Última Chance

6 Capítulo 6: Convites.


— Acorda Nessa... Vamos, tenho um convite para te fazer. — Sussurra carinhosamente sacudindo ela. Ela abre os olhos sonolenta e olha para ele piscando por conta da claridade. — O Dimitri me ligou agora a pouco convidando a gente para o baile de máscaras em comemoração ao aniversário de casamento dos pais dele, vai ser hoje à noite. Vamos? — Completa sentado na ponta da cama ao lado da esposa que continua sonolenta coçando os olhos mas aparentemente está ouvindo atentamente.

— Baile de Máscaras? Claro, vamos sim, adoro uma festinha. — Sussurra sonolenta se espreguiçando. — Bem que eles poderiam me convidar para dançar lá, não é? Fazer um número especial, eu ia adorar matar as saudades. — Comenta com um sorriso provocativo no rosto, lembrando do seu tempo de dançarina.

— Você pode dançar muito hoje lá, comigo claro. A noite toda se quiser. — Responde sorrindo convincente fazendo ela sorrir. — Então vou ligar pro Dimi para confirmar e ele vai pedir pra alguém trazer o convite aqui em casa. Temos que sair para comprar as máscaras e o que mais você precisar, porque eu já tenho meu velho smoking e os sapatos.

— Sim, verdade, eu necessito comprar um vestido novo e eu acho que você deveria comprar um smoking novo também, ou outro tipo de traje formal. — Diz se levantando da cama e dando um beijinho suave na boca dele.

— Vamos ver então quando chegar lá. Eu já tomei banho porque estava com muito calor, então tome o seu e se arrume que eu vou descer para preparar o café ai depois nós saímos para comprar as coisas. E ah, meus pais também devem ir afinal eles são amigos dos pais do Dimi. — Diz saindo do quarto e descendo para a cozinha para preparar o café.

— Ok, querido, está perfeito assim. Faz tempo que não vejo seus pais, vai ser ótimo. — Responde satisfeita ouvindo ele sair do quarto enquanto ela vai pro banheiro se arrumar.

Depois de mais ou menos 40 minutos Vanessa desce já pronta vestida com uma calça de tecido, uma blusa de manga comprida e sapatilhas. Quando ela entra na cozinha Roland está sentado já com a mesa pronta lendo o jornal.

— Que milagre é esse? Você comportada assim? Gostei. — Diz brincalhão fazendo ela rir, guardando o jornal em seguida para tomar o café.

Eles tomam o café enquanto conversam sobre algumas coisas e depois vão pra rua comprar as coisas para o baile e aproveitam para almoçar fora, pois como Vanessa não estava achando o vestido acabaram demorando mais. Quando terminam de almoçar seguem pra casa cansados de tanto andar, desarrumam as coisas depois tomam um banho e se sentam no sofá da varanda do quarto.

— Eu acho que agora é uma boa hora pra gente conversar, o que acha? — Diz Roland com a voz meio tensa com medo de tocar no assunto. Ele acende um cigarro.

— Acho que sim, concordo... Porque se não vamos ficar adiando e adiando e eu não quero isso pra gente. — Diz meio apreensiva olhando pra ele.

— Eu não quero perder você, nunca quis porque eu simplesmente amo você Nessa... Então o que eu mais quero é que a gente se acerte de verdade e volte a viver bem... Eu quero esquecer o que passou porque nós deixamos o que aconteceu afetar muito a gente e eu fui insensível e grosseiro com você.

— Eu amo você também Roland, sempre amei e jamais cogitei me separar de você... É só que esses meses foram terríveis e a gente simplesmente não conseguia se tolerar como se tivéssemos ódio um do outro. — Diz encarando o marido. — Na verdade você estava com ódio de mim, admita isso. Você sempre me culpou pela perda do nosso filho... E você não faz ideia do quanto eu sofri por causa disso, porque eu sofria com a perda e sofria também porque você me acusava injustamente. — Sussurra emocionada, desviando o olhar quando sente a garganta pesada com o choro preso querendo se libertar.

Ele percebe a voz tremida dela e então vira delicadamente seu rosto novamente para ele, segurando uma de suas mãos e fazendo carinho.

— Vanessa tente entender meu lado... Eu não quero dizer que estou certo em relação ao que fiz, mas era o meu grande sonho ter um filho com você e na minha cabeça eu achava que você não podia fazer nada normalmente no período da gravidez... — Ela se mexe agitadamente protestando e Roland coloca o dedo indicador nos lábios pedindo que ela escute apenas. — Eu fiquei tão feliz com a realização do nosso sonho que me tornei paranoico em relação a sua saúde e a do bebê, e hoje eu sei que eu me comportei horrivelmente mas no fundo eu só queria seu bem e o dele ou dela, eu jamais queria fazer mal a vocês. Eu te culpei sim e sinto uma enorme vergonha em dizer isso.

— Você não fez mal a gente amor, jamais eu pensei isso mas você compreende que você estava passando dos limites? Você consegue enxergar que foi injusto comigo? Porque eu não tive culpa, eu não tive culpa Roland! — Sussurra agitada, com a voz embargada pelo choro com algumas lágrimas caindo molhando seu rosto. — Eu não queria perder o nosso filho.

Ela então começa a chorar e ele abraça ela, sentindo uma enorme culpa pelas coisas que disse e pensou a respeito dela.

