Único Prazer
10 9º Capítulo
Notas iniciais
Edward estacionou a moto em frete ao jardim iluminado de casa. Tive de controlar a vontade de me apertar a ele e implorar para irmos ao seu apartamento, mas a bronca que eu levara de Charlie mais cedo, fora crucial para eu não ter feito isso.
Retirei o capacete e arrumei meu cabelo, que ainda continuava preso, enquanto Edward descia da moto.
Ele me olhou sorrindo, após também se livrar do objeto preto.
—Queria que amanhã fosse sábado.
Murmurei chorosa me escondendo em seu abraço. Ele riu e eu pude sentir seu peio vibrar, os braços fortes abraçaram minha cintura e eu tive certeza que aquele, era o lugar mais seguro do mundo.
—Não seria ruim se fosse. – concordei com um aceno, erguendo o rosto para poder fita-lo. —Mas passa rápido.
Curvei meu lábio inferior em um bico enquanto negava com a cabeça.
—Passa nada. – seu sorriso se abriu ainda mais com minha voz manhosa, carinhosamente Edward afagou meu rosto.
—Passa sim, amor. – ele voltou a afirmar, mas não foi sua insistência que fez meu coração saltar desesperado em meu peito ou minhas pernas tremerem vorazmente.
Fora o uso daquela palavra. Aquele substantivo de quatro letras, tão poderoso e mágico, que me deixou livre de reações.
Ele me chamou de amor. Edward me chamou de amor.
Meu consciente gritou, festejando de felicidade e emoção enquanto os lábios quentes e macios cobriam os meus.
Minhas mãos permaneceram em seu quadril, Edward estreitou o abraço que me envolvia ao mesmo momento que aprofundava o beijo.
Mas eu estava abobalhada demais, encantada demais, para valorizar qualquer outra coisa que não fosse o fato de Edward ter me chamado de amor.
Isso me fizera ganhar a noite, não que essa tenha sido ruim, porém certamente o momento fora o ponto alto.
Apertei os olhos tomando folego pela boca, minhas mãos subiram pelas costas largas. Ele se reclinou e apoiando o queixo em meu ombro, deixou um beijo em minha bochecha.
Aproveitei o breve silencio para me recompor, afinal eu não podia surtar em sua frente somente porque me chamou de amor.
—Vejo você amanhã?
Indaguei por fim, a esperança quase palpável que eu emiti, se fora com o suspiro pesaroso que Edward soltou.
—Acho que amanhã não vai dar. – fiz uma careta com suas palavras. —Tenho aulas extras e depois vou ficar até mais tarde na oficina.
Prendi o suspiro enquanto acariciava os cabelos ruivos, as vezes eu me esquecia que Edward era mecânico.
—Poxa... Que saco. – lamentei afastando o corpo para encará-lo. —Minha vontade que chegue sábado logo só ficou maior.
Ele riu alto e eu pude notar o brilho de diversão em seus olhos.
—Vai chegar, você vai ver.
Voltei a negar com a cabeça refazendo o biquinho, Edward sorriu torto antes de mordiscar meu lábio inferior curvado.
—Manhosa... – começou a murmurar, contudo o toque de seu celular o interrompeu. Ele me olhou, como se pedisse minha concessão para atender.
Lhe exibi um sorriso leve, antes de beijar seu rosto e voltar a me acomodar em seu peito.
—Oi. – ele atendeu, seus dedos corriam por minhas costas em um vai e vai confortante. —Hey cara, tudo certo e com você?
Não deixei de sorrir pelo ‘Hey, cara’, o que significava que ele estava conversando com um homem.
—Legal... – Edward fez uma breve pausa antes de rir. —Não, na verdade eu já estou indo embora...
O sorriso morreu em meus lábios. Certamente a pessoa com que ele conversava, queria que ele saísse.
—Jasper fala da Maria, mas é tão fofoqueiro quanto ela. – suas palavras me deixaram intrigada, Edward voltou a rir dessa vez, com mais vontade. —Sim, é verdade.... Não cara, nada a ver.
Prendi meu lábio inferior entre os dentes tentado controlar a curiosidade que rondava por mim. Será que ele estava falando sobre o ocorrido de mais cedo?
