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2 The kill and error
Notas iniciais
Todos entraram pela porta. O lugar estava realmente abandonado e tomado pela natureza. Havia muito limo e várias árvores com seus galhos entrando pelas janelas. Os pássaros entravam e saiam por enormes buracos no telhado. Móveis velhos caídos e alguns ainda nos seus devidos lugares. Quadros nas paredes de pessoas desconhecidas, sujos e muitos irreconhecíveis por conta de todo o estrago.
— Ouvi dizer que morreram pessoas aqui. Isso não é demais? — Falou Tomu dando risadinhas de satisfação.
— Não na verdade. Mas deixa o clima mais tenso. Interessante. — Disse Hana soltando um sorriso no final.
— É assustador. Já podemos ir embora? — Disse Aoi que se escondia atrás de Manami.
Era realmente assustador. Mas muito bonito. O sol entrava por entre os buracos e iluminava parte do enorme saguão que a entrada dava. Havia duas escadas, uma de cada lado que levava ao segundo andar da casa. E no meio uma porta enorme, que provavelmente dava para a cozinha.
— Claro que não! Nós nem exploramos a casa. Alguém muito rico devia morar aqui antigamente. Vai que não achamos alguma coisa que possa valer algum dinheiro? Vamos! — Disse Tomu subindo rapidamente as escadas, indo de dois em dois degraus.
Resolvemos formar duplas para andar pela casa. Eu abaixei a cabeça novamente e Nori me escolheu como sua dupla. Ao invés de Hana. Talvez ele só estivesse sendo gentil por eu não conhecer eles bem. Só sei que Hana pareceu não gostar muito disso. Ela então foi com Manami e Aoi.
Enquanto andávamos em silencio eu finalmente falei:
— Pensei que escolheria a Hana como sua dupla. Não eu.
— Algum problema com isso?
Balancei rapidamente a cabeça como um não.
As três garotas andavam pelo corredor estreito. Com várias portas, umas meio abertas, outras fechadas e algumas quebradas em partes. E um tapete vermelho por todo ele.
— Você está bem Hana? Parece quieta hoje. — Disse Manami tirando um pacote de bolacha com amendoim da pasta.
Depois de alguns segundos de silencio Hana falou.
— Manami.
— Sim?
— Lembra daquela garota. Que trouxemos aqui da última vez. — Diminuiu o tom.
— Lembro. Qual era mesmo o nome dela?
— Era Sumiko. — Disse Aoi bem baixo.
— Ah sim. Sumiko. Foi no começo do ano passado. Porque? — Manami deu uma bolacha de amendoim para as duas.
— Bem... Yasu está seguindo o mesmo caminho de Sumiko. — Hana coloca uma bolacha na boca.
— Hana! Não me diga que... — Disse Aoi parando de andar.
Hana sorriu e comeu o último pedaço da bolacha.
— Esse dia será muito divertido. — Disse Manami rindo.
Enquanto isso Nori e Yasu foram até a enorme porta no meio das escadas. Realmente era a cozinha. Yasu havia acertado.
— Já imaginou as pessoas que moravam aqui? — Disse Nori passando a mão pelo balcão cheio de poeira
— Deveriam ser muito ricas. Mas não faço idéia do porque está abandonada. — Fui andando logo atrás dele. Cuidando para não encostar o uniforme na poeira ou no limo e acabar sujando. Minha mãe iria surtar.
— Já ouvi falar que o marido matou sua esposa e seu filho pequeno nesta casa. Depois foi preso e se suicidou na própria cela. Desde então a casa está abandonada. Isso faz anos. — Limpou o balcão e sentou-se nele.
— Que horror! Isso me deixa com uma sensação estranha.
— É. Depois esta casa foi utilizada para outras coisas e visitas inesperadas... — Virou a cabeça — Sente-se aqui — Passou a mão limpando o balcão para eu me sentar. Então eu sentei ao lado dele.
— Acho que estou com medo Nori. — Falei. E ele deu risada.
Ele tinha um sorriso muito bonito.
— Não precisa ficar com medo. Eu estou aqui.
— Certo. Ah! Então você sabe sorrir. — Dei risada também.
Ele riu de novo.
— Sabe Nori. Não sei se vou me acostumar com aquelas meninas. Elas não parecem gostar muito de mim. Com exceção da Hana.
— Não se preocupe com elas. — Ele falou de uma forma fria novamente e abaixou um pouco a cabeça.
Ficamos um tempo conversando sobre a escola, sobre o passado e o futuro. Sobre tudo.
— E seus pais Yasu?
