- Segredos de um passado obscuro -

27 "De saco cheio com aqueles putos"


Notas iniciais
-Lia, acho que todos já entendemos. –Disse já sem paciência, acho que era um dos mais relaxados dentre todos ali agora. –Só vamos entrar lá rapidinho, lamber um pouco o saco daqueles putos e sair o quanto antes, certo? Adália riu com o que eu disse, mas voltou à sua velha postura de capitã. -É Aiden, quase isso...

“O jogo apenas começou...”

Mais uma vez ergo minhas mãos aos céus e peço ao senhor Notch que me proteja no dia que está por vir, agora, nos encontramos em uma carruagem quase chegando à arena do reino de Dracon, é possível ver as proporções colossais da mesma ao ponto de sua altura ficar na metade do caminho entre a linha do horizonte e as nuvens que bailam no céu dessa manha de verão; os gritos alucinados podem ser escutados à quilômetros de distância sem nem mesmo termos adentrado nas fronteiras do “local da matança” como Adália costuma nomeá-la, ainda assim, o número de pessoas que caminham em direção à entrada é grande e todas, sem exceção, pararam de andar e abriram um pequeno caminho donde nós, os tributos, passamos de janelas fechadas à cortina, negligenciando a todos o prazer de vislumbrar o rosto das pessoas mais fortes do mundo, com exceção de Saphire, a princesa da qual eu me tornara guarda costas, esta por sua vez fazia questão de por a cabeça pela janela e acenar para os soldados e capitães que estavam a cavalo fazendo a segurança do local, assim como o povo que carregava placas inusitadas e sem sentido, que por enquanto, não acho valer a pena cita-las.

Adália vinha logo ao meu lado, seu cabelo vermelho e ondulado caía em uma franja sobre seus lindos olhos verdes e seus lábios estavam tão vermelhos como a mais fina das redstones.

–Está nervoso Aiden?

–Não, já esperava por algo assim... –Respondi dando de ombros e fechando os olhos. –Acho que hoje vai ser um dia bem chato...

–É, já está sendo... –Respondeu ela rindo pra mim. –Tenho certeza que você vai se sair bem...

Em minha mente um vago sentimento de pressão começou a bater forte, os jogos, se é que podemos chama-lo assim nada mais é do que uma disputa para definir o reino mais poderoso, dizem que tem um significado lendário por trás da origem desse grande espetáculo mas não me lembro bem. Nesse ano coisas misteriosas e sem explicação ocorreram em todo mundo, Cidades e Reinos que até então eram considerados os mais poderosos foram atacados e dominadas por monstros, fora as pequenas Aldeias de que não tomei conhecimento; O príncipe do reino de Dracon foi assassinado e Saphire deveria de ter o mesmo destino que ele caso eu não tivesse intervindo, alguém chamado Jeff o estripador está trabalhando com Herobrine tentando destruir a humanidade sem nenhum motivo aparentemente justificável, até o momento as informações sobre o inimigo são quase nulas, tudo o que sabemos é que ele tem conhecimento de magia e que está ligado com o surgimento dos monstros no mundo.

Colocando esses pensamentos de lado está tudo bem.

“como se fosse fácil assim...”

Suspirei forte e procurei concentrar-me nos jogos mais uma vez, Steve parecia muito mais tranquilo do que eu, Saphire continuava acenando para todos pela janela e Adália continuava ao meu lado.

–Estamos quase chegando, lembrem-se, fiquem atrás de mim e façam o que eu fizer, não tem motivo para ficar nervoso gente, não tem motivos para entrarem em pânico, não tem nenhum motivo pra isso...

–Lia, acho que todos já entendemos. –Disse já sem paciência, acho que era um dos mais relaxados dentre todos ali agora. –Só vamos entrar lá rapidinho, lamber um pouco o saco daqueles putos e sair o quanto antes, certo?

Adália riu com o que eu disse, mas voltou à sua velha postura de capitã.

–É Aiden, quase isso...

