- Estranha Obsessão -
48 Um novo guarda costas
Um novo guarda costas
Após voltarmos para nossa casa Victor começou a trabalhar como um louco, mesmo com tudo isso, sempre dávamos jeito de estar um tempo um como o outro.
Após mudar o anticoncepcional, meu humor melhorou consideravelmente e também não tive mais problemas, mesmo assim Victor decidiu que era o momento de contratar um novo guarda costa, ele até queria que Sandro ficasse no lugar do anterior, mas fui categoricamente contra.
Logo fiz questão de eu mesma escolher, uma vez que todos foram indicados pelo próprio irmão de Victor, Jorge.
Ainda pensando nisso, cheguei ao escritório encontrando Augusta ao telefone, mas me vendo pediu por um momento e colocando sua mão tampando o telefone disse.
- Victor está te esperando, pode entrar Sra. Mendes.
Batendo na porta, entrei e o encontrei olhando para fora do prédio, estava distraído, não percebendo que eu estava ali.
Não resistindo fui a sua direção na ponta dos pés e o abracei fortemente, colocando meu peso e sentindo seu corpo grudado ao meu.
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Victor não precisava se virar para saber quem estava ali, quando sentiu ela o abraçar não pode deixar de ficar feliz.
Ele tinha marcado as entrevistas e logo começariam, pediu para que ela estivesse presente, assim não teriam mais problemas direcionados a isso, entre os entrevistados havia ao todo três homens e uma mulher, todos tinham experiência e estavam capacitados para total segurança e proteção.
Se virando sorriu e a beijou, como sempre estava linda, e conseguia de alguma forma fazer com que as pessoas se encantassem por ela.
Mara não fazia muito tempo tinha ido tirar satisfação com ele, ainda lembrava-se das palavras da sua irmã.
“Victor, você já parou para pensar que Aline seja a mulher ideal para você? Se continuar a ser esse cabeça dura, ainda vai se arrepender, depois não adianta vir pedir opinião”
Mas logo ambos mudaram de assunto, o motivo que a levou ali era outro, e ele sentiu-se aliviado quando soube o porquê de sua presença.
- Paulo precisara ficar um tempo afastado, ele disse que estará controlando de longe o que pode, tem que resolver alguns problemas disse Mara mordendo seus lábios.
Ela sabia que Paulo definitivamente tinha muitos problemas, por isso entendia que ele precisava mesmo desse tempo, suspirando olhou para Victor e disse.
- Victor, você já pensou em procura-la? Quero dizer ambos sabemos que não teria adiantado, mas você nunca tentou certo?
Não era necessários nomes, Victor sabia do que se tratava, ele não gostava de falar do passado, mas entendi a curiosidade de sua irmã.
Agora olhando para ela e vendo seu nervosismo falou, cansado
- Certas coisas não tem solução, é melhor esquecer ou fingir que nunca ocorreu, o que quer Mara?
- Que eu viva como um fracassado por causa de um erro?
- Eu quero viver, e agora que estou com Aline, sinto mais vivo do que nunca.
Mara apenas balançou a cabeça, ela não aceitava tudo o que ele falava, mas entendia que as vezes a melhor coisa era esquecer e viver segundo nossas regras.
Ela mesmo tinha esse exemplo, seu pai mesmo depois da festa a tinha chamado para conversar e a conversa que era para ser civilizada tinha se tornado um verdadeiro caos, ela tinha falado algumas verdades e recebido outras também.
Para piorar tudo seu pai tinha deixado claro que não aceitaria para sua filha uma situação como essa, mas ela tinha deixado mais claro ainda que ela não precisava de sua aceitação, o que ela mais precisava era do seu amor incondicional, coisa que não tinha.
Ainda concentrada em seus problemas ouviu Victor perguntar ansioso.
- Quanto tempo ele vai ficar fora?
Como se alguém pudesse adivinhar, pensou consigo mesmo, mas falando exatamente como Paulo avisou.
