Notas iniciais
Ok. Ainda não superei o capítulo anterior, mas aqui está o capítulo dessa semana. Boa leitura! Link para a música: http://www.vagalume.com.br/the-xx/angels.html

Eu não conseguia me mexer. Não conseguia reagir. Vi Lauren se levantando, o rosto coberto pelas lágrimas, procurando nos bolsos da mochila seu celular. Ouvi-a gritando, pessoas chegando e formando uma pequena roda ao redor do corpo de Jessie, algumas tentando ajudar em vão. Mas tudo me parecia distante, quase como num sonho. Ou melhor, como num pesadelo.

Não sei quanto tempo fiquei ali, sentada, com meus pensamentos em modo stand-by. Sei que fui trazida de volta ao mundo por uma enfermeira, que foi me perguntar como eu estava. Só então percebi as ambulâncias e viaturas, suas luzes ofuscando minha visão.

Antes de responder à pergunta da enfermeira, olhei em volta à procura de Lauren. A encontrei sendo amparada por um policial, sentada em uma das viaturas, bebendo um copo de água. A tristeza ainda era óbvia em seu semblante. Meus olhos foram então para o lugar onde estava Jessie, seu corpo já não estava lá.

Voltei-me novamente para a enfermeira. Pude ver preocupação sincera em seus olhos, como se ela pudesse sentir parte da minha dor. Mas não podia. Não havia sido ela quem tinha presenciado o assassinato da melhor amiga. Não havia sido ela que não tinha feito nada para impedir que a melhor amiga se fosse. Ninguém poderia saber o que eu estava sentindo.

Assenti com a cabeça, usando o que me restou de força para conter as lágrimas. Certamente não fui convincente, mas a enfermeira me entregou um copo de água e se afastou, dizendo que se eu precisasse ela estaria logo ali.

Alguns minutos depois, dois policiais vieram até mim e o mais delicadamente que conseguiram, me pediram para relatar o que havia acontecido ali. Entre pausas para recuperar o fôlego roubado pelo choro que sempre insistia em voltar, contei-lhes tudo que conseguia me recordar, e então eles levaram a mim e Lauren para casa.

Os policiais pediram para conversar com a minha mãe e explicar-lhe tudo. Quando ela me viu chegando em casa naquela situação e acompanhada de policiais, seu rosto assumiu uma grave expressão de preocupação. Ela saiu para falar com os policiais e eu entrei, me deparando com Louis.

– Hanna, o que aconteceu? — ele olhava preocupado pela janela e depois para mim.

Eu não consegui dizer nada. Apenas corri para ele, o abracei e chorei mais ainda. Desabei, pra ser mais exata. Ainda hoje me pergunto como é possível que uma pessoa consiga chorar tanto.

– Que foi, Han? — Tom perguntou acarinhando minha mão.

Eu não conseguia emitir nenhum som que não fossem os soluços do choro, então fiquei lá, apenas sentindo o abraço protetor de Louis.

Quando minha mãe terminou a conversa com os policias, entrou e disse:

– Tom, suba para seu quarto, por favor.

Ouvi os passos do meu irmão subindo a escada, um tanto contrariado por não poder participar da conversa, mas ele certamente havia entendido que se tratava de algo sério.

Eu tinha me acalmado um pouco, então nós nos sentamos. Louis estava com o braço em meus ombros e eu estava com os meus braços em sua cintura e a cabeça encostada em seu ombro. Eu sabia o que minha mãe ia dizer e queria ser forte para não cair em prantos mais uma vez.

– Jessie foi assassinada — ela disse com uma voz que tentava se manter fria, mas ao mesmo tempo embargada.

Eu apertei Louis com muita força e mais lágrimas rolaram pela minha face, mas dessa vez elas foram silenciosas. Louis estava sem reação. Até deixara seu braço que estava em meus ombros cair um pouco. Minha mãe veio até mim e deu um beijo em minha testa; eu senti uma ou duas lágrimas escorrerem.

– Os policiais me contaram tudo que você e Lauren contaram a eles. Eu imagino o quanto deve estar doendo em você.

Nesse momento eu percebi que eu não queria ficar mais ali. Eles foram ótimos comigo, principalmente meu padrasto, mas eu não queria alguém que imaginasse a dor que eu sentia, não era o suficiente. Só quem poderia me entender era alguém que estivesse passando pela mesma situação.

Eu me levantei e pedi a chave da van emprestada.

– Você não está num estado estável para dirigir, Hanna — disse Louis.

– Eu preciso ir à casa da Lauren — eu tentei ser forte, mas estava chorando novamente.

– Então eu te levo até lá.

– Eu quero ir sozinha!

– Você não pode dirigir nesse estado, Hanna! — gritou minha mãe.

Então eu saí correndo. Corri o mais rápido que pude. A casa da Lauren nem era tão longe da minha, eram apenas 7 quadras e, pode ser estranho dizer isso, mas toda a minha fraqueza me deu forças para correr até lá em 8 minutos.

Cheguei lá e toquei a campainha. Eu estava ofegante; as mãos no joelhos enquanto eu tentava recuperar o fôlego. Foi o pai de Lauren que atendeu à porta.

– Hanna, que surpresa! Entre! Lauren está lá em cima. Sinto muito pelo ocorrido. Ela era tão jovem — ele me abraçou, o pesar estampado em seu rosto.

A mãe de Lauren estava sentada em uma poltrona perto da lareira, enxugando os olhos com um lencinho branco enquanto olhava para uma foto de nós três.

Corri para o quarto de Lauren e entrei sem bater. Ela me olhou assustada e eu me joguei em seu colo para abraçá-la. Nós ficamos lá, chorando abraçadas por um tempo que parecia não acabar e nunca ser o suficiente. Quando parecia que íamos parar, tudo começava outra vez.

– Por que ela? Por que não eu? Por que eu sugeri ir comprar a merda da água sozinha? É tudo culpa minha.

– Lauren, se você tem culpa, eu tenho muito mais, pois eu estava lá e não fiz nada para salvá-la.

– Você não podia fazer.

– Você também não poderia.

Nós ficamos um tempo chorando em silêncio. Eu estava me recordando dos momentos antes da tragédia. Não sabia no que Lauren estava pensando, mas tive uma breve ideia quando ela disse:

– Eu a amo tanto.

– Eu também a amo.

– Não, eu amo de um jeito diferente. Você a ama como irmã. Já eu, Hanna, eu sou apaixonada por aquela garota.

Notas finais
Estou completamente desolada, gente. Comentem o que vocês sentiram depois da morte da Jessie, vai! Por favor, quero saber se só eu estou morrendo porque ela morreu :(