Entramos na arena e tamanha foi minha surpresa quando percebo que todos começam a vibrar com a chegada dos tributos, ao todo oito carruagens deram a volta e pararam no centro da mesma, o solo era feito de arenito e nas arquibancadas as pedras refinadas e a madeira cuidavam da decoração, fico pasmo só de imaginar a quantidade de blocos usados para construir tamanha obra; antes que eu possa fazer qualquer coisa noto que Adália me bate com o cotovelo.

–Vamos lá, hora de sair.

Primeiro saem Saphire e Steve, e logo em seguida eu e Adália nos damos às mãos e sorrimos brevemente um para o outro. Meu terno de cor preta e meu casaco de Enderman são mais que o suficiente para provocar altos gritos na multidão, todos vibraram e urraram assim que eu saí da carruagem que tomou seu rumo deixando a vaga aberta para a próxima, que, para meu espanto é a de ninguém mais ninguém menos que de uma garota de cabelo azul, a mesma que deu uma surra em Steve; Ela me encarou e soltou um sorriso sarcástico o qual, por alguns segundos me fez questionar se era realmente tão forte assim, retribuí com um olhar frio e sinistro, quando tiver chance vou fazê-la sofrer até a morte, ela não sabe que só eu posso dar uma surra no Steve e ficar por isso mesmo?

Para meu espanto os gritos da plateia me acompanharam por todo o percurso, só fui descobrir o verdadeiro motivo no meio do caminho, quando notei que Steve ia não só caminhando, mas apertando a mãos das garotinhas que estavam na beirada do tapete vermelho na ala inferior e soltavam suspiros quando ele passava, e, para meu completo espanto, dos garotos que seguravam cartazes para a Adália, que estava mais sem graça que palhaço velho de circo.

Chegamos frente ao rei que, sem exageros era um completo monstro. Sua pele era repleta de cicatrizes e sua roupa era feita de pele de mobs costuradas umas às outras, percebo que ele as usa não apenas como vestimenta mas sim como troféus de guerra, e que ao meu ver as cicatrizes são uma forma de mostrar por tudo o que ele passou, sua barba ia até a altura do abdômen e sua altura era a mesma de um Enderman.

Adália apertou forte minha mão por um segundo e logo em seguida me soltou, indo se posicionar atrás de uma cadeira de madeira onde acho eu, será a que o rei de Théfires irá sentar. Logo em seguida, voltei minha atenção para o rei que a essa altura já me encarava com seu olhar tão profundo como o de um creeper, como se sua alma já tivesse partido dessa para uma melhor a muito tempo... Percebo que, em parte isso se deva a recente morte de seu filho, mesmo ele sendo o Rei impiedoso e sanguinário como todos dizem, no fundo, bem no fundo ele deve estar triste; para me livrar do olhar “flechador” dele, me curvei demonstrando o respeito que eu não tenho com ninguém, Steve já se encontrava ao meu lado se encurvando também.

–Por que diabos você apertou a mão de todo mundo até chegar aqui seu idiota? –perguntei em tom baixo.

–Não sei, é que eu acho que eles gostam de mim Aiden. –Respondeu Steve um pouco confuso.

–Não se esqueça de que você só está aqui por causa desses imbecis, eles não suportam a ideia de que existe alguém mais forte que eles e estão loucos para ver você se ferrar nos jogos.

–Eu sei disso Aiden, só disse que eles “parecem” gostar de mim.

Esperamos por alguns minutos, aos poucos os outros tributos foram chegando, junto com os comandantes de seus respectivos reinos que vinham escoltando os reis dos mesmos, em pouco tempo todos estavam em seus devidos lugares, pude ver que Augustus estava sentado em seu trono e logo atrás dele estava Adália, era sem duvida a mais linda comandante de exército, talvez pelo fato de ser a única mulher dentre todos os comandantes explicasse isso.

A movimentação na arena começou a cessar assim que o Rei de Dracon se ergueu de seu trono e levou as mãos ao céu, ainda não me acostumei com o tamanho desse sujeito.

