-se Você Fosse?...então Seria... Adeus?
6 - Para onde?
Notas iniciais
Yuu ficou lá me abraçando. Eu não conseguia parar de chorar. Mas não dava para continuar do jeito que estava. Eu tinha que contar para ele.
-Yuu. – soltei-me de seus braços e me levantei andando pelo quarto. Respirei fundo antes de falar. – Você me ama e precisa de mim. Eu sei que sofreria se eu não estivesse aqui...
O choro voltava a subir pela minha garganta e tentei falar depressa antes que ele impedisse minha voz de sair.
-Eu só queria que você concluísse que poderia viver sem a minha presença. – falava muito depressa e ele me olhava sem entender. – Eu menti pra você sobre meu emprego. Eu não saí porque não tinha tempo pra estudar. E eu também acabei saindo da faculdade. Eu não queria te magoar, mas eu não sei o que fazer...
O choro finalmente veio e me impediu de continuar. Tinha consciência de que talvez o que eu falava não fazia sentido, mas eu não conseguia formular melhor minhas palavras.
-Kou, eu não entendo. – ele também tinha se levantado e se posicionado à minha frente. – Então você mentiu e está mesmo me deixando?
Olhei em seus olhos, expectativa e confusão gravados ali.
-Estou Yuu. – abaixei minha cabeça.
Ouvi-o suspirar. Voltei a olhá-lo. Ele se virou de costas e tinha as mãos na cabeça.
-Eu não entendo você. – ele murmurou. – Não entendo...
Eu não queria fazer Yuu sofrer. Mas isso era tudo o que eu estava fazendo. Percebi como estava sendo idiota. Tentando apagar quatro anos e meio em um mês. Ele não ia mudar seus sentimentos assim de repente. Não iria deixar de se importar se eu não estivesse ali...
-Yuu eu estou te deixando. Mas não é desse jeito...
Ele se virou bruscamente.
-De que jeito então! – ele gritava – Kouyou para de enrolar e me diz! Me diz logo droga!
Eu o estava confundindo e o deixando nervoso. Tinha que ser mais claro de uma vez. Ele merecia saber.
-Yuu... – comecei.
-EU NÃO POSSO ACREDITAR QUE SEJA ISSO. – ele gritou me interrompendo – MAS SE VOCÊ TEM DÚVIDAS SOBRE FICAR COMIGO, SE QUER, SEI LÁ, EXPERIMENTAR OUTRAS COISAS E NÃO FICAR PRESO A MIM. VOCÊ É JOVEM, EU TENHO QUE ENTENDER. DIZ LOGO KOUYOU! DIZ LOGO E EU NÃO VOU TE IMPEDIR...
-EU ESTOU MORRENDO YUU! – gritei desesperado – Eu... estou morrendo Yuu..
Curvei-me caindo de joelhos no chão, não aguentando mais o peso de meu corpo e de minha confissão. Contar aquilo para Yuu era como assinar a sentença final. Durante meses eu havia escondido isso dele na esperança de encontrar uma solução sem precisar preocupá-lo. Contar para ele significava que não havia mais o que eu pudesse fazer.
Não olhei para o seu rosto, não sabia como ele havia reagido. Ele estava em silêncio. No quarto tudo o que se ouvia era meu choro descontrolado, soluçava como uma criança que tivesse caído e feito um corte feio.
-Aquelas dores... de cabeça que...que eu tinha. – tentava me explicar em meio às lágrimas – Eu menti... quando disse... que haviam... parado.
Ele continuava em silêncio.
-Quando eu fui ao... médico, ele me disse para fazer uns exames e... ele descobriu que eu tinha... tinha uma doença...uma doença rara e... incurável. – solucei mais alto.
Até aquele dia eu havia tentado ser forte e não pensar muito no que ia acontecer comigo. Mas era horrível contar em voz alta tudo o que tentava afastar da minha mente. Contar para Ruki havia sido difícil também, mas contar para Yuu era pior.
-Eu fui à outros médicos. – tentei me controlar de novo para continuar – Mas... eles ... eles diziam a mesma coisa. E agora, na última vez que eu fui, a doença... tinha evoluído inesperadamente e disseram que talvez eu nem chegasse... chegasse ao final... ao final do mês.
Cheguei ao ápice de meu desespero não conseguia enxergar nada a minha frente, continuava curvado no chão.
-Você ficou tão abalado quando achou que eu ia te deixar que fiquei aflito pensando em como você ficaria se nunca mais fosse... me ver...! Pensei que se te tratasse mal você não fosse sentir minha falta! – eu era tão idiota – Eu sou tão idiota Yuu... eu te amo tanto!
Cheguei ao fim das minhas forças, não conseguia falar mais. Chorava copiosamente. Um choro tão doloroso, que se estivessem ouvindo de fora pensariam se tratar de alguém sendo torturado.
Senti de repente braços me envolverem. Sentei no chão e me deixei cair no colo de Yuu. Sabia que ele também chorava, mas suas lágrimas eram silenciosas.
Meu peito doía, pois era como se só naquela hora eu entendesse a realidade:
Eu iria morrer.
“Kou, Kou...” Yuu repetia meu nome baixinho enquanto me balançava para frente e para trás, me ninando.
Eu estava indo embora, estava indo embora e nunca mais veria Yuu.
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