Ética Do Amor
16 Passados presentes
Notas iniciais
Assim que chegamos na ilha onde havia um resort super chique, Edward e eu descemos e ele me levou até um restaurante, onde havia um enorme mirante no estilo deck de madeira com as mesas iluminadas por velas e decoradas com flores, era simplesmente um dos lugares mais bonitos que eu já estive. Com fome nós não estávamos, mas bebemos alguns drinks servidos em abacaxis. E depois, fomos embora para a ilha dele.
O dia seguinte não foi tão proveitoso quanto o primeiro, já que cinco horas teríamos que ir embora e voltar para a vida real.
Tomamos banho de piscina, jogamos tênis, golfe, namoramos boa parte da tarde e quando já estava na hora, fomos para o iate e trilhamos nosso caminho de volta para casa.
– Dorme lá em casa. – Disse Edward enquanto olhávamos o mar no caminho de volta.
– Bem que eu queria, mas tenho que ajeitar as coisas, pra me mudar logo e ainda tem as minhas roupas pra trabalhar que estão no meio daquela bagunça. Enfim, ainda tenho muito trabalho pra hoje quando eu for pra casa, mas se você quiser ir pra lá.
– Eu tenho que estar em casa hoje. A Eva vai pra lá.
– Quem? – Perguntei com uma sobrancelha erguida.
– A minha afilhada. Filha da Victória e do Riley.
– Ah sim, mas o que ela vai fazer na sua casa? – Perguntei confusa.
– É que eles vão sair pra jantar e depois passar a noite em um hotel, tentaram entrar em contato com a babá, mas não conseguiram, enfim, sobrou pra mim.
– Ah sim, nesse caso, deixa pra lá então, amanhã a gente se encontra.
– Tá bom. – Disse com um leve sorriso.
Assim que chegamos no píer, já havia um carro com motorista disponível para nos deixar em casa. Edward e eu estávamos abraçados no banco de trás, ocasionalmente conversando e trocando leves carícias, estar com ele era sempre bom e nem percebi o tempo passar, só sei que quando dei por mim, o carro já estava parado em frente ao meu prédio.
Após me despedir dele, peguei minha mala e subi até o meu andar, surpresa foi a minha ao encontrar ninguém menos que James parado à minha porta.
– Bella. – Disse assim que me viu. – Caramba, vim ontem à noite e você não estava, vim hoje de manhã e também não. Onde você anda dormindo?
– James, eu não sei como dizer isso sem soar grosseira, mas isso só diz respeito a mim.
– Você já foi mais delicada hein. – Disse franzindo as sobrancelhas.
Sem me importar muito em parecer educada ou não, passei por ele, pegando minhas chaves e abri a porta do meu apartamento, entrando em seguida e deixando minha mala no chão.
– James, o que você realmente quer? Diga logo, porque eu estou muito cansada. – E eu não estava mentindo, eu tinha muita coisa a fazer por causa da mudança e o meu corpo só pedia cama.
– Bella, não é óbvio? – Disse se aproximando. – Eu quero você. Faz uma semana e você nem me procurou, nada.
– Você disse que não vinha mais atrás de mim, eu interpretei isso como um término.
– Eu disse isso porque só eu venho atrás, eu só queria que você se esforçasse um pouquinho também.
– Tudo bem, mas pra mim aquilo foi um término, eu já me acostumei com a ideia e acho que é melhor nós sermos apenas amigos mesmo.
– Não! – Disse parecendo nem cogitar a ideia. – Não dá pra gente ser só amigo, não depois de tudo que já passamos juntos.
– O que? Transas casuais no seu apartamento? Porque a nossa relação se resumia a isso. Você nunca me levou pra um motel pra não gastar e eu não me importaria com isso se você realmente não tivesse dinheiro, mas tá sempre viajando e torrando dinheiro nas boates mais caras do mundo.
– Você tem que poupar em umas coisas pra gastar com outras.
– Beleza, agora a gente não tá mais saindo, economiza a grana das camisinhas, da cerveja e das pizzas congeladas.
– Ah, qual é? – Gritou sem paciência. – Desde que você começou nessa droga de empresa, tá agindo toda estranha comigo. Fala logo, Bella, você tá dando pra outro cara.
– Olha só. – Eu disse sem elevar o tom de voz, embora a minha vontade fosse gritar e bater nele. – Minha mãe poderia estar aqui dentro e certamente os meus vizinhos estão ouvindo tudo, então se você tem qualquer zelo pela amizade que eu ainda tenho por você, por favor, tenha mais respeito.