Soltei o ar pela boca, após Maria perguntar se Edward e eu estávamos mesmo namorando, ela recebeu as repreensões de Jasper e Charlotte.
Completamente constrangida, ela se desculpou várias vezes até Edward e eu dizermos que estava tudo bem.
Mas na realidade, não estava tudo bem.
Não estava porque Edward não confirmara a ela, do jeito que eu queria, que estávamos namorando sim.
Fora isso, nossa noite fora muito agradável e eu pude conhecer melhor os três, percebendo como eles eram legais e divertidos. Bem diferentes de Rosalie.
—Jasper e sua língua grande... – colocando o celular no bolso, Edward murmurou. Erguendo a cabeça, eu deixei meus olhos se encontrarem com os dele.
—O que ele fez?
—Espalhou para os meus amigos que estamos namorando. – contou passando o outro braço por minha cintura.
Prendi a respiração por alguns segundos, era hora de confrontá-lo.
—E isso é ruim?
—Não. – respondeu de imediato, deixando um rápido beijo sobre meus lábios. —Claro que não.
Completou beijando a ponta do meu nariz, sorri encantada com seu gesto fofo.
—Te ligaram agora só para perguntar se estamos mesmo namorando? – meus olhos continuaram nos seus, curvando os lábios em um biquinho pensativo, Edward concordou.
—Sim, Jasper contou para a kappa inteira. – seus olhos verdes giraram veemente. Maneei a cabeça ficando realmente surpresa pelo o que ele disse.
Kappa.
—Kappa? – a palavra fluiu facilmente por minha boca. —Faz parte de uma Kappa?
—Sim. – ele sorriu torto. —Atenas Kappa... Não viu o nome na entrada do meu prédio?
Cerrei as sobrancelhas chacoalhando a cabeça em negação.
Não é possível que eu não tinha reparado nisso.
—Distraída. – brincou puxando meu lábio inferior com os dentes. Tive de respirar fundo para não agarrá-lo e tirar sua roupa ali mesmo.
Porra de homem gostoso!
—Mas e você, não faz parte de uma Kappa? – questionou me olhando atentamente.
Soltei o ar pela boca, relembrando do discurso chato de Charlie ao citar os longos motivos que ele tinha para proibir minha entrada na Kappa Gamma.
Eu queria tanto, mas tanto... Maneei a cabeça, Edward não precisava saber disso.
—Não. – fui monossilábica. —Mas conte... Te ligaram para perguntar sobre nós dois e o que foi que você respondeu? – esconder minha curiosidade já era algo impossível.
Ele sorriu torto fazendo meu coração dar piruetas em meu interior.
—Que é verdade. – o ar faltou em meus pulmões. —Que eu estou mesmo namorando com a menina mais baixinha da UCLA. – provocou rindo em seguida.
Rolei os olhos, contudo não contive o sorriso.
—Bobo. – murmurei me colocando na ponta dos pés para beijá-lo. —Mas você não me pediu em namoro, então...
Empinei o queixo me fazendo de difícil enquanto ele ria.
—E preciso pedir?
—É claro que precisa. – afirmei percebendo que ele estava se divertindo. —A menos que você não queira, aí eu procuro alguém... – sua risada alta me interrompeu. —Não ria seu bobo, estou falando sério!
Tentei me afastar dele, mas seus braços se intensificaram em minha cintura. Não estava brava com ele, longe disso, porém fazer um charminho era bom.
—Estou brincando amor. – proferiu beijando meu rosto, novamente eu me perdi.
Amor.
Não podia existir palavra mais bonita.
—Rum. – soltei olhando-o com os olhos estreitos.
Ele sorriu, passou a mão no cabelo e então me puxou para colar ainda mais nossos corpos.
—Menina marrentinha... – começou em provocação. —Namora comigo? – suas palavras saíram tão doces que eu tive de respirar fundo para tentar acalmar meu coração.
—Eu não sou marrentinha. – aleguei subindo minhas mãos pelos peitos fortes. —Mas sim, eu namoro com você.
Enlacei os braços em seu pescoço e retribui o sorriso que ele me lançou, antes de beijá-lo.
E eu estava feliz. Muito feliz. Mais do que queria estar.
Já tinha tido outros namoros, outros envolvimentos, mas com Edward era tudo diferente, tudo novo.
