Único Prazer
14 13º Capítulo
Notas iniciais
Penteava meus cabelos em frente ao espelho, mas minha mente divagava demais para que eu pudesse prestar qualquer atenção.
Eu não conseguia me concentrar em nada. Não quando um sentimento estranho apertava meu peito.
Talvez fosse bobagem minha, ou uma coisa normal de quem ama, porém, o medo de ficar sem Edward estava me atordoando.
Respirei fundo, deixei o pente sobre o balcão do banheiro para cobrir meu rosto com as mãos.
O nó em minha garganta estava mais comprimido, dificultava até minha respiração. Queria chorar, queria que Edward me garantisse que nunca iria me deixar, queria não ter sido tão idiota.
Soltando ar pela boca apoiei as mãos na madeira escura, foi impossível não olhar para a pulseira em meu pulso. Arrumando o corpo, toquei a joia com as pontas dos dedos.
Ela era linda, bastante delicada e o ouro branco tinha um brilho intenso, mas ela me deixava ainda pior.
Conhecia e muito bem as joias Tiffany e conhecia ainda mais, os preços exorbitantes. Não era justo que ele gastasse tanto dinheiro comigo.
Prendendo meu lábio inferior entre os dentes, afastei os pensamentos da minha cabeça. Eu iria lhe presentear também, algum relógio, eletrônico, qualquer coisa cara o suficiente que tirasse aquele peso de mim.
Soltando um suspiro, abri a porta saindo do banheiro. No curto corredor, a voz de Edward se misturava com as da TV que estava ligada na sala.
—Tudo bem mãe, pode deixar... – sua voz saiu paciente e carinhosa, tive de parar por alguns segundos para admirá-lo.
Ele estava sentado no sofá, sem camisa, exibia seu belo tórax definido. Sua mão livre subiu para seu cabelo, se embrenhando nos fios cobres.
—Eu vou falar, vou eu prometo. – fez uma pausa para rir, estava descontraído. Era bom vê-lo assim. —Certo, se cuide também. Eu também... – respirou fundo antes de soltar outra risada. —Também te amo. Até mais, outros.
Assim que ele afastou o celular da orelha, eu me aproximei, Edward pareceu notar isso pois ergueu a cabeça em minha direção.
Ele sorriu e eu, obviamente, retribui.
—Estava falando com sua mãe? – tentei não deixar toda a curiosidade que eu sentia, transparecer.
—Estava.
Concordou se inclinando até repousar a cabeça em meu colo.
—Alice acabou de desembarcar por lá. – completou curvando os lábios em um biquinho pensativo. Ele ficava tão fofo assim!
Ele segurou minha mão, seus dedos mexiam nos meus em um carinho gostoso.
—Ela chegou bem?
Edward maneou a cabeça enquanto beijava meu pulso, inalei o ar profundamente sentindo os pelinhos do meu braço ficarem eriçados.
—Sim, mais pirada do que nunca. – ri de suas palavras. —E minha mãe parece ter sido contagiada por toda a euforia de Alice.
Estreitei os olhos, minha mão livre vagava em seus cabelos.
—Porque?
Edward me olhou rapidamente antes de se sentar.
—Alice contou a ela que estou namorando. – suas palavras me pegaram de surpresa. —E agora, ela está maluca para te conhecer.
Fitei Edward por um longo tempo, ainda sem acreditar no aquele havia dito. A mãe dele queria mesmo me conhecer?
—Bella? – Edward chamou, tirando o cabelo do meu rosto. —A ideia de conhecer sua sogra parece tão aterrorizante assim?
Eu pude sentir a brincadeira a sua voz, o sorriso que enfeitava seus lábios também deixava claro isso.
Respirei fundo negando com a cabeça.
Conhecer minha sogra.
O pensamento pareceu mais prazeroso do que eu imaginava que seria. É claro que eu queria conhecer os pais de Edward e queria ainda mais agora, que eu sabia que ao menos sua mãe, também queria me conhecer.
