Notas iniciais
Oi gentee ^^ Espero que estejam todas bem e ansiosas para ler o capítulo! É hora de conversar e colocar tudo as claras :X hehe Bom, espero que gostem... Boa leitura :D

Edward me olhou bons segundos antes de se sentar na poltrona a minha frente. Seu semblante era ilegível, aquilo me incomodou, seria bem mais fácil se eu pudesse lê-lo com a mesma facilidade com que ele me lia.

Manei a cabeça, não ia deixar aquilo me abater. Eu tinha uma chance, uma chance para dizer tudo e ser o mais sincera possível, para que Edward pudesse acreditar em mim e me perdoar.

—Não sabia que você e Marcus eram amigos, na verdade eu nem sabia o nome dele quando.... Quando nós ficamos. – eu fiquei envergonhada por assumir aquilo, Edward parecia tão limpo e eu tão suja.

Ele mordeu a boca, abaixou o olhar por breves segundos e então respirou fundo antes de voltar a me olhar.

Podia ver em seus olhos, o quanto aquilo o feriu.

—Quando foi isso? – seu tom estava controlado.

Tomei folego pela boca, criando coragem de contar a ele.

—Fazia uns vinte dias que estávamos saindo. – comecei. —Eu estava me apegando a você, estava me apaixonando e eu não queria me envolver emocionalmente. – assumi antes de pigarrear. —Foi então que.... Que eu pensei que aquilo fosse carência e resolvi sair com outro cara para provar a mim mesma que eu estava certa.

Apoiando os braços nos joelhos, Edward manteve a atenção fixa em mim.

—Fui a Purple Lounge com algumas amigas e.... E disse a você que estava doente. – ele recuou o corpo, a surpresa tomou conta de seus olhos. —Foi naquele domingo, em que eu te disse que havia passado a noite no hospital que aconteceu tudo isso.

—Já que você não queria mais, porque não me disse?

—Mas eu queria, Edward! – minha voz subiu um pouco, pigarrei controlando-a. —Eu queria ficar com você, queria só que.... – as palavras ficaram entaladas em minha garganta, mas eu precisava dizer a ele. —Só que eu pensei que você fosse pobre. – não passou de um sussurro pela sala.

—O que? – ele parecia não acreditar no que tinha ouvido.

—Eu achava que fosse pobre e eu cresci em um mundo onde o dinheiro era a única coisa que eu tinha. – Edward levantou do sofá, a mão imergida no cabelo. —Pensava que aquela urgência que eu sentia por você ia passar, aqueles efeitos que me consumiam quando eu estava com você iam acabar e.... E depois você não teria nada para me oferecer.

Ele caminhava a minha frente de um lado para o outro, o fato de ele não dizer nada, só me deixava mais aflita.

—Então você saiu com outra pessoa só porque pensava que eu fosse pobre? – me olhou com maxilar cerrado. Eu fiquei quieta, ele bufou alto. —Tem noção do quanto isso parece nojento?

—Eu sei, eu sei. – meu timbre vacilou. —E me envergonho muito por isso, mas eu cresci em um mundo onde o dinheiro era tudo o que eu tinha.

Respirando fundo, Edward me olhou. Podia ver em seus olhos que ele não acreditava no que eu dizia.

Soltei o ar pela boca, sabendo que ia ter de ir mais fundo.

—Eu já disse, meus pais não são como os seus...

—O que isso tem a ver com o fato de você ser uma mercenária? – eu recebi suas palavras como se fossem um tapa na cara.

Fechei os olhos, que ardiam fortemente. Já estava começando a perder a luta contra o choro.

—Tem a ver porque eu cresci em um mundo, em uma casa, onde o dinheiro era tudo o que eu tinha. – ele pareceu se surpreender com o que eu disse. —Meus pais nunca esconderam que eu sou o motivo do casamento forçado e da vida infeliz deles. – assumi diante a triste realidade. —Eu fui criada por babás, porque minha mãe estava ocupada demais fazendo plásticas e o meu pai lendo contratos e bebendo whisky.

Edward pareceu relaxar a postura deixando os braços caírem ao lado de seu corpo.

