- Estranha Obsessão -
57 Se concentre apenas em nós.
Se concentre apenas em nós.
— Victor o que esta fazendo? Perguntou Aline gritando quando era agarrada e jogada em sua cama.
Victor ao invés de responder, foi até o guarda roupa pegando mais almofadas e levando até Aline.
- Estou cuidando de você, não pode abusar...
- Deveria ficar feliz e não com essa cara de decepcionada, disse passando a mão em seu rosto com todo cuidado que era capaz.
Aline agarrou sua mão e emocionada disse.
- E quem disse que não estou feliz?
- Mas não pode me tratar sempre assim, não sou uma criança certo?
- E estou me sentindo maravilhosamente bem, disse se sentando e ficando com suas pernas cruzadas.
Victor não conseguia deixar de olha-la, estava mais linda do que costumava ser. Era interessante, mas a cada dia que passava ele se sentia mais e mais unido a ela, ele não conseguia mais imaginar a sua vida sem ela, ainda pensando nisso perguntou.
- Tem algo que você deseja? Um presente? Qualquer coisa, eu quero te dar.
Ele estava sendo sincero, queria dar a essa mulher algo que ela nunca se esquecesse dele, ele não suportava a ideia que ela poderia um dia se esquecer dele, de que viveram juntos.
Estava descobrindo ser mais louco do que imaginava, pois em seu sangue agora estava ela, ela fazia parte do seu ar, da sua vida.
Aline olhando para Victor não entendeu por que essa pergunta, mas tinha tantas coisas que ela desejava, ela queria nunca mais se afastar dele, ser sua mulher em todo sentido, queria uma família, queria que ele fosse seu, queria que ele perdoasse Paulo, queria tantas coisas que era difícil de explicar, olhando para ele ao vê-lo se sentar perto dela, o abraçou dizendo apenas.
- Eu sei que não era o combinado, mas há algo que eu desejo...
Victor olhando para ela disse.
- Pede e será seu, qualquer coisa.
-Aline achava engraçado, como ele poderia falar assim? E se ela pedisse para que ambos se casassem? Pensou achando engraçado e até com vontade de tentar jogar isso só para ver sua reação, mas ao invés disso falou.
- Eu quero saber mais do seu passado, quem foi Victor? Por que tem inimizades? Por que essa sempre tão triste? Desanimado? Quero saber mais de você, conhece-lo, entende-lo.
Victor pareceu surpreso com seu pedido, olhando para ela disse.
- Falar sobre mim não é nada interessante, é uma perca de tempo...
- Deveria aproveitar essas oportunidades para pedir algo que realmente vale-se a pena.
Aline agora brava em ouvir isso, pegou o rosto de Victor o segurando firmemente, sempre olhando concentrada nele.
- Tudo que se trata de você é importante, tudo!
- Desde o menino que foi um dia, o adolescente, o jovem empresário, ao o homem de hoje.
- Eu quero o que ninguém nunca teve Victor, quero ser sua confidente, ser alguém em quem confia, eu quero você o homem com seus erros e acertos.
- Isso é importante para mim...
- Sei que não vai ser de um momento para o outro, mas eu amaria conhece-lo mais.
Víctor estava emocionado, e isso era algo difícil de acontecer, nunca ninguém quis isso dele, estava acostumado a sempre ser ele, sempre por ele mesmo, mesmo tendo Mara que se preocupava com ele, não era a mesma coisa.
Eis que aqui estava uma mulher, querendo saber sobre sua infância, sobre seus melhores e piores momentos, ela não imaginava o quanto isso fazia ele feliz, o mais importante de tudo era que ele queria lhe contar, queria poder desabafar, queria viver com ela tudo o que ele foi e dizer-lhe que ela estava o fazendo ser um homem melhor.
Sorrindo a beijou e disse carinhosamente, tudo tem um preço sabe disso não?
Estou disposto a falar-lhe, mas quero também saber de você, disse sorrindo ao ver a alegria que ela mostrava ao ouvi-lo aceitar.
Ambos agora deitados juntos, Aline perguntou
- Como foi sua infância? Se dava bem com quem? E sua mãe? Pai.
Victor inicialmente nada falou, apenas olhou para ela, em dado momento como voltando ao passado começou a contar um pouco do que um dia ele foi.
- Minha infância não foi tão boa assim, Mara era bem controladora desde daquela época disse rindo ao me ver olhando-o curiosa.
- Bem meu pai você já deve saber se casou com minha mãe não porque a amava, mas porque ela tinha poder, dinheiro e era filha de um grande empresário que não possuía mais filhos, tudo seria dela, ela até então tinha um noivo e tudo indicava que casaria com ele, meu pai como sempre ao ver uma oportunidade não deixou passar, fazendo com que ela acabasse seu relacionamento e casasse com ele.