—Não, claro que não! – proferi sorrindo. —Eu vou adorar conhecer sua mãe. Sua mãe e seu pai.
—Eles vão gostar de saber disso. – Edward pegou o lábio inferior em uma mordida, foi impossível não ficar hipnotizada.
Homem lindo! E meu.
—Já tem algo programado para o dia de ação de graças?
—Não. – neguei de imediato, me interessando no rumo em que nossa conversa estava tomando.
—Acha que seus pais se importariam se você fosse para o Texas comigo?
Meus pais.
Eu quase ri de sua pergunta. Eles não se importariam nem se eu fosse para a Síria tentar pôr um fim na guerra!
—Não, eles são tranquilos com isso! – murmurei somente, Edward não precisava saber da minha triste relação familiar.
—Menos mal! – seu sorriso foi grande. —Então, você topa ir para Mckinney passar o feriado comigo e com a minha família?
Como eu poderia recusar a um pedido daqueles? Como?
Ainda mais, quando era algo que eu queria tanto. Quanto mais eu tinha de Edward, mais eu queria.
Conhecer seus colegas, seus amigos mais íntimos, sua família.
Queria fazer parte da vida dele, saber tudo dele, estreitar cada vez mais nossa relação.
E eu aceitei sem pestanejar ao seu convite.
Acho que em toda minha vida, eu nunca fiquei tão ansiosa, tão aflita, nervosa e até preocupada.
Quando o fim de semana passou e tivemos de voltar para nossa vida corrida, eu queria que as horas voassem, que chegasse logo quarta-feira e fossemos logo para o Texas.
Porém meus desejos só deixaram o tempo mais lento, tornando assim, de cada hora uma agoniante tortura.
No entanto, tortura nenhuma era maior que o medo de que os pais dele não gostassem de mim.
Eles podiam achar que eu não era garota certa para Edward, que eu não era boa o suficiente ou coisas do tipo.
A única coisa que me tirou daqueles devaneios angustiantes —sem citar Edward, é claro— fora os resultados dos meus exames que saíram para me deixar aliviada, perante ao assunto.
Não havia contraído nada, nem uma doença, nem uma gravidez indesejada.
Assim que joguei o papel no lixo, coloquei uma pedra no assunto. Mesmo com o mal pressentimento que me rondava, o melhor que eu fazia era esquecer aquela noite trágica.
—Se você não se acalmar, não vai chegar viva nem no aeroporto, quem dirá no Texas!
Ergui os olhos encarando Jéssica, ela estava deitada em minha cama, mexia em seu celular com o semblante contorcido de tédio.
—É fácil para você falar! – exclamei passando a mão pelo cabelo. —Queria ver se estivesse no meu lugar.
—Amor, já passei por isso. – ela se sentou cruzando as pernas. —E você também.
Pondo minha mala no chão, tive de respirar fundo. Várias vezes.
—Eu sei, mas... Agora é diferente! – o arrependimento tomou conta de mim, no momento em que disse as palavras.
—Diferente, é? – Jéssica se colocou de pé, caminhou de vagar até parar a minha frente. —Por que?
—Porque é!
Tentei não cair em sua provocação. Era bem obvio que Jéssica sabia sobre meus sentimentos por Edward, mas eu não queria admitir —mais uma vez— que ela tinha razão.
Lhe dando as costas, me olhei no espelho. Queria garantir que eu estava bem. Arrumei minha pulseira sob da manga comprida de minha blusa poá de cetim.
Minha saia sino branca, tinha um comprimento ideal. Não era muito curta, nem muito comprida.
—O melhor que você faz é relaxar. – Jéssica voltou a falar, eu a olhei através do espelho. —Afinal, você pode chegar lá e encontrar uma família Buscapé!
