- Estranha Obsessão -

51 Uma palavra amiga...



Uma palavra amiga...


Aline acordou com seu celular avisando que tinha uma nova mensagem, cansada ainda devido à noite de ontem, levantou percebendo que estava no quarto, mas Victor não estava.

Ao invés dele tinha um bilhete junto a uma rosa vermelha sobre o travesseiro, no bilhete estava escrito.

“Se eu pudesse fugiria com você, em um lugar onde nada nem ninguém nos atrapalhasse, como não posso me contento com momentos inesquecíveis como o de ontem, obrigada seu Victor”


Sorrindo como uma boba, e cheirando a rosa, se sentou na cama, tocando o travesseiro de Victor o abraçando, ainda com os olhos fechados pensou no homem que tinha a transformado em outra mulher, segurando fortemente abraçada ao travesseiro, ainda assim, seu celular tocou, fazendo com que ela atendesse sem ver quem era.


– Alô? Novamente o silencio, irritada que a mesma pessoa tinha atrapalhado seu momento, falou.

– Merda, se não quer falar não me liga! Você é idiota ou o que?


Quando ia desligar, a pessoa falou roucamente.


– Posso ser tudo menos idiota.


Não foi necessário perguntar quem era, reconheceria essa voz em qualquer lugar, ambos ficaram em silencio por um bom tempo quando ele falou.


– Desculpe te atrapalhar, mas eu precisava ouvir sua voz.


Aline não precisava perguntar se ele, estava bem ou não, ela sentia que ele não estava, mas por educação falou.

– Você sempre pode ligar Paulo, como você esta?

– Ando preocupada com você, sumiu, sem ao menos dizer adeus.


Paulo não pode deixar de rir, mesmo estando na merda, no fundo do poço essa mulher conseguia isso dele, ainda achando engraçado falou.


– Você fala como se fosse minha mãe.


Aline achando engraçado falou.


– Talvez eu seja isso, uma vez que não pode haver mais nada entre nós, disse brincando mas sendo sincera.

Ouviu ele suspirar profundamente, e como se fosse uma eternidade falou.


– Eu não preciso de uma mãe, mas obrigada de qualquer forma.


Aline não soube o que falar, manteve-se calada, estava surpresa que ele estava ligando para ela, mas ficou feliz do mesmo modo.

Também sentia que ele estava precisando dela, de uma voz amiga, sem pensar falou o que sentia em seu coração.

– Você não esta sozinho Paulo, eu não sei pelo que esta passando, mas não esta sozinho, nunca se esqueça disso.

Apenas ouviu sua respiração ficar mais calma, ela jamais imaginou que o homem na outra linha deixava lagrimas cair de seu rosto, o quanto a voz dela o acalmava e o deixava mais forte, seja o que fosse que ela representasse para ele era forte, pois ele precisou dela, da voz dela, do apoio dela.


– Obrigado, disse agora roucamente, eu queria te perguntar uma coisa, tentei outras vezes mas não consegui, disse sem graça.


Aline agora rindo disse que ele poderia perguntar qualquer coisa.

Paulo ficou em silencio, Aline até achou que ele tinha desligado, mas quando ia perguntar, ele disse.


– O que faria se estivesse em suas mãos decidir algo que influenciaria a vida de uma pessoa, ao ponto de tirar-lhe o direito de escolha?

– Se estivesse em suas mãos à decisão? O que você faria perguntou ao mesmo tempo em que pensava sobre isso.

Como responder isso? Ela não sabia o que falar, jamais imaginou uma pergunta desse estilo, sendo sincera disse.


– Eu não sei, nunca pensei nisso, se você explicasse um pouco mais talvez entenderia mais e poderia te ajudar.


Mas Paulo disse, apenas.

– Responda Aline, o que faria? Você pensaria no bem estar da pessoa? Se é errado ou certo?

Aline ficou calada, ela não imaginava sobre o que se tratava, mas falou.


– Eu faria o que tivesse que ser feito, mas nunca machucaria aqueles que eu amo, eu não ouviria a ninguém além do meu coração, eu não sei sobre o que se trata, mas eu lutaria até o fim, acreditaria no que o meu coração deseja e não no que as pessoas dizem.

