto é deprimente.

Quando cheguei na porta do local onde o Uchiha estava, acabei esbarrando em alguém. Virei-me com um pedido de desculpas na ponta da língua, porém emudeci assim que reconheci a pessoa. Hideki. O ruivo me olhava espantado e com uma pontinha de raiva.

— Algo errado por aqui? – A voz de Sasuke atrapalhou, felizmente, o momento.

— Nada, – Hideki respondeu seco. – apenas esbarrei na Senhorita Haruno. Perdão. – Concluiu olhando-me.

Sem conseguir soltar uma palavra diante o clima tenso, apenas assenti com a cabeça. Sasuke se aproximou de mim, prostrando-se ao meu lado numa pose que poderia ser classificada como protetora. O olhar de Hideki foi de mim para o moreno, acusatório.

— Ela aceitou suas desculpas, já pode ir. – Sasuke informou.

— Já imaginava algo assim… – o enfermeiro murmurou. – Faça bom proveito, meu caro. Essa daí só tem cara de santa, porém é igual essas vagabundas que encontramos por aí. – Terminou com um sorriso malicioso direcionado a mim.

Oh céus, ele descobriu.

Lágrimas vieram aos meus olhos e ameaçavam cair. Como ele ficou sabendo disso? As poucas pessoas que tinham conhecimento eram Ino, Karin, Sasuke, Akira e eu. A única opção que me vinha a cabeça era de que Akira falou para alguém e que acabou chegando aos ouvidos de Hideki.

Olhei para Sasuke e espantei-me com o olhar raivoso que ele direcionava para o enfermeiro. Então seu punho foi de encontro com o queixo do outro, um golpe forte e certeiro fazendo o ruivo estatelar-se no chão.

— Escute bem, seu bosta, se abrir essa sua boca para falar dela assim novamente, vou garantir que você não irá abri-la mais.

Hideki ainda teve a petulância de rir enquanto se levantava, massageando o queixo.

— Vocês se completam; o traidor da vila e sua concubina! – Caçoou rindo. Ele abriu os braços e cursou-se para nós antes de virar e seguir pelo corredor.

Sasuke olhava-me preocupado, porém não falou uma palavra sequer. Eu sentia que ele não sabia o que realmente fazer. Não era de sua rotina consolar uma mulher ofendida, já fizera mais do que o necessário. Agradecia pelo soco, só não fora melhor porque eu não o havia dado.

— Obrigada, Sasuke-kun. – Minhas palavras eram sinceras.

O Uchiha andou vagarosamente em minha direção, parecia tomar coragem para executar algo. A cena movimentou-se com lentidão, os fios rebeldes balançavam, emoldurando seu fino rosto e as mãos se exercitavam em um vai e vem constante. Finalmente parou a jornada e se colocou ao meu extremo.

Não pude raciocinar com tamanha exatidão, pois o que viera a seguir me deixara desnorteada. Sasuke beijava minha testa e somado ao ato, ele passava suas firmes mãos por todo o meu dorso. Nunca senti-me tão segura, poderia ficar naquela posição durante anos. Seu cheiro amadeirado me embriagava, e a maneira como posicionava seus braços ao meu redor fizera-me questionar como estava o nosso relacionamento. Éramos amigos ou existia algo mais?

Ele afastou-se de mim minutos depois, mas aquilo não agradou-me de maneira alguma.

— Você não se importa com o que ele disse, não é mesmo? – Seu tom de voz era grave e meus pelos se eriçaram em oposição.

— Por que eu não me importaria? – Funguei chorosa.

— Porque eu não me importo. – Deu seu costumeiro sorriso sarcástico e virou-se para o corredor, assim como Hideki fizera antes.

O que ele queria dizer com isso? Meu peito estava em um ritmo frenético.

Do mesmo modo que existe um olho para cada beleza, também temos um coração para cada amor. Não sabia ao certo se o coração de Sasuke receberia o meu, entretanto sabia perfeitamente que meu amor desejava o seu.

Notas finais
Obs: Akira é o nome do antigo caso amoro da Sakura. Então, o que acharam desse capítulo? Eu particularmente a-d-o-r-e-i o soco do Sasuke, rsrs. E vocês, qual foi o ponto que mais lhes chamou atenção? Estamos aguardando os reviews de todos, e saibam que amamos respondê-los. Vocês são uns amores e nos motivam cada vez mais a continuar com a fanfic. Até o próximo. Beijos.