Rolei os olhos ouvindo suas risadas, Jéssica vinha alegando isso desde que eu lhe contei que os pais dele moravam em uma fazenda.
—Engraçadinha. – mostrei o dedo do meio a ela.
—Duvido que não tenha pensado nessa possibilidade.
Deu de ombros, as mãos puxaram o cabelo para o alto e então, ela o prendeu.
—Não... – minha voz não saiu tão firme como eu queria. Jéssica riu provocadora.
Apesar de duvidar ferozmente disso, eu havia cogitado essa ideia, mas mesmo que a família dele fosse como a do filme, eu não me importaria.
—Sei. – ela arqueou as mãos me fitando zombeteira.
—Você é tão escrota, Jéssica Stanley!
Ela gargalhou, me lançou um beijo no ar e então me abraçou rapidamente.
—Eu sei que você me ama!
Bufei vendo pelos cantos dos olhos, a porta do meu quarto se abrir.
—Com licença, senhorita Swan. – a empregada pediu formalmente, apenas maneei a cabeça. —O taxi já chegou.
—Ah, sim. – soltei baixo sentindo meu coração saltar dentro de mim. —Leve minhas malas, por favor, já estou descendo.
Em silencio ela se aproximou, esticou os carrinhos das minhas bagagens e ainda quieta, saiu do quarto.
Respirando fundo eu tentei me acalmar, ia dar tudo certo. Edward era incrível, Alice era incrível, não tinha como os pais deles serem ruins.
Tentei relaxar ao lado dele, sem demonstrar como estava aflita, nervosa e ansiosa.
O aeroporto estava uma loucura, LAX já era cheio de gente em dias normais, mas agora, na véspera do feriado, o caos estava instalado.
Nós chegamos para o nosso voo em cima da hora, e Edward realmente me surpreendeu ao me conduzir até o portão de embarque da primeira classe.
Ele insistira em comprar nossas passagens, até tentei negar, mas discutir com ele era em vão. Eu esperava que ele fosse compra-las na área econômica, tinha absoluta certeza aliás.
O avião ficou no portão enquanto as comissárias de bordo, andavam de um lado para o outro no corredor, se certificando que as bolsas realmente cabiam nos compartimentos.
A espera fora aflita, até que, enfim o avião se afastava lentamente do portão aumentado a velocidade gradualmente com uma estabilidade magnifica.
O frenesi de ansiedade e impaciência, não passou quando decolamos e Edward pareceu então notar minha aflição.
—Relaxe. – murmurou beijando as costas da minha mão. Eu o olhei, seus olhos se prenderam nos meus por curtos segundos, conseguindo fazer com que eu me acalmasse um pouco.
Sorri inclinando minha cabeça para deitá-la em seu ombro. Edward depositou um beijo em minha cabeça, subindo a persiana que cobria o vidro da janela.
—Vamos pousar em Dallas? – questionei após um breve período de silencio.
—Sim, meu pai vai estar nos esperando no aeroporto.
Eu respirei fundo, minha cabeça se aconchegou em seu peito quando ele passou o braço por mim.
—Qual o nome dele? – ergui a cabeça para poder encará-lo, só agora, eu havia me dado conta de que não sabia o nome dos meus sogros.
—Carlisle.
—E o da sua mãe?
—Esme.
Maneando a cabeça eu sorri, voltando a repousar a cabeça em seu peito.
Carlisle e Esme.
Eles soaram agradáveis a mim.
Um filme começou a passar nas pequenas televisões, com um grande esforço eu consegui me concentrar nas figuras pequenas que passavam nas telas, tempo o suficiente para pegar no sono.
Quando acordei —com o leve solavanco do avião—, o céu nublado de Los Angeles fora substituído por um escuro e estrelado.
A cabine estava clara e então, o avião finalmente pousou. Demorei alguns segundos para assimilar, mas assim que o piloto anunciou nossa chegada em Dallas, a ansiedade voltou a me dominar.
