Notas iniciais
Oi, gente! Aqui é a Ziza. Cara... Vocês são fodas. Como podemos agradecer? Obrigada pelos reviews, puxões de orelha, elogios. Mas especialmente a vocês: Masumi, Miss Singularity e Primrose. Que recomendações, em?! Tiraram nosso eixo. Portanto este capítulo é dedicado a vocês! Esse capítulo está foda demais, esperamos que aproveitem! Boa leitura. Obs. Temos uma surpresa nas notas finais.

Quinto Dia.

Finalmente.

Estava devorando com os olhos a bandeja com comida que entrava no quarto. O cheiro apetitoso viajava pelo cômodo, fazendo aumentar minha fome. Enfim iam servir algo que sustente meu estômago cansado de sopas sem sal. No momento que Sakura pousou a bandeja em meu colo, larguei o livro e me dediquei a tarefa de consumir todo o conteúdo dali.

Para minha tristeza a comida acabou rápido demais. Fiquei olhando o prato esperando que mais comida aparecesse ali, até que ouvi uma risada. Sakura estava apoiada na parede e me olhava com diversão. Ela estava livre de qualquer maquiagem e usava o cabelo preso num rabo-de-cavalo. O penteado que gosto.

— Não deveria comer tão rápido assim, pode ficar com o estômago revoltado. – Disse-me calmamente enquanto recolhia a bandeja.

— Ele fica revoltado é com aquela sopa horrorosa.

Sakura deu outra risada. Tinha sido assim pela manhã toda, ela ficava sorrindo e não se importava com algum zombamento ocasional que eu fazia. O motivo só podia ser o bendito encontro com o bendito enfermeiro. Bufei lembrando de como ela tinha ficado aérea após a proposta, parecendo uma adolescente.

O que esse ruivo tem de tão especial para deixar ela daquele modo? Francamente, a Sakura que conheço não ficaria tão idiota assim por outro cara. Ou ficaria? Essas perguntas zuniam na minha cabeça, me fazendo ignorar o meu redor que mal registrei a entrada de outra pessoa no quarto. Voltei a realidade com Tsunade estalando os dedos na minha frente.

— Dormindo acordado, Sasuke?

— Apenas pensando. – Respondi.

A loira ficou me olhando esperando por mais alguma explicação, porém apenas mantive o contato visual com ela, indicando que não sairia mais nada da minha boca. Mulheres! Sempre querendo saber de tudo!

— Tenho uma boa notícia para te dar, – anunciou-a de modo calmo, observando minhas reações. Por favor, que seja uma alta. – mas não é isso que você está pensando, Sasuke. – Murchei visivelmente, fazendo-a dar um sorriso de canto. – Decidimos que a sua perna já não precisa de um apoio, pois tem progredido na recuperação dos movimentos. Claro que ainda precisa ficar sob observação por conta da fadiga muscular e sobre os pontos de chakra, apesar de a maioria já ter voltado ao normal.

Essa era uma ótima notícia. Sair do hospital parecia algo muito mais satisfatório, porém me contentaria com aquilo. Ou melhor, com o resultado de meu trabalho. Antes mesmo de ferir-me em batalha, acreditava que a função de um médico era simples. Cuidar de pessoas feridas, o que isso possuía de tão especial? Apenas após presenciar e observar tais fundamentos é que pude ver o valor da profissão. Sakura teria o meu agradecimento, talvez eu não conseguisse sem ela.

— Sasuke? – Sakura mexia as mãos de maneira esquisita enquanto tentava chamar a minha atenção.

— O que foi?

— Tsunade-shishou foi embora dizendo que você é um moleque bastardo. – Ela copiava as asneiras de Naruto, pois coçava a nuca de maneira semelhante. Dois idiotas. – Vejo que não está muito bem hoje, Sasuke-kun. – Suspirou.– Pelo menos ela deu-me algumas instruções. Pela parte da tarde daremos um passeio pelo hospital, você precisa desenferrujar as pernas! – Haruno sorriu mais uma vez. Sua boca movimentava-se de forma lenta e sedutora, fazendo-me apreciar ainda mais os lábios finos e róseos. Porém, logo lembrei do motivo de tamanha excitação.

Ela sairia com aquele enfermeiro miserável. Filho da puta!

Eu, definitivamente, não estava com ciúmes da minha ex-companheira de time, entretanto, aos meus olhos ela era muito ingênua e ele poderia querer algo a mais. Coisa que Sakura não poderia oferecer, pois seria julgada de um jeito rude pelos cidadãos da vila. Konoha era lar de um ninho de cobras, somente gostaria de protegê-la. Era isso que amigos faziam, não é mesmo?! Pelo menos eu pensava dessa forma.

— Que seja.