Cada gesto, beijo, palavra, riso era um descobrimento novo e absolutamente verdadeiro.
Soltei o ar pela boca, recostando a cabeça na mão. Meus olhos vagaram novamente para o relógio no canto do notebook.
Tive vontade de chorar.
Ainda faltava um bom tempo para o final da aula e eu já estava desesperada de tédio. Queria sair logo dali e pensar em modo de encontrar Edward, mesmo que por alguns minutos.
—A Senhora, Não Trepo Há Séculos Por favor Alguém Me Coma, Wilson, não pode ser tão infeliz, pode?
Ergui os olhos para Jéssica, tamborilando meus dedos na mesa de madeira. Ela encarava fixamente a Senhora Wilson, que não parava de incluir mais tópicos ao trabalho.
—Não seja maldosa, Jéss. – sussurrei rindo baixo.
Ela apenas deu de ombros, digitando brevemente em seu laptop.
—Juro que eu vou arrumar um homem para ela. – voltou a resmungar. —Toda essa amargura é claramente falta de sexo. Depois de uma boa trepada, ela não vai mais passar esses trabalhos gigantescos.
Tive de me esforçar para prender o riso, Jéssica nunca fora com a cara da pobre professora.
—Coitada... Está certo que ela é implicante, mal encarada, amarga, mas...
—Mas? – me desafiou com o olhar.
—Ela não pode ser tão ruim assim. – completei vendo seus olhos se arregalarem. Jéssica virou na cadeira, quase se debruçando contra mim.
—O que?
Tive de rir de seu exagero.
—Ela deve ser legal fora daqui.... Talvez tenha gatos.... Gatos são fofos, não são? – não consegui prender o suspiro ao pensar em um filhotinho peludo.
—Ok, Isabela Swan. Desembuche, o que aconteceu?
Recuei o corpo, ela apenas estreitou mais olhos.
—Hãn?
—Não se faça de desentendida. – rolei os olhos. —Desde de cedo que está sorrindo por tudo, suspirando de mais, as vezes até viajando em seus pensamentos e agora está defendendo a Senhora Argh.... – minha risada saiu baixa. —Conte logo, o que aconteceu?
Respirei fundo, meus olhos se desviaram rapidamente dos dela enquanto ponderava se contava ou não.
Ela certamente me encheria o saco, mas Jéssica estava comigo desde o começo, eu tinha que contar.
—Ok. – soltei o ar pela boca. —Edward me pediu em namoro e eu aceitei.
—Você o que? – sua voz aumentou uma oitava, atraindo atenção de nossos colegas e da professora.
—Algum problema Senhorita Stanley? – prendi o riso enquanto Jéssica se arrumava em sua cadeira.
—Nenhum Senhora Wilson. – pelo canto dos olhos eu a vi sorrir —falsamente— a professora.
—Então acredito que já tenha copiado todo o trabalho.
—Quase. – Jéss sorriu amarelo.
Senhora Wilson se virou, a cara fechada contorcida em uma careta. Arrumou os óculos de grau no rosto mantendo os olhos fixos em Jéssica.
A turma toda fitava as duas e dava até para se ouvir os risinhos ao fundo.
—Quase? Quase não é lá, Senhorita Stanley.
Tive de prender a risada, Jéssica me fitou mortalmente.
—Já estou quase acabando, Senhora Wilson. – seu tom doce era tão falso que novamente me esforcei para não rir.
—Quase, quase... – olhei para nossa professora vendo-a rolar os olhos. —A Senhorita quer ‘quase’ alcançar a nota ou ‘quase’ se formar?
—Não. – foi monossilábica e eu pude perceber que ela já estava perdendo a paciência.
—Então trate de copiar todo o trabalho e sair desse quase. – ela então se sentou e deu fim à discussão.
Jéssica respirou fundo várias vezes, uma tentativa falha de se acalmar. Por sorte a aula não demorou a acabar.
—Sério aquela mulher não pode ser de Deus! – exclamou enquanto recolhia seu computador da mesa.
Me reservei a rir, arrumando a alça da bolsa no ombro.
—Está quase hein Jéss. – James passou por nós e a provocou. Ela estreitou os olhos e ergueu o dedo do meio em sua direção, fazendo-o gargalhar.