Edward me beijou antes de levantar da poltrona e pegar nossas bolsas, eu tentava controlar minha respiração enquanto o seguia mecanicamente.
Como em LAX, o aeroporto de Dallas estava uma loucura. Assim que pegamos nossas malas da esteira, nós seguimos para a escada rolante e então, atravessamos o portão de desembarque.
A sala a nossa frente estava abarrotada de pessoas com as costumeiras plaquinhas em mãos. Meus olhos correram pelo grande salão a procura de alguém que pudesse ser o pai de Edward.
—Não estou vendo seu nome.
Eu tive de me esticar, para poder alcançar a orelha de Edward. Ele riu passando a mão pelo o cabelo, seus olhos que olhavam aleatoriamente pelo espaço, se focalizaram em um ponto especifico e quando o sorriso apareceu em sua boca, olhei na mesma direção.
—Ali está ele! – apontou e eu fiquei boquiaberta.
Um pouco a nossa frente, estava um homem alto, forte e bastante jovem. Ele tinha os cabelos loiros dourados, penteados para trás de um modo descontraído e charmoso.
A pele clara, ficava reluzente com o contraste que a blusa azul marinho de botões, proporcionava.
Ele sorria em nossa direção, seu olhar estava fixo em Edward. Eu não podia acreditar que ele fosse seu pai.
—Estava começando a achar que o senhor não tinha vindo! – Edward proferiu assim que nos aproximamos, eu ainda estava em choque, tentava não encarar o homem a minha frente, mas estava difícil.
De perto, ele era ainda mais lindo!
Os olhos eram claros, um azul esverdeado lindo. O maxilar quadrado e o sorriso torto, eram idênticos aos de Edward.
—Como se sua mãe permitisse isso! – a voz chegou em meus ouvidos, com um sotaque forte. Claro! O sotaque sulista, estava presente no timbre rouco, deixado a voz ainda mais bela. —Como você está filho?
Maneando a cabeça, encarei os dois que se abraçavam. Tive de sorrir ao perceber o carinho que os rodeava.
—Bem, pai e você?
—Ótimo, como sempre. – eles trocaram um sorriso e então a atenção se voltou para mim. —Você deve ser a famosa Isabela.
Eu me surpreendi quando ele se referiu a mim, ainda sorria, os olhos eram simpáticos. Soltando a respiração, concordei com a cabeça retribuindo o sorriso.
—Sim, sou eu. – minha voz falhou um pouco, o que me obrigou a pigarrear.
—Bella, esse é meu pai, Carlisle. – Edward apresentou. —Pai, essa é a minha namorada.
O modo como Edward me apresentou, me deixou exorbitantemente feliz. Minha namorada.
—É um prazer lhe conhecer. – sua mão se estendeu a mim, rapidamente aceitei seu comprimento.
Não pude deixar de reparar no belo relógio que enfeitava seu pulso. Se eu não estivesse muito enganada, aquele era um legitimo Rolex.
—O prazer é meu, senhor Cullen. – balançando a cabeça, ele arqueou as mãos.
—Apenas Carlisle, e por favor, deixe que eu lhe ajudo com as malas. – antes que eu pudesse retrucar, ele já havia pego as bagagens das minhas mãos.
Pelo visto, o cavalheirismo era de família. Edward entrelaçou nossos dedos, seu corpo se manteve perto do meu enquanto nos dirigíamos para fora do aeroporto.
—Alice já está na fazenda? – Edward perguntou assim que atravessamos as portas giratórias. A temperatura me surpreendeu, eu esperava que estivesse frio, porém estava um clima bastante agradável.
—Não, ela vai só amanhã cedo. – Carlisle proferiu parando por breves segundos, sua mão se infiltrou no bolso traseiro de sua calça social, retirando um molho de chaves. —Trouxe o peixe dela, não é?