– Respeito? Olha o que você tá fazendo Bella. – Disse ainda nervoso. – Me trocando por qualquer outro babaca que não gosta de você, pelo menos não como eu e não tem a coragem nem de assumir.
– Você quer que eu assuma? Então tá. Eu to com outra pessoa sim, estou bem com ele e não quero continuar com você. Satisfeito?
– Você é uma piranha! – Disse ainda gritando e meu sangue começou a ferver. – Se conheceu esse babaca na empresa, então tá trepando com ele mesmo quando ainda estava comigo, eu me enganei com você, sua vadia de quinta.
– James, para com isso! – Eu disse com a voz levemente elevada, mas nada que fosse escandaloso como ele estava fazendo. – Eu não estava com ele enquanto estava contigo, mas ainda que estivesse, eu e você nunca tivemos um relacionamento sério, então você não tem o direito de me chamar de piranha.
– Chamo sim, porque é isso que você é, estava tranquila comigo, aí foi só chegar um bobão qualquer e já me substituiu.
– Você só se preocupa em me julgar, só isso. Agora parar e se perguntar o motivo de ter sido trocado você não faz, né?
– Você não consegue ficar com um homem só, esse é o motivo, é por isso que traiu o Brian comigo e o Calleb com o Brian. Esse é o motivo!
– O motivo é que você não dá conta! – Eu disse fervendo de ódio. Ele queria jogar coisas do passado na minha cara? Então eu também não ia me importar em ser sincera. – Você me pediu em namoro sem nem mesmo tentar me conquistar antes e se eu não aceitei é porque eu sei que ia fazer a mesma coisa que fiz com o Calleb e o Brian, porque você não é bom o suficiente pra bastar, nem na cama, nem afetivamente, nem humanamente, em nada James, você não é bom o suficiente em nada. A não ser ficar aí posando de bom moço, que se importa com todo mundo, mas na realidade só fez Serviço Social porque foi a única coisa que conseguiu passar no vestibular e toda vez que arruma qualquer emprego que você realmente tenha que dar o sangue, você pula fora. Só se importa em receber no final do mês pra juntar dinheiro e viajar. Só isso. E pra mim não dá! Eu não quero um homem assim pra mim. Esse é o motivo de eu não ter aceito namorar contigo e o motivo pelo qual eu nunca vou aceitar!
De repente o rosto de James começou a ficar vermelho e se eu também não estivesse explodindo de raiva pelas coisas que ele falou, estaria com medo agora, e com razão em vista do belo soco que ele me deu em seguida. Sim, James me deu um soco e eu caí feito uma banana no chão, depois disso? Eu só me lembro de ter acordado em um lugar com o teto branco e com o o lado esquerdo do meu rosto doendo demais. Ao olhar para o lado, vi uma enfermeira e logo percebi que estava no hospital. Sério que o soco do idiota do James foi tão forte assim?
– Que bom que você acordou. – Disse sorrindo. – Vou chamar sua mãe.
Esperei por alguns longos segundos de infinitas hipóteses de há quanto tempo eu estava ali, minha mãe entrou parecendo bem preocupada.
– Ah filha. – Disse chegando perto de mim e me abraçando. – Graças a Deus você acordou!
– Há quanto tempo eu to aqui? – Perguntei desesperada pela resposta.
– Menos de uma hora. Por quê?
– Ah sim. – Eu disse aliviada. – O que houve? Eu só lembro do James ter me dado um soco.
– Ele te deu um soco? – Perguntou com os olhos arregalados.
– Sim.
– Tem certeza?
– Absoluta. Por quê?
– Ele me ligou, dizendo que foi te visitar e te encontrou desmaiada na porta de casa e te trouxe pro hospital. Assim que eu cheguei ele foi embora.
– Mentira dele. A gente discutiu feio e ele me bateu.
– Então a gente tem que denunciar ele. – Disse indignada. – Você foi passar o fim de semana com o Edward, ele é um rapaz meio revoltado, então pensei logo que tivesse sido ele.
– Não mãe, pode parecer estranho pra você e pra qualquer outra pessoa que o conheça superficialmente, mas o Edward é um amor, de verdade. Agora quanto ao James, deixa isso pra lá. Eu só quero que ele fique longe de mim, mais nada.
– Mas vocês discutiram sobre o que pra acabar nisso?
