Desespero e dor

A festa do Senador era fúnebre para mim, muitas pessoas, luxo mas por algum motivo estava odiando estar ali, logo vi Denise, estava junto a um homem muito bonito, ambos pareciam entretidos, por outro lado Victor estava apenas observando tudo como sempre, era bastante cumprimentado, mas não falava muito.

Eu para varear estava como de costume em minha terceira taça de champanhe, dessa vez não vi Mara, Helena ou algum conhecido mas fui salva por Denise que ao me ver começou a conversar e me contar um pouco de cada pessoa presente, sempre discreta mas precisa pensei rindo ao vê-la falando do homem agora conversando com Victor, ambos falavam tão baixo e perto que por um momento achei se tratar de um assunto extra confidencial, pensei rindo.

Ainda assim, Denise me puxou dizendo que eu deveria conhecer seu pai pessoalmente, nada comentei mas logo estava eu ali em sua frente olhando-o e realmente Denise em seu quadro conseguiu retratar o homem em toda a sua extensão.

- Sr. Lourenço disse cumprimentando-o e felicitando-o pelo seu aniversario.

- É um prazer conhece-lo, sou grande admiradora de sua filha, falou ao invés de falar que era dele, claro que ele percebeu assim como Denise, mas nada comentou.

Lourenço apenas olhou a mulher que estava a sua frente, era bonita pensou, não era a toa que estava com Victor, esse sempre tinha as melhores pensou interiormente, dando sua mão e desejando a ela uma boa noite, ao mesmo tempo em que agradecia pela sua presença, ainda assim viu Victor vir em sua direção e como magica seu semblante mudou, ele queria Victor em seu partido, mas o homem era difícil pensou.

Já tinha feito varias ofertas, mas nada tinha surtido efeito, olhando como ele segurava a mulher, e o modo que ele a olhou, pensou que talvez ela pudesse o ajudar, afinal todo mundo tem um preço não?

Apos ambos cumprimentarem-se Lourenço falou a Victor.

- Gostaria que você e seu pai se sentassem minha mesa Victor, seria uma grande honra.

Victor não pareceu gostar observou Aline, mas por educação agradeceu e disse que iriam.

Ainda observando isso vi o pai de Victor chegar próximo de nós e todos os quatro foram em direção à mesa, sentando e conversando, ia ter pelo que tinha sido informada um discurso, e somente depois o bolo.

Ainda distraída senti, Denise olhando-me fixamente, não resistindo falei.

- Já olhou o suficiente?

Tirando dela um sorriso e ao mesmo tempo ela disse.

- Você é observadora e marca as coisas, interessante. Bem estava olhando que se beber mais um pouquinho vai começar a dar um show aqui, e acredite se não fosse minha amiga eu ia amar algo assim acontecendo, disse rindo ao ver eu colocar longe a minha taça.

Realmente ela tinha razão, mas por algum motivo eu estava agoniada, ainda pensando nisso vi que iam começar a falar no palco improvisado, prestando atenção e distraída, me encostei em Victor, sendo amparada por seus braços.

Ainda cheguei a falar a ele.

- Vamos embora Victor? Eu não estou com um bom pressentimento, sei que é bobagem mas quando me sinto assim, eu prefiro estar em minha casa.

Victor apenas me olhou, e beijando-me disse em meu ouvido.

- Logo estaremos em casa meu amor, tente aguentar, sei que esta um tedio, mas aparências é importante em meu mundo.

Balançando a cabeça positivamente, calou-se.

Parecia uma eternidade quando finalmente Lourenço foi ao palco, todos em respeito ao grande homem ficaram em silencio, em dado momento, Aline falou a Victor que ia ao banheiro e assim o fez.

Depois de usar e estar agora lavando seu rosto mesmo que tirasse boa parte de sua maquiagem, pois ela estava enjoada ouviu os primeiros gritos de horror.

Estranhando e não entendendo o que se passava saiu e foi quando ela percebeu a correria, gritaria e fumaça.

Um incêndio estava ocorrendo, desesperada tentando sair dali, foi pisoteada caindo e ficando tonta, sentiu medo.

Quando Aline ia tentar se levantar alguém desesperado tropeçava nela a fazendo cair novamente, ela ia morrer pensou desesperada e já com lagrimas em seus olhos.

-

O desespero era grande, quando o incêndio começou todos estavam tão distraídos que não perceberam, quando assim o fizeram já estava se alastrando, a gritaria era tremenda, desespero também.

Sua primeira reação foi correr por sua vida, mas Aline, ele não poderia deixar por ela.

Desesperado foi agarrado por seu pai, que dizia conhecer um caminho fácil.

Antes que pudesse dar um passo ele disse.

- Vá, eu te encontro lá fora.

Álvaro estava indignado, claro que ele não deixaria seu filho! O fogo estava se alastrando, a fumaça fazia com que não conseguisse ver nada, somente um louco iria para lá!

Ainda tentando empurrar Victor, sentiu esse se soltar e correr em direção ao banheiro onde Aline estava.

- Ainda gritou, nenhuma mulher vale isso! Deixa de ser idiota, mas Victor não estava mais ali.

Antes de ir até ela Victor tirou sua camisa molhando-a com a agua que tinha acabado de pegar ao sair correndo em sua busca, enrolando em seu rosto começou a tentar enxerga-la, mas estava difícil, era uma loucura , as pessoas gritavam o desespero era tremendo, sentiu que não ia aguentar, mas quando pensou que poderia a perder, ganhou uma força sobrenatural, gritando seu nome, nada obteve de resposta ainda mais nessa gritaria de desespero.

Quando achou que tudo estava perdido, ouviu seu nome ser gritado, chamou-a de novo e ouviu apenas um leve gemido, foi quando percebeu onde estava, ganhando uma força além do normal a puxou, ele não conseguiria a levar não com ela assim, semi desmaiada, desesperado pela primeira vez em sua vida começou a rezar, pedindo para que ambos vivesse, ele não conseguiria viver sem ela.

Ele não saberia responder como conseguiu achar a saída, mas a primeira coisa que notou foi ser socorrido e apontar a mulher caída ao seus pés.

Aline foi logo socorrida, Victor recebeu imediatamente socorro e ambos foram juntamente com outras pessoas em uma ambulância para o hospital.

Victor ainda procurou por seu pai não o achando, mesmo preocupado ele só conseguia ver que em nenhum momento ela abriu os olhos, nada.

As lagrimas dele agora caiam, nunca tinha sentido tanta dor, tanto medo.

Ele não queria perde-la, ainda se recordou dela pedindo para ir embora, por que não tinha a ouvido? Se culpando colocou a mão sobre sua cabeça se abaixando.

Um enfermeiro vendo isso perguntou se ele estava com tontura, mas nada respondeu ao invés disso ali mesmo na frente de todos o poderoso Victor chorou, e implorou para que a ajudassem, para que ela não morresse, para que não tirassem seu maior tesouro.

Notas finais
Faça uma escritora feliz comente ^^