Único. Épico.
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Notas iniciais
Sinto meus pensamentos eclodirem contra o crânio, revivo a noite anterior e as últimas quatro. Não sei o que estou fazendo com minha vida, agora tão próxima aos trinta. Enquanto experimento a comida e beberico um chá amargo consigo enxergar os jovens lá fora. Voltando das festas, dos bares, trançando pernas e trocando beijos acalorados. Eu era como eles. Eu tinha a vida toda pela frente.
Pensei que se vivesse da maneira que queria, que continuasse sendo a rainha do baile, não teria arrependimentos. Tinha certeza que diferente dos outros eu estaria sempre convicta das minhas escolhas, alegre por elas e orgulhosa também. Muitas vezes sonhava com ele vivendo tantas loucuras quanto eu, tendo aventuras por conta própria, conhecendo pessoas. Eu dizia isso com todas as letras. Dizia para ele viver. Voltava chorando para sua casa sempre que o meu viver, me matava.
Certamente, ele viveu. Do jeito dele. Sangrando pela vida e aprendendo a curar as feridas. Quiserá eu ter dominado essa arte, aprender a sangrar, cicatrizar e conviver com as marcas. Quero escrever novas cartas, dizer que nós estávamos fazendo valer a penas, aos quinze anos. Que não importa quanto tempo passou, ainda poderíamos fazer valer. Sei que no final diria que os maiores amores de todos os tempos acabaram agora, pediria para escrever para mim.
Mesmo não te vendo, reconheço seu sorriso. Você diria que nem sempre o que achamos que é amor, de fato seja. Ou que demorei tempo demais para perceber o que todos sabiam. Respiro fundo sabendo que é verdade. Que talvez você esteja certo, até mesmo em minha imaginação matutina.
Pego um papel e rabisco algo que para qualquer pessoa não faria sentido. Você saberá. Identificará como sendo meu. Como sendo Lily e Hugo. Hugo e Lily. Do passado para o futuro.
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