– Terminamos semana passada, ele quis voltar e eu não, aí ele perguntou se tinha alguém, e confirmei, então ele começou a jogar na minha cara as coisas do meu passado, eu fiquei brava e disse umas coisas pesadas que eu penso sobre ele, enfim, ele ficou puto e me bateu.
– É, o seu passado realmente não é pra se orgulhar, né?
– Mãe, eu sei! – Eu disse já cansada. – A senhora sempre fala nisso, quantas vezes eu tenho que dizer que eu mudei?
– Eu sei disso, tá bom? Não precisa ficar irritada. – Disse me abraçando. – Desculpa se parece que eu não acredito, mas eu sei que você amadureceu.
– Tem mais alguém aqui?
– Tem o Carlisle, o Emmet e a Rosalie.
– Por que eles vieram?
– Na hora que o James me ligou o Emmet e a Rose estavam jantando comigo e com o Carlisle lá na casa dele. Eles ficaram preocupados e vieram também.
– Mãe, a senhora contou a eles que eu fui pra ilha com o Edward?
– O que você disse pra mim pelo telefone?
– Pra não contar a ninguém.
– Pois então. Não contei a ninguém.
– Ah sim, melhor desse jeito.
– Você não tem jeito, não é, Swan? – Disse um Edward com o semblante preocupado entrando na sala sem pedir licença e a enfermeira atrás, implorando para que ele saísse porque era um visitante por vez.
– Edward, você se importa de esperar? – Minha mãe perguntou sem gostar muito da entrada forçada dele. Eu por outro lado, estava com o coração a mil e definitivamente não queria que ele saísse.
– Eu só queria ver se ela estava bem.
– Já viu, agora pode esperar um pouco até que eu termine de falar com a minha filha?
– Claro. – Disse retomando sua postura onipotente. – Me perdoe.
E então ele saiu junto com a enfermeira, fechando a porta.
– Nossa, a senhora foi meio grossa com ele. – Eu disse.
– Eu não gosto dele. – Disse decidida. – O que ele tem de bonito ele tem de grosseiro e estranho. Carlisle e Emmet falam muito bem dele, tem que ver, mas a Rose o detesta, assim como eu e você também deveria.
– Por quê? – Perguntei incomodada com a imposição.
– Bella, pelo amor de Deus, você vivia falando mal desse homem aos quatro ventos, agora tá aí, toda caidinha. Enfia uma coisa na sua cabeça: Não é porque ele é lindo, rico, provavelmente incrível na cama e te levou pra passar dois dias em uma ilha, que ele é um cara legal. Ele não é. E provavelmente daqui a pouco já vai estar se divertindo com outra. Eu não peguei no seu pé em relação a você sair com ele porque você é nova, você tem mais é que namorar mesmo, mas agora é hora de isso acabar. É visível pra qualquer um que você já está se envolvendo e isso eu não vou apoiar. – Disse séria. – Ele não é homem pra você e você não é mulher pra ele. Você é uma das pessoas mais boas que eu já conheci e não tem um dia que eu não tenha um orgulho enorme de ter gerado e criado alguém como você, um presente pra essa sociedade tão agressiva, tão ruim. Não estraga tudo isso apostando as suas fichas em um relacionamento com alguém que é o oposto a tudo que você é. Por favor.
– Mãe. Eu entendo que você veja o Edward assim, por isso eu não vou me permitir ficar chateada com você, mas acredite em mim, não nele, em mim. Eu te garanto que ele não é nada do que você e a Rose pensam. Pergunte ao Carlisle ou ao Emmet e tenta realmente ouvir o que eles tem a dizer sobre o Edward, porque o Edward de verdade é o que eles conhecem, e é o que eu to conhecendo. Ele só precisa de ajuda, de alguém que o escute, que o proteja. Lembra o que o papai sempre dizia?
– Que a gente tem que tirar o melhor que as pessoas tem pra dar. – Disse se recordando.
– Então... Se a senhora me der uma chance, com o tempo eu vou mostrar tanto a você quanto à Rose que ele tem muita coisa boa pra mostrar.
– Filha, eu quero acreditar em você, mas eu te conheço e sei que você tem essa mania de achar que todo mundo é bom. Eu tenho muito medo de você se enganar e se iludir com isso.
– A senhora vai ver que eu não estou errada. Agora pede pra ele entrar, por favor.
– Tá bom. – Disse meio a contra gosto, mas beijou minha testa e saiu.
