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1 Knowing Yourself
Notas iniciais
Primeira semana de aula. Eu era nova na escola e na cidade. Havia me mudado a pouco tempo de uma cidade metropolitana. E agora me mudei para uma cidade menor que a minha natal. Logo nos primeiros dias de aula já percebi os maus olhares, pessoas cochichavam quando eu passava pelos corredores. Já faz cinco dias e não consegui coragem para falar com ninguém, e ninguém teve coragem para começar uma conversa comigo. Na sexta feira tivemos somente a manhã de aula e a tarde estávamos livres. Enquanto guardava meus materiais na pasta uma menina de cabelo curto e preto se encostou a minha carteira.
— Oi! Você é nova não é? Eu me chamo Hana, e esse é Nori.
Fiquei surpresa por alguém ter puxado assunto comigo, nesses últimos dias eu estava totalmente sozinha em meu mundo.
— Sou Yasu Hayashi. E sim, sou nova por aqui. ... Hana? Não é melhor que lhe chame pelo sobrenome?
Não era normal chamar alguém que acabei de conhecer pelo seu nome. Eu não era acostumada a isso.
— Pode me chamar de Hana mesmo. As pessoas aqui da cidade levam muito isso a sério. Pois são uns bandos de velhos! —
Da risada. — Mas não se preocupe com isso. Ah, e se quiser eu lhe chamo de Hayashi mesmo. Caso não seja acostumada com isso.
Eu havia corado um pouco. Não éramos amigas o suficiente para tal intimidade, mas mesmo assim era novo para mim chamá-la pelo seu nome. Achei melhor seguir o rumo deles.
— Certo. Pode me chamar de Yasu também. Não vejo problemas.
Ela parecia contente com a minha resposta. Então o menino alto com cabelos loiros deu um passo à frente, olhou para mim e falou:
— Estamos indo a uma casa abandonada ao norte da cidade. Vamos nós dois e mais alguns amigos nossos. Se você quiser vir para conhecê-los...
Uma escola abandonada? Ao norte da cidade? Isso era bem longe dali. Bem longe da minha casa. Hana parecia que tentava me convencer a falar “sim” me olhando com seus olhos grandes que brilhavam verde com castanho na luz que entrava pela janela.
— Não sei... É meio longe da minha casa.
Fui interrompida pela Hana
— Não se preocupe! Você mora no lado sul da cidade não é? — Balancei a cabeça que sim. — Ótimo! Eu também moro para lá. A gente volta juntas! Você fica sob meus cuidados, certo?
Enfim, acho que não vai ter problema quanto a isso. Minha mãe mesmo queria que eu fizesse amizades. Ela não gostaria de me ver sozinha como da ultima vez que nos mudamos de cidade. Na verdade isso não a incomodava. Eu não a incomodava. Ela mal ligava para mim, o egoísmo era enorme. Mas se eu tivesse amigos passaria menos tempo em casa junto a ela. E isso já seria ótimo.
- Um dia antes.
— Yasu? É você que está ai? — Disse enquanto caminhava de roupão para a cozinha.
Estava dando comida para o gato que havia trazido recentemente. Encontrei ele na frente da escola e me seguiu até em casa. Ele não tinha nome então o chamava apenas de gato.
— Sim mãe, sou eu. Resolveu sair da cama? — Olhei para ela.
Ela virou o rosto e mudou logo de assunto.
— Como vai a escola? Está gostando? Se adaptando? — Desceu os degraus que faltavam e se sentou á mesa.
— Por que tantas perguntas? Você nem realmente se importa.
Ela franziu a testa, mas mesmo assim continuou com as perguntas. Não respondendo as minhas, como sempre fazia.
— Já fez algum amigo na sua sala? — Ela colocou um cigarro na boca e com o isqueiro acendeu. Tragou e soltou uma fumaça pequena.
— Podia, por favor, não fumar dentro de casa? Já lhe pedi isso milhões de vezes. — Apertei as mãos em punho. Ela apagou o cigarro no cinzeiro que havia em cima da mesa. Então continuei:
— Não. Estou tentando o máximo.
— Vai acabar igual na antiga cidade. Sozinha.
Na minha cidade natal. Onde nasci e cresci até meus 16 anos. Eu não tinha nenhum amigo. Todos pareciam ignorar minha presença até o primeiro ano do colegial.
Peguei a minha pasta que estava em cima da cadeira e andei até a porta parando na frente dela.
— Não vou acabar como você. Acredite. — Sai, fechei a porta e fui rumo a escola.
Ela foi até a sala andando devagar. Olhou para todas as caixas espalhadas e os móveis envoltos em plástico. Foi até uma caixa perto do relógio, abriu e pegou alguns quadros com fotos antigas da nossa família. Ficou olhando por algum tempo.
- Atualmente.
Estávamos a caminho dessa “casa abandonada” onde seria o meu primeiro encontro de amigos. Era excitante como eles conversavam e me incluíam na conversa. Eu estava feliz.
Encontramos alguns amigos e amigas deles no caminho. Estudavam na escola do norte e se conheciam por Internet. Mas sempre se encontravam em alguns bares e outros lugares que eu provavelmente não frequentei durante toda a minha vida
— Então... Yasu. Interessante que veio conosco. Gostamos de novos membros nos nossos... Passeios — Falou uma menina muito alta. Com cabelos loiros, longos e que usava pulseiras e muitos chaveiros de pelúcia na sua pasta. Cujo nome era Manami. — Não é Tomu?
— Sim! Claro. — Disse com um sorriso forçado.
Tomu... Não. Tsutomu, que todos chamavam pelo seu apelido “Tomu”. Também da escola do norte. Usava óculos e disse que usa apenas para estética, pois não tem problema de visão. Era totalmente hiperativo. Às vezes chegava a ser irritante, mas isso não me incomodava. Com seu cabelo castanho e bagunçado.
— Estamos quase chegando. É logo no final daquela rua. — Disse Nori.
Todos pareciam entusiasmados por estar indo a um lugar desses.
Ainda havia uma terceira menina que estava junto a nós. Também da escola do norte. O nome dela era Aoi. E seu cabelo era engraçado, era preto e tinha as pontas azuis. Assim como seu nome. Era baixinha e tão quieta quanto eu junto a todos eles. Talvez fosse tímida, mas era delicada.
Chegamos. Era uma casa bem antiga. Com a estrutura de madeira e um portão caído na frente.
— Quem chegar por último é um bobão! — Gritou Tomu correndo logo na frente. E todos correram atrás. Menos eu e Nori. Hana era rápida e alcançou Tomu em segundos. Manami corria rápido também, pois tinha pernas compridas. E Aoi corria devagar e cambaleava enquanto isso.
— Não correu por que? — Nori olhou para mim com seu olhar frio.
— A-Ah... Desculpe foi muito repentino para mim — Abaixei a cabeça. Eu tinha sido uma idiota. — E você? Por que não foi?
Fomos andando devagar enquanto todos já estavam na porta da escola.
— Eu nunca participo dessas brincadeiras infantis do Tomu. Eles sabem disso.
Continuei com a cabeça baixa. Ele continuou:
— Você pode ir da próxima vez. Assim você se relaciona mais com todos eles. — Ele colocou a mão na minha cabeça. Eu olhei um pouco surpresa.
Hana estava na porta da escola, ofegante. E olhava de um jeito estranho para nós.
Notas finais
Desculpe se ficou meio curtinho :(
Mas para compensar já tem o segundo capítulo para ler!
Aproveitem e obrigado ♥
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