Já que não poderia fugir da tarefa, trataria de fazê-la o mais rápido possível. Várias pessoas daquele hospital faziam questão de mostrar-me o quanto não gostavam de mim. Certamente pelo meu passado, ou até mesmo por ser responsável pela ida de alguns ao hospital. Simplesmente não me importava, mas aquilo era tão desnecessário. Preferia ficar sozinho em meu quarto, sem sombra de dúvidas.

— Visitarei alguns de meus pacientes, mas serei breve. Logo volto para começarmos a caminhada, tudo bem? – Assenti e a rosada retirou-se.

Na escuridão, mais uma vez.

(…)

Céus, como minhas pernas doíam. Quem diria que uma curta caminhada pelos corredores para chegarmos ao jardim interno do hospital seria tão cansativo. Tentei sentar de modo elegante no banco, mas devo ter falhado pelo olhar divertido da rosada. Bufando de cansaço e frustração comecei a observar o jardim.

O quadrado recheado de árvores e flores não era muito extenso, afinal ficava bem no coração da construção. O local era aconchegante ao seu modo, a leve brisa que soprava ali trazia o perfume das flores, adoçando o clima. Sakura estava visivelmente feliz em estar ali, o sorriso de seu rosto estava diferente dos que vi hoje.

— Acredito que a sua estadia aqui não vá durar mais que quatro dias, Sasuke. – Comentou-a escorando-se numa árvore próxima.

— Hm. – Não queria demonstrar meu alívio em sair dali.

Observando uma árvore a esmo permiti que alguns pensamentos confusos me viessem a mente. Já fazia um dia que me peguei imaginando como seria minha volta para casa; solidão, missões, conservas raras com Naruto, conversas ainda mais raras com Sakura e mais missões. Parte de mim gosta dessa rotina, mas a contraparte não.

Mesmo não querendo admitir, sei que sentirei falta de alfinetar Sakura. Nestes dias que passamos em um convívio mais próximo, ela se tornou uma companhia de presença fácil apesar das brigas infantis. Era quase como relembrar os tempos do Time 7.

Estou ficando melancólico.

Balancei a cabeça para espantar os pensamentos e flagrei uma figura pela visão periférica. Hideki. Ele estava passeando por um dos corredores que circundavam o jardim, parecia concentrado em sua prancheta e não notou uma rosada área lhe observar, mas eu percebi.

— Precisa de um babador?

Recebi uma revirada de olhos como resposta.

Levantei-me do banco e dei alguns passos na direção contrária ao enfermeiro.

— O objetivo era uma caminhada no jardim, mas acho que você usou como desculpa para vê-lo. – Comentei continuando a caminhar.

— Se sentindo usado? – Retorquiu-a.

— Não, porém você irá. – Acrescentei.

Ouvi as passadas rápidas dela indicando que me seguia, não demorou muito para que caminhasse ao meu lado com um semblante de indignação.

— Pelo jeito você acha impossível alguém se sentir atraído por mim, não é?

Revirando os olhos parei o trajeto e virei-me de frente a Sakura.

— Está enganada. Devem existir vários homens atraídos por você em Konoha, afinal você não é feia, – Sakura me encarou tentando descobrir se o que falei era um elogio ou não. – mas caras como aquele enfermeiro não são atraídos por beleza ou personalidades, eles fingem estar para conseguirem o que realmente querem. Sou um homem também, Sakura, sei dessas coisas.

— Pois você é quem está enganado. Hideki não viria atrás de mim apenas para ter uma noite fogosa, você está é incomodado por eu sair com alguém e fica inventando motivos descabidos para me desencorajar.

Teimosa!

Bufando de raiva por ela ser tão cabeça dura e ignorante, dei-lhe as costas e fui em direção ao corredor. Sakura pode teimar o quanto quiser, mas no fundo, continua sendo uma adolescente ingênua que acredita no melhor das pessoas e é incapaz de ver os defeitos e maldades que temos.

Aquele paspalho não me engana, só vai querer se aproveitar e brincar com ela e quando cansar vai jogá-la fora. E, Deuses, as pessoas aqui de Konoha são preconceituosas até o âmago e não demorariam a julgá-la e recriminá-la.

Posso até estar confuso com as palavras de Karin, mas sei que não quero ver a minha ex-companheira sofrendo por causa de um idiota. Quase ri do meu pensamento, afinal até pouco tempo atrás era eu quem a fazia sofrer. O mundo realmente dá voltas.

Após um tempo, Sakura apareceu novamente ao meu lado e me ajudou a voltar para meu quarto. Não trocamos uma palavra sequer além do necessário e assim que estive acomodado de novo na cama, ela arrumou alguma desculpa, que nem dei ao trabalho de prestar atenção, e saiu para longe de minha presença.

(…)

Ainda não estava em minha perfeita forma física, pois quase todo esforço me tirava o fôlego. A caminhada fora um exercício bem intenso e precisava de tempo para recuperar-me. Parecia um moleque iniciante. Esse meu estado temporário poderia estar com os dias contados, entretanto, percorria a metade de sua jornada. O desconforto em ficar no quarto do hospital ainda era bem evidente, suas paredes passavam uma sensação tediosa, mas ao tempo sufocante. O branco cegava-me aos poucos e por mais que procura-se outras cores no cômodo, nada ajudava-me de alguma maneira. Bege, gelo, azul-claro, rosa. Tons fodidamente irritantes.

