Notas iniciais
Olá pessoas! Quem vos fala é a Khaleesi, rsrs. Gostaria de agradecer a todos os reviews que tivemos no capítulo passado! Vocês são uns amores, e fizeram destas duas autoras aqui muito felizes! Vou confessar que não esperávamos um resultado tão bom como este em um capítulo: 62 acompanhamentos e 20 favoritos! Obrigada mesmo! E quanto aos leitores fantasmas, peço humildemente que deixem para nós um "Oi" nos comentários, dizendo o que gostaram do capítulo, e do que não gostaram. Sem mais delongas, Boa Leitura.

Segundo dia.

Sasuke irritava-me de maneira absurda. Não que ajudá-lo fosse um favor, até porque esse era o meu trabalho, porém, ele não estava facilitando. Colocava-se na esquiva para logo depois avançar como um predador faminto. Eu realmente não conseguia entendê-lo, entretanto, se ele fazia questão de me tratar como uma criança, eu faria o mesmo.

Tentava de todas as maneiras possíveis mostrar-me indiferente, todavia Sasuke ainda possuía um tremendo poder sobre mim. Quando olhava-me com aqueles olhos dissimulados e negros, sentia-me em uma espécie de paraíso. Mas eu sabia que meus sentimentos eram traiçoeiros, pois Sasuke conhecera o inferno e estava muito longe de assemelhar-se ao céu.

Eu andava por entre os corredores do hospital, descrente de que meu dia poderia melhorar. Estava sobrecarregada de trabalho e via minha juventude passar em um estalar de dedos. Entretanto eu não importava-me com isso, há anos gastava meu tempo em prol do hospital, ciente de que minhas restrições valeriam a pena. Não há nada melhor do que receber um sorriso de agradecimento.

— Sakura-chan! – Naruto gritava de forma espalhafatosa, chamando a atenção de todos os presentes. Custava-lhe tanto assim ser um pouco discreto? Que diabos, ele parecia uma criança!

— Naruto. – Dei uma simples inclinada, cumprimentando-o, para então revirar os olhos.

Ele começou a arreganhar sua boca, mostrando aquele sorriso costumeiro, e nesse momento eu sabia de uma coisa: Naruto iria me perguntar sobre o maldito do Uchiha. Que um raio o parta.

— E então, como o Teme está? – Uma mescla de provocação e curiosidade estampavam seus olhos, dando-me uma maior vontade de os arrancar e fazer uma bela sopa. Naruto fazia de propósito, deixando muito claro suas intenções de juntar-me com aquele que não deve ser anunciado. Uchiha e Uzumaki, farinhas do mesmo saco.

— Porque não pergunta isso pessoalmente? Pra ele! – Fiz questão de enfatizar a última frase e ele se fez de desentendido. Talvez, eu estivesse errada. Naruto é uma anta mesmo.

— Pra que tanto mau humor, Sakura-chan? – Pronunciava meu nome separadamente. – Você sabe como o Sasuke é, tenha paciência. – Entretanto, agora ele mudara drasticamente de posição. Estava sério, com o maxilar avantajado, dando-lhe um ar mais adulto e experiente. Naruto não falara mais nada, porém, eu sabia exatamente o que se passava por sua cabeça.

Sasuke nunca fora uma pessoa fácil de se lidar, ele tinha uma pitada de tristeza e agressividade esculpidas em seu interior, todavia não o culpávamos por seu comportamento. Muitas vezes sentíamos uma necessidade profunda de perguntar-lhe o porque dele não se abrir conosco, mas logo nos repreendíamos. O respeitávamos de forma excessiva. E não devido a sua descendência, ou algo paralelo, porém, porque ele merecia.

Em um instante você tem tudo, e no outro já não possui mais nada.

— Eu vou tentar. – Disse bufando. – Mas não lhe prometo nada. – Entretanto eu sabia que havia feito uma promessa, e deveria honrar minhas palavras. Não pelo Sasuke. Mas por Naruto, que no decorrer dos anos alcançou alvos impossíveis somente para ver a felicidade de sua melhor amiga.

— É assim que se fala, 'dattebayo. – E dizendo isso ele se afastou, deixando-me sozinha com os meus fantasmas.

Ou simplesmente, com Sasuke Uchiha.



(…)



Depois de tanto relutar, finalmente havia decidido ir até o quarto de Sasuke. Sabia que provavelmente ele infernizaria alguma enfermeira ou desestimularia uma suposta conversar com seus intermináveis huns”. Caminhei até a porta e respirei fundo algumas vezes, tentando recuperar meu autocontrole. Após alguns segundos encerrei o exercício, certificando-me de que estava em perfeito estado. Merda, a quem eu enganaria? Minhas mãos tremiam e só de imaginar uma aproximação, ficava nervosa. Enchi meu peito mais uma vez para logo entrar, sem importar-me com as consequências.

E então eu senti seu olhar sobre mim.

Me analisava minuciosamente, decorando, como se estivesse a espera de um desalinho meu.