–Faz muito tempo desde o dia em que tivemos guerreiros tão poderosos presente em um lugar tão pequeno... –Disse o Rei se aproximando do primeiro tributo. –O primeiro de todos, Neon! A tributo do Reino da água e seu companheiro Zack, ambos vieram para dar o melhor de si, e são um dos favoritos esse ano, mas vou logo dizendo que o nosso reino tem representantes fortes também, do contrário não teríamos ganhados os jogos tantas vezes! –O rei foi caminhando para o lado deixando que Neon acenasse para a multidão que vibrou com ela e seu parceiro nerd, logo em seguida, como rei dissera foi a vez do representante do Reino de Dracon.

–E aqui temos Lopus... –Assim que Steve ouviu o nome dele um pequeno filme se passou em sua mente, os gritos da multidão a luz dos glowstones tudo começou a passar em câmera lenta e a escurecer, Lopus era um velho conhecido de Steve, da ultima vez que os dois estiveram juntos brigaram feio e quase acabaram se matando por um simples acidente envolvendo purê de batata, Steve fincou um pedaço de madeira no pescoço de Lopus que era, na época o capitão do exército de Dracon e foi por isso taxado de ladrão e desordeiro, Lopus quase morrera por causa daquele incidente, e agora ao que parece ele estava de volta, e ia, com toda a certeza, fazer de tudo para caçar e matar Steve. –Ele é o capitão do nosso exército e não deveria estar participando dos jogos, mas ele decidiu renunciar o seu cargo apenas para representar nosso reino...

Steve sentiu seu coração bater forte, voltou seu olhar rapidamente para ver Lopus depois de tanto tempo, porém, tamanha foi sua surpresa quando notou que ele também o encarava, em seu pescoço a cicatriz ainda jazia presente e em seu coração o desejo de vingança se fazia latente.

O rei continuou apresentando os tributos normalmente, ao que parece todos estavam agradando a multidão que se fazia presente nas arquibancadas, no entanto, aquilo durou até a vez de Steve.

–E aqui temos a revelação desse ano... –Disse o rei em tom sarcástico. –Ele que é considerado o “homem” mais forte do mundo, tudo por que matou um monstro voador de três cabeças e salvou a “princesinha” de Théfires, hora, conheçam Steve, o garoto mistério!

Nesse momento todos se calaram e começaram a murmurar baixinho, ao que parece ninguém gostava de Steve agora, mas, ao ver de Steve aquilo era normal, afinal, Adália já tinha lhe alertado que algo daquele tipo poderia acontecer. O rei, continuou apresentando os tributos; -E agora temos o homem mais frio, nos testes ele conseguiu matar dois homens com os dois braços quebrados, um verdadeiro monstro! Conheçam ele, Aiden!

Todos aplaudiram Aiden, no reino de Dracon todos valorizavam feitos como aqueles, violentos e desprovidos de razão e emoções, Aiden daria de certo um bom cidadão do reino de Dracon.

Com isso, o Rei terminou de apresentar todos, as pessoas começaram a vibrar e a urrar de novo, eles sabiam que os jogos estavam prestes a começar; o Rei continuou seu discurso cheio de patriotismo, exaltando o reino de Dracon sobre os demais, e logo em seguida passou a palavra para os outros Reis que fizeram o mesmo, como uma forma de promover seu próprio reino, porém Steve já não escutava mais nada, em sua mente apenas a imagem de Lopus se fazia presente, ele sabia que tinha errado feio com ele, e que agora, era tarde de mais para fazer qualquer coisa, pois na manha do dia seguinte, os teste iriam começar.

***

Era por volta das quatro horas da tarde quando a arena se esvaziava quase por completo e Steve terminava de dar a ultima entrevista para os jornalistas da EnderTv.

–Com licença garoto mistério, uma ultima pergunta!-perguntou um dos repórteres.

–Sim, diga.

–Correm boatos de que você e a capitã do reino de Théfires tem um caso às escondidas, isso é verdade? Levando em conta o fato de que você e a princesa Saphire estão juntos...

–Bom... –Steve coçou a cabeça e olhou para os lados, como que procurasse por alguém. –Bom, eu diria que é mentira, mas não completamente, eu e a Adália somos grandes amigos, só isso.