—Trouxe. – Edward rolou os olhos, soltei um riso baixo, olhando para o pequeno aquário preso na mala dele. Nemo nadava de um lado para o outro e Alice ia se surpreender ao ver como ele havia crescido tanto em poucos dias.
—Ainda bem, caso o contrário teríamos que comprar um novo! – dessa vez nós três rimos, o som do alarme sendo desativado me chamou atenção e correndo os olhos pelos veículos a minha frente, logo encontrei o carro de Carlisle.
Uma BMW grande e reluzente esperava por nós. Ela era preta, estava um pouco suja de poeira e barro, mas era incrivelmente linda!
—Esme está muito animada, não vê a hora de te conhecer, Bella! – Carlisle comentou me olhando pelo retrovisor, eu sorri com suas palavras mesmo que por dentro, estivesse me roendo de aflição.
—Também quero muito conhece-la!
Eu soei mais confiante e firme, Edward girou no banco para me olhar e sorrir, eu obviamente, retribui instantaneamente.
Sentados nos bancos da frente, os dois voltaram a conversar, era nítida a intimidade e cumplicidade que eles tinham. Era intenso, verdadeiro. Uma bela relação entre pai e filho.
Meus olhos se direcionaram para a janela, a cidade era realmente incrível. Nunca tinha estado em Dallas, para ser mais exata, nunca tinha estado no Texas, e por isso, acreditava que a população fosse composta por cowboys e velho oeste.
Claro que eu estava bastante enganada.
Os prédios altos e modernos, foram se afastando e logo a placa desejando boas-vindas a Mckinney, apareceu.
Não esperava que a cidade ficasse tão perto de Dallas, eram menos de cento e cinquenta milhas de distância.
Mckinney não era tão pequena quanto eu imaginava, na verdade era uma cidade grande. As poucas ruas que percorremos, pareceram bastante aconchegantes, os enfeites amarelos, vermelhos e laranjas decoravam cada canto possível.
Logo a paisagem urbana fora substituída por uma rural. Estava escuro lá fora e a única coisa que eu conseguia ver, era a estrada, isso quando os faróis iluminavam.
—Como estão as notas na faculdade?
Carlisle indagou a Edward, a pergunta tomou minha atenção visto que ele, parecia bastante interessado na resposta.
—Estão boas. – eu sabia que Edward sorria.
—Muito bem. – os dois se entreolharam rapidamente. —E a residência, quando começa?
—Ano que vem ainda. – ele me pareceu um pouco frustrado e ansioso. —Mas já está tudo certo para começar, UCLA Medical Center já aprovou minha entrada.
—Caramba filho, parabéns!
Eu sorri por ver como Carlisle parecia orgulhoso, um feixe de luz passou por meu rosto e então, desviei o olhar dos dois para olhar a paisagem lá fora.
Estávamos em um caminho largo, eu podia até ver o chão —do que eu julguei ser de pedras—, ele tinha o formato em S e era circundado por um gramado que se perdia em meio a escuridão, tamanha sua dimensão
Holofotes iluminavam o caminho e eu queria me debruçar para poder tentar ver onde estávamos, porém eu consegui me conter.
O carro parou, contudo não fora desligado. Meus olhos se voltaram rapidamente para frente, onde os faróis iluminavam um portão de madeira escuro enorme que tinha em suas laterais, imensos muros de pedras.
A placa de madeira correu para o lado esquerdo com uma lentidão agoniante e quando ele liberou minha visão, eu estanquei no banco.
A casa estava em uma distância considerável, contudo eu já podia admirá-la.
Ela apresentava um exterior de pedras claras, com duas torres pontiagudas. A fachada frontal era muito acolhedora e convidativa, era uma mistura de pequeno castelo com traços de arquitetura moderna.
Acho que eu morri e fui para o céu, ao ver a enorme propriedade a minha frente. Era muito linda, rustica, fascinante!