—Sempre fui a pobre garotinha, que a mãe nunca aparecia nas apresentações de balé. A pobre garotinha que não tinha um pai chorando de emoção na plateia quando cantava uma música especial no dia dos pais. – eu respirei fundo, esfreguei os dedos nos olhos para poder limpar a vista embaçada pelas lágrimas. —As professoras me olhavam com pena, meus coleguinhas me olhavam com pena, então... – fiz uma pausa para secar as lágrimas que caíram por minha bochecha. —Então chegou um dia em que eu não quis mais ser vista como “a pobre garotinha”, que tinha algo que me deixava acima delas, pelo menos em um quesito.

Um soluço mudo saiu por minha garganta, tentei engolir o choro mais estava cada vez mais difícil.

—Eu era a menina riquinha, eu podia ter tudo o que eu queria, a hora que eu queria. Foi então que elas começaram a invejar minhas bonecas, meus videogames, meus celulares, meus carros e com isso, eu consegui o que eu queria: Atenção! – suspirei abaixando o olhar. —Eu cresci com essa ideologia onde o dinheiro era tudo o que eu precisava, tudo o que eu queria.

Edward voltou a sentar, não olhei em seu rosto.

—Hoje eu sei que toda a minha extravagância com dinheiro era somente para tentar tapar a ausência deles. Nas lojas eu tinha a atenção das vendedoras, os elogios.... – tomei folego, pondo meu cabelo atrás da orelha. —Tudo isso me deixou fútil e mercenária, como você mesmo disse. – quando ergui a cabeça, Edward desviou o olhar. —Jéssica era a única relação verdadeira que eu tinha, era a única gota de amor que entrava em minha vida. Como nós crescemos juntas, no mesmo mundo, apesar dos pais dela serem bem diferente dos meus, ela me entendia.

Arrumei a postura voltando a limpar meu rosto. Eu não queria chorar, mas era difícil prender as lágrimas que eu segurara por vinte e quatro anos.

Nunca havia contado aquilo para ninguém, nem para Jéssica. Edward era o primeiro a saber o quanto a negligencia dos meus pais me machucara.

No fundo, eu sentia que era bom poder desabafar.

—Eu tinha acabado de sair de um namoro desastroso onde meu ex, só fez por me trair e eu queria curtir, sabe? Queria... – fiz uma pausa, tomando a coragem que eu precisava para continuar. —Queria aproveitar e isso para mim era significado de festas, bebidas e sexo.

Tudo aquilo parecia tão distante, como se fosse há anos não há um mês.

—Foi então que eu te conheci. – pigarreei limpando minha voz. —Você era tão diferente das pessoas que eu estava acostumada. Era simples, gentil, educado e não se aproximou de mim por interesse. – Edward voltou seus olhos para mim, eles estavam mais suavizados. —As coisas aconteceram muito rápido, a cada dia mais eu me envolvia, mais eu gostava de estar com você e tudo o que antes eu achava tão certo, você fez parecer errado.

Endireitei o corpo, secando meus olhos com as costas das mãos.

—Você foi me mudando, me tornando uma pessoa melhor e eu.... Eu só percebi isso depois que fiz a burrada. – minha voz vacilou entre a fala. —Não vou te dizer que eu agi na inocência, porque eu sabia e muito bem o que estava fazendo, mas eu fui a Purple Lounge, fiquei com outra pessoa, só para provar para mim mesma que eu não estava apaixonada. – mantive meus olhar no seu. —E eu precisei ser uma vadia, para perceber o quão importante você é.

Edward respirou fundo, arrumou o corpo e após esfregar a mão no rosto, voltou a me olhar.

—Porque você não me contou? Porque não me disse quando aconteceu?

—Porque eu fiquei com medo de te perder. – as palavras saíram tremulas por meus lábios, tudo culpa do choro que comprimia minha garganta. —Eu nunca tinha recebido tanta atenção, carinho e amor de alguém e quando você me deu.... Eu não queria... Não quero perder.

Corrigi diante a realidade.

Ele ficou um bom tempo em silencio, aquilo me deixou surtando por dentro, tamanha minha ansiedade.

—Eu não posso te julgar como se eu fosse o cara mais perfeito do mundo. – disse mais baixo. —Até porque, eu já errei feio com outras garotas, já pisei na bola e as magoei também. – ouvir aquilo me surpreendeu. —Mas eu também não posso fingir que nada aconteceu, porque.... Eu amo você e saber que ficou com outro cara... – Edward cerrou o maxilar e então respirou fundo, como se quisesse manter a calma.

Calma era algo que meu coração não conhecia naquele momento, visto a intensidade de suas batidas.

