- Segredos de um passado obscuro -
26 Roinc e Pink - Missão Impossível
Notas iniciais
Dias atuais...
Status: Operante.
Horário: 05:30 AM
Lugar: Em algum lugar do reino de Dracon.
Missão: Encontrar Steve!
Roinc e Pink andavam sorrateiros sobre o caminho de madeiras putrificas e desgastadas pelos anos de contato com a água salgada do mar, só Notch sabe como eles conseguiram chegar ali antes mesmo do espirito de aventura. Roinc vem amarrado em um pedaço de palito no ponto exato de ser assado em uma fogueira, enquanto isso Pink foi preso em uma jaula depois de tentar fazer amizade com uns “soldados bonzinhos” que passavam em uma caravana nos arredores de Théfires no exato dia em que Adália, sua dona, partiu para os jogos vorazes com Steve; os soldados acabaram concluindo que um creeper falante não é uma coisa que se veja normalmente por aí, então mata-lo seria um pequeno desperdício e por isso decidiram enjaula-lo e prende-lo. Tanto faz como tanto fez, o objetivo e a “missão” quase suicida dava os primeiros passos para o sucesso, já que ambos estavam onde queriam estar, o reino de Dracon.
–Roinc... eu sinto que esse é o nosso fim... –Disse Pink deitado na jaula e apertando os olhos por culpa do sol.
–Roin...c. Roinc... –Disse Roinc que estava de ponta a cabeça e amarrado, seu estomago roncava de fome mesmo que tenha acabado de comer uma batata assada a menos de dois minutos.
–Roinc, será que nós vamos conseguir escapar? A mamãe Adália deve estar me procurando...
–Roinn...c. –Disse Roinc um pouco triste depois de deduzir que Steve o seu dono nem estava pensando nele, já que da ultima vez que ele se perdera nem mesmo foi procura-lo.
Os dois animalzinhos iam rumando calmamente junto com a tropa pensando no pior, quando de repente eles param em uma barraca em estilo cigano mexicano onde uma mulher de vestes grossas e coloridas os recebe, ela olha para Pink e Roinc de cima a baixo e dá um belo sorriso de dentes estragados, logo em seguida entrega uma barra de ouro para a tropa que os abandona à própria sorte junto com a mulher de dentes horripilantes. Ela os apanha calmamente do chão de cascalho e os coloca em uma vitrine, junto com uma placa onde estava escrito “pague um, leve dois.” Logo em seguida a mesma mulher jogou uma cenoura assada dentro da jaula de Pink e deu uma batata assada para Roinc. Os dois se entreolharam rapidamente e deram um sorriso maligno, aquela mulher não sabia, mas estava lidando com forças além de sua compreensão.
Mission 1: Complete!
***
–Yupiii!!!! –gritou Saphire ao ver que eles se aproximavam do porto de Dracon, de fato ela tinha uma alegria contagiante ao ponto de moldar um sorriso até no mais frio dos lábios. Adália apenas deu um sorriso de cabeça baixa enquanto Aiden ficou com cara de paisagem.
–Nossa, nós já chegamos?! –perguntou Steve quase sem folego ao ver as casas e as pessoas ao longe depois de três dias de viagem, seu olhar azul se encheu com um brilho de admiração inconfundível o mesmo de quando ele viu a cidade de Théfires pela primeira vez. –Mal posso esperar para que os jogos comecem!
–E nem eu! –Disse Saphire dando um sorriso para ele. –Steve eu quero que você me compre um vestido bem bonito assim que chegarmos no reino de Dracon! Não quero ir lá parecendo uma qualquer!
–Mas Saphire, você é uma princesa. Por que não compra com seu dinheiro?!
–Ah! Eu não posso. Papai confiscou tudo! Steve!
–AAh, eu não posso. Estou guardando meu dinheiro.
–Steve! você tá rico agora! Compra vai!
–Não Saphire!
Aiden olhou para Adália e deu um sorriso de lábios cerrados um pouco cético e frio.
–O que foi? –perguntou Adália séria.
–Nada... –respondeu Aiden ainda rindo. –Só acho difícil acreditar que vou ter que confiar minha vida a esse garoto...
–Faz parte dos jogos Aiden. Acho que já discutimos isso o bastante...
–Sim, eu sei. Só acho difícil...
O navio ia se aproximando do litoral e aos poucos a movimentação no interior do foi aumentando, as pessoas começaram a apanhar suas mercadorias do interior dos porões e a traze-las para fora, em poucos minutos todos se reuniam no piso superior do espirito de aventura ansiosos por sair. Steve carregava sua mochila nas costas e sua espada na cintura estava pronto para o que quer que viesse, ele sabia disso. O navio ainda estava um pouco longe do porto, quando, de repente ele para sem mais nem menos. Todos se olham pasmos, só não Adália, que dá com a mão para lhe seguirem.
–Vamos ter que ir nesse bote pessoal. –Disse Adália jogando sua mochila dentro de um pequeno barco onde cabiam no máximo seis pessoas.