Um círculo paisagístico levou direto até a porta da frente, onde o carro finalmente parou. Meio abobalhada, eu soltei meu cinto de segurança, assim como Carlisle e Edward, que no instante em que desceu do carro abriu a porta para mim.
Ergui minha cabeça vendo novamente a casa, ela estava toda iluminada e algumas flores decorativas enfeitavam as grades curvadas em S das janelas.
Edward pegou minha mão, ainda conversava com o pai sobre a faculdade, quando a porta frontal se abriu.
Pela milionésima vez no dia, eu me surpreendi ao ver a mulher sair da casa. Ela era tão jovem quanto o marido e poderia, certamente, estar nas passarelas de moda.
Ela sorria grandiosamente, a atenção toda voltada para Edward. Ela era muito, muito, muito linda!
E eu já sabia de quem ele havia herdado o tom cômico do cabelo. O ruivo dos dois era idêntico.
Esme.
O nome ressurgiu em minha cabeça deixando meu estomago gelado quando ela se afastou do filho, deixando vários beijos em seu rosto.
—Estava com tantas saudades. – o sotaque sulista, também estava presente em seu timbre elegante. Ela estava emocionada, era evidente.
—Também estava mãe.
Edward se inclinou e beijou a testa da mulher, na parte em que a franja não ocupava.
Quase desfaleci quando a atenção se voltou para mim, quando Esme me olhou eu tive ainda mais certeza de sua beleza.
Os traços eram delicados, femininos. Os olhos eram claros, contudo não eram verdes ou azuis. Parecia um mel, um âmbar raro e belo.
Ela sorri, exibindo lindos dentes.
Edward fez as costumeiras apresentações e então ela se aproximou, seu perfume doce era suave.
—É um prazer, Bella! – pousou as mãos em meus ombros.
—O prazer é todo meu. – ela maneou a cabeça me dando um breve abraço. Sorri retribuindo, ela era muito gentil, assim como o marido.
—Vamos entrar. – com o braço em minhas costas, ela me conduziu. —Os rapazes cuidam das malas.
O hall de entrada era digno de cinema. As paredes eram curvadas, formando um excelente círculo ao redor da escada que se abria diante nós.
Ela era de pedra meio amarelada, o corrimão marrom era todo detalhado e o tom chocolate, estava presente na mesa redonda a frente. Um vaso grande exibia as orquídeas brancas, na verdade, havia várias delas ali.
Quadros estavam assimetricamente presos na parede, em especial um, o maior de todos. Ele continha uma foto dos quatro, Carlisle, Esme, Edward e Alice.
Não era uma foto comum, ela parecia uma pintura como os quadros antigos feitos de tinta óleo.
—Fizeram uma boa viagem? – ela questionou me puxando para a direção destra da sala, uma abertura arredondada serviu como passagem para uma grande sala de estar.
As paredes tinham um tom pastel, dois sofás vitorianos estavam arrumados em L, mantas castanhas estavam postas sobre eles juntamente de almofadas decorativas.
A frente uma grande janela panorâmica dava a visão para o lado de fora. Eu pude ver parte do jardim e o começo de uma árvore, contudo a cortina fechada não me auxiliou muito.
—Sim, foi ótima. – murmurei sorrindo.
—Ah, que bom! – sua mão afagou meu cabelo. —Sente-se meu bem. – ela foi doce, indicou o sofá e juntas, nós nos sentamos.
Ela era muito elegante, vestia uma camisa jeans com os punhos dobrados até os cotovelos e uma saia longa com estampa floral em degrade.
—Fico muito feliz por ter vindo, Bella. – ela proferiu cruzando as pernas. —Obrigada por aceitar meu convite.
—Imagine. – soltei me sentindo mais à vontade. —Eu quem agradeço por ter me convidado.
As vozes de Edward e Carlisle se aproximaram e não demorou nada, para que ambos adentrassem na sala.