–Mas Garoto mistério, o que a princesa Saphire acha disso? Ela desconfia de alguma coisa? Nossos telespectadores gostariam muito de saber!

–Ah... –Steve continuou confuso com as palavras do repórter, mas respondeu. –Ah, acho que vocês deveriam perguntar dela, eu não sei de nada...

–Então quer dizer que você não sabe se ela sabe?

–Se eu sei se ela sabe que eu sei? –perguntei Steve já com a cabeça fervendo.

–Gente está bom, o Steve tem de descansar! Amanha ele vai ter um dia cheio! –Disse Saphire aparecendo atrás de Steve para a surpresa dele. –E olhem, eu e o Steve estamos juntos viu?! –Disse Saphire beijando-o na bochecha. –E caiam fora, espera, eu já não disse isso?!

Todos os repórteres se retiraram e deixaram Steve e Saphire sozinhos enfim. Na arena alguns poucos tributos continuavam a dar entrevistas e os reis, como já era de se esperar tinham partido há tempos, deviam estar em alguma reunião há essa hora já os capitães se encontravam com eles e por isso Steve não conseguiu encontrar Adália, o que o deixou frustrado e ao mesmo tempo feliz que ela não ouvira o que ele disse.

O sol já se colocava no horizonte e o tom laranja dominou a arena de ponta a ponta, Steve e Saphire se sentaram na arquibancada e esperaram até que todos saíssem e restassem apenas poucas pessoas com eles.

–Steve vai ter uma festa agora à noite, parece que o Rei de Dracon convidou todo mundo pra ir e meio que todos os tributos vão estar lá, bom, eu queria saber se...

–Não Saphire, me desculpa mas eu não quero ir... –Respondeu Steve sem nem deixar Saphire terminar.

–Ah, mas você nem sabe o que eu ia dizer seu idiota! –Disse ela inchando as bochechas, típico de uma princesinha mimada como ela era.

–Ah, me perdoe Saphire... –Disse Steve sorrindo. –E então? O que você ia dizer?

Saphire olhou para Steve e notou que ele a olhava enfim.

–Bom, é que eu queria que fossemos à festa, vai ser legal, todo mundo vai estar lá e eu acho que você vai gostar...

Steve continuou em silêncio olhando para a arena, em sua mente se passava tanta coisa, a pouco tempo atrás ele morava sozinho no meio da floresta tendo que lutar para sobreviver noite após noite, e agora, ele estava ali sentado do lado de uma princesa sendo convidado para uma festa.

–Eu ouvi dizer que o rei mandou matar mais de quinhentos porquinhos e vacas, não vai faltar carne, ele mandou os cozinheiros fazerem várias fornadas de pães, e sopa de chocolate.

Steve olhou para Saphire com seus olhos azuis através das mechas de seu cabelo castanho.

–Terminou? –perguntou ele.

–Agora sim, e aí? O que me diz?

–Não. –Respondeu Steve sério. –Eu queria fazer algo diferente, você aceita dar uma volta comigo Saphire? Sei lá... vamos andar sem rumo pelo reino e explorar um pouco. –Disse Steve se lembrando dos anos em que morava sozinho, da época em que tinha todo um mundo para explorar, ele adorava conhecer lugares novos e viver aventuras, e disso ele sentia muita falta, desde que começou a viver com outras pessoas. –Você vai ver, vai ser muito divertido.

–Não, eu quero ir pra festa, vem comigo, vai ser mais divertido! –Ecoou Saphire pegando na mão de Steve e o puxando para consigo, no entanto ele se soltou.

–Eu não quero... –respondeu Steve. –Desculpa Saphire, vai sozinha...-Disse Steve um pouco triste.

Saphire sentiu seus lábios tremerem de leve e uma vontade de chorar, mas simplesmente fechou os olhos.

–É isso que eu vou fazer mesmo! –Disse ela dando meia volta e correndo para fora da arena. –Eu não preciso de você pra nada! Seu idiota! –Ela correu até sumir da vista de Steve.

“Ah... valeu Steve, mandou bem mesmo.” Dizia seu subconsciente olhando para ele e rindo sarcasticamente, mas Steve o mandou calar a boca.

