10 Dias Com Ela

6 Capítulo Extra: Encontro


Notas iniciais
Olá pessoinhas! Como prometido aqui está o capítulo extra!! Ebaa. Vale lembrar que por ser um capítulo "a parte" da fanfic, algumas coisinhas que foram deixadas no ar no capítulo passado não serão explicadas aqui, e sim no próximo. Gostaríamos de agradecer do fundo do nosso coração a todos que favoritaram, comentaram, recomendaram e acompanham a nossa estória! Vocês nos incentivam a continuar escrevendo com todo gás. Sem mais delongas, desejo-lhes uma boa leitura.

Capítulo Extra – Encontro



Estava exausta, mas também muito animada. O plantão fora um pouco mais turbulento do que o esperado, porém não ocorrera nenhum acontecimento que me abalasse de alguma forma. Afinal, depois da conversa que tive com Hideki, nada afetaria o meu dia. Ou melhor, quase nada, exceto por um certo moreno. Mas isso já era outro assunto, deveria concentrar-me no encontro.

Sim, Hideki me convidara para sair logo após o plantão. Nos encontraríamos em um restaurante próximo ao hospital e apenas conversaríamos como bons amigos. Ele parecia ser um bom rapaz, dedicado e inteligente, bem diferente dos tipos que costumavam andar por Konoha. Eu não poderia perder essa oportunidade, há tempos não saia com alguém e essa ideia era quase como um milagre.

Olhei-me no espelho pela última vez, minha aparência era relativamente aceitável. A trança ainda envolvia meu cabelo e um vestido vermelho de corte simples incrementava o visual. Nada exagerado, somente uma vestimenta confortável. Não gostaria de passar uma falsa imagem, por isso fui como de costume.

As ruas não estavam lotadas, apenas alguns moradores passeavam pelo local. A paz circulava entre os pilares da vila e isso me deixava mais contente do que o habitual. Enfrentamos momentos difíceis anteriormente, o simples fato de poder dormir tranquilamente sem pensar em um suposto ataque era excitante.

Avistei o pequeno restaurante sem muitos problemas. Ele ficava bem no centro e poderia ser encontrado pelo mais perdido dos cidadãos. Parecia muito confortável e até mesmo elegante, ao seu modo, é claro. Entrei no recinto logo depois e fiquei encantada com a decoração. Romântica e peculiar. E então surpreendi-me novamente, pois Hideki me esperava com um buquê de rosas na mão. Aquele homem era perfeito!

— Hideki, não precisava! – Respondi sem graça. Agradecê-lo de maneira semelhante seria difícil.

— Precisava sim. – Seus olhos estampavam uma sensualidade fora dos padrões. – Aliás, você está linda. – Beijou minhas mãos, terminando de vez o serviço que começara. Eu estava hipnotizada, que tesão!

Fomos para um canto mais afastado do local, assim poderíamos conversar sem a intervenção de qualquer estraga prazeres. Conduziu-me entre os corredores, sempre mostrando-se um completo cavalheiro. Eu não acrescentaria nada! Parecia uma utopia. Uma utopia fodidamente boa e o melhor, acontecia diante dos meus olhos. Comigo.

— Estou muito feliz por você ter aceitado o meu convite. – Tocou em minhas mãos mais uma vez. Havia um buraco onde eu pudesse me esconder? – Venho lhe observando há algum tempo, não percebeu?

— Na verdade não. – Tentei disfarçar o embaraço, era realmente uma toupeira para esse tipo de situação. – Só fiquei sabendo porque Ino veio conversar comigo.

— Tudo bem, – dizia enquanto gesticulava para o garçom. – você está sempre tão ocupada, não tem muito tempo para isso, não é mesmo? – Piscou.

Pedimos o cardápio em seguida, porém não escolhi os pratos, deixei a tarefa para Hideki. Parecia muito familiarizado com os nomes, ensinou-me alguns deles e ainda dizia como todos eram deliciosos. No fim escolhemos o mais simples entre os demais, tonkatsu, formado basicamente por carne de porco frita, e para complementar uma dose de saquê.

Passamos por diversos assuntos, compartilhamos ideias e gostos. Fiquei feliz ao perceber que tínhamos muita coisa em comum, era uma pessoa caseira e simples. Assim como eu, ele adorava ler e deixou-me sem palavras ao afirmar que um de seus livros prediletos era Antes que ele se vá. Quase ninguém conhecia-o, como isso poderia ser possível?