—A culpa disso é sua Isabela. – arqueou o queixo retirando o celular do bolso. A olhei abismada.
—Minha? – assentiu com a cabeça. —O que eu tenho a ver com isso?
—Me pegou desprevenida ao contar que está namorando com Edward e por conta disso eu meio que... Exclamei de modo mais eloquente. – Jéssica citou as palavras como a pessoa mais sábia do mundo.
Prendi o riso.
—Eloquente? –
—Awn, Bella... Cale a porra da boca e me conte logo o que aconteceu!
Rolei os olhos desviando de algumas pessoas no corredor.
—Ele me pediu em namoro e eu aceitei. – a olhei rapidamente, mas tempo o suficiente para vê-la bufar.
—E porque você aceitou? Bella, você podia dizer não! – ela abaixou o tom da voz quando paramos em frente ao elevador, existia mais algumas pessoas ao nosso redor e elas não precisavam participar da nosso conversa.
—Podia, mas ele dificilmente ia continuar a me ver... – respirei fundo. —Ah Jéss, você sabia que isso ia acontecer, não sei porque está assim. – dei de ombros, arrumando meu cabelo sobre o ombro.
—Estou preocupada. – afirmou séria. —Posso estar enganada, mas não consigo ver um bom desfecho para vocês dois. – eu podia sentir a sinceridade em suas palavras.
—E porque não?
—Vocês são muito diferentes, Bella. São de mundos diferentes. Estão juntos por razões diferentes....
Mordi meu lábio inferior ponderando. Pela primeira vez, eu não queria concordar e assumir que Jéssica estava certa.
—Os opostos se atraem. – aleguei dando de ombros. —E você mesmo disse que ele pode se tornar um cirurgião plástico.... Jéssica eu posso convencê-lo, posso leva-lo longe.... Ele tem potencial. – parei por breves segundos, tomando fôlego. —E sobre nossas razões, bom... Não conheço as razões dele para falar que são diferentes das minhas.
—Bella, ele não iria te pedir em namoro se só quisesse sexo. Se ele te pediu em namoro é porque está te levando a sério. – ponderei diante sua alegação. —E você, bom...
O elevador se abriu a nossa frente e durante todo o percurso, Jéssica não murmurou mais nenhuma palavra, contudo os olhares que ela me lançava deixava explícito que não concordava com meu namoro.
—Ainda não acredito que está fazendo tudo isso só para transar... –
—Mas que merda Jéss! – exclamei procurando as chaves do meu carro dentro da bolsa. —Eu já transei, agora quero continuar transando.
—Sei... Você usa sexo como desculpa, só para não assumir que está apaixonada e você sabe disso. – parou a minha frente, me olhando seriamente. —Você sabe que gosta dele, ele te faz feliz, te completa.... Não estou julgando você, sou sua amiga e se está nisso é porque eu te coloquei.
—Mas? – a incentivei quando ela parou para tomar fôlego.
—Mas eu acho que você está entrando em uma fase perigosa da brincadeira. – sibilou por fim. —Acho que o melhor que poderia fazer é se afastar dele, ficar longe.... – fiz uma careta deixando claro que aquilo estava fora de questão.
Somente o pensamento de ficar longe de Edward me deixava abatida, triste.
—Já vi que não vai fazer isso. – suspirou fechando os olhos e respirando fundo. —Escuta amiga, eu torço por você e quero a sua felicidade. – lhe lancei um breve sorriso. —Só espero que não se arrependa e não se machuque. Não quero ver você sofrer.
—Não vou sofrer Jéss. – minha voz deixava claro que eu não tinha certeza daquilo.
Ela está certa, Jéssica está malditamente certa!
Minha mente gritava repetidamente, tentando me alertar e tentar ao menos, abafar as batidas frenéticas do meu coração apaixonado.
Porque é tão difícil ouvir a razão quando a emoção está em jogo?
Jéssica estava absurdamente correta, eu sabia disso, mesmo sem querer assumir. Estava apaixonada e usava a desculpa do sexo, para me manter ao lado de Edward.
Sabia que isso podia terminar de maneira drástica, as chances de sair machucada eram imensas.
Mas meu coração parecia não se importar. Não dava a mínima para as consequências, quando eu tinha Edward.
Ele era meu. Meu namorado, só meu.