Rosa? Não lembrava-me dessa cor decorando o local.

Ah, Sakura. Ela estava parada na porta me olhando com reprovação por estar sentado no sofá, em vez de deitado na cama.

— Sasuke, – ela suspirou. – era pra você estar deitado. Quando se está dessa forma, a circulação é mais eficiente. Você sabe disso, mas ignora sempre. – Sakura não estava irritada, na verdade, falava de um jeito bem mais calmo do que o habitual.

Nada respondi, apenas continuei visualizando-a. Ela fizera um penteado diferente em seu cabelo, não apresentava o movimento de sempre, mas uma trança frouxa enlaçava-o. A franja caía no fino rosto, dando-lhe um ar mais… Angelical.

Porra, acho que estava convivendo muito com o meu antigo time, as asneiras já circulavam em minha mente. Angelical? Tsc. Precisava ir para um hospício, isso sim.

— Você já vai? – Não pude deixar de perguntar, a curiosidade estava comendo-me vivo.

— Vou aonde? – Sakura provocava-me. Ela gostaria de ouvir as palavras da minha boca, mas estava enganada, eu não diria o nome daquele homem mais uma vez.

— Não se faça de sonsa. – Já podia sentir a vermelhidão tomando conta do meu rosto, Sakura tirava-me dos eixos. Menina insolente!

Olhou-me mais uma vez para então cair na risada. Havia contado uma piada por acaso?

— Você é engraçado sem perceber, Sasuke. Precisava ver a sua cara! – Rendera-se ao riso novamente.

Eu não deixaria barato. Aguentei situações extremas nesse meio tempo e tentei sempre controlar-me para não ofender alguém sem necessidade, porém isso eu não aguentaria. Ninguém tirava sarro de Uchiha Sasuke, ninguém! Sakura não seria a primeira. Não mesmo. Por isso tratei logo de levantar-me do sofá, estava machucado mas não inválido.

E o pior de tudo, aquela criatura continuava rindo.

— Escute aqui, Sakura. – Segurei seu pulso e então ela olhou-me assustada. Não me via irritado de verdade há tempos. – Posso permitir que você me dê banho e até mesmo que me dê sermões, mas me tratar como se eu fosse um idiota, isso não permito!

— E o que você vai fazer? Me bater? – Sakura já não apresentava medo em seu olhar, o sentimento fora substituído por uma chama ardente de coragem.

— Você é ridícula. – Simplesmente beijei-a.

Sakura pareceu surpresa no começo, mas logo rendeu-se as carícias. O beijo era verdadeiro e fez-me sentir vivo mais uma vez. Ela agarrava meu cabelo, pressionava-me e me envolvia com seu aroma doce. Algo tão necessitado. Correspondi a altura, pois precisava daquilo tanto quanto ela. Apalpava todo o seu rosto, a fina cintura, mãos macias. Um ato tão descabido e irracional, mas que significava tantas coisas.

Eu não sabia ao certo o que fazer ou dizer, somente apreciava aquele momento como se fosse o único.

Pude ouvir seus gemidos em resposta e sorri com tal gesto. Me enchia de prazer o fato de ela desejar-me intensamente. Sabia que possuía um poder enorme sobre Sakura, porém nunca cansava-me de saber. Encostei-a na parede e ergui de leve o pano que cobria sua pele, as pernas não eram grossas mas tinham uma sensualidade fora do comum. Infelizmente, segundos depois ela afastou-me.

— Sasuke, isso não é certo. Me solte, por favor.

— E porque seria errado? Errado é você procurar-me em outros braços.

— Por favor. – Ela pediu-me de novo, mas agora apresentava lágrimas nos olhos. Soltei-a logo depois, não gostava de vê-la assim. Eu não era o cara mais sensível do mundo e nem o crápula que todos achavam.

Sakura desamassou sua roupa e tratou de livrar-se do choro, entretanto, ouvi claramente seus soluços quando ela retirou-se do quarto. Encostei-me na parede novamente e afundei meu rosto nas largas mãos.

Nada estava certo, nós não éramos certos. Mas o errôneo nunca pareceu-me tão desejável.

Notas finais
Para tudo! Eles se beijaram! Chamem os bombeiros hahahhahaha Eu amei, amei, amei esse capítulo. Foi o mais especial, com toda a certeza. Agora a surpresa... Vocês sabem que a fanfic terá 10 capítulos, né?! Então, eu e a Khaleesi decidimos fazer um extra. Nele mostraremos o encontro completo da Sakura com o Hideki. Nos vemos em breve. Kissus no kokoro! Ziza e Khaleesi.