O livro falava de uma jovem menina, essa era apaixonada por um homem chato e rabugento, porém eles se completavam a sua forma. Certo dia ela decidira sair com outro rapaz, deixando seu antigo amor infeliz por conta da escolha. Não sabendo o que fazer, ficou dividida entre os dois, mas o primeiro cansou-se de esperar e simplesmente seguiu em frente. Conclusão, descobrira que era apaixonada por esse, porém perdeu-o para outra mulher.

Apesar do triste final, a obra trazia grandes lições, mas eu não podia entender como aquela moça deixara seu amor de anos desprender-se. Ela realmente não percebera que era o homem de sua vida? Só dera verdadeiro valor quando o deixou escapar. Não desejava esse desfecho a ninguém, seria um peso grande demais para carregar.

Minha mãe sempre dizia que podemos fechar os olhos para as coisas que não queremos ver, no entanto, não podemos fechar o coração para aquilo que não queremos sentir. Se Hana, a protagonista do livro, fosse real diria essas sábias palavras a ela.

Uma simpática garçonete veio trazer nosso pedido. Dei um sorriso para ela, pois já a conhecia. A moça costuma levar sua avó no hospital seguidamente, por conta da saúde frágil da senhora. As duas são uns amores. Quando virei-me para Hideki percebi uma reação esquisita passar por sua face, mas assim que virou-se para mim, ela sumiu.

Ele como um cavalheiro que era, serviu a nós dois com saquê e em seguida depositou a comida em nossos pratos. Céus, como um homem desse foi se interessar em mim? Comemos em um silêncio harmonioso, degustando o tonkatsu.

— Adoro vir neste restaurante, a comida daqui é ótima e o lugar agradável, mas com uma companhia como a sua, Sakura, fica ainda melhor. – Hideki deu um sorriso charmoso e alcançou minha mão por cima da mesa. Devo estar um pimentão.

Apenas consegui sorrir diante o comentário feito, minha mente não conseguia criar uma resposta boa para o momento.

— Se eu tivesse mais tempo também viria aqui seguidamente. – Foi a única coisa que consegui comentar.

— O hospital toma muito do seu tempo, não é?

— Sim, mas jamais reclamarei. Amo o meu trabalho, sinto-me realizada em cuidar das pessoas. – Sabia que deveria ter um sorriso estampado no rosto com um olhar animado, e o jeito que Hideki me olhava, confirmava isso.

— Admiro muito seu trabalho, Sakura. Mas já parou para pensar no futuro?

Encarei-o confusa.

— Digo, quando se casar e tiver uma família, vai conseguir conciliar o trabalho com a casa? – Questionou. – Não que eu duvide de suas capacidades! Porém, muitos homens, bem como eu, gostaríamos que nossas esposas se dedicassem a nós. – Completou rindo.

Uma pequena pulga apareceu em minha orelha, para disfarçar continuei sorrindo, não deixaria que ele soubesse que o comentário me incomodou. Pelo visto Hideki era um homem que gosta de ser o centro da atenção de uma mulher, um trabalho que tomasse o tempo dela poderia se tornar um estorvo, ou seja, ela teria que largar o emprego.

Isso, com certeza, não é algo que eu faria.

— Entendi, – continuei sorrindo. – porém não vejo problemas em trabalhar e cuidar do lar. As mulheres se tornaram mais independentes, sabe?

A expressão contente de Hideki murchou um pouco, apesar de tentar disfarçar. Ele logo tratou de mudar o assunto, falando sobre o clima – clichê – e do novo exame chunin que aconteceria em poucas semanas.

A garçonete voltou a nossa mesa para recolher os pratos e trazer um novo cardápio, o de sobremesas. A mesma reação de antes voltou a face dele e como curiosa que sou, não me aguentei.

— Algo de errado? – Perguntei inocentemente, espiando-o por cima do cardápio. Ele lançou um olhar para a moça que acabara de sair e deu um sorriso malicioso.

— Apenas incomodado com a vestimenta dos funcionários, deveria ter um pouco mais de respeito pelo estabelecimento.

Abaixei o cardápio e passei os olhos pelo restante dos funcionários fingindo averiguar.

— São uniformes padrões, já vi parecidos em outros restaurantes, – dei uma pausa e inclinei a cabeça sutilmente em direção a outra mesa dali. – acho que uma vestimenta inadequada para trabalho seria a dessa mulher com o vestido cor vinho.

Hideki olhou furtivamente para mulher que indiquei. Seu olhar passeou pelas belas curvas dela e se detiveram por um tempo significativo no decote generoso, que dava uma boa visão dos seios fartos. Ele bem que tentou disfarçar, mas consegui notar seu olhar luxurioso.

— Concordo contigo, minha querida. – Disse ao se voltar para mim e alcançar minha mão novamente – De fato seria inadequado se ela trabalhasse aqui, porém para a situação dela creio que esteja correto.