— Moro com a minha mãe. Meu pai foi embora quando eu era pequena. Mas ela é um saco! Só sabe fumar e ficar deitada na cama o dia todo. Recebe dinheiro do governo que mal da para alimentar nós duas.
— Entendo. — Ele parecia um pouco incomodado com a minha resposta. Acho que fui muito direta.
Fiquei em silêncio por alguns minutos.
— E os seus?
— Ah. Minha mãe é de boa. Meu pai sempre pega no meu pé, mas recentemente tem dado mais atenção ao meu irmão mais novo.
— Entendi.
— Você é muito incrível Yasu. — Ele se apoiou perto de mim.
Eu corei na hora. Ninguém nunca havia falado isso para mim. Ainda mais um menino.
— O-Obrigado... De verdade. — Sorri envergonhada.
Ele chegava mais perto e quando fechamos os olhos para nos beijar, Hana e as outras meninas entraram na cozinha, logo atrás delas Tomu. Voltamos as nossas posições normais em questão de segundos.
Manami olhava para Hana que estava paralisada. Mas logo falou em um tom alto:
— Que tal um lanche? — Sorriu
— Seria ótimo. Estou morrendo de fome! — Falou Tomu.
Ajudei elas a arrumarem a mesa e colocar as comidas simples que Aoi e Manami haviam trazido em suas bolsas. Todos comeram e conversaram sobre o que tinham visto durante esse tempo andando pela casa. Tomu achou um anel que deveria valer muito e estava animado com isso. As meninas olharam os quartos e acharam diários com anotações antigas. Nada muito importante. Todos comeram e já era final da tarde.
— Vamos dar uma última olhada antes de ir embora? — Disse Hana ajudando Manami a guardar as coisas.
— Pode ser. Você vem comigo Nori! — Disse Tomu puxando Nori para fora da cozinha.
— Bem, então você vem conosco Yasu. — Disse Manami andando em direção a porta.
Eu estava decepcionada por não ter ido com Nori desta vez. Queria passar mais tempo com ele. Nós quatro subimos as escadas em direção à passagem para fora que ficava na parte de cima. Elas estavam quietas. Não falavam nem entre elas. E não seria eu que iria puxar assunto.
— É aqui. Subindo as escadas. — Disse Hana.
Começamos a subir. Hana olhava para Manami a cada segundo. Chegamos a uma plataforma de metal que tinha uma vista para o jardim da casa e um caminho de concreto. Lá em baixo estavam Nori e Tomu observando o jardim. Fiquei feliz em vê-lo mesmo que lá de cima.
Elas se inclinaram para frente com intenção de ver melhor. Fiz o mesmo. Aoi estava logo do meu lado e Hana do outro. Depois de algum tempo Hana deu um passo para traz falando:
— Melhor. Por que não vê mais de perto o jardim Yasu? Ou quem sabe seu novo namorado?
Então me virei na direção dela. Ela caminhou me empurrando. Desequilibrei-me e segurei na grade cheia de limo. Hana ao ver que eu havia me estabilizado tentou me empurrar de novo. Manami tinha ido para o outro lado da plataforma. Tentei tirá-la de cima de mim e me segurar ao mesmo tempo. Consegui força fazendo ela ir para traz e acabar batendo em Aoi que no mesmo momento tropeçou e caiu lá de cima.
Ela caiu lentamente e bateu a cabeça no chão de concreto. A figura da pequena menina estava agora estatelada no chão. Tomu e Nori olhavam imóveis para Aoi. Manami estava chocada e com a mão na boca para não gritar. Hana olhava com os olhos verdes arregalados para a amiga agora morta no chão do jardim. Logo olhou para mim.
A única reação que tive foi sair correndo. Desci as escadas tão rápido que por pouco não errei os degraus que escorriam água e estavam cheios de matinhos.
Comecei a correr o mais rápido que pude para o jardim da frente. Não lembrei de pegar a minha pasta, mas isso não importava. Ela havia tentado me matar. E acabou matando Aoi. Uma menina que não aparentava ter o mesmo olhar que Hana ou Manami. Minha mente não estava processando as coisas corretamente. Eu corria sem rumo para longe daquela casa.
Só passava uma coisa pela minha cabeça. Nori. Será que ele sabia de tudo isso? Ele também fazia parte do plano? Neste momento eu poderia estar morta naquele chão de concreto, mas não era minha hora ainda.
– Na casa
Eles lembraram de tirar o corpo de Aoi do chão. Iriam jogar dentro do porão. Pela entrada de traz, no jardim. Todos estavam em silêncio, ninguém estava chorando. Abriram a porta de madeira. Nori e Tomu seguravam cada um de um lado, desceram as escadas e levaram para dentro. Hana observava enquanto Manami limpava o sangue no chão de concreto.
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