- Estranha Obsessão -

75 Nem tudo é tão facil


Nem tudo é tão facil

Quando ela deu por si, lá estavam os quatro voltando finalmente para a casa, só de pensar isso ela se sentia viva.

Victor estava sorridente, desde a noite que passaram juntos, Mara estava mais animada, mas vire e mexe olhava aos lados, preocupada como se Sabrina pudesse a qualquer momento entrar no aeroporto e acabar com a vida de todos, só de pensar nisso tinha vontade de rir, para ela tudo era exagerado demais.

Paulo estava na sua, assim que viu a cara de Victor se tocou que algo aconteceu entre eles e claro, se fechou em seu mundo, fazendo com que ela se sentisse mal com a situação, mas ao mesmo tempo ela se perguntava o porquê?

Assim que Victor fez que ia sentar comigo, foi empurrado longe por Mara que mostrou outra poltrona, dizendo mal humorada.

– Depois vocês tem tempo, preciso falar com ela!

Victor olhando para mim, sem entender a atitude dela, apenas balançou a cabeça. Concordando mesmo que irritado.

Assim que colocamos o sinto, olhei para ela e a encontrei olhando para fora do avião, concentrada na paisagem que só a África pode nos mostrar.

– Espero não ter mais que voltar aqui, falou Mara respirando fundo e ao mesmo tempo olhando agora para Aline.

– Você tem que abrir o jogo com Paulo, ele esta sofrendo falou mostrando Paulo sentado bebendo e olhando Victor.

Quando presenciei essa cena, dele olhando ao Victor senti um frio em minha barriga, o que eu estava fazendo não era justo... Querendo agora chorar, senti Mara segurar minha mão.

– Sei que o ama, que quer ele bem, por isso confio que fará o que é melhor para ambos. Deixe que ele viva a vida dele Aline, não dê esperanças que sabemos ambas que nunca existira.

Ambas nos olhamos por tanto tempo sem necessidade de palavras, me sentindo culpada falei.

– Você deve me odiar, por fazer isso a ele...

Mas para minha surpresa ela respondeu.

– Aprendi uma coisa com tudo isso.

– Eu não sou mais responsável por eles, são homens feitos e sabem o que fazem.

– Cada pessoa tem um modo de ser, Paulo é totalmente o oposto de Victor, mas eu te falo à mulher que o tiver será sortuda, ele é um homem maravilhoso, por outro lado Victor é único, e desde que te conheceu mudou muito também.

Sim ela tinha razão pensou Aline olhando para Paulo e agora encontrando seu olhar sobre ela.

Não resistindo sorriu para ele e ele retribuiu, mas até um cego era capaz de perceber que seu sorriso era triste.

– Eu falarei com ele, farei meu melhor, Mara.

Mara agora mais calma falou.

– Mas não sentei aqui para falar de vocês, em realidade eu estou preocupada.

Agora curiosa, olhando-a perguntou.

– Preocupada com o que?

Mara irritada que eles estivessem tão confiantes falou, apertando os lábios.

– Droga com ela! Acha mesmo que ela vai deixar isso ficar assim?

– Vocês devem mesmo estar cegos!

– Sabrina não é tão fácil de se convencer ou aceitar a situação!

– Eu acho que deveríamos contratar um detetive para ficar na cola dela, ou alguém para protege-la Aline, pois você será a primeira pessoa que ela vai em cima.

Olhando para Mara e achando graça de sua preocupação sem noção falou.

– Deixe de exagerar, faz anos que eles nem juntos mais estão! É claro que ela esta chateada, revoltada e até fora de si, mas me machucar? Fazer mal a nós? Acho que esta exagerando Mara...

Mara agora olhando para Paulo perguntou.

– E se eu não estiver? Quer colocar a sua vida, a vida de Paulo, Victor em risco?

Ao ouvir isso teve medo, ela não ligava muito para si, mas por eles? Ela faria tudo para o bem de ambos.

Respirando fundo falou.

– Ok, você ganhou.

– Faça o seu melhor, sei que no fundo fará com ou sem meu consentimento, disse sorrindo.

Mara também sorrindo falou agora segurando sua mão.

– Eu queria que existisse duas Alines, assim veria ambos felizes, mas sou grata por você já ter feito tanto por ambos.

– Eu sei que vai machucar Paulo, mas seja firme e faça o correto, faça a sua parte que com o tempo ele conseguira ser feliz.