– Você deve seguir seu coração, falou agora roucamente, deve seguir o que quer sem se importar com que as pessoas falem, deve acreditar em você!

– Eu acredito em você , é engraçado mas eu acredito que você jamais faria mal a uma pessoa, por isso siga o que seu coração mandar.

Paulo sorriu, sem perceber falou a Aline.


– Meu irmão não te merece Aline, eu espero que ele nunca a machuque, caso contrario vou acabar com ele, se ele mesmo não acabar com ele antes disso, disse serio.


Aline ao ouvir isso sentiu medo, sentia que essas palavras eram sinceras, para quebrar o clima perguntou.


– Quando você voltar?


Mas ele já tinha desligado o telefone, irritada e ao mesmo tempo mexida com suas palavras se levantou, encontrando a empregada fazendo seu café da manha.

Só então ela foi ver a mensagem e viu que era de Denise.


“Estou animada para começar a pintar, que tal vir hoje em minha casa? Segue o endereço, por favor me avise caso aceite. – Denise”.


Achando que era uma boa oportunidade, mandou mensagem aceitando e avisando ao Leonel que iria sair.

Tomando seu café rápido e um banho saiu ao encontro de Denise.

Ao chegar a sua casa ficou de boca aberta, realmente ela era milionária, quando deu seu nome o portão foi aberto e não demorou muito viu Denise vir em sua direção.


– Obrigada por vir Aline, espero que não tenha te atrapalhado.


Aline sorriu, como da outra vez ela estava bem simples, era uma mulher bonita mas não muito marcante, ela parecia saber disso e não se importava muito pelo jeito.

Ainda a observando ouviu Denise falar.


– Se já acabou de olhar tudo que queria melhor me seguir.


Sem graça pediu desculpas e a seguindo foi encaminhada ao lado oposto da casa, foi quando ela viu um estilo de cabana ou estilo de galpão se analisasse pois era imenso, mas com varias divisões, totalmente o oposto da outra casa, onde tinhasse luxo por onde olhava.

Quando entrou logo gostou do ambiente, era calmo bem iluminado e a cara de Denise, ainda observando isso ouviu ela falar.


– Aqui é onde eu pinto, se quiser pode dar uma olhada nos quadros que estou fazendo.

Curiosa Aline aceitou e quando viu algumas das suas pinturas, não pode deixar de falar.


– Uau Denise, são lindos, suas mãos são de fada.

– Nunca vi ninguém com um dom como esse, quando olho aos seus quadros eu sinto a emoção, a energia que você transmite para eles, deve se orgulhar muito disso!


Denise por um momento olhou a mulher a sua frente, e sorrindo agradeceu, ela não imaginava o quanto seu elogio tinha a agradado, por ser filha de um homem de influencia muitas das pessoas compravam seu quadro pelo nome e não pelo seu dom, isso a irritava muito, quando as pessoas falavam o quanto tinham gostado ela achava que era tão superficial, e ver Aline comentando era algo novo para ela, algo que estava gostando antes de começar a iniciar a pintura perguntou.

– Vamos tomar um chá? Comer algo? Depois que começar acredite será bem demorado disse rindo e mostrando o caminho da cozinha.

Ambas agora na cozinha, Aline ajudando e rindo ao ver Denise supresa como ambas se davam bem falou.


– Então o que Victor achou do quadro? Foi como você esperava?


Se antes o ambiente estava bom, por um momento ficou tenso, respirado fundo e já com a xícara na mão, falou a Denise.


– Ele não conseguiu ver o que eu vi, disse desanimada e triste.


Segundo ele o quadro é uma prova viva de que o Poder é a única coisa que importa nessa vida, eu queria saber como uma pessoa pode ser tão cega! Disse inconformada e tirando uma risada de Denise que falou.


– Bem vinda ao mundo dos ricos, mundo onde sorrimos quando queremos mandar as pessoas ir para aquele lugar, disse secamente.


Aline observando Denise viu que estava muito desanimada, e falou.