Steve se levantou e começou a andar para fora da arena também, não iria atrás de Saphire, iria fazer uma coisa muito mais importante. Ele estava no reino de Dracon enfim, ele aguardara a muito tempo para vir ali, e sabia que não poderia deixar aquilo para o outro dia, pois os jogos já iriam começar. Enfiou as mãos nos bolsos e procurou por aquilo que guardara a tanto tempo, desde o dia em que ele cruzou com ela no espirito de aventura, se passara tanto tempo desde então, mas ele ainda se lembrava dos seus cabelos loiros, dos seus olhos castanhos, ela disse que morava não muito longe da arena, e de fato era isso mesmo.

“Rua das Tulipas Vermelhas, casa de madeira talhada... cerca de ferro...” – Repetia Steve para si mesmo à medida que ia caminhando pelo reino de Dracon, sentiu uma alegria invadir seu peito quando encontrou a tal rua, ele sabia estar perto, já podia imaginar o sorriso dela ao ve-lo, mas sabia mais do que tudo que precisava conversar com ela sobre a maldição que havia jogado em Adália.

Steve conseguiu avistar a tal casa, era bonitinha na verdade, mas a grama estava alta e as flores que estavam na janela se encontravam murchas, como se a casa estivesse abandonada, Steve respirou fundo e tomou coragem, abriu o portão de ferro e andou pelo caminho de pedras brutas até ficar de frente para um pequeno jardim de tulipas onde pegou flores até formar um pequeno buquê, de fato ia ser horrível bater à porta dela depois de tanto tempo e chegar de mãos abanando, Steve sentiu raiva de si mesmo por não ter comprado algo melhor; nesse momento a noite já caía e ao longe era possível ouvir e ver os fogos de artificio da tal festa de que Saphire falava.

Steve bateu na porta.

Por um segundo ele conseguiu ouvir os passos de alguém vindo de dentro da casa.

–Quem está aí?! –perguntou uma voz feminina, Steve reconheceu a tal voz no mesmo instante, sim, ela estava atrás da porta.

–Mel, sou eu... –Disse Steve engolindo em seco, seu nervosismo o atacava.

–Ste-te... –Disse a voz sem abrir a porta. –Steve... é você quem está aí? Isso não é real, só pode ser outra alucinação...

Por um segundo nosso pequeno herói sentiu uma alegria em seu peito, a verdade é que ela andara pensando nele, mas o lado ruim disso é que ela não parecia nada bem.

–Sim Mel, sou eu sim, eu vim... –Steve se calou por um tempo. –Eu vim te procurar como eu havia prometido...

Nesse momento a porta se abre e por um segundo Steve e Melanie se olham, depois de tanto tempo, depois de tudo o que aconteceu eles enfim se encontraram, os dois se abraçaram e sentiram o calor transbordar entre eles, Steve caiu nos cabelos macios dela e uma lágrima escorreu por sua face, ele não sabia por que chorava, ele não chorava, mas poder estar com Melanie depois de tanto tempo era emoção demais, os dois se afastaram.

–Eu senti tanto a sua falta Steve... –Disse Melanie se derramando em prantos ao ver que era ele de verdade. –Aconteceu tanta coisa desde aquele dia, eu nem sei por onde começar Steve...

–Não precisa dizer nada, e-eu...

–Steve, espera... Você não está mais com a Adália? – perguntou Melanie se afastando dele e secando as lágrimas de seus olhos.

–Saphire, me desculpe... –Respondeu Steve olhando para baixo. –É sobre isso que eu vim falar com você...

–Não! –Gritou Melanie no mesmo instante. –Se você só veio aqui pra me mandar tirar a droga da maldição pode ir embora! Eu achei que você gostasse de mim de verdade, mas parece que você só quer...

–Não é isso! –Gritou Steve mais alto. –Você não percebe o mal que você fez?! O quanto você está fazendo ela sofrer?! –Steve tinha razão, Melanie não tinha apenas acorrentado um demônio à alma de Adália, tinha a condenado a passar a eternidade vagando no Nether, sem rumo, apenas uma alma isolada para sempre, era o que acontecia com todos aqueles que se metiam no caminho do lorde das trevas.

