- Estranha Obsessão -
20 Revelando um pouco do passado
Revelando um pouco do passado
Quando acordei, Victor ainda estava dormindo e pelo jeito ia dormir por um longo período, quem mandou beber tanto? Pensei pulando da cama e sentindo uma leve dor no corpo.
Estava com muita fome e também queria ver Pamella, corri direto para o banheiro, e após cuidar de tudo sai do quarto, não antes de dar mais uma olhada para Victor e tirar a garrafa do chão para que não ocorresse algum tipo de acidente.
Não precisei andar muito quando esbarrei em Mara que estava totalmente de calcinha e sutiã.
- UAU você não existe, disse rindo e mostrando seu estado.
Mara ao invés de ficar sem graça falou.
- Hum realmente meu corpo é lindo não? Disse dando uma voltinha.
Minha vontade era de tacar algo nela, mas acabei rindo, ela era assim mesmo, não tinha jeito, agora que estava mais junto dela, estava a conhecendo melhor e entendendo que essa era a sua personalidade, ainda refletindo isso ouviu Mara perguntar.
- Pode me emprestar alguma roupa sua? Ainda não fui para casa e preciso de um banho, acho que se você tiver algum vestido vai dar, depois peço para Sandro ir buscar algo em casa.
Fui ao quarto e peguei um vestido e um conjunto de lingerie novo para ela, provavelmente ficaria um pouco largo mas dava para quebrar o galho.
- Como ela esta? Perguntei apontando para o quarto onde estava Pamella.
Eu passei a noite lá, ela acordou hoje de manha, mas logo dormiu de novo, pelo jeito ficou um bom tempo sem dormir para valer.
Quando estava saindo, ainda senti Mara segurar minha mão.
- Aline, eu queria saber um pouco mais sobre a vida dela, mais dela sabe?
- Sei que é sua amiga mas eu gostei dela, mesmo que nunca aconteça nada eu queria ser sua amiga.
Fiquei surpresa com sua forma direta de falar, não queria me meter nesse assunto, minha prioridade era que Pam ficasse boa, mas se de alguma forma Mara pudesse a ajudar, eu faria de tudo para que ambas se dessem bem.
Apenas balancei a cabeça dizendo que depois falaríamos melhor, que não era o momento.
-
Assim que entrei no quarto notei que ela estava acordada, fui direto em sua direção e a abracei.
Parecia que estávamos voltando ao passado, quantas e quantas vezes, ficamos assim?
Quantas lagrimas não derramamos uma na outra?
Quantos planos não fizemos para o futuro? Para que assim nunca desistíssemos de nossos projetos?
Ironicamente ela tinha desistido por um homem, ainda me lembro de Pam falar que nunca pararia de trabalhar, que sempre seria independente.
Mesmo pensando em tudo isso ainda estava escolhendo as palavras para falar de André para ela e também explicar quem era essas pessoas, ela mais do que ninguém sabia que eu não tinha parentes próximos ou amigos.
- Senti saudades Pam, falei tocando seus cabelos.
Pamella estava mais alerta e atenta a tudo, por mais que estivesse agora mais animada, ainda estava preocupada com André. O amava, queria estar com ele, sentia-se culpada por nunca poder dar a ele os filhos que tanto desejava.
Ainda tinha tentado falar em adoção mas recordava muito bem o que ele tinha feito quando propôs isso.
Tremeu lembrando disso.
André tinha gritado e para a surpresa dela foi a primeira vez que deu-lhe um tapa na cara.
Parecia que estava vivendo um pesadelo, voltando ao passado, sua primeira reação foi ir embora, pegar suas coisas e esquecer ele.
Foi quando André percebendo que ela não iria aturar isso, pediu perdão chorando e falando que nunca mais faria isso.
Ela acreditou, ela que sempre jurou não acreditar em mais ninguém.
E realmente ele melhorou nas primeiras semanas, mas bastava ele ver crianças ou saber de alguém que estava para ter filhos que ele se revoltava e jogava na cara que ela era inútil, estéril.