Aline ouvia tudo curiosamente, e percebia que não havia emoção quando Victor falava sobre esse fato da vida em sua família, não pôde deixar de perguntar.
- E você acha isso correto? Quero dizer para você isso parece ser algo normal, algo que você faria se fosse necessário falou com medo da resposta.
Victor antes de responder, olhou bem fundo nos olhos dela, e sendo sincero respondeu.
- Eu faria a um tempo atrás, pode ser estranho, mas sou muito parecido ao meu pai, mas hoje? Acho que hoje não faria isso por vários motivos, meu pai teve o que desejava mas pagou um preço muito caro por isso.
- Minha mãe quando percebeu que meu pai apenas a quis pelo dinheiro que possuía, sofreu muito, entrou em depressão e tentou de todas as formas conseguir o amor de Álvaro, ironicamente todas as gravidez que teve foi achando que consertaria seu casamento, até que ele conheceu uma mulher, que trabalhava em seu escritório, ficou encantado por sua beleza, era pobre mas trazia a ele tanta alegria, paz e felicidade que esteve por vários momentos decidido a se divorciar, claro que isso eu fiquei sabendo quando era mas velho através da minha mãe, eu e ela éramos muito unidos, disse olhando para Aline.
- E o que aconteceu com a mulher que seu pai estava apaixonado?
- Bem eles iniciaram um caso, ficaram juntos pelo que se supõem por vários anos, antes de minha mãe desistir do casamento e querer o divorcio, entre isso nasceu Paulo de um caso extraconjugal, não preciso falar que minha mãe o odiou até o fim de sua vida, ela não o tratava mal, e nunca fez com que a gente o tratasse mal, mas nunca conseguiu aceitar essa traição, por vários anos tacou na cara de seu marido o quanto ele era desprezível, e o quanto ela desejava voltar ao passado, sempre dizia que um dia ia embora, mas ele não acreditava.
Nosso pai o trouxe para morar com a gente quando ele tinha quinze anos de idade.
Cortando novamente ele Aline perguntou.
- Por que? Por que o trouxe para morar com vocês?
- Paulo na época estava passando por uma fase difícil, era muito rebelde por não ter a presença do pai como desejava, estava em varias brigas e também esse foi o pedido de sua mãe que estava doente na época, vindo a falecer poucos meses depois.
Ao ouvir isso, Aline ficou triste, já imaginava a infância que Paulo teve, teve pena, ainda pensando nisso perguntou.
- Vocês se davam bem? Mara ?
Victor sabendo onde Aline queria chegar, ficou serio mas mesmo assim respondeu.
- Sempre nos demos bem, por algum motivo os laços de sangue foi mais forte, no final das contas era eu ele e Mara sempre unidos, Jorge e Henrique não eram muito de se unir.
- Por isso éramos inseparáveis, entrando sempre nas piores burradas e tentando com que nossos pais não descobrissem.
Achando graça e curiosa falou.
- E se descobrissem? O que acontecia?
- Ficávamos dias de castigo, ou apanhávamos mesmo, mas nem por isso deixávamos de aprontar, uma vez Paulo e Mara resolveram sair escondido para ir a uma festa, eu até queria ir, mas tinha quebrado o braço jogando, e justo nesse dia estava doendo muito.
- Bem eles foram e não contaram a ninguém, beberam ambos como dois condenados e quando tentaram voltar para casa, não se lembravam do endereço de tão bêbados, disse rindo ao lembrar do fato.
- Nem preciso dizer que Paulo levou a pior parte não é? Para nosso pai Mara sempre foi a menina da casa, mesmo sendo a mais velha para ele era influenciada por nós, mas isso não era bem a verdade ela era pior que todos nos juntos, sempre foi.
- Paulo ficou um mês sem poder sair de casa, disse rindo e lembrando como ele zombava dele na época, no final ambos ficaram juntos, pois como ele estava com o braço quebrado Paulo o ajudava ao mesmo tempo que vivia lhe pregando peças.
Aline pode ver que Victor se sentia feliz quando lembrava de sua infância, sabia que ele não ia responder mas mesmo assim perguntou.
- Por que deixaram de ser tão amigos? Mesmo quando você fala dele na infância parece ser com tanto carinho, por que não agora?
Victor, olhou Aline e cansado disse o que achava ser certo.
- Eu sei que você se preocupa comigo, mas nada que você faça pode, ou poderá mudar o passado Aline, há coisas que não tem volta, ainda mais quando se trata de vidas envolvidas.
- Esqueça Paulo, esqueça que eu e ele não nos damos bem e se concentre em nós, faça isso para nosso bem, eu não quero que você se saia machucada, acredite que o passado esta morto, não existe mais solução, não importa o que aconteça não tem mais como mudar.