– Estaremos aqui para dar força a ele.

Olhando para ela nada pude falar, a não ser balançar a cabeça, pareceu uma eternidade quando chegamos, assim que me levantei senti as mãos de Victor sobre meu ombro.

Olhei diretamente para Paulo e mais uma vez me senti suja, mal pela situação.

Me afastando do toque de Victor falei.

– Agora não, essa situação esta me deixando doente.

– Você confia em mim? Perguntei olhando para Victor.

Esse não demorou em responder, confirmando que sim.

– Então me deixe ir com Mara, preciso antes de estar com você resolver com Paulo.

– Preciso desse tempo.

Victor por um momento quase entrou em desespero, mas se acalmou quando Aline tocou seu rosto e falou.

– Sou sua, sempre sua.

Mara se aproximando, logo foi até Aline quase agarrando-a para irem embora.

Ainda tive tempo de ver Paulo olhando a situação.

Ele estava triste, desanimado e perdido.

Meu coração doeu como nunca, pela primeira vez entendi que de fato eu queria apenas vê-lo feliz, mas não podia sacrificar a minha felicidade por ele...

Eu tinha que ser sincera, e isso tinha que ser logo.

Já fazia dez dias, desde que falei para Victor que precisava de um tempo, dez dias apenas! E pareciam meses.

Olhando para Pamella que estava comendo um pedaço de bolo ao mesmo tempo em que assistia um programa na televisão, não pude deixar de perguntar.

– Você se arrepender de estar com Mara?

Foi notável que quase o bolo de Pamella foi ao chão de tão distraída que estava.

Agora se concentrando em Aline falou, de modo serio.

– Claro que não! A única coisa que eu me arrependo é de não ter feito isso antes, ela é o homem da minha vida, ops a mulher disse sorrindo como se pudesse materializar Mara ali na sala.

Respirando fundo, ficou calada mas logo ouviu Pamella falar.

– Eu nunca fui de te dar conselhos, pelo contrario sempre os recebi, mas sei que anda em uma fase que tem dificuldade de pensar por si mesma.

– Acho que deveria enfrentar isso logo, só assim poderá encontrar a paz que tanto necessita.

– Você é forte, consegue superar isso e fazer o melhor.

Palavras tão curtas mais tão impactantes, não resistindo se sentou próximo a ela e a abraçou fortemente.

– Obrigada Pam, eu fico tão feliz que encontrou sua felicidade.

– Você tem razão, eu vou vê-lo.

– Preciso falar com ele e finalmente me sentir livre para fazer o que desejar.

Sorrindo ambas mulheres concordaram, mas Aline sabia que falar era mais que fácil que fazer.

Antes de sair, esbarrou em Mara que não parecia estar nada bem.

– Onde vai? Perguntou irritada.

Era estranho a vê-la assim, agora curiosa ao invés de responder perguntou.

– Que passa? Por que esta assim?

Mara irritada jogou sobre a mesa um envelope fazendo com que esse caísse sobre o chão.

Assim que Aline tentou se agachar para pega-lo sentiu suas mãos parar no ar, em todas elas via-se Sabrina, mas ela não estava sozinha, em muitas fotos ela estava com Álvaro.

– Ainda duvida que ela nada fará? Perguntou Mara irritada entrando na sala de estar, pegando uma bebida e a bebendo rapidamente.

Antes que pudesse falar algo Mara falou.

– A cadela, precisa de uma lição! Quem sabe uns tapas? Sabe que eu sempre desejei dar uns tapas na cara dela?

– Pelos Deuses mal saiu daquele inferno e já esta atrás do meu pai?

Olhando para ela, não pude deixar de perguntar.

– Deveria ficarmos preocupada com isso? Quero dizer com seu pai?

Mara agora olhando para o copo ao invés de Aline, falou baixinho, quase ao ponto de não se escutar.

– Sim...

– Principalmente com ele.

Chateada de ouvir isso perguntou.

– Victor e Paulo sabe disso?

Mara rindo de sua pergunta, falou sarcasticamente

– Se não sabe logo saberá, acha mesmo que eles nãos abem das coisas? Aline acorda!

– Se você fode com Paulo, Victor, se você esta até com uma simples febre eles se preocupam e ficam sabendo! Imagina quanto ao meu pai esta ajudando aquela vadia?

– Ei Mara, pode ser que ele não estava ajudando! Não temos prova disso, não ainda.

