- Strange and Familiar
12 第十二章
Não fui capaz de prestar atenção nas aulas, a garota nova me fez pensar em muitas coisas. Ela era bonita, me passava a sensação de perigo, mesmo que todos que a olhassem vissem apenas uma garota de beleza artística, eu via em seus olhos puxados algo escuro, uma personalidade que se venderia de acordo com o preço. Aqueles olhos eram incrivelmente familiares, persistentes e maldosos.
Eu precisava de um nome. Descobri-o facilmente quando o professor pronunciou seu nome com dificuldade por engano ao fazer chamada. Mei Yan Lei. Realmente um nome condiz a pessoa. Olhos bonitos e cansados, seus olhos eram realmente bonitos mas nada cansados e sem cheios de energia para aprontar.
– Yang, me acompanhe até em casa!!! – ela estava me esperando na saída.
– Não quero. – dei de ombros me virando para seguir meu caminho, quando ela me puxou fazendo um sinal com a cabeça. Ellena aproximava-se junto de Karina, tentando evitar que seu olhar fosse em minha direção, sem muito sucesso. Automaticamente mudei minha resposta: – Vamos...
Olhares curiosos nos acompanharam até onde puderam alcançar. Caminhamos sem pressa, aproveitando da brisa suave carregada daquela sensação pascoal. Em momento algum olhei-a diretamente, apenas observava sua sombra seguindo a minha, enquanto pensava na reação que causara em Ellena e em uma maneira que eu pudesse tirar proveito disso.
– Meu nome é ...
– Mei Yan Lei.
– Como sabe ? – Sua voz saíra num misto agudo e grave de surpresa, enquanto seu olhar pesara em minha nuca.
– Simplesmente sei. – parei assim que percebi que estávamos em direção a minha casa, uma quadra antes para ser mais exato. – Onde você mora mesmo?
– Aqui ! – sorriu inclinando sugestivamente a cabeça para a grande casa amarela da qual estávamos em frente. A fitei por um momento analisando brevemente as vantagens e desvantagens de tê-la como vizinha.
À noite Yan Lei me seguira até a praça e interagiu naturalmente com os meninos, mas não permiti que dessa nenhum raio nem mesmo uma tragada sequer. Todos os meninos alvoroçados com sua presença, exceto Bao Qi que a tratou com desdém.
Fiquei intrigado, todo o tempo que ficamos lá, Yan Lei lançava investigadores olhares para Bao Qi, olhares cheios de segredos e interesse e apenas recebia feições desdenhosas e gélidas . Ele era um galinha de mão cheia, não perdia uma oportunidade . Não entendi o por que de sua reação perante ela, carne fresca e de qualidade como ele costumava dizer.
Voltei mais cedo para casa após observar Yan Lei entrar na sua. Ma surpreendeu-se ao me ver em casa antes das 22hs e despejou perguntas curiosas sobre os novos vizinhos, se eu havia saído com a filha deles e porque estava em casa tão cedo. Dei-lhe apenas breves informações sobre meu dia evitando falar dos vizinhos e em especial da filha deles e fui para o quarto antes que o honorável mestre viesse com broncas para o meu lado.
Acordei tão cedo que Ma ainda estava dormindo, assim tive tempo suficiente de planejar como usaria Yan Lei para fazer ciúmes em Ellena. Muito infantil de minha parte, mas era preciso saber o que se passava na mente daquela garota. Ellena sempre mostrou sua personalidade ciumenta e a forma como reagiu ao me ver junto de Yan Lei fora a prova de que ela estava tendo ciúmes de mim novamente, pois antes nunca se importara em me ver com outras garotas. Sem falar que eu queria me divertir um pouco.
Não vi Yan Lei ao sair de casa e não pretendia esperá-la para irmos juntos à escola. Apenas segui calmamente aproveitando cada tragada preguiçosa para não alterar muito meus sentidos.
Lucas estava na esquina com o pessoal acenando freneticamente em minha direção. Fui ao seu encontro parando antes da faixa para verificar se não havia nenhum automóvel se aproximando. Foi então que avistei Yan Lei toda sorrisos com Kato e aquela expressão sarrista dele. Por um momento gelei e tentei imaginar o motivos deles estarem tão próximos, quase não crendo no que meus olhos viam. As órbis negras dela se encontraram com as minhas feito um imã voltando provocante para Kato. Senti meu sangue ferver. Sacudi a cabeça para espalhar aqueles pensamentos sem sentido, que se acumularam em meus punhos serrados a ponto de minhas unhas machucarem minhas palmas, e eles se chocaram com aquelas janelinhas tristes e de chocolate. Ellena me observava de longe e, ao perceber que eu havia percebido, voltou-se para seu celular.
– Lee, o que foi ? – Lucas aproximava-se com os meninos no memento em que meu celular vibrara anunciando a chegada de um novo SMS.
Estremeci. Seria dela? Por que Ellena me enviaria uma mensagem bem naquela hora se não o fizera a tanto tempo? E como tinha meu numero? Decidi ter certeza lendo a mensagem e acabar com as duvidas.
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Yan Lei sorria para mim com uma generosa dose de maldade , como se fosse tudo tão obvio e apenas eu era burro demais para perceber. Neste instante uma dor atravessara minha mente como um trem bala carregado com informações e lembranças do passado. O chão se abriu sob meus pés e eu fui engolido pelo infinito repleto de rostos cruéis que insistiam em me oprimir com suas duras palavras.
Tudo fazia sentido agora. Ela era quem mais me perseguia sem piedade, juntamente com Bao Qi. Ela estava de volta e eu não fazia a menor ideia do que me esperava. Meus olhos quase explodiram de medo e ódio, atingindo todos ao meu redor.
– Mei Yan Lei ...
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