–Hum? Como assim Adália? –perguntou Aiden surpreso.
–Você sabe que o Reino de Dracon é um reino muito preocupado com a guerra não é mesmo Aiden? então, a preocupação é tanta que eles encheram o mar que fica na parte litorânea da cidade com areia, tudo para impedir que barcos de grande porte ancorem na cidade com um grande número de soldados de uma única vez, entendeu?
–Ah sim... então quer dizer que somente botes como esse podem chegar até a cidade. –Disse Aiden coçando a cabeça.
–Sim. –Confirmou Adália entrando.
Steve e Saphire entraram no bote com um pouco de dificuldade por causa do vestido de Saphire, mas foi tudo tranquilo, logo em seguida foi a vez de Aiden que entrou rapidamente, quando eles se preparavam para descer as cordas eis que chega um soldado trajando armadura de diamante.
–Saphire, seu pai me ordenou que viesse busca-la, ele diz que não é seguro você ir nesse bote.
–Como assim!? Do que você está falando soldado? –Disse Saphire um pouco chateada.
–Foram ordens dele senhora princesa, me desculpe. –Disse o soldado abaixando a cabeça.
–Ah é?! –disse a princesa furiosa. –pois diga ao papai pra ir caçar carvão! –Nesse momento ela começa a girar as roldanas que sustentavam o pequeno barco e o mesmo começou a descer. –Que droga, se os dois homens mais fortes de Théfires e a capitã do exército não puderem tomar conta de mim, quem vai?
Os quatro foram navegando tranquilamente até o ancoradouro de Dracon onde foram recebidos por quatro soldados trajando armaduras de ferro encantadas, o que causou espanto em todos os quatro já que armaduras encantadas são extremamente raras, até mesmo as de ferro, mas tudo não passou de uma rápida olhada invejosa por parte de todos.
–Bom dia senhores, eu me chamo Coronte, e vou leva-lhes até a arena.
Steve e Aiden se entreolharam rapidamente, assustados.
–Como assim? Pra arena? Mas já?! –perguntou Adália cerrando os olhos.
–Sim senhora capitã, digamos que os cidadãos estão mais do que ansiosos para ver esse garotinho aí... –Disse Coronte apontando para Steve.
–E-eu? Mas po-por que? –perguntou Steve um pouco nervoso, o que não acontecia com tanta frequência nos últimos dias.
–Hora, ainda pergunta? –Disse ele desvendando uma arrogância até então oculta. –Você é declarado o homem mais forte do mundo e quer que fiquemos calados? Como se isso não fosse nada garoto?!
–Epa! Fale mais baixo com o Steve seu grosso! –Disse Saphire sem nem pestanejar.
–Hora! Sua insolente! Olha lá como fala comigo! –Disse Coronte erguendo a mão em um gesto totalmente involuntário, como se de tanto ele fazer aquilo se tornou algo normal.
Nesse momento Aiden mais do que depressa já apareceu atrás de Coronte e segurou seu braço com apenas uma mão e com a outra segurou a lâmina de sua katana no pecoço dele.
–Se você se mover eu corto sua cabeça... –Disse ele friamente.
Todos se calaram e olharam a cena que se desenrolava ali, os amigos de Coronte sacaram suas espadas de diamante e cercaram Aiden mais do que depressa, mas Coronte fez gestos com as mãos para eles se afastarem.
–Hora, não tem nem ao menos um minuto desde a chegada de vocês e já arranjaram essa confusão toda? –Disse Neon calmamente descendo de seu bote junto com seu parceiro Nerd. –Fala sério, vocês são muito legais. –Logo em seguida ela foi caminhando para a cidade com seu parceiro.
Steve e Adália se entreolharam rapidamente, de uma forma que somente a convivência poderia fazer, era como se existisse uma conexão entre eles, ao ponto de cada um saber exatamente o que fazer apenas com um olhar.
–Aiden já chega! Não viemos aqui para fazer isso! –Disse Adália se aproximando dele e tentando separa-lo de Coronte.
–É, você tem razão... –Disse Aiden dando um sorrisinho cínico. –Não é mesmo preciso, só estava com saudades de usar minha katana... –Aiden mais do que depressa ré embainhou sua espada e deu meia volta, entrando na carruagem. –Você não disse que todos querem ver o Steve? sabe o que eles vão ver meu caro Coronte? Vão ver minha espada cortanto a garganta de um por um nesses jogos, depois disso quero ver se eles vão se lembrar de quem é Steve.
–Isso mesmo Aiden! nos vamos ganhar! –Disse Steve dando um sorriso de felicidade e seguindo ele. –Pode crer!
Adália começou a Andar para a carruagem mas percebeu que Saphire estava parada olhando para Aiden, notou que ela tremia de leve e seus olhos pareciam um quadro onde o pânico e o medo estavam pintados.
–Saphire está tudo bem? –perguntou Adália tocando em seu ombro. –Você empalideceu derrepente...
Saphire continuava olhando para Aiden com seu olhar de pânico, e não disse uma única palavra.