- Ele disse que ficará até tudo estiver em ordem, pode demorar quinze dias, trinta ou até dois meses, quem vai saber ao certo?
Victor nada falou, mas desejou que não voltasse mais, chateado com seu desejo, sabia que estava sendo egoísta, apenas agradeceu Mara que saiu perdida em seus pensamentos, ela estava ansiosa para hoje a noite, pela primeira vez ela e Pam iam ter um encontro.
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- Victor? Chamou novamente Aline, conseguindo dessa vez sua atenção.
- Algo não está bem? Você esta muito calado, disse se sentando e cruzando as pernas de forma sensual.
Victor apenas balançou a cabeça concordando que tudo estava bem, ambos ainda se olhando ouviram Augusta telefonar e avisar que os entrevistados estavam todos presente.
Victor se levantando, pegou a cadeira onde Aline estava sentada colocando ao seu lado.
- Bem minha rainha, disse tocando seus lábios, vamos começar a entrevista assim podemos nos concetrar em nós.
E assim foi, todos os candidatos eram competentes e bons no que faziam, seu currículos e indicações eram de primeira, dificultando quem escolher.
Apesar de Aline estar ali quem estava mesmo controlando e conversando era Victor.
Era engraçado, já estava no final e ela não tinha gostado de nenhum ainda, talvez estivesse sendo exigente demais, calou-se e nada comentou com Victor, quando estava quase desistindo, viu um homem entrar na sala, ele era bem alto, negro e assim que ela o viu se simpatizou, sentiu que ele era a pessoa certa, Aline considerava muito a primeira impressões que as pessoas deixavam nela e definitivamente o olhar e o modo de se comportar dele tinham dado a ela uma sensação de segurança.
- Pode entrar e senta-ser disse Victor olhando para o homem na porta, dando sua mão em comprimento e Aline fazendo o mesmo começaram a fazer as perguntas.
- Leonel Fernands, vinte e nove anos, trabalha nessa área a catorze anos e já esteve em vários casos de risco pelo que vi aqui, o que te faz querer um cargo tão monótono perante os outros que já trabalhou?
Leonel por nenhum momento olhou a mulher, ele se concentrava em seu papel, Paulo deixou claro que ele tinha que conseguir essa vaga, assim poderia agir a seu favor.
- Gosto muito da área que trabalho, disse olhando agora ambos.
- Mas não tenho mais vinte anos, por isso prefiro algo que possa atuar sem jamais comprometer ninguém.
- Tudo que faço querer ser o melhor, disse com convicção.
Victor nada comentou, mas de fato pelas informações ele era realmente bom no que fazia, ele pela primeira vez dentre todos se interessou por um, para a vaga e olhando para Aline percebeu que ela sentiu o mesmo, mas ainda faltava falar o que achava necessário.
- Além de proteger a Sra. Mendes quero também que ela aprenda a se defender, técnicas básicas e como manusear uma arma, poderia coloca-la em uma academia e local próprio, mas quero que tudo seja feito de forma discreta sem que ninguém saiba.
Aline estava surpresa, ele não tinha em nenhum momento comentado isso, por que ela precisava de aulas de autodefesa e aprender a manusear uma arma?
Antes que pudesse perguntar ou reclamar ainda o ouviu falar.
- O contrato é para um ano e em todo momento você apenas responderá a mim, Aline terá total liberdade e seus horários nunca são flexíveis, após dizer isso mostrou a ele um contrato e o valores inclusos pelos serviços.
Leonel não se surpreendeu quando viu o valor e as normas, era interessante esse homem estava com medo de algo, ele não ligava para horário, estando na cola de Aline satisfaria ambos, Paulo e Victor.
Estava ainda surpreso de Paulo ter conseguido que ele fosse indicado, quando achava que tinha visto tudo, sempre acabava se chocando.
- Conversaremos e entraremos em contato, disse Victor mesmo sabendo que esse era um grande profissional em potencial, antes faria algumas pesquisas sobre ele e assim que tudo estivesse limpo, ele tinha quase certeza que estaria, poderia começar a trabalhar.
