Notas iniciais
Sem demora lá vai o quinto capítulo, aproveitem!

Ele não me olhou nenhuma vez até aquele momento. Já fazia dois dias que não nos víamos e ele não parecia que se importava. Seu rosto estava sem nenhuma expressão. O que estava acontecendo? O que havia acontecido?

-Kou, só me explica! — quase implorei.

Ele virou finalmente o rosto para o meu lado, mas não pude ver nenhum tipo de sentimento em seu rosto. Onde estava aquele meu sorriso?

-Explicar o que?

Fiquei atônito. Não tinha nada errado para ele?

-Como "o que" Kou? – me levantei do sofá ficando na sua frente. –Você não fala comigo há dois dias e hoje saiu sem me dizer nada só voltando agora. Nem sequer atendeu as minhas ligações!

-Talvez você esteja se preocupando demais. – ele deu de ombros – Eu não morri nem nada, né? – ele deu uma risada sarcástica. Me assustei, aquilo não parecia ser ele.

Ele se levantou indo em direção ao banheiro. Parou antes de entrar no corredor e ainda de costas disse:

-Tudo isso é porque eu não fiz o seu café ou o seu jantar? Yuu eu não sou sua empregada.

Depois disso sumiu no corredor sem me dar chance de resposta.

Pensei em ir atrás dele e gritar que não me importava de nunca mais comer na vida se fosse para vê-lo sorrir para mim. Mas eu sabia que não ia adiantar. Kou estava frio comigo, queria me afastar. Pensei se talvez ele tivesse passado a me odiar. Mas porque ele continuava comigo?

“Eu quero viver com você até o fim Yuu.”, ele fizera uma promessa. Quem sabe não estava querendo se livrar dela, tentando me fazer dispensá-lo?

Fiquei uma hora ou duas, parado na sala antes de decidir ir para o quarto. Kou já estava dormindo, ou só fingindo como já fizera antes.

Me sentei em uma cadeira perto da janela de onde poderia observá-lo. Dormia de lado, um pouco torto, e seu corpo era banhando pela luz da lua. Mesmo sendo inverno ele vestia shorts e camiseta. O edredom estava enrolado em uma de suas pernas o mantendo descoberto. Pensei em cobri-lo, mas quis aproveitar mais a visão das formas de seu corpo delicado.

Mesmo quatro anos depois ele tinha o corpo de um garoto de dezesseis. É verdade que adquirira umas curvas a mais, mas continuava com aquela beleza inocente.

“Esse anjo na minha frente não me ama mais.”, era o que eu pensava enquanto o admirava. “Ele não me ama mais e tudo o que eu posso fazer é acabar com tudo para deixá-lo feliz.”

Kou se mexeu um pouco na cama e pude ver que dormia de verdade. Seu rosto se contraia. Estava sonhando com alguma coisa ruim. Lembrei-me dos meus pesadelos. Tivera outro tão aterrorizante como aquele, mas dessa vez eu não conseguia enxergar nada a minha frente e só ouvia uma voz dizendo “Adeus, adeus” e se distanciando.

Kou se mexeu de novo deitando-se de costas para a cama e seu rosto se suavizou. Uma lembrança me veio à mente e eu não pude não sorrir com ela: Kou estava deitado do mesmo jeito e me olhava, ao mesmo tempo ansioso e assustado. Eu estava por cima dele e apoiava minhas mãos no colchão. Aquela seria nossa primeira noite juntos. “Nós podemos fazer isso outro dia. Não precisamos ter pressa Kou.”, eu disse. Estava preocupado em estar forçando as coisas. Ele sorriu. Mesmo estando com medo me puxou para um beijo e sussurrou no meu ouvido: “Fala meu nome de novo, Yuu.” Nos deixamos levar por nosso amor e eu chamei seu nome, várias vezes, naquela noite.

Aquela lembrança, e outras várias dos anos que passamos juntos invadiram minha mente como se todas quisessem gritar juntas para que eu percebesse que não estava certo. Que Kou me amava. Se me afastava dele tinha um motivo, um motivo que o estava fazendo sofrer também.

O que eu tinha que fazer era descobrir qual era esse motivo.

Estava voltando do trabalho mais cedo naquele dia. Não havia conversado com Kou depois da noite anterior, como sempre ele estava dormindo quando sai. Ele não ia mais à faculdade. Pensei em acordá-lo e fazê-lo se explicar a força. Porém concluí que não daria resultados.

Entrei em casa esperando que ele não tivesse saído. Os sapatos com os quais ele costumava sair estavam na entrada e havia um par diferente também. Deduzi que deviam ser de Ruki, o melhor amigo de Kou, ele usaria uma coisa como aquela.

Fui em direção ao quarto para ver se estavam ali, a porta estava aberta e consegui ouvir as vozes dos dois no cômodo. Kou parecia estar chorando.

-Conta pra ele Uruha, conta pra ele! – ouvi Ruki dizer.

-Eu não aguento mais Ruki... – a voz de Kou saía falha.

Quando finalmente cheguei à porta do quarto vi que os dois estavam sentados na cama. Ruki abraçava Kou que estava com a cabeça baixa e tinhas as mãos segurando os cabelos.

Ruki percebeu minha presença e chamou Kou baixinho. Ele levantou a cabeça e vi sua expressão desesperada, lágrimas caindo de seus olhos inchados. Quando olhou para mim colocou as duas mãos sobre a boca e passou a chorar mais alto. Ruki se levantou beijou o topo da cabeça de Kou e saiu colocando uma mão sobre meu ombro ao passar por mim.

Aproximei-me de Kou e me sentei ao seu lado no lugar que era de Ruki.

-Você está com algum problema? – perguntei olhando para a parede à minha frente.

Ele soluçou mais alto.

-Você me ama? – me virei para olhá-lo.

Kou tentou se acalmar um pouco. Depois de alguns minutos, balançou a cabeça afirmando e voltou a chorar encostando a cabeça em meu peito.

Notas finais
Gostaram?
No próximo capítulo virão explicações.(eu queria ver o Uruha de shortinho e camiseta... ou sem *_* hehehe)
Preparem os lencinhos amanhã. Reviews?