Foi difícil entender que em realidade André era um homem violento e não apenas por causa disso, mesmo assim morria de medo de perdê-lo, tinha medo de estar sozinha, tinha entregado a esse homem tudo que ela mais tinha de valor, seu amor, seu coração.
Aceitou então ser punida, aceitou que era mesmo inferior, quando sua amiga ligava, não atendia porque sabia que ao ouvir sua voz, não aguentaria, ia chorar.
Quando percebeu que alguém estava na porta de sua casa, ficou assustada. André tinha sido muito claro que não deveria abrir para ninguém.
Foi quando na curiosidade olhou pela janela meia escondida e viu ela, mesmo assim ainda tinha se decidido não abrir a porta, mas quando a viu ir embora, seu mundo desabou, sem pensar em nada mais correu até ela, tinha que ter seu apoio, sabia que ela poderia entendê-la, Aline já tinha sofrido muito em sua vida, ela era capaz de ajudá-la.
Jamais imaginou que André voltaria tão cedo e quando viu que ele estava ao ponto de fazer o mesmo com sua amiga, seu sangue ferveu.
Pela primeira vez viu que ele era capaz de tudo, que nunca a amou ou a quis de verdade.
Mesmo assim ainda doía, doida saber que nunca poderia ser mãe, que nunca acharia alguém que a amasse pelo que ela era, como queria isso, ao contrario de sua amiga, queria sentir o que era estar rodeada de crianças, festas de aniversários e Natais com presente secreto, queria alguém para se apoiar.
Nunca teria isso.
Começou a chorar de novo, pensar que nunca teria isso era como uma facada, quem ia querer uma mulher que não tinha um emprego, não era bonita o suficiente e era incapaz de ter filhos?
O que ela tinha feito de sua vida?
E como ela conseguiria sair dessa?
Como se Aline pudesse a entender ela falou a coisa que eu mais queria ouvir, uma única frase mais a mais importante de todas.
- Você vai conseguir sair dessa, você é mais forte do que imagina, e eu estou com você.
Distraídas não ouviram quando Mara entrou, mas ela também falou.
- Eu também estou aqui, sempre que precisar pode contar comigo!
E ali ficamos as três na cama, uma com a mão na outra.
Era uma sensação nova, sentia que se antes era eu e Pam.
Agora seria eu , Pam e Mara.
-
Pam dormiu deixando eu e Mara a observando.
Foi quando comecei a contar um pouco da historia de Pam a Mara.
- Eu não posso contar com detalhes da vida de Pam, porque isso seria ser indelicada, trair sua confiança.
- Mas eu vou contar um pouco para você entender a situação ok?
Mara apenas balançou a cabeça, estava curiosa e ao mesmo tempo tensa.
- Pamella assim como eu quando criança sofremos abusos sexuais, devido a isso e alguns acontecimentos fomos enviadas a um orfanato, tínhamos por volta de 17 anos mais ou menos.
- Nos tornamos inseparáveis, mas Pamella ainda passou por outra coisa disse agora com lagrimas nos olhos.
- Pamella devido aos abusos engravidou, após ter a criança colocou em adoção.
Era difícil saber que uma mulher tão pequena e delicada tinha sofrido tanto pensava Mara, o mais difícil era que ela desejava poder tirar toda a dor dela, essa sensação era algo novo para ela.
Normalmente queria receber, mas não agora, ela queria dar a Pamella tudo.
- E a criança?
- Nunca soube da criança? Perguntou ansiosa.
Aline balançou a cabeça desanimada.
- Foi adotada, mas nunca mais soubemos dela, era uma menina.
- Pamella achou que era a melhor coisa a ser feito.
- Mara, falou agora pegando sua mão.
- Não conte a ninguém sobre isso, é algo que a gente preferi enterrar e esquecer.
Mara balançou a cabeça concordando e ficaram um bom tempo ali, olhando e quando saíram ambas pela primeira vez estavam mais unidas do que imaginavam.
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