Triste e desanimada, falou para Victor.
- E se eu não posso esquecer? E se eu quero saber mais de ambos? Eu quero saber!
Com raiva Victor se levantou e antes de sair falou!
- É a única que quer isso! Por que não aproveita e pergunte diretamente ele? Pergunte sobre isso Aline. Esta na hora de saber que ninguém esta interessado no passado, pare com isso!.
Irritada e triste falou agora com raiva.
- Eu sei que você não é o mesmo por causa do passado! Eu quero que ambos encontrem a paz Victor! Sou tão ruim por desejar isso perguntou agora quase chorando.
Lembrar do passado, pensar no passado não era fácil, lembrar que por causa dele, Paulo tinha estado no inferno era difícil demais, pensando em tudo isso e querendo que esse assunto não voltasse mais a tona, falou mesmo sabendo que isso a machucaria.
- Sim, você é ruim! Não se envolva com isso, se quer me fazer feliz, deixe de querer saber de coisas que você não tem nada haver!
Somente se ouviu a porta batendo, Victor irritado, saiu precisava pensar, de ar, saiu deixando-a sozinha a chorar.
-
Revoltada e se achando uma grande tola, Aline se levantou para ir tirar satisfação, queria jogar em sua cara que ela nunca mais iria se envolver com isso!
Saiu da cama correndo a procura dele, mas quando percebeu que ele não estava mais em casa, ficou possessa de raiva, sem pensar se era certo ou errado, começou a jogar as coisas que via na sala sobre o chão, tudo que via em sua frente jogava como querendo desabafar sua dor, onde ela era tão ruim? Ela só queria ajuda-los, ela precisava disso porra!
Quando se acalmou viu o estrago que fez, caiu sobre o chão cansada e esgotada.
Sabia que estava errada, mas não conseguia se controlar, pensando nisso ligou para Mara que por sorte estava em sua casa, assim que percebeu que ela não estava bem, falou que iria vê-la, mas Aline recusou, combinado se encontrar em um bar que ela conhecia.
Assim que Mara viu Aline, soube que estava fora de si, ela estava usando um vestido que se seu irmão visse, seria briga por um mês.
- Onde você comprou isso? Perguntou olhando o tomara que caia, que não deixava muito a vista.
Aline ao contrario de responder se sentou pedindo uma bebida para ambas, assim que Mara percebeu se negou a vê-la bebendo, mas Aline disse revoltada.
- Eu preciso beber, desabafar e esquecer um pouco seu irmão, se não pode me ajudar pode ir embora!
- Ele disse que sou ruim, pois então esta na hora de agir como tal! Disse bebendo de uma vez a bebida de ambas pedida.
Mara olhando seu estado, apenas pediu uma bebida para si mesma, ao ver a sua ser bebida por ela, enquanto não chegava ficou olhando Aline ali desanimada em sua frente.
- Então? Que aconteceu?
Aline prestando atenção no ambiente que estava lotando e o ritmo da dança era quente.
- Eu perguntei a ele um pouco sobre seu passado, por que ele e Paulo não se dão bem, mas ele não falou e disse para não me envolver com isso...
Mara olhando para ela, perguntou descaradamente.
- E o que você tem haver com essa historia? Não acha que isso não tem nada haver com vocês?
Irritada que até ela achasse isso, Aline começou a beber mais e mais, mas ainda falou.
- Eu gosto de ambos, amo Victor e gosto de Paulo como um irmão, quando vejo que não se entendem, isso me incomoda, mesmo que ambos não falem eu sei que se odeiam, eu queria que se dessem bem, sei lá eu sinto essa necessidade, mas aprendi a lição hoje, disse colocando sua cabeça sobre a mesa, ainda assim ambas foram interrompidas quando um homem em direção a Aline falou.
- Você gostaria de dançar?
Mara olhando ao homem, não pode deixar de notar que era bonito, mas antes que Aline pudesse falar, começou a dizer.
- Ela...
Mas foi interrompida por Aline que disse.
- Sim, é disso que estou precisando, disse se levantando e indo até a pista onde estava varias pessoas.
Mara rindo que ela tivesse essa coragem, percebeu que seu celular estava tocando, não era necessário ser magico para advinhar quem poderia ser.
- Fala, disse quase gritando com o barulho a sua volta.
Victor chegou em casa, depois de correr um pouco, estava estressado, mas entendia que essa era a natureza de Aline, preocupado que ela fizesse alguma loucura, pois se a conhecesse bem sabia que quando estava fora de si, era capaz de tudo, ligou para casa avisando que logo chegava, mas já ai percebeu que algo não estava bem, pois ninguém atendia.
Com medo, apressou o mais rápido que pode, chegando cansado e acabado em casa, quando entrou na sala viu varias coisas no chão, inicialmente ficou irritado mas quando percebeu que ela não estava em casa, tudo passou, teve medo que ela tivesse o deixado, ou estivesse em perigo.