Foi impossível não exibir o mesmo sorriso bobo que sempre surgia em meus lábios quando pensava nele.
Soltei um suspiro parando meu carro no estacionamento da clínica. Fiquei realmente aliviada quando recebi um telefonema da secretária de minha médica, avisando que tinha uma consulta marcada.
Eu queria fazer os exames logo e tirar aquela dúvida e preocupação que rondava minha cabeça por ter transado sem camisinha.
Ainda não me conformava por ter sido tão idiota. Tão imbecil ao ponto de não e prevenir e contar isso a Doutora Grace fora constrangedor para caralho.
Ela me olhou pasmada, como se um chifre estivesse nascendo em minha cabeça.
Seu sermão foi longo e mesmo já sabendo de todos os riscos que corri, eu não a interrompi. Ela tinha total razão e era melhor ficar calada.
Minhas consultas ginecológicas, tinham em média dez minutos de duração, mas essa fora definitivamente mais longa. Cinquenta e sete minutos mais longa, para ser mais exata.
Mesmo tendo demorado no consultório, ainda era consideravelmente cedo e eu não tinha nada para fazer.
—Angie, já almoçou? – segurei o celular com a mão, usando a livre para retocar meu batom no retrovisor.
Jéssica já havia me dispensado, alegando ter que acompanhar a mãe até a casa da avó.
—Ainda não Bella. – sorri com sua resposta.
—Que ótimo.... Topa ir ao Cabana Cafe? Podemos almoçar juntas.
—Claro! – ela soou animada. —Nos encontramos lá? –
—Sim, sim. – concordei. —Até já, já. – me despedi dando a partida no carro.
—Até amiga, beijos.
Deixei o celular sobre o banco do carona mantendo o sorriso no rosto. Ângela nunca dizia não e eu amava isso nela.
Beverly Hills estava um caos naquele começo de tarde de uma segunda-feira tediosa. O sol tentava surgir em meio as nuvens carregadas, mas não tinha muito êxito.
—Parece que vai chover. – Ângela murmurou erguendo o rosto para o céu nublado. Dei de ombros arrumando os óculos escuros sobre a cabeça.
—Algo normal nessa época do ano. – ela riu concordando com a cabeça.
—Verdade...
Parou de falar quando o garçom se aproximou e nos estendeu o cardápio. Eu já sabia o que iria pedir, por isso logo devolvi a pasta de couro preto a ele.
—Quero um X-Burger, uma porção de batatas fritas e uma Coca-Cola. – disse a ele que sorrindo, anotou meu pedido.
Soltei um suspiro me arrumando na cadeira, se não fosse por Edward eu já mais teria conhecido o sabor viciante dos fast-food.
—E a senhorita? – o garçom se virou para Ângela e então eu a fitei. Ela parecia abismada, me olhava inconformada como se não acreditasse no que tinha ouvido.
—Uma salada turca e um drink de melancia com bastante gelo e sem açúcar.
Seu pedido extremamente natural, foi anotado pelo garçom que se retirou após pedir licença.
—O que deu em você? – perguntou direta, ainda descrente.
—O que deu em mim? Porque?
—Bella, desde quando você come essas porcarias? – rolei os olhos com suas palavras.
—Não são porcarias. – afirmei respirando fundo. —São muito gostosas....
—E nada saudáveis. – me interrompeu. —Sabe quantos carboidratos está ingerindo?
Mordi a ponta da unha dando de ombros.
—Deveria comer um pedaço, ao menos experimentar... Sabe eu também não comia, mas...
—Pare! – arqueou as mãos me interrompendo. —Deus me livre de comer isso... Sabe o quanto eu lutei para entrar em forma? Muito!
Controlei a vontade de rir.
Quem ouvisse Ângela falando assim, iria pensar que ela fora gorda ou a cima do peso, quando na verdade ela sempre teve o corpo magro.
Resolvi não retrucar suas alegações, apenas deixei que ela falasse e me encarasse com nojo enquanto eu comia meu delicioso sanduíche e ela sua saladinha sem graça.
Pela primeira vez, Ângela não me pareceu tão legal quanto antes.
Talvez, ela fosse um pouco mais diferente do que eu pensava.
—Ficou sabendo da festa que Riley Biers vai dar esse fim de semana? – ela perguntou mantendo os olhos fixos no espelho a sua frente.