Pouco tempo depois, Edward entrou, com um sorriso de lado pra mim. Era esse Edward que as pessoas precisavam conhecer! Eu não estava enganada.
– O que houve, minha menina? – Perguntou segurando minha mão e olhando em meus olhos.
– Primeiro me conta como ficou sabendo que eu estava aqui.
– O Emmet me ligou.
– O Emmet sabe da gente?
– Ainda não, mas eu contei pra ele da assistente social que estava me enlouquecendo.
– Ah não brinca.
– É sério. Ele não é só o meu irmão, é o meu melhor amigo também. Já me contou inclusive do interesse do Mike Newton em você, mas depois conversaremos sobre isso. Agora eu quero saber o motivo da senhorita estar com esse rosto inchado e esse olho roxo?
– James. – Eu disse e de repente, Edward fechou a cara.
– Ele fez isso?! – Perguntou irritado.
– Sim.
– Mas o que vocês estavam fazendo juntos hoje à noite? – Perguntou visivelmente entendendo tudo errado. – Porque até aonde eu me lembro, você me disse que vocês não estavam mais juntos.
– E não estamos. – Eu disse na mesma hora. – Assim que eu cheguei em casa ele já estava na minha porta, queria voltar e eu não, nós discutimos e acabou nisso.
– Onde ele mora? – Perguntou.
– Edward, não. – Pedi.
– Onde ele mora?
– Eu não vou dizer.
– Se você me disser fica mais fácil, mas se não disser também eu te garanto que encontro ele em menos de 24 horas.
– Edward, por favor. Eu só quero deixar isso pra lá. Tudo que eu queria dele eu vou conseguir depois disso que ele fez, que é distância. Eu não acho que ele vai voltar a me perturbar depois de hoje, então por favor, vamos seguir as nossas vidas.
– Tem certeza que quer isso?
– Tenho.
– Mas se ele voltar a te perturbar, eu vou encontrá-lo e te garanto que ele não vai gostar das minhas providências. – Disse de uma forma que me assustou um pouco, mas logo esse Edward assustador, deu lugar ao meu Edward. Era difícil descrever sua personalidade que era tão volúvel, mas toda vez que eu disser “Meu Edward” será a este cara carinhoso, engraçado, educado e gentil que estarei me referindo. – Mas como você está se sentindo?
– Estou bem, na verdade meu rosto está um pouco dolorido, mas fora isso estou normal.
– A enfermeira comentou comigo que você vai receber alta daqui a pouco.
– Que bom, porque tenho que trabalhar amanhã.
– Você vai trabalhar?
– Se o médico disser que eu posso, com certeza.
– Cuidado com isso, hein. Ter que voltar pra cá só porque não descansou durante um dia não vai ser legal.
– Com certeza não. – Eu disse sorrindo.
– Senhorita, Swan? – Perguntou um homem de jaleco branco, provavelmente o médico, entrando no quarto.
– Pois não? – Perguntei.
– Eu gostaria de verificar algumas coisas antes e liberá-la.
– Tudo bem. – Respondi.
– O senhor pode esperar lá fora, por favor?
– Claro. – Disse Edward se retirando em seguida.
Em pouco tempo o médico fez os procedimentos e constatou que eu estava bem e que eu só desmaiei mesmo por causa do impacto do soco e tudo mais, mas que eu estava bem e que podia trabalhar no outro dia se não estivesse sentindo muita dor, mas ele passou o atestado no caso de eu sentir e um remédio pra aliviar.
Depois da conversa com o médico, saí do quarto e lá estavam minha mãe, Carlisle, Emmet, Rose, Edward e uma menininha ruivinha com olhos verdes, com carinha de sono e um ursinho de pelúcia na mão, de aparentemente uns quatro anos sentada no colo de Edward, imaginei logo que fosse a filha da Victória que ele ia passar a noite cuidando. Todos se levantaram e vieram até mim para ver se eu estava bem e tudo mais.
– Filha, eu vou dormir com você essa noite. Tá bom? – Disse minha mãe assim que saímos.
– Mãe, a casa tá uma bagunça. – Alertei. – Mal dá pra andar.
– Vocês podem dormir lá em casa. – Disse Carlisle. – Tem o quarto de hospedes. Você vai ficar confortável.
Olhei para minha mãe sem muita certeza se deveria ou não ir.
– Vamos, meu amor. Ao menos por essa noite.