— Situação?

— Esqueço que é uma mulher inocente e não provou de certas coisas ainda, então é óbvio que não notaria. Essa mulher claramente já não é mais virgem e está usando do seu corpo para conquistar algum idiota. Mulheres sem honra, como ela, não conseguem bons casamentos e tem que usar de certos artifícios para fisgar algum homem.

— Compreendo, obrigada por me avisar. – Sorri falsamente. Preciso sair daqui – Hideki, se me der licença, preciso ir ao toilet.

— Claro. – Concordou, levantando-se para puxar a minha cadeira.

Agradeci pela gentileza e fui para o banheiro, tive que me segurar para não correr. Assim que entrei no recinto, desabei. Apoiando-me na pia, fitei meu reflexo no espelho. Toda a imagem que havia montado sobre Hideki ruiu em pouco tempo de conversa. Quem diria que o homem aparentemente perfeito, o sonho de qualquer mulher, seria na verdade uma fachada para esconder a face machista.

Sim, os comentários que ele fizera sobre as mulheres indicavam machismo; largar o emprego e se dedicar ao marido, preconceito sobre trabalhar em um restaurante como garçonete e o pior de todos: as mulheres devem ser virgens até casarem. O último foi o que mais me abalou, afinal faço parte da parcela que ele julga não ter honra.

O pior não era saber que Hideki era falso e sim que Sasuke estava certo. Porra.

Lavei o rosto, não precisava me preocupar em borrar a maquiagem, pois não usava tal coisa. Novamente lembrei do moreno caçoando-me por conta da alergia. Joguei mais água, deveria parar de pensar nele no momento, tinha algo mais importante a se fazer. Mostraria a um certo enfermeiro do que as mulheres são feitas.

Voltei para a mesa rapidamente, minha cabeça parecia estar prestes a explodir e só desejava ir embora.

— Me desculpe pela demora. – Sentei na cadeira o mais rápido que pude, não queria que ele me ajudasse novamente. – Não estou me sentindo muito bem, será que você poderia pedir a conta? – Estava sufocada.

— Claro. – Levantou o braço de leve e conseguiu a atenção da garçonete. – A conta, por favor! – Hideki a reprimia com o olhar, como se ela fosse uma espécie de pecadora que merecia o mais impiedoso dos infernos.

— Eu não gosto do jeito que você a olha.

— Como? – Perguntou surpreso.

— Eu não gosto do jeito que você a olha. – Repeti. – Não somos capazes e muito menos dignos de julgar alguém. Ainda mais por conta das suas vestimentas! Isso é inaceitável! – Soquei a mesa de forma impulsa.

— Sakura…

— Se fosse um homem, certamente você diria que ele está fazendo o seu papel na sociedade. Mas já que é uma mulher, a despreza e diz coisas que ferem seu íntimo. Não percebe como é doentio? Temos meios incontáveis para nos tornarmos menos ignorantes, porém pessoas como você só atrasam o nosso desenvolvimento.

Olhava-me estático, nunca imaginou que eu pudesse lhe dizer aquelas palavras, mas era necessário, as mudanças começam pelos pequenos atos.

— Não estou dizendo que as mulheres são superiores aos homens, somente estou pedindo igualdade. Como um bom enfermeiro não sabe disso? Afinal, por baixo dessa carcaça não somos diferentes. – Levantei logo depois e ele acompanhou meus movimentos.

— Eu não quis dizer isso, me perdoe.

— Menina, venha cá. – Não dei atenção a ele. A linda garçonete veio em minha direção, assustada pelo discurso que ecoava por toda a sala. – Você merece isso mais do que eu. – Entreguei a ela o buquê de rosas. – Escute bem o que eu digo, – assentiu timidamente. – nunca deixe alguém falar coisas grosseiras a seu respeito. E o mais importante, o seu interior mostrará aquilo que você é. – Segurei firme em sua mão, agradecendo-a por confiar em minhas falas.

Virei-me antes de sair.

— Ah, não posso esquecer do ensinamento de minha mãe. Por mais que você seja um covarde, honrarei seus ideais. Obrigada pelo jantar. – Deixei uma quantia de dinheiro na pequena mesa.

Muitos sabem que as rosas possuem espinhos, porém poucos tem discernimento suficiente para descobrirem que os espinhos guardam as rosas. Não digo das flores que a natureza cria, mas sim dos males que a humanidade insiste em deixar real.

Só o amor nos salvará.

Notas finais
Então, o que acharam do nosso extra? Merecemos pedras ou flores? Deixem suas opiniões para nós, adoraaamos respondê-las! Beijos. Tia Khaleesi e Tia Ziza.