Estávamos em Rodeo Drive, Dior para ser mais exata e eu nunca senti tanto tédio em toda a minha vida como sentia naquele momento.
Tudo o que eu queria era correr até Edward e passar todo o tempo possível ao lado dele.
Mas não podia, ele estava trabalhando e depois, ficaria ocupado de mais em trabalhos.
—Fiquei, eu recebi uma mensagem. – meu dedo enrolava uma mecha do meu cabelo de modo preguiçoso.
Soltei um suspiro me arrumando no sofá, pela janela aberta, eu pude ver o céu se desmanchando do lado de fora.
A vendedora se aproximou com mais vestidos em seus braços, exibindo-os calmamente a Ângela.
Respirei fundo. Porque fazer comprar não era mais divertido?
—Você vai, não é? – perguntou, contudo seus olhos continuavam fixos nos vestidos. —Não gostei desses... – dispensou as peças com uma careta. —Quero algo mais... Provocante.
—Claro, tenho a peça perfeita para você! – a mulher exclamou sorridente. —Só um instante.
—E então, você vai à festa?
Mordendo meu lábio inferior apenas neguei com a cabeça. Nunca que eu desperdiçaria uma noite com Edward para ir a uma festinha qualquer.
—Provavelmente não. – falei vendo seus lábios se abrirem em um perfeito ‘O’. Ela estava pronta para me contestar, porém a volta da atendente a impediu.
Retirei o celular da bolsa quando voltei a ser ignorada.
Uma coisa que eu aprendi naquela tarde: Você só tem importância nas lojas quando está disposta a gastar milhares e milhares de dólares. Caso o contrário, sua presença é absolutamente ignorada.
Desbloqueando o iPhone, eu rapidamente abri o whatsapp encontrando assim, minha conversa com Edward.
Fala para mim que você não está mais trabalhando e eu vou poder te ver. :P
Saudade ♥
Não tinha muita esperança que ele me respondesse, mas mesmo assim eu mandei a mensagem.
Eu queria que ele dissesse que estava livre e que eu poderia ir me encontrar com ele, por pelo menos, uns cinco minutos.
Soltando um suspiro, fitei minha tela inicial onde uma foto minha e dele, me fazia sorrir bobamente.
Estávamos deitados em seu sofá, eu vestia sua camiseta surrada de banda e ele estava apenas com uma boxer.
Minhas costas estavam coladas em seu peito definido, seu braço forte rodeado em minha cintura. Ele estava meio inclinado, com a boca colada em minha bochecha.
Eu sorria grandiosamente, podia ver o brilho que meus olhos transmitiam.
Aquele momento fora realmente ótimo. Estávamos saindo a duas semanas mais ou menos, contudo a intimidade que existia entre nós dois, já era inexplicável.
O vibrar do celular, acompanhado pelo típico assobio, desconectou meus pensamentos. No entanto, eu não pude reclamar.
Era ele. Edward.
Meu coração saltava alucinado em meu peito, sentia meu estomago gelado e uma vontade de sair pulando pela loja.
Só se você tiver algum problema urgente com seu carro.... rsrs
Te ligo quando eu sair daqui,
beijos princesa :*
Os batimentos do meu coração que já estavam rápidos, se tornaram frenéticos. Era incrível como cada demonstração ou gesto de carinho de Edward, me deixava tão abobalhada.
Um sorriso.
Uma palavra.
Um toque.
Um beijo.
Aspirei profundamente lendo novamente suas palavras.
Só se você tiver algum problema urgente com seu carro.
Um estalo ecoou em minha cabeça enquanto a mais brilhante ideia surgia em meus pensamentos.
O sorriso em meu rosto se engrandeceu e animada eu levantei do sofá.
—Angie, tive um problema.... Vou ter que ir. – disse a ela que me olhou atentamente antes de sorrir compreensiva.
—Tudo bem Bella, mas não é nada grave, certo? – apenas maneei a cabeça enquanto beijava seu rosto.
—Certo. Nos falamos depois, tchau. – acenei me encaminhando para a saída.
A chuva forte me pegou no curto caminho até meu carro, mas eu não me importei, estava centrada em minha maravilhosa ideia.
Estava na hora de ir encontrar meu mecânico.
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