— Como vai, Sasuke? – Tentei perguntar de forma firme, o mais impessoal possível. Ele nem teve o trabalho de responder-me, somente soltou um ruído e virou-se para o outro lado. Sasuke não facilitaria mesmo. – Daremos um passeio pelo hospital. – Olhou-me novamente, indignado. Como se eu estivesse ferindo seu ego. – Você precisa recuperar seus movimentos gradativamente, por isso andará com o auxílio de uma muleta.

— Que seja. – Levantou uma parte de seu corpo, sentando-se na cama. – Pode me ajudar? – Ele mostrou-se educado pela primeira vez e aquilo surpreendeu-me de forma positiva, porém, eu não deixaria transparecer. Continuaria com a pose de profissional.

As muletas estavam encostadas no pequeno sofá e peguei-as antes de ir até ele.

Sasuke desconcertou-se ao tocar em minhas mãos e perdi o fôlego durante alguns segundos. O choque de olhares foi inevitável e xinguei-me mentalmente por perder o controle diante dele. Eu não poderia voltar a ser aquela garotinha de doze anos apaixonada, que fazia de tudo para ser notada pelo prodígio Uchiha mais novo. Entretanto essa missão estava tornando-se ainda mais complicada, pois a Sakura Haruno daquele tempo ainda habitava em mim. Não completamente, eu havia amadurecido muito ao longo dos anos, mas matá-la, é como tirar um pedaço de mim.

— Tenha cuidado, Sasuke-kun. Essas muletas são difíceis de manusear. – Eu não estava debochando de sua capacidade, simplesmente dizia a verdade.

— Tem certeza? Para alguém que vive caindo tudo parece muito difícil. – E ele sorriu daquele jeito infernal que eu conhecia tão bem, lembrando-me do episódio anterior.

— Se você diz. – Um bico se instalara em minhas feições, dando a certeza de que eu ainda possuía uma mentalidade genuinamente infantil. Pelo menos em alguns casos. Diabos! Sasuke me tirava dos eixos.

Ele pareceu acostumar-se com o novo acessório, apalpando e segurando o mesmo. E eu não pude deixar de reparar o quão bonito ele estava. Sua barba havia crescido de maneira considerável, deixando-o mais maduro do que realmente era. Algumas linhas de expressão faziam-se presentes em seus olhos e peguei-me imaginando como Sasuke ficaria no futuro. As mãos estavam maiores e algumas cicatrizes evidenciavam a árdua rotina que levava. Possuía costas largas e um abdômen terrivelmente desenvolvido para a idade, contribuindo ainda mais para a masculinidade que ele exalava.

Impecável.

Porém toda a pose imperial que ele conseguia manter mesmo com as muletas, foi-se embora em questão de segundos. Como? Com a mania dele em não ouvir o que os outros falam, tentando mostrar-se independente em qualquer situação. Sasuke colocou peso demais em uma das muletas, não harmonizando o equilíbrio entre os instrumentos, e ao tentar dar um passo quase beijou o chão.

Rapidamente agachei-me a sua frente parando a queda, segurando seu tronco e o apoiando nos ombros. Ouvi seu muxoxo indignado, aparentemente alguém não gostou de passar por papel de bobo. Abafando uma risada comecei a levantá-lo; sua posição era no mínimo constrangedora, a bunda ficou empinada e à mostra por conta da roupa hospitalar.

— Yo Teme – A voz alegre de Naruto adentrou no recinto, mas logo foi substituída por uma gargalhada. Espiando por cima do ombro esquerdo de Sasuke, vi o loiro segurando a barriga e dobrando-se de tanto rir. – Agora sei por que as garotas caem por você, Teme. Que bundão!

O rosto de Sasuke ficou vermelho e depois roxo, era possível sentir sua vergonha e raiva por ter sido posto em uma situação e posição como esta. Pelo olhar que lançava, sem dúvidas me culpava. Eu avisei, mas você não me ouviu. Queria dizer esta frase, porém me faltava fôlego de prender a risada. Então mantendo a postura de profissional e com uma máscara de indiferença, o ajudei a se erguer.

— Existe cueca neste hospital?

Que a roupa usada pelos pacientes era incomodo, não era novidade. Muitos se sentiam envergonhados, bravos ou injustiçados por ficarem sem uma devida proteção nas partes íntimas, e por causa disso em algumas ocasiões, após determinados dias, era permitido o uso de tal peça. Porém no caso de Sasuke não.

— Existe – Respondi-o, e vendo sua cara de alívio logo completei. – No seu caso recomendaria uma fralda. – Indiquei a tala que apoiava sua perna direita, dificilmente uma cueca passaria por ali.

— Se isso acontecer, Sakura-chan, me avise que vou tirar uma foto. – Naruto zombou.

— Calado! – Esbravejou meu ex-companheiro de time. – De jeito nenhum vou usar uma fralda! – Exclamou, desta vez para mim.

Ergui as mãos em sinal de redenção, como se ele tivesse ganho alguma disputa.