- Claro disse Leonel se levantando e agradecendo pela oportunidade, assim que saiu Aline falou.
- Eu gostei dele, de todos foi o que mais me interessou, agora mudando de assunto por que eu tenho que aprender a usar uma arma? Defesa etc?
Victor irritado de ter que falar sobre isso, olhando para ela disse, acredite mais que estar sempre protegido, é poder sempre se proteger e pegar o inimigo de surpresa.
- Quero que você saiba o básico, poderemos depois treinar juntos, eu sou ótimo nisso, disse piscando e tirando de Aline um leve sorriso.
Ainda sentada perto dele, tocou seu ombro e começou acariciar, não resistindo perguntou.
— E o que você não é bom Victor?
Victor, olhando para ela disse.
— Isso eu vou deixar você descobrir por si mesmo, ambos ainda estavam se beijando quando a porta foi aberta e Augusta entrou ficando sem graça em encontralos tão perto.
- Desculpe senhor!
- Mas a reunião vai começar em poucos minutos.
Victor suspirando, disse que já ia, antes de sair ainda falou para Aline, hoje à noite teremos mais uma reunião de trabalho, chegarei tarde, mas esteja pronta para mim Aline, por que eu estou em meu limite, estou precisando de sua atenção disse já saindo da sala.
Antes dela sair ainda ficou olhando um pouco o ambiente, era a primeira vez que ficava sozinha, quando ia sair a porta foi aberta, a assustando e para sua surpresa encontrou ali o pai de Victor, Álvaro.
- Oh desculpe falou ela sem graça, Victor já saiu estava aqui faz segundos.
Alvaro, não pode deixar de observar a jovem a sua frente, fazia tempo que ele queria uma oportunidade com ela, precisava falar e achava que ela poderia ser-lhe útil.
- Não estou aqui por Victor, mas por você mesmo, eu pedi a Augusta para que me avisasse quando você viesse ao escritório, se não se importar prefiro que venha até a minha sala.
Aline apenas balançou a cabeça, estava incomodada de estar com ele, estava receosa, o que ele poderia querer com ela?
Ambos seguiram até o mesmo andar que Victor, porém uma sala muito mais ampla e bonita, assim que foi convidada a se sentar Álvaro começou a falar.
- Pelo que pude perceber você é amiga de Mara e aquela jovem como se chama, falou demorando em lembrar mas logo falando o nome da Pamella.
Aline apenas balançou a cabeça concordando, ela estava agora com medo do que ia ouvir, não era preciso ser muito esperta para imaginar.
- Sim senhor, falou olhando que ele não tirava por um momento os olhos de seu rosto.
Como não gostando que eu o chamei de senhor disse.
- Pode me chamar de Álvaro, o motivo de ter te chamado era para te fazer uma proposta.
Ainda olhando para ele perguntou, Uma proposta?
- Sim, quero que aquela moça, deixe minha filha, disse ao mesmo tempo em que pegava um talão de cheque.
- Quanto quer para ajudar-me a separa-las?
Se em algum momento, tive respeito por esse homem, tinha acabado nesse momento, revoltada falei.
- E para quantos mais o Senhor pretende pagar? Por que pode ser que elas não deem certo, mas como deve ter percebido querendo ou não Mara gosta de mulheres, para mim isso é uma perda de tempo, disse pegando sua bolsa e se levantando.
Mas antes que conseguisse ele ainda falou.
- Minha filha tem trinta e quatro anos Aline, e nunca quis isso, foi quando essa moça entrou em sua vida que as coisas começaram a mudar, ela nunca foi assim! Disse agora revoltado e ao mesmo tempo envergonhado.
Eu não saberia de onde tirei a força para falar, mas ainda o encarando disse.
- Certas coisas nunca mudam, ela é o que é, acho que deveria aceitar e esquecer isso, Mara é uma mulher maravilhosa, deveria se orgulhar dela.
Agora irritado disse.