– Tudo bem. – Respondi. Na verdade eu gostaria mais de ir para o apartamento de Edward, mas apenas minha mãe sabia de nós até agora. Ir pra casa dele seria como dizer aos quatro ventos que estávamos juntos. – Mas tenho que passar em casa pra pegar a minha roupa de trabalho pra amanhã.
– Você vai trabalhar amanhã?! – Minha mãe perguntou não gostando nada da história. – O médico te liberou pra isso, Isabella?
– Liberou mãe. Ele disse que eu só deveria ficar em casa no caso de muita dor. Então ainda não é certo se vou ou não.
– Tudo bem. Vamos então.
– Vamos. – Respondi.
Nós fomos direto para o carro e eu nem tive a oportunidade de falar com Edward, a não ser por uma rápida e discreta despedida. Fora o tempo que conversei com Emmet e Rose, até que cada um foi para seu caminho.
Minha mãe, Carlisle e eu passamos no meu apartamento para que eu pegasse minhas coisas, depois na farmácia para comprar o remédio que o médico receitou para dor, e em seguida fomos direto até a mansão de Carlisle, onde jantamos, conversamos e em seguida fomos dormi. De fato, dormi muito bem e nem senti dor, a não ser pela manhã. Parecia que tinham acabado de me dar o maldito soco, mas sem que minha mãe soubesse que eu estava sentindo dor, tomei o remédio e o coloquei dentro da bolsa em seguida. Fui ao banheiro da suíte e tomei um bom banho, me arrumei e desci.
– Bom dia, minha vida. – Disse minha mãe sorrindo enquanto fazia o café, também já arrumada para trabalhar.
– Bom dia, mãe. Onde está o Carlisle?
– Dormindo. Ele sempre dorme até tarde.
– Na verdade somos nós que estamos acostumadas a acordar cedo.
– É, pode ser. Mas e a senhorita? Como está se sentindo?
– Mãe, eu estou bem. Foi só um soco.
– Um soco que te fez parar no hospital.
– Mas eu estou bem. É isso que importa.
Tomamos o café da manhã e em seguida, peguei um ônibus até a empresa. Asim que cheguei, todos me olhavam com pena, como se eu fosse mais uma vítima de violência doméstica, mas eu não me importei, subi até o meu andar e Tânia não foi diferente, é claro. Me olhou como se eu fosse uma pobre coitada.
– O Cullen já chegou? – Perguntei. Se antes era estranho chamá-lo de “Edward”, agora era muito estranho chamá-lo “Cullen”. Ainda mais depois de tudo que vivemos na ilha. Falando em ilha, olhando para Tânia agora eu me perguntava se ele já havia a levado até lá. Ela ou até mesmo Victória.
– Sim, ele chegou faz algum tempo. – Respondeu.
– Obrigada.
Fui até a sala de Edward e surpresa foi a minha ao ver a menininha ruivinha que estava no hospital ontem na sala, sentada em uma cadeira ao lado dele, com vários lápis de cor espalhados por sua mesa, desenhando concentradamente algo em uma folha de ofício.
– Bom dia. – Eu disse ao entrar.
– Bom dia. – Disseram juntos.
– Evinha, esta é a tia Bella. Tia Bella, esta é a Eva. – Disse de uma forma fofa. Eu tive vontade de sorrir. E lá estava ele, mostrando uma nova faceta.
– Oi. – Disse timidamente.
– Oi. – Eu disse sorrindo para ela. – Como vai, Eva?
– Bem. – Respondeu ainda tímida. – Você já se sente melhor?
– Sim, Eu me sinto melhor.
– Mas o seu rosto ainda está machucado. Deve doer bastante.
– Dói mesmo, mas eu tomei um remédio e já me sinto melhor.
– Que bom então. – Disse sorrindo.
– Eu posso ver o seu desenho? – Perguntei tentando ser simpática.
– Claro. – Disse empolgada, se levantando rapidamente e vindo até mim em seguida.
– Olha. – Disse me mostrando uma folha com dois bonequinhos de palito. – Esses aqui são o papai e a mamãe. – Depois ela passou a folha. – Esse aqui é o tio Eddie. – Tio Eddie? Era Edward?
– “Tio Eddie” sou eu. – Disse Edward como se estivesse lendo meus pensamentos e eu sorri.
– E essa é a minha futura casa. – Ela disse amostrando o último desenho. Um conjunto de traços tortos, porém visivelmente querendo formar uma casa.
– Nossa, que bonita.
– Eu sei, o tio Eddie disse que ficou. – Disse sorrindo. – Ele disse que um dia eu vou ser uma arquiteta tão boa quanto ele.