– Ele não é assim Denise, ele é mais que isso... Ele pode não ver ainda mas eu sei que por tras daquele homem frio de negócios, existe uma pessoa boa, gentil e que pode fazer muitas coisas boas.


Denise apenas balançou a cabeça e desanimada disse.


– Te desejo sorte amiga, por que eu lutei a minha vida toda para mostrar ao meu pai isso, mas não adiantou...

– Logo se vê que você gosta muito de Victor, e ele deve gostar também de você disse segurando agora minhas mãos.


Você não deve ter me visto mas em um dos eventos eu estava e vi vocês dois, em realidade você anda na boca das pessoas disse rindo ao ver a minha surpresa.


– Como assim?


Bebendo seu chá e olhando para mim falou, sorrindo.


– Victor nunca te falou que tem interesse pela politica? Alguns anos atrás ele até pensou em entrar para essa área, mas decidiu seguir outros caminhos, devido a isso ele é muito conhecido pelas pessoas, tem vários contatos e claro é muito requisitado nos eventos, mas nunca ficou com a mesma mulher, sempre uma mulher diferente e pela primeira vez eis que em todos os eventos e lugares que vai, esta você.

– Linda, sorridente e sempre ao seu lado, claro que as pessoas estão falando de vocês!

– Algumas pessoas já apostaram que esse ano ele se casa, disse rindo ao ver eu engasgar com o chá.


Olhando ela e ao mesmo tempo respirando fundo para me recuperar, disse pasmada.


– Uau essa para mim foi a pior, disse rindo e achando graça da ideia.

– Casar?

– Eu e Victor?

– Acho que isso seria algo bem improvável, ele nem se quer quis me dar um anel de compromisso disse já me arrependendo.


Denise riu e disse agora para me consolar.


– Bem o que poderíamos considerar do homem que tem um passado tão sombrio?


Quando ela percebeu o que tinha falado, pediu imediatamente desculpas se levantando com a desculpa para preparar os instrumentos para iniciar a pintura, mas foi impedida por Aline que agarrou-a perguntando.


– O que aconteceu no passado?


Denise sem graça falou.


– Não cabe a mim contar, sinto muito Aline...

– Esqueça isso, e vamos nos concentrar em nós.


Mas Aline não aceitou e falou! Me fale droga, eu amo esse homem!


Denise respirando fundo falou.


– Acho que não cabe a mim falar, se quiser ir embora esteja a vontade mas não sou dessas pessoas que ficam falando da vida de outras!

– Se o ama, então pergunte a ele, desculpe disse sem graça e ao mesmo tempo com medo de perder sua amizade.


Aline respirando fundo, aceitou e ambas seguiram ao salão onde Aline sentou-se e Denise começou a criar os primeiros esboços.

Quando já tinha dado por volta de uma hora ela perguntou a Denise.


– Por que afinal quis me pintar? Eu não vi em nenhuma das suas pinturas pessoas, todas era de paisagens.


Concentrada na pintura Denise , parecia em outro mundo mas mesmo assim respondeu.


– Realmente não é meu forte, mas quando alguém tem algo que me interessa eu sempre acabo pintando disse apontando a outro quarto, para que eu fosse até ele.


Assim fiz e foi quando vi três quadros, cada um era mais lindo que o outro, mas um dos quadros me fascinou, era um homem com seus cinquenta anos, via no quadro tanto poder, tanto desejo de mais, sentia como se ele estivesse ali, foi quando percebi Denise também olhando ao quadro e eu disse.


– É como se ele estivesse aqui, mas mesmo assim sempre concentrado em uma única coisa, Poder, uma pessoa cheia de ambição, ele parece concentrado em si apenas, disse tocando seu rosto.


Denise balançando a cabeça concordando e disse, apresento ao meu pai, o Senador Lourenço, o homem que se concentra tanto em seus desejos, que esqueceu do mais importante.

Sem graça e triste por ela, saímos quando tentei ver o que ela tinha feito, fui impedida.


– Prefiro que veja quando finalizar, mas tenho certeza que vai amar, vai demorar a gente terminar pode ser por volta de umas duas semanas, mas valerá a pena.

– Por hoje acho que foi o suficiente.


