Único. Épico.
7 7.
Notas iniciais
Quando volto para minha casa encontro uma carta em cima da mesa. Reconheço sua letra de imediato. Mesmo que passassem mil anos ainda reconheceria. Sua letra, sua voz, sua risada, o perfume que sempre usava. Não encontro Íris, tenho certeza de que está me dando o tempo que preciso, que não quer me assistir lendo palavras dela, do primeiro amor da minha vida. Mal desdobro o papel e reconheço a citação. Nós trocamos ela algumas vezes, a repetíamos sempre que assistíamos a mesma cena. Quando tudo parecia pesado demais para nós dois. Sentávamos no sofá, pegávamos o porte de sorvete, duas colheres, ela em meus ombros. Nossas palavras ensaiadas.
Hugo,
Eu pensei que a nossa história fosse épica, sabe? Eu e você.
Sei que você está questionando, épica como?
E eu te respondo. Atravessando anos e continentes, vidas arruinadas, derramamento de sangue... Épica.
Sabe, eu sinto muito sobre... tudo. Provavelmente até por essa carta, mas você sabe, se eu tivesse outra chance... se eu tivesse sido diferente, tudo seria diferente hoje?
E você sabe que ninguém escreve músicas sobre os relacionamentos que são fáceis.
Quando foi que aconteceu? Quando que ter trinta anos é se arrepender? Quando que eu me transformei em alguém que não segue em frente para a próxima festa, para o próximo namorado, para a próxima cidade?
Será que sabe me responder?
Me desculpe, me desculpe de qualquer forma!
Lily.
Fico olhando para a casa vazia. Entendendo toda a carta, me lembrando das palavras de Rose, de tudo que aprendi até aqui. Daquilo que escolhi, daquilo que deixei ir e o mais importante do que deixei entrar. A vida pode ser tão estranha, surpreendente e assustadora. Ninguém nos ensina como lidar com todas as mudanças, ninguém explica que as escolhas tem consequências. Respondo a carta dela.
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