– Você quer ser arquiteta?
– Sim. – Respondeu sorrindo.
– Nossa, que legal! Eu tenho certeza que você vai ser ótima.
– Obrigada.
– Edward? – Perguntou uma bela voz feminina vinda da porta.
Olhei para trás e tive que me certificar que meu queixo não estava caído, era uma mulher alta, com lindas curvas ressaltadas por sua saia lápis e camisa social com os dois primeiros botões abertos, cabelos vermelhos e encaracolados como fogo, era uma mulher quase impossivelmente linda.
– Victória! – Disse Edward parecendo satisfeito em vê-la.
– Bom dia. – Ela disse olhando para mim.
– Bom dia. — Respondi.
Foi então que percebi a semelhança entre ela e Eva. Aquela era Victória. A mulher que passou sete anos com Edward, a única mulher na qual ele já se apaixonou. Puta que pariu! Como eu podia competir com uma mulher dessas?! Fui até a minha mesa, antes de caísse de tanto que minhas pernas tremiam por insegurança e liguei o notebook, fingindo estar concentrada.
– Mamãe! – Disse Eva imensamente feliz, correndo de encontro à Victória que prontamente abaixou e a pegou no colo em um abraço apertado.
– Eu vim buscar a minha princesinha. – Disse dando um beijo na testa da pequena Eva. – Ela deu trabalho?
– Ela nunca dá trabalho. – Disse Edward sorrindo lindamente para a pequena, que sorriu de volta. – Ao contrário da mãe.
– Eu não dou trabalho, tá? – Disse sorrindo. – Eu só queria uma boa noite de descanso com o meu maridinho.
– Não é disso que eu estou falando, mas sim dos mais de 100 relatórios de funcionários que você mandou pra eu analisar. São eles que estão fazendo coisas erradas ou você que está exigindo além da conta?
– São eles, Edward. É praticamente impossível controlar a todos. Eles não me obedecem, não importa o que eu faça. Então passo o esporro pra você, porque a você eles escutam.
– Pois é. Vou resolver essas questões ainda essa semana. Mas e o Riley, te levou naquele hotel que eu falei?
– Levou... – Disse feliz. – Edward, é maravilhoso! Eu não consigo acreditar que você leva essas garotas de uma noite só pra lá.
– Mulheres são mulheres, todas merecem ser tratadas bem. – Disse sorrindo.
– Só quero saber quando o bonitão aí vai sossegar.
– Você já está careca de saber o que eu penso sobre relacionamentos.
– Sim, eu sei, mas ainda penso que está errado. Você pode achar muito legal ter várias mulheres e tudo mais, mas qual delas realmente está ao seu lado? Qual delas vai ficar com você nos momentos mais difíceis ou até mesmo nos mais alegres, como o natal, o seu aniversário. Você pode ter o seu pai e o Emmet, mas não é a mesma coisa que ter uma família sua, que você construiu.
– Eu não estou mais com várias mulheres. – Disse com um leve sorriso, porém sem olhar para mim.
– Ah não! – Disse parecendo não gostar nada do que estava ouvindo. Mas não foi ela mesma quem disse pra ele se firmar com alguém? – Por favor, não me diga que você está levando à sério isso com a Tânia? Pelo amor de Deus, hein Edward? Quando te conheci você escolhia bem melhor. – Edward riu como se eles estivessem em uma piada interna, que não era tão interna assim, já que eu sabia do passado dele, mas certamente a conversa implícita tinha mais a ver com Eva, que estava ali.
– Você é tão modesta que até me comove, e eu ainda escolho bem, a Tânia é bonita.
– Sim, ela é linda, definitivamente, mas não é de beleza que estou falando. É de alguém que goste de namorar, que queria algo sério, não que saia por aí se oferecendo pra todo mundo. Se eu fosse você tomava até cuidado pra não pegar nenhuma doença venérea.
– Eu sempre me protejo. – Garantiu. – Mas de qualquer forma, não estou falando da Tânia.
– Ah sim, agora já podemos começar a conversar. É alguém no estilo dela?
– Não. Completamente diferente.
– Ah, então você está no caminho certo, mas por favor, Edward. Se ela realmente for uma boa garota e você estiver realmente a fim dela, não a deixe ir. – Disse séria. – Vê se para com essa coisa com relacionamentos, porque mulher direita gosta de homem que assume compromisso. E eu estou falando sério, senão você vai acabar ficando sozinho.