Ao perguntar na recepção se a tinham visto sair com alguém, apenas falaram que ela pediu um taxi.
Logo Victor tentou saber quem era o taxista, mas nada teve efeito, pegando uma bebida e bebendo descontroladamente, resolveu ligar para Mara, para saber se sabia de seu paradeiro.
- Está com ela?
Mara percebendo que sei irmão não estava com bom humor, e vendo Aline rebolando para o homem no palco, disse.
- Ela não esta muito bem, acho bom amanha vocês falarem melhor...
- Hoje ela vai ficar comigo, logo a levo ao meu apartamento e ela vai estar mais calma.
Victor mais calmo que ela estava com Mara disse.
- Corta essa e me fale onde estão! Eu vou para ai agora, já estou saindo em direção a garagem, falou andando depressa.
Mara achando que essa não seria uma boa ideia, falou tentando por uma ultima vez.
- Victor, ela esta meia ocupada agora, e não esta muito lucida.
Quando Victor ouviu isso, começou a prestar atenção aos ruídos.
- Onde vocês estão? Porra não me diga que é o que eu acho que é?
- Estão em um bar? Onde ela esta agora quero falar com ela!
Mara olhando para Aline, a via totalmente bêbada rindo a toa, deveria ser o efeito do remédio com a bebida....
Não querendo mais dar explicação deu o endereço esperando que ele demorasse um pouco para chegar, assim ela conseguiria tirar Aline do palco....
Victor nada falou, ao saber o endereço foi em direção como um louco, andava a toda velocidade, ultrapassando vários carros e recebendo varias buzinadas por sua loucura, mas não conseguia se concentrar.
Em menos de dez minutos chegou ao local, assim que chegou olhou ao seu redor e ficou paralisado ao ver a cena a sua frente.
Aline estava usando um vestido que até agora ele não tinha conhecimento, mas sabia que ia pica-lo até que não sobrasse uma única parte dele, ela estava tentando se soltar dos braços de um homem que parecia não estar gostando disso.
Estressado e fora de si, Victor foi em direção a ambos, somente percebendo Mara próximo, mas mesmo assim ele foi até o homem e sem nem mesmo perguntar nada o empurrou com as duas mãos fazendo com que ele quase caísse.
- Tire as mãos da minha mulher, falou pegando Aline e a puxando para longe dali.
Aline completamente bêbada e querendo que ele sentisse metade do que ela sentiu ao recusar contar-lhe a verdade, se soltou e disse.
- Mulher? Deve estar enganado amigo.
Mara que via tudo não pode deixar de rir da situação, mas quando Victor olhou para sua cara, calou-se na hora.
Ainda assim, o homem que tinha quase caído, foi em direção a Victor e para horror de Mara pegou os braços de Aline, puxando-a e dizendo revoltado e como se tivesse direito sobre ela.
- Eu cheguei primeiro, cai fora que hoje ela vai ser toda minha, não tá vendo que ela esta acompanhada e que ela gosta do que vê?
Mara olhava ao homem achando um absurdo do que ele estava falando, querendo rir de tanta loucura junto, mas quando viu Victor olhando para os braços do homem em Aline, sabia que isso ia acabar em merda.
E realmente assim o foi, em um golpe só Victor deu um soco com toda a sua força, fazendo com que o homem dessa vez caísse sangrando no chão, não se contentando com a cena ainda deu varias vezes golpes ao ponto de deixa-lo desacordado, Aline vendo isso foi em direção ao homem como querendo o socorrer, mas foi impedida por Victor, que gritava que ela era a sua mulher, que qualquer um que tentasse tirar ela dele, merecia isso, Aline horrorizada, o tocou tentando fazer com que ele parasse, e pelo jeito tinha surtido efeito pois Victor a pegou e a jogou com toda sua raiva ela sobre seu ombro, ficando ela sobre seu ombro esperneando, parecia cena de novela, pensou olhando já alguns seguranças chegando para apartar a briga , etc.
Quando Mara viu isso, foi logo resolver a parte burocrática, deixando o casal ir embora se resolverem por si, ela mais que qualquer pessoa sabia que a noite para ambos seria longa, muito longa se nenhum dos dois se matassem primeiro.
Em poucos minutos Mara pagou pelo prejuízo, dizendo que não voltariam mais ali, tudo deu certo, ela ainda chegou a desejar ser um mosquitinho só para ver o que ia acontecer com eles...
Uma coisa Victor não podia reclamar, sua mulher era louca, descontrolada e complemente apaixonada por ele, por isso fazia tantas loucuras, pensou saindo e ligando para Pamella e contando as ultimas loucuras de Aline.
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