Aliviada que tinha chegado, combinamos para a próxima semana eu vir novamente, mas antes de sair ainda ouvi ela falar, até sexta. Estranhando pois hoje era quarta feira, apenas levantei minha sobrancelha esperando uma resposta e a obtive.


– Duvido que Victor vai perder o evento de sexta feira, é aniversario de meu pai, disse rindo ao ver a surpresa de Aline, meu pai e o pai de Victor tem grande amizade, por isso provavelmente ele irá, vai ser divertido ter alguém com quem conversar, disse se despedindo e beijando seu rosto.


Aline ainda estava pensando na coincidência de tê-la encontrado, mas se analisasse não era tanta assim, tinha perguntado a Victor sobre alguma galeria de sucesso e ele tinha indicado essa, logo era porque conhecia, sorrindo e saindo logo viu Leonel, que abriu a porta do carro e juntos foram embora.

Resolveu ir ao escritório e quando chegou se entregou em ligar para marcar algumas reuniões e confirmar outras, ainda fazendo isso, viu Victor chegando do seu almoço, quando ambos se olharam ela não pode deixar de sorrir.


– Pensei que não fosse vir hoje, disse feliz em vê-la ali.


Ainda esperando a pessoa vir atendê-la na linha, falou.

– Bem meu chefe é um carrasco sabe? Ele não me dá folga então, aqui estou.

Ainda olhando para ele, a pessoa do outro lado da linha disse algo, mas antes que ela pudesse responder, Victor foi em sua direção e tirando o telefone de sua mão desligou-o.


– Ei disse Aline, mal humorada mas antes que pudesse dizer algo, foi agarrada e beijada por ele, ambos por um momento esqueceram de onde estavam, em cada beijo ambos se sentiam mas quentes e realizados, Aline gemendo tentou se afastar mas Victor não facilitava, ambos anda assim foram interrompidos quando o telefone tocou e assustando ambos inicialmente e depois caindo ambos na risada pela situação.


Aline ainda olhando para ele pegou o telefone e dispensou a pessoa p mais rápido que pode, sentindo Victor mas próximo pegou o documento que precisava levar para tirar copia e deu levemente um tapa nas mãos de Victor.


– Se comporte, a noite ainda nem chegou, disse piscando e tentando sair antes que ambos comessem um ao outro ali mesmo.


Victor rindo, levantou seus braços como mostrando estar rendido, quando Aline se levantou foi pega de surpresa ao ser agarrada e levantada para um abraço forte e tão profundo.


– Vai logo disse Victor, vai antes que eu me esqueça que estou a trabalho, acho que estou entendendo por que não gosto de você por aqui, você é distração demais, prazer demais, paixão demais...


Rindo com sua forma de falar, saiu não o encontrando novamente, só quando ambos estavam indo embora, onde ela aproveitou para perguntar sobre o book, com toda essa correria, tinham apenas iniciado, mas não terminaram, Victor deixou claro que não queria mais a fotografa, iriam ver outro, rindo e achando que não era para tanto, se calou quando notou que para ele foi.

Victor era um homem possessivo, se ele sentisse que alguém pudesse tirar ela dele, ou ameaçar era o suficiente para modificar as coisas, ele não queria que eu me expusesse, pensando nisso ela estava imaginando como ia contar a ele que estava posando para Denise, aproveitando o momento perguntou a ele se tinha algum evento e de faro como Denise falou, nessa sexta feira iam ao aniversario do pai de Denise, segundo Victor ia ser uma festa muito prestigiosa e boa para a imagem da empresa.

Calada apenas aceitei, antes de irmos para casa, paramos em um restaurante e ficamos ali juntos aproveitando nosso final de noite, bebemos e namoramos, nada poderia ser mais perfeito que isso, pensou antes de ambos saírem e seguirem para casa juntos, ela estava ficando mal acostumada pensou olhando ele dirigir e ao mesmo tempo cantar uma musica que ela tinha posto no carro, riu ao ver que ele era bem desafinado, mas se excitou quando sua voz rouca penetrou sua mente.

Ela estava definitivamente ferrada...

Notas finais
Faça uma escritora feliz comente ^^