– Eu to deixando rolar pra ver no que dá, tá bom? Sem pressão.
– Tá okay. – Disse sorrindo. – Sábado agora vou fazer uma festinha pra comemorar o meu aniversário. Leve-a. Eu e com certeza o Riley queremos muito conhecê-la.
– Tudo bem.
– Bom, estou indo porque o trabalho me chama.
– Tá okay. Bom dia de trabalho pra você.
– Pra você também. – Respondeu.
– Tchau, gatinha. – Disse para Eva que sorriu para ele.
– Tchau, tio Eddie. Tchau, tia Bella.
– Tchau. – Respondi sorrindo.
Elas saíram e então Edward levantou de sua cadeira, vindo em minha direção e abaixando ao meu lado.
– E aí, acompanhante? Vamos em uma festinha no sábado?
– Essa é a sua ex? – Perguntei indo direto ao ponto.
– Sim.
– Edward, essa mulher é... Perfeita! Sério, como você pode deixar ela escapar?
– Ela é linda mesmo, mas é aquilo que eu te disse, nós tínhamos objetivos diferentes e eu não me arrependo de nada. Porque umas coisas tem que ir, para que outras às vezes até melhores aconteçam. – Disse olhando em meus olhos. Parecia que ele estava falando de mim, mas cara, onde que eu era melhor do que aquela mulher?
– Dá pra ver no seu rosto o quanto está insegura. O que eu preciso fazer para que você tenha certeza de que não precisa se preocupar?
– Nada Edward, eu não posso fazer absolutamente nada em relação ao seu passado a não ser aceitar, então não importa muito se isso me incomoda ou não, creio que com o tempo passe.
– E vai passar. Quando formos na festa dela no sábado e você vê-la com o Riley, tenho certeza que vai perceber que não há possibilidade de haver qualquer coisa entre a gente. Você vai, não vai?
– Vou, mas e se ela não gostar de mim? Ela me pareceu bem exigente quanto à mulher que você vá escolher.
– Ela vai gostar, eu tenho certeza. Mas mesmo que não gostasse. Eu gosto, e muito. – Disse me dando um selinho em seguida. – Agora eu tenho que ir trabalhar.
– Okay.
Edward voltou para sua mesa e nós começamos o longo dia de trabalho. Não conversávamos muito para não atrapalhar no andamento das coisas. Até que chegou a hora do almoço.
– Bella. – Ele disse assim que me levantei para sair.
– Oi?
– Almoça comigo?
– Ah Edward, eu estou acostumada a almoçar com o Emmet, a Rose e o Mike, se quiser se juntar a nós, será bem vindo.
– Eu não me misturo com os funcionários da empresa.
– Mas o Emmet e a Rose são da sua família.
– Aqui eles são meus empregados.
– Pois então almoce sozinho. – Eu disse irritada pela forma que ele agia.
Sem olhar para trás, saí da sala. Edward me irritava quando agia desse jeito. Ele mudou comigo, me tratava com carinho e atenção, mas com os outros era exatamente a mesma pessoa fria e carrasca e isso acabava com tudo.
Assim que cheguei no refeitório, coloquei minha comida e fui até Emmet, Rose e Mike que já estavam sentados à mesa que costumávamos ficar.
– Nossa. – Disse Mike olhando para o meu rosto. – O que houve com você?
– Me envolvi em uma briga. – Me limitei em dizer.
– Meu Deus, Bella. – Disse tocando no meu rosto e o acariciando, obviamente tirando proveito da situação.
Foi então que ouvi alguém pigarrear fortemente atrás de mim, surpresa foi a minha quando olhei e vi Edward, em pé atrás de mim e de Mike, que por sua vez, tirou a mão do meu rosto o mais rápido possível.
– Eddie? – Emmet perguntou visivelmente feliz em ver o irmão. – O que faz aqui?
– Emmet, aqui eu não sou “Eddie”. – Disse sério. – E eu pensei em... Almoçar aqui... – Agora ele estava um pouco tímido. – Almoçar aqui... Com vocês.
– Claro. – Disse Mike, puxando saco e se levantando na mesma hora da mesa que só tinha quatro cadeiras. – Sente-se aqui, senhor. Eu pego outra cadeira para mim.
Edward não se opôs e sentou na cadeira onde Mike estava, ao meu lado.
– Quem eu chamo pra trazer a comida aqui? – Perguntou confuso olhando para os nossos pratos, já postos.