- Eu não quero sermões menina, quero apenas que elas se separem! Eu sei que a menina te ouviria, na festa de aniversario onde quer que você estivesse ela estava olhando, para ela você é um exemplo, vi e senti que ambas tem uma grande ligação.
- Pois estou disposto a pagar a você para que a incentive a não se envolver com Mara, ela nunca saberia disso, é só você dar uma mãozinha, sei que se você influenciar contra, ela aceitará.
Não pude deixar de ficar irritada, como as pessoas eram hipócritas!
- E já pensou em como sua filha ia ficar? Ela ama Pamella, elas necessitam uma da outra!
- Eu não irei falar sobre o que ocorreu aqui, mas se ainda quer o amor de sua filha, deveria pensar mais nos sentimentos dela, disse alterada e pronta para sair mas ainda ouvi.
- É uma pena, eu esperei mais de você.
- Para uma garota de programa, esta mais resistente do que pensei, diga seu preço e esse assunto acaba-se aqui.
Agora com raiva, estava pronta para dizer o que ele merecia, mas antes que pudesse Mara apareceu pegando ambos de surpresa e disse alterada.
— Você nunca muda mesmo, por isso que mamãe acabou desistindo de você!
- Quando vai aprender a deixar as pessoas viverem a seu modo?
- Me fala pai, quando você trepou com todas aquelas mulheres, você por algum momento pensou que estava acabando com a mulher maravilhosa que minha mãe um dia foi?
- Como pode? Como pode tentar comprar todas as pessoas? Sabe o que vai acontecer quando Victor souber que estava tentando usar sua mulher para mais um dos seus jogos?
Pela primeira vez notei medo, no semblante de Álvaro.
Agora olhando para mim, Mara falou.
- Pode sair Aline, esse assunto é entre meu pai e eu.
Como se Álvaro não tivesse ouvindo falou alterado.
- Você deveria se envergonhar! Tem tudo Mara, tudo e ferra a sua vida com uma mulherzinha.
Mara revoltada e pela primeira vez cansada de tentar ser o que ele queria para ela, disse.
- Aquela mulher é a minha mulher!
- Quando se referir a ela, a respeite.
- Quando falar com Aline a respeite! Pois acredite meu pai, elas dão de mil no senhor!
A partir de hoje nada mais temos a falar, quando o Senhor crescer me procure, enquanto ainda ser esse homem que acha que tudo tem que ser ao seu modo, esqueça de mim! E mais uma coisa, nunca mais use Aline de novo, Victor saberá do ocorrido e não vai gostar!
Saiu me empurrando junto e quando saímos na rua, me abraçou chorando pela primeira vez em minha frente.
Eu não sabia o que fazer, apenas a abracei, a levando até meu carro, se havia algo de errado nessa família era exatamente isso, todos de alguma forma queriam que as coisas fossem feitas a seu modo, ninguém se preocupada se isso era correto ou não.
- Se acalme Mara, seu pai queria seu bem, ele não entende, eu jamais trairia sua confiança.
Mara sorrindo agora entre lagrimas falou.
- Seu sei Aline, mas dói.
- Verdade seja dita, meu pai não ligaria que meus irmãos casassem com qualquer mulher, não importando sua posição social, mas quando se trata de mim, da minha preferencia sexual, ele acaba tornando minha vida um inferno!
- Você não imagina o quanto para mim é importante que ele entenda e aceite.
Meu coração pesou, como eu queria ajuda-la, aqui dentro do meu peito havia um desejo de falar umas boas ao pai do Victor, mas apenas consolei minha amiga dizendo que ela tinha que viver por ela, já era tempo de assumir e esquecer aqueles que não a aceitavam, por mais difícil que fosse.
Mais calmas, ficamos juntas quase a tarde toda, pude assim conhecer mais um pouco de Mara, e ver que muito da sua forma de ser era devido ao seu pai, ela era mais parecida com ele do que imaginava, ela o amava e queria que um dia a aceitasse 100%.
Notas finais
bjs e até.
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