Mara irritada agora, pegando os documentos, mostrou uma quantia exageradamente alta depositada na conta de uma pessoa.

Não precisava saber para quem estava sendo destinada, mas o pior era que a mesma quantia tinha sido tirada da conta de Álvaro.

Ainda achando isso muito mal planejado falou.

– Eles teriam mais cuidado certo? Poxa Alvaro conhece seus filhos, não esta tudo muito na cara?

Respirando fundo, tentei ainda ver algo positivo na situação, mas não havia como.

Sabrina estava mesmo disposta a ferrar com a vida de todos, mas eu não deixaria.

Acabaria com a vida da cadela, se tentasse algo contra qualquer um que ela amasse.

Irritada, mal falou que ia sair, deixando Mara a olhar os documentos sozinha.

Ela precisava ver Paulo, uma coisa por vez.

Ela cuidaria de Sabrina no tempo certo.

Ela ainda tinha a chave, logo entrou mesmo sabendo que não era correto e se assustou com o que viu.

Sobre a sala de estar tinha um quadro, era maravilhoso, ele não estava ali antes.

Se aproximando olhou com mais atenção e se assustou quando percebeu que a mulher do quadro era parecida, ou melhor era ela!

Seguindo com suas mãos cada traço, por um momento sentiu fazer parte do quadro, e muito ele tinha haver com seu espirito.

A mulher no quadro, estava cansada, triste e chateada, mas ainda tinha um sorriso deliciado, ela olhava para um lugar vazio, parecia querer fazer algo mas não achava forças para isso, assustada ouviu a porta se abrir e deu de cara com Paulo que ao vê-la ali, não pareceu chateado, ou surpreso.

Apontando ao quadro perguntou.

– Desde quando o tem? Não o vi antes.

Paulo olhando ao quadro falou que era uma encomenda que tinha feito e só o tinha recebido a poucos dias.

– Não parece surpreso por eu estar aqui, perguntou Aline meia acanhada.

Paulo ao invés de responder, foi até Aline e a ajudou a tirar o casaco que estava usando, quando percebeu ela se afastar agarrou seu ombro, e disse agora irritado.

– Do que tem medo?

Ao olha-lo falou sem mesmo pensar.

– De machuca-lo.

Pela primeira vez o viu sorrir, ao mesmo tempo que tocava seu rosto delicadamente, como se ela fosse de porcelana.

– Já o fez, já me machucaste Aline...

– Cada vez que olhou para ele, que o deixou toca-la, cada vez que sorriu para ele, que fez sexo com ele... Me machucaste quando parou de acreditar em nós, em mim.

– Eu tive esperanças, mas não sou tolo. Seu coração não esta mais dividido, sabe o engraçado de tudo isso?

– Mesmo assim eu ainda a amo, eu sempre a amarei, eu sempre te esperarei, mesmo sabendo que isso nunca acontecerá.

Tocando agora seu rosto, Aline perguntou.

– Por que? Eu preferia que você me odiasse.

– Tudo seria mais fácil não?

Paulo se afastando dela, chamou um empregado e pediu para preparar uma bebida para ambos, assim que a olhou falou.

– Seria mais fácil para você, mas nunca para mim.

– Entenda uma coisa, quando eu amo uma pessoa eu amo, eu me entrego, esse sou eu.

– Mas eu sei por que você esta aqui, eu esperei por esse dia.

– Estou esperando por dez dias Aline, dez dias esperando que entrasse naquela porta e finalmente encarasse a mim, a você mesma.

– Mas antes que isso aconteça, eu quero me abrir com você como nunca fiz a ninguém, eu não preciso perguntar sobre sua decisão ela esta em sua cara.

– Eu só que uma coisa, quero que me prometa uma coisa.

Nunca ela se sentiu tão temerosa, o que ele queria? Ela poderia dar?

Continua....

Notas finais
Bem meninas devem perceber que a historia esta finalmente chegando no fim :'( Pois é, tamos quase lá... E ai gostando? Como todas sabem eu estou com minha mãe ainda internada :| Logo que terminar essa historia pretendo quando tudo estiver melhor, escrever outra :* Queria algo sobre vingança rs mas diferente digamos que a personagem principal "mulher" seria osso duro de roer rsrs mais uma paixão daquelas fervendo, que acham? Beijos adoro vocês e estava morrendoooo de saudades de postar :| e ler os comentarios que me animam tanto em continuar.