–Saphire?! –perguntou Adália com mais força.
Saphire virou-se para ela e tentava dizer alguma coisa, mas as palavras não saíram por alguns segundos.
–Adália... está tudo bem... –Disse ela mudando de expressão rapidamente. Como se nada estivesse acontecendo. Isso gerou uma dúvida terrível na mente de Adália, mas ela achou que foi por causa da ameaça de Coronte, então tratou de esquecer.
–Vamos gente! –Disse Steve. –Devem ter feito chocolate quente já consigo até sentir o cheiro daqui!
–Ah Steve, não mente que é feio! –Disse Saphire rindo e entrando na carruagem.
–É sério Saphire! –Disse Steve colocando a cabeça pela janela. –E tem purê de batata também!
–Ah, que sacanagem. Você não pode sentir isso daqui! –Disse Aiden cheirando o ar também, tantando achar algo onde nada tinha.
–O Steve nem um olfato muito sensível, é como se fosse uma espécie de animal... –Disse Adália se sentando ao lado de Saphire. –É por que ele viveu muito tempo na floresta, acho que isso foi uma espécie de adaptação dele.
–Mas que droga, eu também vivi na floresta e não sinto nada disso. –Disse Aiden se recostando na cadeira atento ao movimento da carruagem. –Você é mesmo estranho Steve...
–Senhor, o que faremos? –perguntou um soldado se aproximando de coronte. –Devemos ensinar uma lição para aquele cara de casaco de Ederman?
–Não, deixa isso pra lá... –Disse coronte passando a mão no pescoço. –Deixe que Lopus vai ensinar umas boas maneiras para ele, na hora certa.
***
A carruagem ia rumando tranquilamente para a arena como Coronte havia dito, todos olhando a paisagem maravilhados com as construções absurdamente grandes e em um estilo totalmente diferente das de Théfires, como se fossem povos celtas de origem e culturas totalmente diferente.
–E ali é onde as crianças de cinco anos começam a aprender o básico para se tornar um soldado quando crescerem, e ali é onde eles forjam as espadas e armaduras dos soldados, e ali é onde os soldados se alimentam, e ali é onde os soldados dormem...
–Nossa Adália, me desculpa, mas só vivem soldados aqui em Dracon? –perguntou Aiden um pouco assustado com a repetição do substantivo.
–Bom... Em grande parte sim. –Respondeu Adália batendo o dedo no queixo. –Tem pessoas que não são soldados, geralmente são os forasteiros que acabam ficando aqui pela cidade, ou comerciantes que encontram uma nova vida aqui... Isso varia muito, mas a população local é quase toda de soldados...
Steve olhou pela janela e viu que tinha várias pessoas sentadas em um canto de um beco, todas trajavam roupas rasgadas e sujas, com um tom desbotado e de aparência fétida, Steve sentiu uma leve tristeza em seu peito, e por um segundo a imagem de seu amigo morador de rua pairou em sua mente, de como ele era antes de mudar de vida, e que, por mais que ele soubesse que nada daquilo era sua culpa, ele se viu em um dilema, enquanto ele próprio tinha mais minério que o que ele poderia gastar, aquelas pessoas não tinham nada, nem mesmo pão, as mãos estendidas em um sinal de pedido aos civis que perambulavam nas ruas denunciavam uma pequena classe que crescia constantemente em Dracon.
–Adália, e quem são aquelas pessoas? E por que algumas tem os polegares cortados? –perguntou Steve surpreso com a quantidade de pessoas que sofriam da mesma deficiência.
–Ah... bom... eles são ladroes e assaltantes que foram pegos, como punição eles tiveram o polegar cortado para nunca mais empunharem uma espada. Você não devia se preocupar com eles, são apenas ladroes... –Disse Adália mostrando um lado egoísta. –É sério, eles não hesitariam em matar por um prato de comida...
Steve apenas suspirou fundo e continuou a olhar aquela cena, aquelas pessoas eram como fantasmas, e ninguém dava bola para elas, era como se não existissem.
***
Algumas horas se passaram desde o momento em que Roinc e Pink foram vendidos para uma cigana de dentes podres, os dois a essa altura já planejavam um ardiloso plano para fugir, quando, derrepente, um grande número de carruagens começa a passar na frente da loja da mulher.
–Ei! Esperae... –Foi o que Roinc e Pink ouviram ao longe, logo depois disso todas as carruagens pararam.
Os dois animalzinhos se entreolharam uma ultima vez, o plano iria entrar em ação! Assim que o comprador os tirasse da jaula eles iriam ataca-lo e fugir, tudo preparado, tudo pronto e calculado nos mínimos detalhes pela mente fria do pequeno creeper rosa, no entanto, tinha uma pequena coisa que ele se esquecera...
–Pink?!
–Roinc?!
–O que vocês fazem aqui?! –Disse Adália e Steve em uni som para a alegria dos dois animalzinhos que apenas soltaram um suspiro de alivio...
Missão cumprida!
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