–O que eu fiz?! E o que ela fez?! Ela tirou você de mim! –Disse Melanie chorando. –Eu não vou tirar a maldição, se eu fizer isso você vai voltar pra ela correndo! Se você não vai ficar comigo também não vai ficar com ela!

Steve apenas colocou a mão nos olhos e procurou o motivo pelo qual ela tanto o amava, então aquilo era amor? Ele ficou tanto tempo sozinho que já se esquecera o que era gostar de alguém.

–E quem disse que eu vou ficar com ela? –Disse Steve sem demonstrar sentimento algum. –Você não percebe que eu te amo Melanie?

A pequena feiticeira caiu sobre os joelhos no chão e começou a chorar, ela não podia acreditar naquilo...

–O-o, Ste-teve... Me ama? –Repetia ela para si mesma enquanto as lágrimas escorriam de seus olhos.

–Sim Mel, eu te amo... Sempre te amei... –Repetiu Steve erguendo-a do chão e a abraçando. –Mas por favor, agora que vamos ficar junto pra sempre, você poderia tirar a maldição da Adália?

–Nós va-vamos... ficar ju-juntos pra sempre? –perguntou Melanie olhando nos olhos de Steve.

–Sim, nós vamos... –Respondeu Steve. – Mas só se você retirar a maldição da Adália...

Melanie abaixou a cabeça e por um segundo pareceu pensar...

–Você vai me enganar... Se eu fizer isso você vai correr atrás dela na primeira chance que tiver.

–Não... eu...eu...

–Você promete Steve? promete que vai ficar comigo?

Steve apenas respirou fundo, seu coração batia forte, sabia que aquilo era um caminho sem volta, mas se fosse pra salvar Adália e livra-la do inferno...

–Sim, eu prometo. –Disse Steve sério. –Mas você vai ter que me deixar ir para os jogos primeiro, pode ser amor? –Disse Steve atiçando a garota que ele sabia estar em suas mãos.

–você me chamou de amo-mor? Steve?

–Sim, por que não chamaria? Eu te amo Mel...

Aquilo foi o suficiente para fazer a feiticeirinha segurar o rosto de Steve e se aproximar dele. Steve virou o rosto para o lado e cerrou os lábios, aquilo não estava certo, ele de fato gostava dela mas por algum motivo ele não queria beija-la, mas, assim como tudo na vida, nada é de graça, e ele sabia disso, e foi por isso que ele a beijou.

–Mel, você pode tirar a maldição da Adália agora? –perguntou Steve.

–Não.

–Como é?! –perguntou Steve surpreso. –Por que não?! Eu já disse que...

–Eu sei Steve, mas fazer um contrafeitiço vai demorar um pouco, amanha eu lhe dou a poção que vai salva-la, tudo bem?

Steve sentiu uma tristeza inundar seu peito, iria demorar mais um pouco para salvar Adália. Ele sabia que ela estava sofrendo, sabia que ela preferia não tocar no assunto da maldição, mas Steve não poderia ficar parado vendo-a morrer aos poucos, e se para salvar Adália for preciso abandona-la para sempre...

–tudo bem Mel, eu espero.

Pouco tempo depois Mel convidou Steve para entrar em sua casa, conversa vai conversa vem e a jovem garota começa a se atiçar para cima do pequeno, ninguém ficou sabendo, mas naquela noite Steve chorou em silêncio, sentindo o corpo daquela que um dia amou acariciar o seu.

***

Na manha seguinte Steve chega ao quarto de Adália onde ela o recebe com um sorriso nos lábios, no entanto, Steve chora em seu colo, Adália não sabia o motivo e por mais que insistisse Steve não lhe contou, o que a fez ficar triste, depois disso os dois tomaram café da manha e Steve já recuperado perguntou onde seriam os jogos, Adália lhe disse que seria em uma floresta não muito longe dali.