Carlisle parou ao lado de Esme, eu constatei como eles formavam um belo casal. Edward veio até mim, sentando o mais perto possível e segurando minha mão.
Eu o olhei, ele sorria torto. Meu sorriso preferido.
—Vocês dois parecem tão cansados! – Esme murmurou nos olhando. —Porque não sobem, tomam um banho e descansam um pouco antes do jantar?
Nenhum de nós dois recusou a sugestão de Esme, então acompanhados por ela, nós subimos o grande vão de escadas até o segundo andar.
A cada passo que eu dava pela casa, mais eu me encantava. Ela era linda, muito bem decorada e planejada.
—Bella, preparei este quarto para você!
Esme disse antes de abrir a porta de madeira escura, ela adentrou no cômodo e eu a segui, me deslumbrando com o ambiente a minha frente.
Ele tinha um formato hexagonal. As paredes eram creme, menos as três frontais da porta, onde haviam as enormes janelas.
A frente delas, duas poltronas cinza tinham em seu meio, um pequeno aparador redondo de madeira.
O tapete persa era enorme, atingia quase que o quarto todo, inclusive a enorme king size. Ela era de madeira, meio rustica, um modelo antigo, porém muito lindo. Dois criados do mesmo estilo ocupavam suas laterais, tendo sobre si, belos abajures longos e elegantes.
O jogo de cama era neutro, cinza e vermelho tijolo.
—Nossa, é lindo! – soltei vendo a estante de livros ao lado da porta. Ela ia do chão ao teto e em seu centro, havia uma grande TV ultra LED.
—Que bom que gostou.
Esme se aproximou e então, me indicou outra porta.
—Aqui é o banheiro e ao lado, o closet. – explicou cruzando as mãos em frente ao corpo. —Eu o equipei com roupões, toalhas, produtos de higiene pessoal. Se algo lhe desagradar, pode dizer e eu troco, ok?
Toda sua receptividade me deixou meio sem jeito, pigarreei sorrindo agradecida.
—O que é isso, está tudo ótimo.
—Vou deixar você descansar, fique à vontade, a casa é sua!
—Tudo bem, obrigada. – sorriu ao acariciar meu ombro.
—Por nada querida. – murmurou antes de sair do quarto, Edward entrou no segundo seguinte trazendo consigo minhas duas malas.
—Aqui estão senhorita Swan. – brincou as deixando ao lado da cama.
—Obrigada, senhor Cullen. – ele riu se aproximou e deixou beijo rápido sobre a minha boca. Fora rápido, contudo o suficiente para me atiçar.
Merda de corpo fraco.
—Meu quarto é o último a esquerda. – informou afagando meu rosto. —Qualquer coisa, pode me chamar.
—Ok.
Eu me estiquei para beijá-lo novamente, queria aprofundar o beijo, no entanto, saber que minha sogra estava a poucos metros de distância, me impediu.
Edward havia me dito que eles eram meio conservadores, Alice também havia comentado algo do tipo.
Assim que a porta se fechou e eu estava sozinha no quarto, me direcionei ao banheiro. Meu queixo foi ao chão.
Ele era todo de mármore branco com rajados amarelos. A banheira de hidromassagem redonda, era o centro das atenções ali.
A sua frente, um enorme espelho estava sobre o balcão luxuoso. Um pouco ao fundo, estava o boxe e a privada.
Algumas velas e flores —orquídeas—, enfeitavam o ambiente amplo e arejado. Um perfume gostoso de lavanda corria pelo o ar.
Ainda fascinada com o banheiro —com a casa—, comecei a juntar os fatos.
Alice tinha um cartão de credito com limite alto, Edward havia me dado uma pulseira bastante cara, viajamos na primeira classe, seu pai ostentava um Rolex —que ao menos parecia ser original—, tinham um carro luxuoso e um pequeno castelo que eles chamavam de casa.
Talvez, Edward não fosse tão pobre quanto eu pensava...
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