Ele havia dito que me amava. Ouvir aquilo depois de tudo o que acontecera, me deixara sobretudo, aliviada.

—Tudo bem que nós ainda não namorávamos, só que incomoda do mesmo jeito. – continuou tendo toda minha atenção. —Tenho ciúme, raiva, mágoa.... – apertei os lábios diante sua ultima palavra. —E eu preciso colocar isso em ordem, é muita informação, entende?

Eu sabia exatamente onde ele queria chegar, por isso eu quis muito negar e começar a implorar, no entanto apenas assenti com um aceno.

—Ontem uma hora dessas estava tudo bem e agora tudo está de cabeça para baixo.

—Você quer um tempo? – eu o interrompi, resolvendo perguntar de uma vez.

Edward passou a mão pelo cabelo tomando folego pela boca.

—Querer eu não quero. – aquilo fez meu coração inflar com esperança. —Só que eu preciso.

Fechei para conter as lágrimas. Mantenha a calma, você pode chorar o quanto quiser no carro com Jéssica, mas na frente dele não!

Eu me alertei mentalmente e quando mais controlada, voltei a abrir os olhos. Edward que mantinha o olhar baixo, me fitou quando eu levantei.

—Tudo bem, eu entendo e respeito.

Mentira, eu não entendia e nem queria respeitar, mas o que eu podia fazer?

—Bella. – Edward segurou minha mão quando eu me preparava para sair do seu apartamento. Fechei os olhos ao sentir seu toque quente, arrepios subiram por meu braço eriçando cada pelinho presente.

Meu coração batia tão rápido e forte, que chegava a incomodar.

Engoli seco abrindo os olhos antes de me voltar para ele.

—Eu sinto muito por saber que seus pais são assim. – Edward se aproximou um passo, seu corpo ficou mais perto do meu. —Por eles serem negligentes e você ter crescido sozinha. – eu assenti com a cabeça, deixando mais duas lágrimas caírem por meus olhos. Edward respirou fundo, ergueu a mão e as secou com delicadeza.

Ele se inclinou e beijou minha testa longamente. Mordi o lábio contendo o soluço.

Edward soltou minha mão e então eu soube que estava livre para ir, nossa conversa tinha acabado e agora só me restaria esperar.

Jéssica me encarou por um bom tempo quando entrei no carro, seus olhos transmitiam expectativa e curiosidade.

—Ele estava aqui? – indagou ainda me olhando.

Eu respirei fundo, sentia um aperto tão grande no meu coração. Tentei controlar as lágrimas, porém quando eu a olhei, foi impossível.

Jéssica fez uma careta, soltou seu cinto e me puxou para um abraço. Deitei a cabeça em seu ombro, seus dedos afagavam com carinho meu cabelo.

Eu não entendia porque aquilo doía tanto, chegava a me deixar sem ar.

—Ele terminou com você? – sua voz soou baixa.

Fungando neguei com a cabeça me arrumando no banco para olhá-la.

—Ele pediu um tempo.

—Ah Bella, eu pensei que ele tivesse terminado com você. – murmurou retirando o cabelo do meu rosto. —Dar um tempo não é ruim, sabe.... Muitas vezes ajuda o casal e melhora a relação.

Eu queria entender suas palavras, conseguir achar algo positivo, mas tudo que entrava em minha cabeça era o fato de ficar sem ele. Como eu ia conseguir? O que eu ia fazer?

—Não chore. – pediu carinhosa. —Diante da situação, de tudo o que aconteceu, da forma que aconteceu, você devia estar vibrando por Edward não ter terminado com você.

—Eu sei disso, Jéss. – meu timbre saiu tremulo. —Mas tudo o que eu consigo pensar é que eu vou ficar sem ele. – assumir aquilo alto, só fez o desespero crescer em mim. —Sem ver ele, sem ao menos, ouvir a voz dele. – ela me olhou compreensiva, segurando minha mão com carinho. —Isso dói tanto, eu mal consigo respirar.... – tapei o rosto com as mãos deixando os soluços saírem livremente por minhas gargantas.

—Eu te entendo, eu sei como isso é ruim. – passou a mão em meu cabelo. —Mas quando esse tempo acabar e ele for te procurar, porque eu sei que ele vai, você vai perceber que o sentimento de vocês só aumentou. – me recostei no banco passando a mão pelo meu cabelo. —Não fique assim amiga.