— Nessa... Olha pra mim. — Ele segura o rosto dela fazendo ela olhar diretamente para ele então seca suas lágrimas com os dedos. — Não chore, por favor. Você não teve culpa, me desculpe por pensar e dizer isso... Eu já te disse, eu me comportei errado. Hoje eu sei que o que aconteceu não foi culpa sua nem minha, simplesmente aconteceu porque era pra ser assim e ponto final. O médico explicou mas eu não escutei nada, eu não quis escutar.

Ela para de chorar e fica um tempo calada olhando para frente tentando se acalmar, respirando fundo para a voz parar de tremer. E Roland espera sabendo que a esposa precisa desses segundos ou minutos de silêncio. Ela lembra que perdeu a criança dias depois de descobrir que estava grávida, e de ter aquela discussão a respeito da viagem com o marido. Ela lembra que no dia saiu pela manhã para comprar algumas coisas no mercado que ficava próximo da casa deles, depois voltou para casa e fez o almoço só para ela pois Roland tinha saído desde cedo para reuniões em editoras para acertar detalhes de seus livros. Depois de almoçar ela arrumou a cozinha e foi se deitar na cama para ler revistas e cochilou um pouco e quando acordou sentia uma dor insuportável no pé da barriga, uma mistura de cólica com outra dor que ela não tem como descrever pois era novidade para ela, e então quando se sentou sentiu algo molhado e pegajoso entre as pernas e sentia o cheiro de sangue, quando olhou para seu vestido viu tudo encharcado de sangue escorrendo pelas pernas. Começou a gritar e a chorar desesperada na esperança de que alguém escutasse, tentou se levantar mas sentiu tontura e caiu na cama de novo foi ai que ela ouviu um estrondo na porta do apartamento e seu vizinho entrou correndo com a esposa no quarto e então ela não viu mais nada, pois desmaiou e quando acordou estava no hospital deitada na cama com Roland olhando para ela. Ela não sabia exatamente o que tinha acontecido mas sabia que tinha perdido o bebê, ela sentiu isso. Roland apertava a mão dela e dizia que estava tudo bem mas ele estava horrível, com a aparência de derrotado e devastado. O médico dela entrou e explicou que infelizmente ela havia perdido o bebê, Roland perguntou emocionado porque isso tinha acontecido e o Doutor disse que o feto estava mal formado e muito desnutrido e ele já tinha se formado assim e que no início da gravidez os médicos não têm como avaliar muita coisa por isso eles passam os remédios de costume para todas as grávidas para a nutrição delas e dos bebês, mas que têm casos que acontece isso e o bebê não resiste independente do que eles façam. Quando o médico saiu eles não conseguiam falar nada, só ficaram sentados esperando o tempo passar.

— Foi terrível... — Ela diz bem baixo enquanto termina de lembrar como aconteceu e então vira-se pro marido com uma aparência tranquila e decidida. — Isso acontece com outros casais portanto não somos o primeiro e todos superam, ou quase todos, mas nós podemos superar. Não é Roland? E me desculpe por não entender seu lado, eu estava muito preocupada com a minha dor e não compreendi que você também tinha perdido algo nessa história, e eu só conseguia ficar com ódio pelo que você falava. Desculpe.

— Sim amor, nós podemos superar e vamos, na verdade acho que já começamos a superar... Essa conversa foi além das minhas expectativas pois me sinto tirando um peso das costas, e eu sei que você se sente assim também. — Ele diz e abraça a esposa alisando suas costas. — E eu vou aproveitar o momento para te fazer um outro convite, eu estava pensando se não seria bom a gente viajar? Tirar umas férias... Eu acho que vai ser revigorante pra gente. O que me diz? — Pergunta esperançoso.

— Eu acho uma ótima ideia amor, na verdade eu adorei seu convite! — Responde sorrindo com as mãos apoiadas nas coxas dele. — Para onde vamos? Praia? Frio? Eu amo viajar.

— Eu sei que você não gosta muito de calor mas eu pensei em irmos para um local de praia, um local paradisíaco diferente de todos... Como íamos fazer antes. Se você concordar, claro.

— Concordo sim, porque eu gosto de praia apesar de não curtir muito o calor mas adoro pegar uma cor as vezes, e acho que praia é sempre mais tranquilo e libertador.

— Então, tudo certo. Amanhã pesquisamos e acertamos os outros detalhes maiores.

Eles se beijam e ficam ali ao ar livre na varanda namorando, depois Vanessa vai arrumar umas coisas no armário e Roland dorme um pouco.

Ele acorda umas 17 horas e Vanessa não está no quarto, então ele desce e vai até a cozinha e encontra ela fazendo um doce de amora. Ela experimenta o doce e ele pega um pouco também, depois eles pegam torradas e comem com o doce. Terminam de comer e sobem pro quarto e Vanessa vai direto pro armário pegar as roupas e acessórios que ela e Roland vão usar no baile e coloca tudo em cima da cama.

— Vai usar esse smoking mesmo? — Ela pergunta passando a mão nas partes amassadas da roupa.

— Sim, acho que está ótimo. — Diz se levantando da cama e indo em direção a ela. — Vamos tomar banho? — Pergunta com segundas intenções.

— Podemos tomar banho mas só o banho, certo? Sinto muito em dizer isso para você, mas estamos atrasados e eu ainda vou secar o cabelo. — Diz dando um beijinho nele e esboça um sorriso de desculpa.

Ele ergue as mãos para cima bem-humorado em sinal de “tudo bem” concordando com as exigências dela, então eles seguem para tomar banho para se arrumarem para o baile que começará às 19 horas.

Notas finais
E ai? Estou indo bem? :)