- Strange and Familiar
13 第十三章
Lucas me trouxe para a realidade ao apertar minha fronte.
- Lee, o que você tem ?
- Fumando tão cedo Yang ?
- Viu, você está saindo com a aluna nova?
Não consegui me concentrar por muito tempo em suas perguntas.
- Lu, to indo! – Não adiantaria passar a manhã na escola. Precisava por a cabeça em ordem e isso seria impossível.
Esperei a sombra em frente a casa de Bao Qi, até que seu pai saísse para trabalhar e logo adentrei a casa sem permissão, sabia que Bao Qi estaria em seu quarto jogando ou dormindo.
Abri a porta do cômodo de uma vez, jogando minha mochila em qualquer canto e pude vê-lo afundado em um pufe vidrado em seu computador.
- Matando aula de novo ?! O coelhinho da Pascoa não vai trazer seus...- Puxei o plug e antes que pudesse explodir sobre mim já havia o arrancado do pufe pela gola da camiseta. Ele cambaleou trombando na prateleira assim os objetos dali espalharam-se pelo chão.
- O QUE ‘CÊ TA FAZENDO, DIABO ?! – Bao Qi estava assustado, nunca o ataquei de forma alguma antes e ele sabia bem como eu me transformava num momento de ira, onde na maioria das vezes era para defende-lo em brigas.
- O QUE EU ‘TO FAZENDO?! – diminui ameaçadoramente minha voz exaltada – O que eu ‘to fazendo ?! Me enganou todo esse tempo, como teve coragem hen depois de tudo o que me fez ?
- Mas o que ...
- MEIMEI ! – Me exaltei novamente, sem paciência alguma. Ao dizer aquele apelido senti todas as veias do meu corpo carregadas de lembranças pulsarem em ódio por ela. A pressão aumentara em minha cabeça, só então percebi o quão forte segurava Bao Qi a ponto de levanta-lo minimamente do chão. O soltei bruscamente e ele foi ao chão, perplexo.
Passei a andar de um lado para o outro do quarto tentando me controlar, mas apenas me irritava mais me deparar com as coisas dele por onde olhava e com ele encolhido ao canto, temendo todos os meus movimentos.
- Y-yang...
- Não quero ouvir sua voz, não quero ver a sua cara lavada, não quero mais saber que você respira! – agarrei minha mochila e lhe arranquei os tênis dos pés, me dirigindo a porta. – Isso não paga nem 2% do que me deve... é melhor me pagar antes que eu me arrependa de te deixar vivo...
A noite deixei claro com os caras que Bao Qi não poderia nem passar naquela rua e que ninguém lhe daria ou venderia nada até que me pagasse. Deixei que Bruno se certificasse do pagamento em 3 dias, caso contrario ele sabia o que fazer, todos sabiam.
A rua escura e deserta parecia sem fim. O vento chocava contra meu rosto resfriando todo meu corpo que aquecia-se novamente a cada tragada. Não havia lua, mas as estrelas brilhavam espalhadas vagamente pelo céu, indicando o quão tarde estava. Contemplei-as por um longo momento desejando que Ellena estivesse ali e me livrasse de todos aqueles sentimentos agonizantes que me consumiam. Fechei os olhos chamando-a novamente. Respirei fundo até que os pulmões negassem receber mais daquele ar perfumado, daquele ar patchouli .
- Vamos pra casa...
Não me assustei com aquela voz que parecia estar ali a muito tempo. Mei estava de um lado e Ellena de outro, ambas serenas e pensativas. Ellena com seu sorriso leve e gentil e seus cachos trepidando ao vento. Mei fitando o horizonte com seus fios negros como nossas almas cobrindo-lhe a face conforme o vento soprava, naquele momento vi o quanto Mei era amargurada e que seu coração havia sofrido muito, ela era tão vitima quanto eu e não precisava dizer nada, simplesmente li em seu semblante.
Ficamos ali apenas aproveitando a presença uns dos outros até que as estrelas desapareceram e o céu foi clareando e Ellena desaparecendo lentamente diante dos meus olhos, levando consigo todos aqueles sentimentos ruins da forma como eu havia desejado. Olhei para Mei esperando que ela também se desfizesse como uma ilusão, mas ela não se foi, permaneceu fitando-me com seus olhos profundamente cansados da vida.
- Vamos pra casa... – Me pedira novamente com a voz quase inexistente. Assim fizemos.
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