Não tinha outro jeito de ficar, eu tentava raciocinar, me convencer de que as coisas podiam estar piores, mas eu ainda estava sem ele, isso me esmagava.

Saber que a culpa de tudo aquilo que estava acontecendo, era minha, só aumentava a raiva que eu sentia de mim mesma.

Porque eu tive de ser tão idiota? Porque, pela primeira vez na vida, eu não soube aproveitar a presença de alguém tão especial como ele?

Eu queria que alguém me desse uns socos, quem sabe assim, a dor física anulava um pouco a psicológica.

Entrei em casa praticamente arrastando meu corpo, Jéssica seguia atrás de mim, murmurando coisas que eu não entendia, nem queria no momento.

Duas moças limpavam o hall de entrada, passei direto por elas subindo a enorme escada com um esforço tremendo.

Eu sentia que todas as minhas forças tinham sido sugadas de mim.

—Bella? – alguém chamou quando cheguei no segundo andar, não me virei e nem parei, simplesmente continuei meu trajeto.

Tudo o que eu queria, era cair na cama e esperar que o mundo desabasse do lado de fora.

—Bella? – o chamado se repetiu e fora antecedente de um puxão leve em meu braço. Eu respirei fundo, passei a mão no rosto e então me virei.

Quem quer que fosse, ia ouvir bastante.

—O que? – não posso esconder que eu ficara bastante surpresa ao ver que era Renée.

Ela se aproximou, seus olhos me analisavam fixamente.

—Você está chorando? – rolei os olhos diante sua pergunta.

Sério mesmo?

—Não é obvio?

Minha voz saiu amarga, puxei meu braço afastando sua mão de mim. No fundo, eu sentia uma raiva tremenda dela e de Charlie.

—O que aconteceu?

Bufei querendo rir.

Quem será que estava em casa para ela querer bancar a mamãe preocupada?

—Por favor, vamos pular a parte em que você finge que se importa, não estou com vontade de encenar hoje, ok?

Eu não me importei se aquilo ia desagradar a Charlie, sempre que eu me negava a comparecer naqueles teatros onde nós três incorporávamos a família feliz, ele ficava uma fera.

Que ele se fudesse também!

Nada mais importava para mim.

Abrindo a porta do meu quarto, eu dei as costas a ela, deixando bem claro que nossa conversa tinha acabado ali.

Quando deitei na cama, senti todo o peso do que acontecera em meus ombros.

Não adiantava culpar Charlie e Renée pela minha criação ou culpar Rosalie por todo o show que ela armara, no fundo eu sabia que se havia alguém culpada ali, esse alguém era eu.

Ninguém me arrastara até Purple Lounge, Marcus não me pegara a força. Eu fiz tudo aquilo, porque quis e agora, merecia tudo o que estava acontecendo.

Não era destino, não era a vida sendo cruel ou simplesmente uma colocação da lei de Newton.

O caso era que, toda ação provoca uma reação de igual intensidade, mesma direção e sentido contrário.

Se antes eu afetara Edward, agora eu era a mais afetada.

—Sua mãe parece preocupada com você. – Jéssica proferiu sentando ao meu lado.

Tudo o que eu fiz, foi rir, mesmo sem vontade alguma.

—Aham.

Meu tom irônico deixou claro que eu não acreditava.

Fechando os olhos passei as mãos por meu rosto.

Ainda tinha esperança que aquilo fosse apenas um pesadelo, que eu fosse acordar, ver Edward ao meu lado e tudo ficaria bem de novo.

Quando voltei a abrir os olhos, me deparei com a pulseira em pulso e senti como se uma faca estivesse me perfurando profundamente.

Meus dedos tocaram o pingente de coração, apertei os lábios deixando duas lágrimas grossas caírem por meus olhos.

Eu não conseguia imaginar meu mundo sem Edward por perto, nem sabia se eu ia conseguir seguir adiante longe dele.

Respirei fundo deitado a cabeça no colo de Jéssica.

Eu só queria que o tempo passasse rápido, voando.

E que Edward voltasse para mim.

Notas finais
Só quem já sofreu por amor sabe o quanto dói :/ Mas como a Bella mesmo disse, a maior culpada é ela, então...u.u Gente, espero que tenham gostado ^^ Nos vemos em breve :) Se cuidem, Beijõõões da Nick :*