– Você não chama ninguém. – Eu disse. – Vai ter que se levantar e colocar seu próprio prato.
– Aonde?
– Eu te levo lá. – Disse Mike enquanto chegava com sua cadeira e colocava ao lado da de Edward.
– Tudo bem. – Ele disse enquanto se levantava.
Ambos foram até a fila onde todos pegavam a comida, e o engraçado foi ver as pessoas olhando para Edward como se ele fosse um Deus, era perceptível que eles não entendiam o que o presidente da empresa estava fazendo ali, no bandejão. E quando ele chegou no final da fila, Mike começou sua bajulação.
– Saiam da frente. O presidente da empresa quer almoçar. – Rolei os olhos com vontade. Sério mesmo, Mike? Eu jamais sairia com um cada desses!
Todos abriram espaço para que Edward passasse e se servisse.
– Não. – Ele disse. – Quem chegou primeiro se servirá primeiro. Não se preocupem comigo. – Ele disse fazendo com que eu meu coração disparasse de felicidade. Se há alguns minutos atrás eu estava furiosa porque ele não queria descer para não “se misturar” agora eu estava plenamente orgulhosa de seu ato.
Assim que a atenção se dissipou dele, Edward olhou para mim e piscou, eu apenas sorri e voltei a atenção para a minha mesa, onde estavam Emmet e Rose, comendo.
– O que deu no babaca do seu irmão? – Rose perguntou para Emmet em tom de desdém.
– Não fala assim dele, Rose. – Disse Emmet, visivelmente irritado. Bom, eu também estava, mas não exatamente com ela, já que Edward não fazia muita questão de ser agradável com quem não queria, mas sim pela impressão errada.
– Eu falo do jeito que eu quiser. – Rebateu. – Ele é um babaca sim. E provavelmente está querendo pegar alguma funcionária, por isso está aqui, tentando impressionar.
– Por que você acha que tudo que ele faz tem que ter alguma coisa por trás? – Ih, eu estava sentindo cheiro de briga. – Porra, ele é o meu irmão, eu o conheço bem melhor do que você. Eu já cansei de falar pra você parar de ficar julgando os outros sem conhecer.
– Tem certeza que vai brigar comigo de novo por causa dele?
– Vou brigar quantas vezes forem necessárias. Porque eu já cansei de falar que não gosto que você fique falando mal dele, no entanto você continua. Você não me respeita.
– Eu não te respeito? Você não me dá o direito de ter a minha própria opinião e quem não te respeita sou eu?
– Eu já sei qual é a sua opinião, não concordo, mas sei qual é. Não acho que você precise falar sobre ela toda vez que encontramos o Edward.
– Porque ele é desagradável toda vez que encontramos com ele.
– Ele está sendo desagradável em que nesse exato momento? – Ele perguntou e ela ficou quieta, eu pensei que o assunto tinha terminado ali, no entanto ele continuou. – Você sabe tudo que ele já passou, será que não passa pela sua cabeça que esse bloqueio que ele tem com as pessoas possa ser relacionado a isso?
– Ah, é claro. – Disse irônica. – Quem tem problemas, busca ajuda pra resolvê-los. Nem isso ele quis. Quando você vai enfiar na cabeça que ele não liga?! Ele tá pouco se lixando pra você e pro Carlisle! Quantas vezes o Carlisle não quis pagar a porcaria de um psicólogo e ele simplesmente não quis ir. Ele não quer resolver porque tá pouco se lixando! Só vocês não enxergam isso. – Disse se levantando irritada e saindo a passos largos.
Emmet então apoiou os cotovelos na mesa e colocou as mãos no rosto.
– Até perdi a fome. – Disse calmo, porém com uma voz exausta.
– Tudo bem aqui? – Edward perguntou enquanto chegava com Mike e seu prato da comida.
– Eu vou falar com a Rose. – Eu disse me levantando.
– O que houve? – Edward perguntou confuso.
– Desculpa por não ficar. – Sussurrei para ele que apenas assentiu com a cabeça.
Procurei Rose um pouco e finalmente a encontrei no banheiro, chorando.
– Rose? – Eu disse assim que entrei. – Tudo bem?
– Não. – Disse enquanto tentava secar as lágrimas. – Eles não enxergam porque não querem.
– O que há sobre o passado do Edward? – Perguntei direta. Eu simplesmente não aguentava mais saber que ali havia alguma coisa e não saber do que se tratava. Agora eu ia descobrir o que esperei tanto tempo para conseguir.
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