— Naruto, poderia pegar uma cadeira de rodas? Peça para Shizune te ajudar se tiver dificuldades em encontrar uma. – Pedi.

O loiro prontamente assentiu e saiu correndo do quarto. Sasuke aparentemente também entendeu que tentar ir até a sala de recuperação com as muletas, seria desastroso. Por mais raiva que estivesse dele, o pouparia de vergonhas desnecessárias. Apesar de que algumas as vezes auxiliavam-no a desinflar esse ego Uchiha.

Após sentá-lo novamente na cama, com cuidado para não machucar sua perna, me direcionei ao pequeno e desconfortável sofá. Suspirei levemente ao lembrar-me da pilha de papéis com relatórios a serem lidos, em minha mesa. Cuidar deste teimoso estava custando um tempo precioso.

Mas eu sabia dos riscos quando prontifiquei-me para o trabalho. Na verdade, não fora algo tão espontâneo, Tsunade o designara para mim e os faria sem maiores problemas. Ou, pelo menos, era o que eu pensava. A situação tornara-se muito mais complexa do que imaginava e estava envolvendo-me além do que deveria. A recuperação de Sasuke transformara-se em algo pessoal.

Apesar da personalidade fechada que ele adquirira com o tempo, eu via a persistência em seu olhar e deleitava-me com sua ambição de caminhar novamente. E fora por esse Sasuke que apaixonei-me anos atrás, que apresentava um desejo de vingança absurdo, entretanto, que ultrapassava seus limites pelo bem comum. Por seus amigos.



(…)



Havíamos treinado intensamente durante toda a tarde. Sasuke parecia mais familiarizado com os seus novos auxiliares e arriscou-se em alguns passos. Muito bem proferidos, aliás. Ele aprendia rápido. Naruto nos acompanhou por algum tempo, sempre fazendo comentários desnecessários, mas que amenizavam o clima pesado do hospital. Logo depois, ele disse que iria até a casa de Hinata e a convidaria para um passeio. Há tempos conversávamos sobre a herdeira dos Hyuuga e cada vez mais ele mostrava-se interessado.

A realidade, é que Naruto estava confuso. Ele sempre fora muito maduro para questões sociais, porém, imaturo no quesito romântico. Dizem que os meninos levam um tempo maior para amadurecem totalmente, e eu acreditava fielmente nessa tese. Acompanhava de perto seu desenvolvimento e observava suas reações atípicas. Só precisava de um empurrão e eu certamente faria isso.

E então, após essa massante jornada, eu e Sasuke ficamos sozinhos. Sem assunto ou qualquer resquício de fagulhas. Estávamos cansados demais para trocar elogios, e decidi por hora, concentrar-me nos relatórios que estavam a espera.

Me revirei um pouco no pequeno sofá, tentando achar uma posição relativamente confortável, todavia, o móvel conspirava contra mim. Em um desses contornos, deparei-me com a figura de Sasuke. Ele permanecia com os olhos fechados, sereno e sua respiração parecia mais tranquila do que a habitual.

Percebi que estava descoberto, então fui ao seu encontro. Depositei uma fina manta em seu corpo e acabei perdendo-me nas feições masculinas. Havia uma vontade enorme de tomar-lhe os lábios, mas a ideia era tão embaraçosa que tratei de tirá-la da cabeça. Entretanto, a boca fina se entreabriu, tornando o desejo ainda maior. Balancei as mãos em descontentamento para logo sentar-me novamente.

Você está louca, Sakura.

Fiquei imóvel por mais alguns minutos, me certificando de que tudo estava sob controle. Mas afinal, qual era o propósito de tudo aquilo? Ter a certeza de que eu havia me tornado uma ótima profissional e sobretudo uma mulher? Em partes, estava feliz com meu desempenho. É claro que não trata-se de uma pesquisa, a qual pode-se calcular o resultado. Mas sim dos meus sentimentos e sempre levei-os muito a sério. Qualquer pessoa que me conhecesse, mesmo de forma superficial, saberia disso.

Só queria encontrar respostas.

Talvez, eu nunca as encontre.

Assim como os meus pensamentos, o sono chegou de forma arrebatadora, tomando-me por completo. E a única coisa que consegui pensar antes de dormir, é que se fossemos feitos de água, eu provavelmente seria uma garoa. E Sasuke uma tempestade.

O segundo dia acabou dessa forma, com mais perguntas do que respostas.

Notas finais
Então, o que acharam deste capítulo? Percebam que a nossa Sakura está um pouco confusa, e que ainda existe a pequena Sakura apaixonada. Será que a antiga Sakura pode aparecer e conturbar um pouco as coisas? Rsrs Gostaria de pedir se conseguiram entender como vão ser intercalados os capítulos: Primeiro Dia (Sasuke); Segundo Dia (Sakura); Terceiro Dia (Sasuke)... E assim vai indo. Esperamos ansiosamente seus reviews! Fantasminhas apareçam! E as pessoas lindas do capítulo passado também! Beijos. Até o próximo.