–Adália você poderia pegar um pouco de leite pra mim? –perguntou Steve segurando um frasco de poção na mão.

–Oh, sim, claro Steve.

Nesse momento o nosso pequeno herói estica seu braço e coloca o conteúdo do frasco dentro do copo de Adália, ele sabia que estava acabado, sabia que aquele frasco continha o contrafeitiço que Mel havia feito. -Está aqui Steve.

–Obrigado. –Respondeu ele.

Adália levou seu copo à boca, e por um segundo sentiu um gosto diferente, mas continuou a tomar seu leite. Ao fim do café da manha os dois entraram na carruagem que os levaria para o local da matança, Steve sentia sua cabeça latejar e Aiden, que vinha ao seu lado parecia bem despreocupado, mas notou que Steve estava diferente, mas não tocou no assunto.

–Chegamos! –Disse o cocheiro que guiava os cavalos, eles pararam em frente à um túnel que se iniciava na base de um montanha. –É só vocês seguirem por esse túnel até chegar em um quarto onde vão ter pessoas que vão dizer o que fazer dali pra frente, entenderam? –Disse Adália séria.

–Sim. –Disse Aiden, já Steve continuou em silêncio.

–E lembrem-se, vocês podem desistir se quiserem, basta dizer em voz alta que desistem que um sistema de redstone vai tira-los de lá, mas eu acho bom não fazerem isso, é melhor morrer com dignidade do que envergonhar o reino de Théfires com a covardia de vocês, estou certa!?

–Si-sim... –Responderam Steve e Aiden em unissom, apesar disso, Adália sabia que eles dois tinham grandes chances de ganhar.

–Ah, e... peraí... –Disse Adália procurando algum coisa em sua armadura. –Ah sim, a Saphire mandou dizer que acredita em você Aiden, mas disse que o Steve pode morrer se quiser, ela não se importa.

Steve e Aiden se entreolharam rapidamente mas não deram uma palavra a respeito daquilo.

–Pois bem, vão logo! –disse Adália sorrindo.

Steve e Aiden se entreolharam, eles estavam somente com a roupa do corpo, sem armas, eles teriam que batalhar se quisessem ganhar os jogos. Ambos caminharam por alguns minutos até chegar no tal quarto onde tinha um homem loiro e de armadura de ferro.

–Andem logo, corram! Vocês estão atrasados! -Outro soldado de armadura veio e levou Aiden embora, enquanto isso um relógio na parede que contava de forma decrescente indicava que faltava um minuto para o inicio dos jogos.

–Lembre-se, você vai Spawnar cercado de outros jogadores, no centro de vocês vão ter vários baús onde poderão encontrar armas e comida, assim como itens preciosos que vão auxiliar na sobrevivência de vocês, à noite a floresta se enche de monstros, baús estão escondidos por toda a ilha e neles vocês podem encontrar itens raros, o campo de batalha tem um limite que é dado pelo Oceano... Acho que é isso, boa sorte!

Nesse momento Steve olhou para trás e notou que faltavam dez segundos.

–Senhor, mas e se...

–Vamos logo Steve, entre no portal! Já está na hora! –Disse o homem apontando para um portal do Nether que estava logo atrás de Steve. –Fique calmo, esse portal vai te fazer Spawnar na floresta, não tenha medo!

–Eu sei disso... –Steve caminhou em direção ao portal onde por um segundo sentiu seu corpo se desmaterializar e a nuvem roxa subir e envolve-lo, até que como num passe de mágica ele aparecesse na tal floresta, era possível ver todos os outros tributos, Steve conseguiu reconhecer Lopus e Neon dentre todos, mas Aiden estava bem longe dele. Ele percebe que tem um contador que paira sobre uma pequena casa onde tem vários baús, o sol estava quente naquela manha, e tinha um pequeno lago que cercava a tal casa, sobre o lago quatro pontes faziam a conexão entre as duas terras, ao longe tinha a floresta...

“Droga... Eu não tenho a mínima ideia do que fazer!” – Pensou Steve ao ver que o contador chegara a zero.

Continua

Notas finais
Muito obrigado por ler até o fim, rsrs até...